sábado, 16 de abril de 2011

A SACUDIDURA E O TEMPO DO FIM.

Em Amós 9:9, existe um texto ao qual precisamos prestar atenção: “Porque eis que darei ordens e sacudirei a casa de Israel entre todas as nações, assim como se sacode trigo no crivo, sem que caia na terra um só grão”.
Deus advertiu através do seu mensageiro, que haveria um processo de sacudidura naquele tempo, entre a casa de Israel, o povo escolhido de Deus; disse que separaria a palha do grão. Essa idéia de sacudidura, ou peneiramento, foi extraída da agricultura. Os grãos de trigo, cevada, lentilha, por exemplo, eram colhidos, mas estavam com muita casca, palha, pedrinhas e coisas semelhantes. Colocava-se uma porção numa peneira e começava-se a sacudir, primeiro com menos intensidade e ia-se aumentando gradualmente. A sujudidade saía e o grão ficava. Isso até hoje é praticado. Em diversas zonas rurais podemos ver o peneiramento de feijão, milho e outros tipos de ceriais.
Para o grão, é um processo terrível, mas necessário. Ser sacudido de um lado para o outro, e não sair da peneira, permitindo somente que saia a pragana, requer uma habilidade por parte do peneirador. Mas quando termina o processo, somente permanece o grão, e o supérfluo foi expelido. Guarde bem este conceito. O que não presta sai, o grão fica. Este conceito simples, mas profundo, é a mensagem que Deus deu a Amós, a fim de que o povo de Deus naquele tempo entendesse os tempos difíceis pelos quais passaria, mas o resultado seria maravilhoso.
Assim como Deus deu uma mensagem profética de advertência sobre esse terrível, mas necessário processo espiritual da sacudidura entre o povo de Israel, Ele também advertiu o povo remanescente de que isso aconteceria entre nós. Ao estudarmos e refletirmos sobre a sacudidura (também denominada de
peneiramento, cirandagem ou joeiramento), cumpre-nos considerar, com toda atenção, essas solenes mensagens dadas para nós hoje.
A Sacudidura Vai Realmente Acontecer?
Através de Ellen G.White, a mensageira para a Igreja Adventista, podemos ver claramente que isso acontecerá:
“Haverá uma sacudidura da peneira. No devido tempo, a palha precisa ser separada do trigo. Por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos está esfriando. Este é precisamente o tempo em que o genuíno será o mais forte” - Carta 46,1887.
“O Senhor virá em breve. Em toda igreja deve haver um processo tendente a aprimorar e joeirar, pois entre
nós há homens perversos, que não amam a verdade nem honram a Deus” – Review and Herald, 19 de março de 1895.
“Deus está peneirando Seu povo. Terá uma igreja pura e santa. Não podemos ler o coração do homem. Mas o Senhor providenciou meios para manter pura Sua igreja pura.” – Testemunhos para a Igreja, Vol.1, 99.
Necessitamos hoje compreender a seriedade dessas advertências:
“Se já houve tempo em que precisássemos compreender nossa responsabilidade, é agora esse tempo, quando a verdade anda tropeçando pelas ruas e a equidade não pode andar. Satanás desceu com grande poder, para operar com todo o engano da injustiça para os que perecem; e tudo que pode ser abalado sê-lo-á, e as coisas que não podem ser abaladas permanecerão”. – Testemunhos Seletos, vol.3, pág. 312.
Com esta última citação, podemos ver claramente a necessidade de compreendermos este assunto tão importante, tendo o conhecimento da verdade de Deus para nosso fortalecimento espiritual e uma decisão ao lado da verdade revelada por Deus para hoje.
A Sacudidura Vai Acontecer Ainda no Futuro?
Certamente que não. Muitos imaginam que a sacudidura é um acto que acontecerá num determinado dia de algum ano, num futuro ainda distante. A sacudidura não é meramente um acto – simples, rápido, isolado e futuro. É um processo que já começou, está aumentando de intensidade e vai aumentar ainda mais, a fim de provar ao máximo os fundamentos espirituais de cada pessoa que um dia aceitou a Jesus como Salvador e se uniu ao povo de Deus. Como, infelizmente, junto com o grão plantado por Deus, muita joio foi cresceu pelo inimigo, torna-se necessário esse processo.
Veja as seguintes declarações:
“Deus está agora cirandando o Seu povo, provando os seus propósitos ou motivos.Muitos serão apenas palha, não trigo, pois não haverá valor neles” – Testemunhos Para a Igreja, vol.4, pág.51.
“Começou a forte sacudidura e continuará, e todos os que não estiverem dispostos a assumir uma posição ousada e tenaz em prol da verdade, e a sacrificar-se por Deus e por Sua causa, serão joeirados” – Primeiros Escritos, pág.50.
A sacudidura já começou.Ela, por sua vez, está aumentando de intensidade. Precisamos compreender isso da forma mais profunda que pudermos, pois as nossas verdadeiras intenções em relação a Cristo e à Sua verdade para este tempo serão provadas ao máximo.
“Mas por quê”, perguntará? “A minha vida já tem tantas dificuldades. Aceitei a Jesus para solucionar todos os meus problemas e , ao ler este assunto, vejo que todos seremos duramente provados!”
A Primeira Sacudidura do Cristianismo.
Veja a seguinte situação que aconteceu na Bíblia, no tempo de Jesus, para extrair uma lição para o dia de hoje. Leia João capítulo 6.2 Aqui  verá que Jesus estava na região do mar da Galiléia, região onde se localizava Nazaré, onde Ele fora criado. Estava numa fase de extrema popularidade. João diz que “seguia-O numerosa multidão, porque tinham visto os sinais que Ele fazia na cura dos enfermos” (João 6:2). Aqui não somente a quantidade é descrita, mas também os seus motivos. Por causa dos milagres, daquilo que era visível. Mas, independente dos motivos da multidão, Jesus ficou preocupado não só com o seu bem estar espiritual, mas também com a sua situação material. Ali estavam com fome e precisavam comer.
O que fez? Organizou o povo em grupos e fez com que ficassem sentados. Com apenas cinco pães e dois peixinhos, na frente de todos, agradeceu a Deus pelo que tinham e começou a distribuir os pães e os peixes. O versículo 10 relata que somente homens havia cinco mil, sem contar as mulheres e crianças. Isso mostra que poderia haver de 10 a 50 mil pessoas! E todos viram cinco pães e dois peixinhos serem distribuídos, e não acabavam. Como Jesus, ao derramar as Suas bençãos não o faz de forma mesquinha, o verso 11 diz claramente que deu “quanto eles queriam”. Comeram bem, e muito bem. Foi uma festa naquele dia. Imagine a presença abençoada de Jesus, comida de graça, na quantidade que quiseram e que puderam comer.
Como Jesus quer fartura, mas não desperdício, mandou que recolhessem tudo o que sobrou. O resultado? Doze cestos cheios. Eram os grandes cestos usados pelos pescadores para recolher o resultado do seu trabalho. Eram grandes. E todos viram isso também.
A multidão ficou eufórica. “Vendo, pois, os homens o sinal que Jesus fizera, disseram: Este é, verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo” (João 6:14). Não era por causa de Sua mensagem, nem pelo facto de que Ele era o Salvador do mundo, mas por causa dos milagres. Queriam proclamá-Lo Rei. Nunca mais trabalho, sofrimento ou dificuldade! Se ficassem doentes, Ele os curaria. Se tivessem fome, Ele os alimentaria.
Jesus percebeu esse mero interesse material. E o que fez? “Sabendo, pois, Jesus que estavam para vir com o intuito de arrebatá-Lo para O proclamarem rei, retirou-Se novamente, sozinho, para o monte” (João 6:15). Ali buscou sabedoria para fazer o que era preciso. Lembre-se sempre de uma coisa: No Reino de Deus, sucesso numérico é bom, mas não é garantia de que seja realmente o poder de Deus se manifestando.
Os seus discípulos resolveram ir para Cafarnaum, que ficava no outro lado do mar da Galiléia. A situação tornou-se difícil para eles devido aos fortes ventos, mas Jesus andou por sobre o mar e salvou-os no meio da noite. E chegaram bem à outra margem.
Ao reencontrar a multidão que estava à Sua procura, foi directo ao ponto: “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: vós Me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos fartastes” (João 6:26). Ou seja, por mero interesse material. Ao expor, os verdadeiros motivos por que O seguiam, Ele estava claramente apontar o que eles precisavam ouvir: “Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a Mim jamais terá fome; e o que crê em Mim jamais terá sede” (verso 35). A
reação foi imediata: “Murmuravam, pois d´Ele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do Céu” (verso 41). E foi mais enfático ainda: “Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o Seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a Minha carne e beber o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia” (versos 53 e 54). E deu todas as explicações, pois compreenderam claramente o que queria dizer: “Muitos dos seus discípulos, tendo ouvido tais palavras, disseram: Duro é este discurso; quem pode ouvir?” (verso 60). Qual foi o resultado dessa mensagem? “À vista disso, muitos dos Seus discípulos O abandonaram e já não andavam com Ele” (verso 66).
Cada um daquela multidão foi sacudido, foi provado em seu fundamento espiritual, em relação a Cristo e à Sua mensagem. Cada um teve que tomar uma posição frente à verdade. A multidão de seguidores foi um a um indo embora, somente ficando os doze. Foi um momento terrível, pois no dia anterior, bem próximo a Si, Jesus tinha milhares de seguidores e, no outro dia, todos O haviam abandonado, em massa, somente ficando doze.
Ele também experimentou os doze: “Então perguntou Jesus aos Doze: Porventura, quereis também vós outros retirar-vos?” (verso 67). Foram sacudidos ao ouvir a mensagem a respeito da verdade da sua missão. Foram sacudidos ao ver a multidão indo embora e somente eles ficando. E agora Jesus também os sacode questionando-os intimamente e dando a oportunidade para refletirem se queriam ir ou ficar. Mas Pedro respondeu: “Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna; e nós temos crido e conhecido que Tu és o Santo de Deus” (versos 68 e 69).
Reparou bem na resposta de Pedro? A resposta abordou a aceitação de Jesus e a verdade que pregava. E quem verdadeiramente aceita a Jesus e a Sua verdade, não tem mais para onde realmente ir. Até então, seguir a Jesus era estar junto d´Aquele que fazia milagres, e cada vez mais pessoas O seguiam. Era sinónimo de Sucesso, de fama, até de fartura e prosperidade material. Mas, ao vir a sacudidura causada pelo impacto da verdade e das suas consequências, houve a primeira grande apostasia do Cristianismo. Note que aqui a a palha saiu, enquanto que o grão ficou.
Para onde  irá? Seguir a Jesus não é fácil, mas é o único caminho. Obedecer à Sua verdade para este tempo é difícil, mas a verdade é o bem mais precioso que existe. Hoje é o dia em que seremos sacudidos e provados, mas, à semelhança de Pedro, fiquemos ao lado de Jesus e da Sua verdade. São as decisões que tomamos cada dia que redundarão na decisão definitiva ao lado do que é certo.
Ninguém que aceitou Jesus e tomou a decisão pelo que é verdade, necessita ou deve sair. Deus não determina quem é palha, quem é grão. A cada um de nós é diariamente feito um apelo para que tomemos uma decisão a favor da verdade. Diariamente precisamos buscar a Deus nas primeiras horas, antes de qualquer coisa, para começarmos o dia ao lado de Deus. Diariamente, nesses momentos, é que nos fortalecemos para enfrentar as provas que nos são desconhecidas. Eis o segredo: “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7). Não estamos sós. A vitória é possível. O inimigo pode ser derrotado, e será, em nome do Senhor Jesus!
“Vi que estamos agora no tempo da sacudidura. Satanás está trabalhando com todo o seu poder para arrebatar da mão de Cristo as almas, e fazer que estas pisem o Filho de Deus. … O caráter está em desenvolvimento. Os anjos de Deus estão pesando o mérito moral. Deus está provando o Seu povo. Estas palavras foram-me apresentadas pelo anjo: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer um de vós um coração mal e infiel, para apartar-se do Deus vivo. Antes exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado: porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio de nossa confiança até o fim” – Testemunhos Seletos, vol.1, pág.429.

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