domingo, 9 de outubro de 2011

O SIGNIFICADO DO JUÍZO PRÉ - ADVENTO

1- Acontece no céu, junto ao trono do Deus Eterno (o Ancião de Dias), local onde o grande conflito cósmico entre Cristo e Satanás originou-se (Dan. 7:9 e 10).
2- Este juízo leva ao reconhecimento da legitimidade do Filho de Deus em receber o domínio, a honra e o reino eterno, sendo assim plenamente digno de ser adorado (Dan. 7:13 e 14).
3- Este juízo é feito também em favor dos santos do Altíssimo, que finalmente possuirão o reino (Dan. 7:22 e 27).
4- Este juízo leva à destruição final e definitiva das forças do mal, simbolizadas pelo chifre pequeno que se levantou em oposição a Deus e aos seus servos (Dan. 7:26).
5- Assim como no dia da Purificação do Santuário (dia da Expiação ou dia do Perdão), este dia de juízo será o momento onde todos aqueles que confiaram na provisão oferecida serão definitivamente absolvidos, e o verdadeiro culpado por todos os pecados juntamente com todos aqueles que obstinadamente rejeitaram a reconciliação serão punidos (Dan. 8:14, Lev. 16 e Heb. 9:22 e 24).

Ao concluirmos o estudo de Daniel, percebemos que o autor não exagerou sobre as seguintes questões:
1- Dogmatizar em torno da data de 22 de outubro de 1844;
2- Destacar que nesta data Cristo passou do lugar Santo para o Santíssimo do Santuário Celestial;
3- Detalhar os procedimentos durante o juízo, tais como livros com pecados anotados e tendo ao lado o registro do perdão, para então só no momento do julgamento ser definitivamente apagado;
4- Mencionar que este julgamento começa por todos aqueles que morreram em Cristo, podendo a qualquer momento passar para aqueles estão vivos;
5- Apelar aos cristãos que estejam constantemente alertas, pois não saberão o momento em que terão o seu nome sendo julgado e consequentemente seu destino sendo selado.

Até poucos anos atrás, cada vez que o tema do juízo pré-advento era abordado pela grande maioria dos teólogos Adventistas do Sétimo Dia, os pontos acima eram sempre mencionados como uma importante parte do estudo, e muitas vezes, até com bastante destaque e detalhes. Hoje, porém, o assunto passa a ser abordado de uma forma muito menos dogmática quanto a estes “detalhes” muito questionados por outras
denominações religiosas, por estarem apoiados mais sobre inferências (deduções) do que sobre um claro e explícito “assim diz o Senhor”. O próprio termo utilizado para identificar este julgamento, que antes era identificado como “Juízo Investigativo”, foi substituído por outro muito mais adequado e menos comprometedor em termos teológicos, “Juízo Pré-Advento”.

Considero isto como uma forma de amadurecimento do pensamento teológico adventista, que passa a se preocupar muito mais com as questões básicas que estão solidamente alicerçadas na Bíblia de forma irrefutável, e menos com algumas questões periféricas que tendem mais a criar polêmicas do que efetivamente fortalecer os alicerces desta importante doutrina característica da Igreja Adventista do Sétimo Dia.

Para alguns entenderem um pouco melhor o que estou a tentar izer, faço as seguintes perguntas para reflexão:
1- Que diferença faz para o cerne da doutrina sobre o juízo pré-advento e para a compreensão das profecias de Daniel, se a data não for 22 de outubro de 1844, mas for 21 ou 23? Compreendo que alguns possam até querer aprofundar ainda mais alguns detalhes, e até tenham desenvolvido interessantes estudos para provar a precisão desta data porém, não considero esta uma questão tão fundamental ao ponto de comprometer a estrutura principal desta doutrina.
2- Qual a vantagem em querer afirmar categoricamente que no fim das 2.300 tardes e manhãs, Cristo passou fisicamente do lugar Santo para o Santíssimo do Santuário Celestial? Será que usando somente a Bíblia podemos afirmar com tanta certeza que no céu existem dois espaços físicos delimitados, e que somente numa determinada data Cristo passou de uma sala para outra? Tais detalhes tem criado antagonismo e rejeição por parte dos demais cristãos, do que ajudado na sua compreensão e aceitação. O facto de que existe uma realidade celestial e espiritual da qual o Santuário terrestre com seus serviços era apenas um modelo, deveria nos tornar mais humildes em procurar aprender a essência das suas grandes lições, sem querer definir arrogantemente muitos dos detalhes não revelados. O ponto principal nesta questão deveria ser que no final das 2.300 tardes e manhãs iniciou-se no céu um solene e importante período de julgamento que antecederá a volta de Cristo e a conseqüente consumação dos reinos deste mundo.
3- Por que seria importante detalhar os procedimentos utilizados pelo Deus eterno e Seu Filho neste julgamento quanto aos registros nos arquivos celestiais? É tão imprescindível conhecer com absoluta certeza e precisão se os pecados quando confessados são perdoados e lançados nas profundezas do mar (apagados e esquecidos) naquele exato momento, ou se continuam registrados com a anotação de já foram perdoados para então só num determinado momento serem definitivamente apagados? Não é muito mais importante ter a certeza de que, independentemente do momento exato em que são definitivamente apagados, a promessa é de pleno perdão e aceitação para todo aquele que se achega a Deus por meio de Cristo? Ao invés de nos preocuparmos de querer saber como Deus trabalhará no juízo, não é muito mais importante termos a certeza de que Ele sempre procederá com infinita justiça, graça e misericórdia?
4- A compreensão das profecias de Daniel quanto à realidade de um juízo pré-advento depende de se conhecer quem é julgado primeiro e que o será por último?
5- Não seria uma forma de terrorismo teológico ou chantagem emocional dizer: “Olha, tome cuidado quanto à maneira como está vivendo hoje, não fique adiando sua decisão de mudar de vida, pois se neste exato momento seu nome pode estar sendo passado diante de Deus no juízo celestial, e você será achado em falta estando assim perdido para sempre!”. Ou então: “Como não sabemos em que momento nosso nome estará sendo lido no céu, devemos estar vivendo a cada segundo em arrependimento e comunhão diante de Deus”. Pior do que tentar aproximar as pessoas do Salvador com vistas na recompensa, é tentar faze-lo com base no medo do castigo. A motivação que está por traz deste tipo de argumentação é o interesse pessoal (o próprio eu), e não a entrega pelo amor desinteressado gerado pela graça.

Muito tempo?

Quero concluir este comentário, abordando um pouco a questão do tempo. Independentemente de quando iniciou o julgamento pré-advento, se foi em 1843, 1844, 1845, o facto é que alguns questionam quanto ao grande período de tempo entre o seu início e o ano em que estamos a viver. Eles perguntam: “Porque Deus precisa de tanto tempo para realizar um julgamento?”.

Em primeiro lugar precisamos de nos lembrar que esta questão do tempo é muito relativa. A demora está sendo avaliada em relação a quê? Se compararmos com o tempo da nossa existência pessoal (cerca de 100 anos) talvez seja um tempo muito longo, mas quem disse que a referência de comparação é a duração das nossas passageiras vidas. Deus está a agir dentro dos termos cósmicos do grande conflito entre o bem e o mal, bem como dentro do contexto global da história deste mundo.

Como desconhecemos o momento em que a rebelião se iniciou no céu, vamos considerar esta questão de tempo apenas com base na provável duração da história deste mundo. Para tanto, vamos, apenas com finalidade didática, definirmos a data para o início deste julgamento como sendo 1844. Veja então onde se encontra o início do juízo pré-advento dentro da cronologia da história deste mundo:
* Baseado na cronologia de Edward Reese e Frank Klassen.

Será que realmente o juízo pré-advento começou há muito tempo atrás e está demorando muito, ou são nossas referências que estão equivocadas?
“Porém, a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas unicamente o Pai”.

Que o Senhor Deus nos ensine “a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos coração sábio” (Salmo 90:12), lembrando-nos sempre que “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Prov. 1:7).

“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia. Ele é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.” (II Pedro 3:10).

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