Apocalipse 19
Este explodir de júbilo é uma das mais sublimes passagens de toda a Escritura. Para entendermos melhor isto, devemos analisá-lo na situação de um casamento de acordo com os antigos costumes do Oriente. Em primeiro lugar, havia os esposais, considerados mais um ato do que o "compromisso" de nosso costume ocidental. A seguir, dava-se o pagamento do dote de casamento, uma parte importante do contrato. Após isto, vinha o período de preparação pessoal da parte da noiva, enquanto o noivo preparava a casa.
O casamento não era realizado na igreja, como estamos acostumados, mas era uma cerimônia singela em que o noivo dava um reconhecimento público de seu direito à noiva. Isto era realizado ao lançar ele sua capa ao redor do ombro da noiva, enquanto o acompanhamento se deslocava ao longo da estrada em que a festa nupcial devia ser realizada.
A festa nupcial, ou ceia das bodas, era um acontecimento espetacular, durando, às vezes, dias e mesmo semanas. O pai do noivo providenciava essa festa, e esta era costumeiramente realizada na casa do pai. Era uma ocasião de honrar a seu filho e, no caso de um casamento real, o rei às vezes dava um banquete a uma cidade ou a toda província, em homenagem ao jovem casal, como um sinal de afeição e honra. Este regalo, costumeiramente se realizava antes do casamento.
Em Apocalipse 21:9 e 10 a esposa é claramente definida como sendo a Santa Cidade, a Nova Jerusalém. Em outros textos, porém, é a igreja chamada "esposa". No Apocalipse, a esposa é mencionada como ataviada em "linho fino, puro e resplandecente, sendo isto chamado "a justiça dos santos" - uma figura dificilmente aplicável a uma simples cidade material. (Apocalipse 19:8).
Paulo chama a Jerusalém celestial "a mãe de todos nós". (Gálatas 4:26). Assim ele compara a igreja aos filhos da esposa. Nosso Senhor faz o mesmo quando fala de Seu povo como "os filhos das bodas". (Marcos 2:19). Em Suas parábolas, Ele assemelha a igreja a convidados a um banquete (Mateus 22:11), noutra ocasião, comparou-a a "dez virgens", ou damas de honra (Mateus 25:1). Essas diferentes ilustrações são usadas para ensinar lições importantes. Não se trata de contradição. É antes um novo modo de revelação divina. Precisamos delas para ter uma idéia completa do quadro.
Desde o início da história humana, Deus tem procurado súditos para Seu reino. Quando Adão pecou, Satanás, o sedutor do homem, reivindicou os reinos deste mundo. Mas, na "plenitude dos tempos", Deus mesmo veio na pessoa de Seu Filho "para buscar e salvar o que se havia perdido", e pelo sacrifício de Sua própria vida, o Filho recuperou a posse perdida. Ele é o Redentor ou o Resgatador celestial. E não devemos esquecer nunca que "Deus estava com Cristo, reconciliando consigo o mundo". (II Coríntios 5:19).
Antecipando o tempo em que o reino será de novo restaurado em favor da raça perdida, Deus, através de todos os séculos, tem estado a chamar os homens para que deixem os seus pecados e entrem em associação com Ele. Nas Escrituras, o relacionamento entre Deus e Seu povo tem sido muitas vezes ilustrado pela relação entre marido e mulher.
A mais bela ilustração desta revelação do amor de Deus por Seu povo, no entanto, encontra-se na história de Abraão enviando seu servo para procurar uma esposa para Isaque, seu filho. (Gênesis 24).
Quando Deus chamou a nação de Israel, falou disto como de um noivado. "Desposar-te-ei em justiça", Ele disse. (Oséias 2:19). Alguns separam esses textos, procurando aplicá-los tanto a Israel como nação, como à igreja à parte de Israel, dependendo do ponto de vista particular do interpretador. Deus sempre teve uma só igreja - formada de todas as nações e reunida como um todo de cada geração de homens. Em Atos 7:38, lemos sobre a igreja no deserto". Esta igreja era definitivamente composta daqueles a quem Moisés tirou do Egito. Eram parte da verdadeira igreja de Deus, igreja esta que existe desde os dias de Adão. Por esta esposa, ou igreja, o Esposo celestial pagou um dote muito mais valioso do que ouro ou pedras preciosas. Este dote foi o Seu próprio sangue, por Ele voluntariamente derramado.
Após Seu sacrifício, veio o intervalo de separação, quando Ele voltou para a casa de Seu Pai, tempo durante o qual a esposa devia preparar-se. Ela devia ser vestida de "linho fino, puro e resplandecente", que é "justiça dos santos". (Apocalipse 19:8; Apocalipse 7:13).
Enquanto a noiva se prepara, o Noivo está-lhe preparando um lugar. "Vou preparar-vos lugar", Ele disse: "E se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e voz levarei para Mim mesmo." (João 14:2 e 3). Oh, bendita recepção, quando formos chamados para o Seu lado!
Em Cristo fomos escolhidos desde a eternidade. (Efésios 1:4; II Timóteo 1:9). Ao longo de todas a dispersão do Velho Testamento, as bodas têm sido anunciadas. Quando o Filho de Deus assumiu nossa carne, ela teve sua efetivação. Quando Ele Se sacrificou no calvário, o dote foi pago. Desde que Ele ascendeu ao Céu, a esposa tem estado a preparar-se, e o Esposo a preparar-lhe um lar - a Nova Jerusalém. Logo Ele virá e a chamará para que ocupe o lugar para ela preparado.
Não admira que os ímpios se assombrem, que os não preparados habitantes da Terra fujam para as rochas e as montanhas, pedindo para serem escondidos "da face dAquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro!" (Apocalipse 6:16). Em contraste com isto está a expectante esposa - a igreja. A promessa é: "Bem-aventurado os que são chamados para as bodas do Cordeiro." (Apocalipse 19:9). Quando o Esposo vier, Ele tomará o Seu povo e conduzirá de volta ao reino de Seu Pai, onde participarão da ceia das bodas. Olhando para esse tempo, Jesus disse: "Não beberei deste fruto da vide até aquele dia em que o beba de novo convosco no reino de Meu Pai." (Mateus 26:29).
Terminado Seu ministério intercessório, Jesus vem perante o "Ancião de Dias" para receber o reino e o domínio pelos quais morreu. (Daniel 7:13). Isto representa, na realidade, as bodas do Cordeiro, e ocorre antes que Ele volte à Terra para buscar os Seus santos, os quais arrebatados para encontrá-Lo, são então levados para "as bodas do Cordeiro" na casa do Pai. (Apocalipse 19:7 a 9). Jesus disse: "Estejam cingidos os vossos lombos e acessas as vossas candeias. E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor quando houver de voltar das bodas." (Lucas 12:35 e 36) - Ver Primeiros Escritos, págs. 55, 251 e 280; O Grande Conflito, págs. 426 a 428.
Os expectantes santos são a esposa para quem Ele volta. O reino e os súditos do reino são uma coisa só. Como convidados, eles vão para a festa de bodas; como a esposa, partilham os presentes nupciais outorgados pelo Pai como sinal de Sua afeição quando "o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu, serão dados aos santos do Altíssimo." "Chegou o tempo em que os santos possuíram o reino." Maravilhosa possessão! Vem depressa, grande dia de Deus!
Os versos finais do capítulo 19 trazem à cena outra ceia. Não é uma festa nupcial de alegria e vitória como a que se celebra quando os justos entram à presença do Pai, mas é a trágica ceia das aves de rapina que vêm alimentar-se da carne dos ímpios, esses que, havendo rejeitado o convite para a ceia das bodas do Cordeiro, são destruídos pelo resplendor da presença de nosso Senhor. Os dias em que vivemos são dias de preparo. Enquanto o povo de Deus está se preparando para encontrar o seu Senhor em paz, as nações da Terra preparam-se para a guerra e o derramamento de sangue. Aqui está o chamado que sai para as nações: "Santificai uma guerra; suscitai os valentes; cheguem-se, subam todos os homens de guerra." (Joel 3:9). O slogan de nossos dias parece ser: Fale de paz, mas prepare-se para a guerra. Certamente a seara está pronta para a ceifa.
Logo, a besta e o falso profeta - os dois grandes sistemas de engano - serão finalmente lançados no fogo consumidor de Deus (Apocalipse 19:20), e os ímpios, por tanto tempo ousados e desafiadores, serão então destruídos "pelo resplendor de Sua vinda".
Trazidos de medo, os ímpios vêem o Senhor vindo em majestade e poder, e correm para os abrigos das rochas e para o topo das escarpadas montanhas, por temor do Senhor e da glória de Sua majestade, "quando Ele Se levantar para sacudir terrivelmente a Terra". Palácios altivos e edifícios considerados à prova de fogo, derreterão como piche. A única coisa que resistirá nesse dia será o caráter piedoso. Foi o caráter e a experiência cristã o que faltou as virgens loucas da parábola do Mestre. (Mateus 25:1 a 8). Deus diz:
Roy A. Anderson, Revelações do Apocalipse, 2.ª ed., 1988, pág. 203
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domingo, 1 de junho de 2014
A Vitória da Igreja e as Duas Grandes Ceias
sábado, 24 de maio de 2014
O Fogo Divino e Sua Falsificação
Apocalipse 13:13 afirma que o falso profeta “fez grandes
sinais, de maneira que até fogo fazia descer do céu à terra, à vista dos
homens”. O que significa isso?
O fogo é um símbolo interessante no livro do Apocalipse. Na
maioria das vezes é um símbolo do juízo de Deus contra os ímpios (ver Apoc.
8:5, 14:10), que às vezes preserva os servos de Deus (Apoc. 11:5). Muitas
vezes, é associado com a divindade. Por exemplo, João viu no santuário
celestial “sete tochas de fogo”, identificadas como um símbolo do Espírito
Santo (Apocalipse 4:5). O fogo também está relacionado a Cristo: “Seus olhos
eram como chama de fogo” (Apocalipse 1:14, cf. Apoc. 2:18, 19:12); “Suas [pernas]
como colunas de fogo” (Apoc. 10:1).
O fogo na Bíblia é um elemento teofânico (Manifestação da
divindade). Muitas vezes, quando Deus se manifesta ao homem, Sua presença é
comparada ou está associada com o fogo. Possivelmente o exemplo mais importante
no Antigo Testamento é a experiência dos israelitas no Monte Sinai: “Todo o
Monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo” (Êxodo 19:18).
Sua aparência abrasadora indicava Sua presença em um lugar particular enquanto
mantinha-se distante e inacessível por causa da Sua santidade.
A expressão “desceu fogo do céu” também é usada em
Apocalipse 20:9. Neste caso, o fogo é um instrumento do julgamento divino
contra as forças do mal que tentam tomar pela força a Cidade Santa. Esta
utilização é diferente da registrada em Apocalipse 13:13. O falso profeta fez
descer fogo do céu para enganar os habitantes da terra. O incidente de Elias no
Monte Carmelo, fornece a base bíblica para este simbolismo.
Os israelitas foram adorar à Baal, e o profeta os confrontou
com uma escolha: O Senhor ou Baal. Elias indicou que o verdadeiro Deus iria
revelar-se fazendo descer fogo do céu (1 Reis 18:20-39). Baal era incapaz de
atender a exigência. Elias orou, o fogo do Senhor caiu do céu, e o povo gritou,
“O Senhor é Deus”. O milagre foi uma manifestação clara da presença do Senhor e
serviu para identificar o verdadeiro Deus, defronte de um falso.
Apocalipse 13:13 descreve uma tentativa de falsificar a
presença de Deus através de atividades miraculosas no sentido de persuadir os
moradores da terra de que no conflito cósmico, os poderes do mal representam o
verdadeiro Deus. Como resultado dessa falsa teofania, muitos adorarão ao dragão
e a besta (versos 4, 12).
A maior e verdadeira teofania a ser testemunhada pela raça
humana está prestes a ocorrer. Paulo se refere a ela como “a manifestação da
glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tito 2:13). Este evento
sem precedentes ocorrerá na segunda vinda do Senhor.
O simbolismo de fazer descer fogo do céu, indica que o falso
profeta tentará validar ou autenticar sua pretensa missão divina para o mundo
através da realização de milagres. Mas me atreverei, com base nos parágrafos
anteriores, a uma interpretação mais específica.
Na descrição do regresso do nosso Salvador no Novo
Testamento, o fogo exerce uma importante função teofânica. Aquele que está
voltando é o nosso “Deus e Salvador”. Um bom exemplo é encontrado em 2
Tessalonicenses 1:7-8: “…Quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os
anjos do seu poder, em chama de fogo. …”. Parece-me que, para o apóstolo, o
símbolo do fogo que descia do céu, aponta para o glorioso evento da segunda
vinda de Cristo. Então, será transparente claro para a raça humana e às
forças do mal que Cristo é realmente o nosso verdadeiro Deus e Salvador.
Se esta proposta for aceita, podemos concluir que Apocalipse
13:13 descreve uma tentativa por parte dos poderes do mal de imitar a segunda
vinda de Cristo, a fim de enganar a raça humana. “E não é de admirar”, escreveu
Paulo, “pois o próprio Satanás se transforma em anjo de luz” (2 Coríntios
11:14).
Deixe-me lembrá-lo de que as forças do mal não tem poder
sobre aqueles que pertencem ao Senhor. Elas foram derrotadas por Ele, e Sua
vitória é a nossa vitória. Nunca serão capazes de imitar perfeitamente a vinda
do Senhor. “Guerrearão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o
Senhor dos Senhores e o Rei dos reis; vencerão também os que estão com Ele,
chamados eleitos, e fiéis”. (Apoc. 17:14).
segunda-feira, 19 de maio de 2014
João - Um Obreiro Poderoso e Perseguido
João dissera-se disposto a beber o cálice, e Jesus o
atendeu. Depois da ascensão de Cristo ao céu, João fez parte dos cento e vinte
crentes que oraram no cenáculo superior até ao Pentecoste, quando o Espírito
Santo os encheu de modo muito especial. Atos 1:12-14. Ele testemunhou, cheio de
regozijo, nas ruas de Jerusalém e nas câmaras do templo, ele e Pedro foram encarcerados
e interrogados pelas autoridades.
Quando lhes foi ordenado que parassem de falar ao povo
acerca de Jesus, responderam corajosamente: "Nós não podemos deixar de
falar das coisas que vimos e ouvimos.". Atos 4:20. As autoridades
admiraram-se muito de que "homens iletrados e incultos" pudessem ser
audazes, e "reconheceram que haviam eles estado com Jesus". Atos
4:13.
Tiago, o irmão de João, foi posteriormente preso e
decapitado. Atos:12:1 e 2. João, porém viveu para servir o Mestre e "beber
o cálice" durante um longo e variado ministério. Parece que ele morou em
Jerusalém durante certo tempo, quando a cidade foi "cercada por
exércitos" Lucas 21:20, ou talvez em algum momento anterior que não
conseguimos situar com precisão ele deixou a cidade a fim de trabalhar por
Cristo onde houvesse oportunidade.
No ano 70 d.C., correram notícias de que os soldados romanos
tinham retornado a Jerusalém, destruindo-a e arrasando o templo. Quanta dor
deve ter atingido o coração daquele que, uma vez, se houvera mostrado disposto
a morrer por Israel! João pôde compreender melhor que, efetivamente, o reino de
Cristo "Não é deste mundo". João 18:36.
João, filho do trovão, tornou-se João, o discípulo do amor.
Escreveu o Evangelho de João, e três das suas cartas foram igualmente
preservadas no Novo Testamento. O tema do "amor" permeia o conteúdo
de todas elas. Ele escreveu que "nisto consiste o amor, não em que nós
tenhamos amado a Deus, mas em que Ele nos amou" I João 4:10. Lembrava-se
ainda muito bem das palavras de Jesus: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis
uns aos outros, assim como Eu vos amei.” João 13:34.
João possuía o óleo na sua lamparina. O discípulo amado de
Jesus fora transformado pelo Senhor quem tanto amava.
O óleo para ser lâmpada do Espírito Santo!
segunda-feira, 5 de maio de 2014
A Direção do Império Romano
Tanto quanto possamos deduzir, João deve ter nascido por
volta de 10 d.C., enquanto o grande Augusto - primeiro imperador romano - ainda
ocupava o patrono. À medida que os anos passavam, os arautos imperiais
anunciaram sucessivamente a eleição do imperador Tibério em 14 d.C., do meio
louco Calígula em 37 d.C., do obscuro mas eficiente Cláudio em 41 d.C. e do
infame Nero em 54 d.C.
O imperador Nero, ainda na casa dos vinte anos, ordenou a
decapitação de Paulo. Além do mais, incendiou Roma na tentativa de "limpar
“uma área suficiente para construir um novo e grande palácio. O fogo fugiu ao
controlo e devorou a cidade - noite e dia – até ter danificado gravemente dez
dos catorze distritos de Roma. Centenas de milhares de pessoas perderam as
casas e negócios, ficaram quase fora de si. A fim de pacifica-los, Nero mandou
prender um bom grupo de cristãos como bodes expiatórios, e abriu os seus
jardins particulares à apresentação de um grande "espetáculo"
público. Tácito, historiador romano, conta-nos que Nero "vestiu"
alguns cristãos com peles de animais e depois os "serviu" como
banquete aos cães ferozes. Outros cristãos foram cruxificados ou queimados
vivos, a fim de prover iluminação à noite - como se fosse luminárias de vias
públicas.
Nero morreu em 68 d.C. Antes de findar o ano 69, motins
armados em vários pontos do Império produziram três imperadores transitórios:
Galba, Oto e Vitélio. Um quarto imperador, Vespasiano, realizou excelente
governo durante uma década. Antes de tornar-se imperador, Vespasiano comandou a
Guerra Judaica. Quando faleceu em 79, sucedeu-o seu filho Tito, que tinha
completado a conquista de Jerusalém e era o "mui querido dos
romanos". Em 81, dois anos mais tarde, Domiciano - irmão mais velho de
Tito - chegou ao poder.
O imperador Tito fora atraente, venturoso e bem-sucedido. O
imperador Domiciano era mal-humorado, perdedor nato e inapto. Quando a
sociedade romana o recusou a esse respeito do qual ele não se julgava
merecedor, ele declarou-se a si próprio como divino, exigindo adoração.
Intitulou-se oficialmente como "senhor" e "deus". Poetas
subservientes chegaram a descrever como "sagrados “até mesmo os peixes que
ele comia.
A perseguição promovida por Nero tinha atingido apenas os
cristãos residentes em Roma. A loucura de Domiciano chegou mais longe. Aos
cristãos de muitos lugares foi exigido por Domiciano que oferecessem incenso à
sua estátua.
terça-feira, 29 de abril de 2014
O Fogo Divino e Sua Falsificação
Apocalipse 13:13 afirma que o falso profeta “fez grandes
sinais, de maneira que até fogo fazia descer do céu à terra, à vista dos
homens”. O que significa isso?
O fogo é um símbolo interessante no livro do Apocalipse. Na
maioria das vezes é um símbolo do juízo de Deus contra os ímpios (ver Apoc.
8:5, 14:10), que às vezes preserva os servos de Deus (Apoc. 11:5). Muitas
vezes, é associado com a divindade. Por exemplo, João viu no santuário
celestial “sete tochas de fogo”, identificadas como um símbolo do Espírito
Santo (Apocalipse 4:5). O fogo também está relacionado a Cristo: “Seus olhos
eram como chama de fogo” (Apocalipse 1:14, cf. Apoc. 2:18, 19:12); “Suas [pernas]
como colunas de fogo” (Apoc. 10:1).
O fogo na Bíblia é um elemento teofânico (Manifestação da
divindade). Muitas vezes, quando Deus se manifesta ao homem, Sua presença é
comparada ou está associada com o fogo. Possivelmente o exemplo mais importante
no Antigo Testamento é a experiência dos israelitas no Monte Sinai: “Todo o
Monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo” (Êxodo 19:18).
Sua aparência abrasadora indicava Sua presença em um lugar particular enquanto
mantinha-se distante e inacessível por causa da Sua santidade.
A expressão “desceu fogo do céu” também é usada em
Apocalipse 20:9. Neste caso, o fogo é um instrumento do julgamento divino
contra as forças do mal que tentam tomar pela força a Cidade Santa. Esta
utilização é diferente da registada em Apocalipse 13:13. O falso profeta fez
descer fogo do céu para enganar os habitantes da terra. O incidente de Elias no
Monte Carmelo, fornece a base bíblica para este simbolismo.
Os israelitas foram adorar à Baal, e o profeta os confrontou
com uma escolha: O Senhor ou Baal. Elias indicou que o verdadeiro Deus iria
revelar-se fazendo descer fogo do céu (1 Reis 18:20-39). Baal era incapaz de
atender a exigência. Elias orou, o fogo do Senhor caiu do céu, e o povo gritou,
“O Senhor é Deus”. O milagre foi uma manifestação clara da presença do Senhor e
serviu para identificar o verdadeiro Deus, defronte de um falso.
Apocalipse 13:13 descreve uma tentativa de falsificar a
presença de Deus através de atividades miraculosas no sentido de persuadir os
moradores da terra de que no conflito cósmico, os poderes do mal representam o
verdadeiro Deus. Como resultado dessa falsa teofania, muitos adorarão ao dragão
e a besta (versos 4, 12).
A maior e verdadeira teofania a ser testemunhada pela raça
humana está prestes a ocorrer. Paulo se refere a ela como “a manifestação da
glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tito 2:13). Este evento
sem precedentes ocorrerá na segunda vinda do Senhor.
O simbolismo de fazer descer fogo do céu, indica que o falso
profeta tentará validar ou autenticar sua pretensa missão divina para o mundo
através da realização de milagres. Mas me atreverei, com base nos parágrafos
anteriores, a uma interpretação mais específica.
Na descrição do regresso do nosso Salvador no Novo
Testamento, o fogo exerce uma importante função teofânica. Aquele que está
voltando é o nosso “Deus e Salvador”. Um bom exemplo é encontrado em 2
Tessalonicenses 1:7-8: “…Quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os
anjos do seu poder, em chama de fogo. …”. Parece-me que, para o apóstolo, o
símbolo do fogo que descia do céu, aponta para o glorioso evento da segunda
vinda de Cristo. Então, será transparentemente claro para a raça humana e às
forças do mal que Cristo é realmente nosso verdadeiro Deus e Salvador.
Se esta proposta for aceita, podemos concluir que Apocalipse
13:13 descreve uma tentativa por parte dos poderes do mal de imitar a segunda
vinda de Cristo, a fim de enganar a raça humana. “E não é de admirar”, escreveu
Paulo, “pois o próprio Satanás se transforma em anjo de luz” (2 Coríntios
11:14).
Deixe-me lembrá-lo de que as forças do mal não tem poder
sobre aqueles que pertencem ao Senhor. Elas foram derrotadas por Ele, e Sua
vitória é a nossa vitória. Nunca serão capazes de imitar perfeitamente a vinda
do Senhor. “Guerrearão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o
Senhor dos Senhores e o Rei dos reis; vencerão também os que estão com Ele,
chamados eleitos, e fiéis”. (Apoc. 17:14).
domingo, 27 de abril de 2014
Livro de Daniel - Contexto Histórico
![]() |
| Mapa do Mundo - Babilónia, séc. VII-V AC |
O livro de Daniel começa com Nabucodonosor no trono da Babilónia.
A dinastia substituíra a assíria como potência dominante na região oriental do
Mediterrâneo durante o último quarto do século VII a.C., e quando Nabucodonosor
derrotou os egípcios em Carquemis em 605 a.C., já estava firmemente estabelecida. Em 604 ele sucedeu ao seu pai
no trono.
Expandiu mais ainda as conquistar do pai, e conforme o
relato do livro de Reis, em 587-586 finalmente subjugou Judá e saqueou
Jerusalém, desterrando para a Babilónia uma grande parte da população. O livro
de Daniel pressupõe que tenha havido uma invasão anterior de Judá quando alguns
cativos foram levados, inclusive Daniel.
Depois da morte de Nabucodonosor em 562, seu filho e netos
revelaram-se incapazes e, em 556, uma revolução por fim colocou no trono alguém
que não pertencia à família real, chamado Nabonedo. Seu filho era Belsazar que,
segundo parece, reinava na Babilónia como preposto pelo pai quando o império
caiu sob os persas do rei Ciro, em 539. Depois disso, o Próximo Oriente foi
governado durante dois séculos por uma sucessão de soberanos persas. Destes
Dario I foi historicamente o mais conhecido. Logo após, em fins do século IV,
veio a derrota dramática do Império Persa por Alexandre Magno que estabeleceu a
supremacia grega sobre toda a área do império, em 331 a.C. Alguns anos depois
da morte de Alexandre, o seu reino no Próximo Oriente foi dividido em dois. A
dinastia ptolemaica, cujo nome se
deve ao seu primeiro soberano Ptolomeu I Soter, governou a área ao redor do
Egito, e a dinastia selêucida,
iniciada pelo soberano Seleuco I Nicator, tendia a dominar a Síria e a
Palestina. Entre as duas casas reais, às vezes havia casamentos, e outras conspirações
e traição. Os ptolomeus egípcios dominaram até que, em 198 a.C., o selêucida
Antíoco Magno derrotou Ptolomeu Epifânio e finalmente obteve incontestada ascendência
sobre a Palestina. O acontecimento mais importante, no que dizia respeito aos
judeus, ocorreu em 175 quando, depois de algumas intrigas, Antíoco IV Epifânio
conseguiu o trono dos selêucidas. A pessoa, a carreira e as ambições deste
soberano, muita atenção é dada no livro de Daniel.
Durante este período, as circunstâncias do povo de Deus
mudaram consideravelmente. Como exilados na Babilónia sob o governo de
Nabucodonosor, tiveram de enfrentar os problemas de se estabelecer numa terra estranha,
dominada por uma religião pagã, e também de permanecerem fiéis ao Deus de seus
pais, embora não tivessem templo nem ritual de sacrifícios. Daniel e os seus
três companheiros são exemplos de como os que foram fiéis conseguiram fazer
isso de modo triunfante. Depois da ascensão de Ciro, o Persa, ao trono em 539,
alguns dos exilados voltaram à Palestina e, por terem aumentado em número
edificaram primeiro o templo e depois os muros. Os imperadores persas eram, de
modo geral, amistosos, e a comunidade que voltou desfrutava, em boa medida, de
liberdade religiosa. Já sob o império grego, porém, tiveram de enfrentar uma
ameaça muito mais severa do que tinham tido até então, até mesmo no exílio.
Alexandre Magno tinha a ambição não somente de conquistar o mundo, como também
"helenizá-lo", isto é, submeter tudo à influência do espírito grego.
Colocou o processo de helenização em andamento, e os que vieram depois,
conseguiram um notável sucesso.
Os costumes gregos e a maneira grega de encarar o mundo
foram amplamente difundidos. Parecia que tudo quanto era grego impregnava as
coisas com a sua presença e deste modo se tornou universal. A influência da
cultura grega penetrou nas antigas religiões do Oriente e produziu as religiões
helenísticas de mistério.
Durante muitas gerações, a nação judaica como um todo
conseguiu resistir a este movimento, pois na Palestina, sob o governo ptolemaico,
nenhuma pressão externa foi imposta à população para fazê-la adotar os costumes
gregos. Mas dentro da próxima comunidade judaica, especialmente nos círculos
intelectuais e sacerdotais, e entre aqueles que estavam envolvidos na política
do poder daqueles dias, surgiu um forte partido helenizante.
Quando Antíoco Epifânio alcançou o poder na Síria e na Palestina,
lançou-se numa campanha resoluta e inescrupulosa para impor o helenismo a toda
a população, usando o engodo, subornos e intrigas, além de destruir
impiedosamente toda a resistência aberta.
A história das suas manobras, dos seus sucessos, e dos seus
fracassos final pode ser lida nos livros dos Macabeus. Até mesmo antes de se
iniciar o seu reinado, o cargo de sumo-sacerdote em Jerusalém ficou vago, e recebeu
suborno para nomear Jasom, um dos líderes do partido helenizante. Este passo
foi seguido pelo estabelecimento de uma escola em Jerusalém para que jovens
judeus pudessem ser treinados nos costumes gregos, participando de jogos gregos
e adoptando modas gregas. À medida que o programa de helenização avançava,
havia intrigas mais profundas, e um impostor sem escrupuloso, Menelau,
suplantou Jasom nas boas graças do rei. Sob Menelau como sumo-sacerdote, houve
mais contendas e intrigas, levando a massacres nas ruas, ao estabelecimento de
uma guarnição síria na cidade, à fuga de refugiados e à publicação de decretos
que proibiam as práticas religiosas do povo judeu. O castigo para tais
infrações era a morte. Ordens foram dadas para o templo ser dedicado à adoração
de Zeus do Olimpo, e no ano 168, um altar foi erigido no templo para honrar a
Zeus e realizar sacrifícios a esse deus. Os deuses pagãos deviam ser honrados
noutras localidades; comer alimentos imundos era compulsório. Os decretos foram
executados com brutalidade. Houve muitos massacres e muitos mártires.
Entretanto dois partidos ofereceram resistência. O partido
dos macabeus sob a inspiração e liderança de Matatias, um sacerdote do
interior, e seus filhos, despertou a resistência armada, entrou no campo da
batalha, e finalmente foi bem-sucedido. O outro partido de resistência foi o
dos hasidins(1), ou
santos. Tratava-se de um partido separatista cuja política era a resistência
passiva e rigorosa fidelidade à lei, especialmente em certos pontos que lhes
pareciam questões cruciais, tais como as leis que proibiam comer certos
alimentos. Mesmo durante as lutas, os hasidins recusaram lutar no dia de sábado
e eram impiedosamente trucidados. Estes dois partidos juntaram-se por algum
tempo. A certa altura, por exemplo, os macabeus chegaram a suspender a
observância do sábado, para assim encorajar os hasidins a vencer um dos seus
escrúpulos. De modo geral, no entanto, estes últimos desejavam permanecer independentes
do apoio político, somente confiando em Deus. Havia profundas diferenças entre
as ideias e os pontos de vista desses dois grupos.
Este período, de 605 até 165 a.C., compreende o período
histórico que é objeto imediato da detalhada exposição feita pelo autor do
livro de Daniel.
Nota:
(1) Hasidim
/ Chasidim (em hebraico: חסידים) é o plural de hassídico (חסיד), que significa
"piedoso". O título honorífico "Hasid" era frequentemente
usado como um termo de respeito excepcional no Talmude e períodos medievais. Na
literatura rabínica clássica difere de "Tzadik" - "justo",
de vez que denota aquele que vai além das exigências legais de observância
judaica ritual e ética na vida diária. O significado literal de
"Hasid" deriva-Chesed "bondade", a expressão externa do
amor a Deus e as outras pessoas. Esta devoção espiritual motiva conduta piedosa
além dos limites do quotidiano. A natureza devocional da sua descrição
emprestou-se a alguns movimentos judaicos da história a ser conhecidos como
"hassidismo". Duas delas derivadas da tradição mística judaica, a
tender para a piedade ou legalismo.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
A Organização do Apocalipse
Você já leu alguma vez o Apocalipse de ponta a ponta?
Porventura já o fez muitas vezes?
Num e noutro caso, é bem provável que você tenha sida
profundamente impressionado com os vívidos quadros e com as incandescentes
promessas do livro: mas também é provável que finalmente tenha ficado perplexo
ao pensar em como juntar todas as peças do quebra-cabeças.
À primeira vista e, para muitos leitores, mesmo à quinquagésima
leitura, o Apocalipse parece ser o mais desorganizado dentro todos os livros da
Bíblia. Se esta é a impressão que você tem talvez cause muita surpresa a
afirmação de que, na verdade, ele é maravilhosamente organizado. De facto é
possível que o Apocalipse, dentre todos os livros que têm o seu tamanho, seja,
em toda a Bíblia, o mais bem organizado!
Familiarizarmo-nos com a organização básica do Apocalipse é
algo que não nos tomará mais que algumas páginas, e o esforço empreendido em
lê-las será plenamente compensador. Em menos de quinze minutos, poderemos
perceber facilmente a inteligência da estrutura simétrica que estabelece ordem
na aparente confusão. Nesse processo de análise, obteremos provavelmente a mais
útil de todas as possíveis chaves, capazes de desvendar o significado do livro.
Como prémio adicional, começaremos também a encontrar a resposta à questão
frequentemente repetida: "Quanto do livro de Apocalipse ainda está por se cumprir?".
Tendo em mente tantas recompensas possíveis, dediquemos
alguns momentos da nossa atenção à forma como está organizado o Apocalipse.
Profetas-poetas.
Com bastante frequência, os profetas do Antigo Testamento foram também poetas.
É claro que escreveram na sua própria forma de fazer poesia, não naquela que
hoje conhecemos e usamos. Eles fizeram uso de paralelismos e contrastes,
acrósticos, quiasmas e trocadilhos sérios. Por vezes chegaram ao ponto desejado
através do uso de um número preciso de palavras. Em Daniel 9:24, por exemplo, é
possível observar como três frases de duas palavras são conectadas de modo
significativo a três frases de três palavras. Constatamos que uma certa
familiaridade com a estrutura literária pode auxiliar-nos definitivamente na
compreensão de uma passagem difícil.
Não deveria surpreender-nos o facto de que os profetas fossem
poetas. A composição da poesia exige mais esforço que a prosa e, corretamente
elaborada, torna-a mais atrativa que esta. Os profetas, impressionados com a
importância das mensagens a eles confiadas, trabalham arduamente para as
expressar bem. Além disso, Deus - que os inspirou com as mensagens também os
ajudou a comunicá-las. Não se esqueça, por outro lado, que por ocasião do
Pentecoste Deus concedeu a João o dom de línguas. Veja Atos 1:12-14; 2:1-4. Não
admira, pois que, ele conseguisse expressar-se bem!
O Apocalipse não é poesia no sentido em que o são, por
exemplo, os "Meus Oito Anos", de Casimiro de Abreu, ou "Navio
Negreiro" de Castro Alves. Mas sim, no sentido em que constituem poesia e
discurso de Lincoln em Gettysburg, a locução "Eu Tenho um Sonho", de
Martin Luther King ou a "Oração aos Moços", de Rui Barbosa. É
maestria literária. É a eloquência emoldurada por um formato. É a inspiração
expressa com ordem e elegância.
Números como tema.
Qualquer pessoa que leia o Apocalipse, mesmo pela primeira vez, perceberá a frequência
do números "sete". Existem sete igrejas, sete anjos, sete selos, sete
trombetas, sete pragas e muitos outros "sete", incluindo alguns que
não estão enumerados, mas ocultos. Você e sua família podem ocupar-se na
elaboração de uma lista própria. Sugiro que comecem compilando os exemplos mais
óbvios e depois avancem para os que se encontram disfarçados.
Os números três, quatro e doze também desempenham um papel artístico no Apocalipse. Os selos
e trombetas encontram-se divididos em grupos de três e quatro. Veja os
capítulos 6 a 11. Três multiplicado por quatro resulta nas doze portas da Nova
Jerusalém. Veja o capítulo 21. Doze tribos vezes 12.000 compõem os 144.000 no
capítulo 7.
À medida que avançarmos, examinaremos a disposição artística
interna de passagens e hinos individuais, bem como a adequação dos símbolos
dramáticos utilizadas aqui. Entretanto, é possível que a mais persuasiva
evidência da qualidade literária do Apocalipse seja a sua organização geral na
forma de um quiasma.
Vou deixar algumas imagens ilustrativas da beleza do Apocalipse:
Vou deixar algumas imagens ilustrativas da beleza do Apocalipse:
Clicando sobre a imagem amplia.
José Carlos Costa, pastor
sexta-feira, 11 de abril de 2014
A Bíblia Revelação do seu Autor
"Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de
homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito
Santo." (II Pedro 1 : 21)
Deus nos fala
através da Bíblia, de diferentes maneiras:
Primeiro, ela é a
revelação do próprio Deus, uma colecção de relatos pelos quais Ele Se revela a
nós, assim como Se revelou ao Seu povo, através dos séculos. E, em detalhes,
ela traz a maior de todas as revelações: Jesus
Segundo, a Bíblia
é uma revelação para os dias atuais. Ela diz que "homens falaram da parte
de Deus movidos pelo Espírito Santo" (verso 21). A fonte da revelação é
Deus. Esse fato faz com que os escritos da Bíblia sejam relevantes para
qualquer época, inclusive a nossa.
O apóstolo Paulo afirmou: "Ora, àquele que é poderoso
para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a
revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto,"
(Romanos 16: 25)
Terceiro, a
Bíblia comunica verdade e convicção a cada um de nós pessoalmente. Algumas
vezes, isso é mais direto, induzindo o nosso pensamento à medida que lemos. O
mesmo Espírito de Deus que inspirou os escritores, frequentemente revela a mensagens
vivas de Deus a nós.
"Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da
glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de
revelação;" (Efésios 1: 17)
Quarto, as mensagens
da Bíblia têm aplicação universal. A Palavra de Deus é para todos. "Toda
Escritura é inspirada por Deus" (II Tim. 3:16), afirmou Paulo e, através
dela, podemos ouvir o que Deus espera do mundo e de cada pessoa.
"Quando lerdes, podeis compreender o meu discernimento
no mistério de Cristo" (Efésios 3:4). Deus Se revela a nós por pelo menos
quatro meios diferentes: Natureza, Jesus, Seu Espírito, Sua Palavra (incluindo
a palavra profética: II Pedro 1:19), Jesus chega até nós diretamente por meio
do Espírito Santo.
Bíblia Como Revelação
de Deus
É interessante a descrição que Amós fez do seu chamado para
servir ao Senhor. Deus revelou lições, circunstâncias históricas e mensagens
proféticas com o objetivo de advertir, ganhar e salvar pessoas. Nos escritos do
profeta Zacarias, há uma grande ênfase na obra e propósitos de nosso Senhor
(Jesus Cristo). Zacarias usa muitos símbolos para ilustrar a obra de Cristo ao
salvar a humanidade. O objetivo final de Deus é a restauração da Terra ao
estado de pureza original. A verdade (a Palavra na teoria) e a convicção (a Palavra
aceita e aplicada) se tornam realidades diárias quando permitimos ao Espírito
Santo incorporar o conhecimento divino aos nossos pensamentos.
"E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da
justiça e do juízo." (João 16 : 8)
Vejamos um exemplo de como aplicar uma mensagem viva. Em
Zacarias 1:18-21, vemos quatro chifres (opressores ou assaltantes) perturbando
o povo de Deus. Cristo é mostrado como um Ferreiro ou Carpinteiro que vai ao
encontro do inimigo e o vence (corta os chifres, ou acaba com a sua força),
para defender e salvar o remanescente. É curioso notar que o Messias veio
depois como um Carpinteiro para construir caracteres. Esse é o tipo de
revelação que torna a Palavra viva e fortifica a fé do fiel.
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Apocalipse Escrito em Quiasma
O quiasma é uma lista dupla de itens correlacionados, em que
a ordem da segunda lista se encontra em oposição - ou antítese - à ordem da
primeira lista. É algo parecido com a divisão dos pares em algumas danças
antigas, ou grandes marchas, com os homens e mulheres partindo, inicialmente,
em direcções opostas. Tais quiasmas, aplicados ao entretenimento, ainda hoje
são divertidos. Nos tempos bíblicos, os quiasmas literários eram muitos
populares, sendo intensamente admirados.
Se dividirmos o Apocalipse ao final do capítulo 14, formando
duas metades não perfeitamente iguais, e então repartirmos cada metade em
várias divisões, constataremos que as divisões de cada metade poder ser
arranjadas em pares, os quais - a exemplo dos pares homem/mulher das danças antigas
ou grandes marchas - relacionam-se uns com os outros, mas continuam sendo
diferentes, uma vez que se deslocam em direcções diferentes.
A forma mais fácil de nos familiarizarmos com o quiasma do
Apocalipse, é começar a introdução ao livro (ou prólogo), e com a sua conclusão
(ou epílogo). Comparando ambos entre si, você pode facilmente constatar a
existência de várias frases e sentenças admiravelmente semelhantes em cada uma
dessas partes.
As semelhanças não são, contudo, cegamente precisas. Por
exemplo, existe no epílogo uma advertência que não é encontrada no prólogo; a
promessa da breve volta de Cristo é encontrada duas vezes no epílogo, e só uma
vez no prólogo. Estamos tratando de similaridades literárias, não similaridades
mecânicas. Os grandes escritores seguem um método, mas jamais permitem que o
método se torne mais importante que as suas mensagens.
Muitos comentadores observaram a estreita relação que existe
entre a primeira divisão após o prólogo e a última divisão antes do epílogo. A
primeira divisão contém as cartas às sete igrejas (1:10 a 3:22) e a última
divisão descer a Nova Jerusalém (21:9 a 22:9). Examinaremos rapidamente cada
uma.
Na primeira divisão verá a igreja de Deus, representada por
sete cidades simbólicas, severamente tentada e perseguida. Na última divisão, poderá
observar a igreja de Deus agregada
novamente numa só cidade, a gloriosa Nova Jerusalém. Na primeira divisão, a
igreja encontra-se em luta contra o pecado, na Terra que hoje conhecemos. Na
última divisão, ela vive em paz e perfeita bondade, junto com Deus no lar
eterno, a futura Terra renovada. Também aqui, tal qual vimos no prólogo e no
epílogo, existem frases e sentenças extremamente semelhantes, nas duas
divisões.
Dentre outras expressões similares, podemos mencionar as
referências à árvore da vida, a uma porta aberta (e a portões que nunca se
fecham), bom como à Novo Jerusalém que desce dos Céus.
Um lembrete ou observação: não se aborreça porque as nossas
divisões não correspondem aos capítulos. No Apocalipse, os capítulos não foram
determinados por João. Eles não existiam na sua presente forma, até mais de mil
anos após a morte do autor. O arranjo do Apocalipse em capítulos embora útil em
determinadas circunstâncias, não é inspirado.
Nota: A divisão
em capítulos e versículos foi organizada para a leitura em comum, ou seja, o/a
que dirige a leitura chama a atenção para uma determinada leitura em concreto
citando o livro, capítulo e versículo. Esta organização é muito útil, no
entanto, não era assim no princípio, nada no texto foi alterado, isso é o
realmente importante.
Avançando para a divisão que se segue à das sete igrejas,
chegamos aos sete selos (4:1 a 8:1). Retrocedendo a partir da divisão que
focaliza a Nova Jerusalém, encontramos aquela que apresenta o Milénio e os
eventos relacionados com este (19:11 a 21:8). Dedique especial atenção ao texto
do capítulo 6:9 e 10, nos sete selos. Aqui pode verificar que as almas dos
mártires cristãos clamando a Deus que julgue os seus inimigos. Durante o milénio,
os mártires, agora ressuscitados são postos sobre tronos e designados por Deus
(20:4) a julgarem os seus inimigos! Essas duas divisões começam com uma
referência aos céus sendo abertos. Em ambas, aparece destacadamente um
cavaleiro sobre um cavalo branco. Finalmente, nas duas partes pode ler-se de
reis, oficiais militares e pessoas de todas as classes que se põem a clamar,
pedindo a morte, ou morrem efetivamente por ocasião da segunda vinda.
Deslocando-nos ainda mais de ambas as extremidades, em
direção ao centro de livro, encontramos aquele par que provavelmente é o
quiasma de maior notabilidade. As sete trombetas (8:2 a 11:18) e as sete
últimas pragas (15:1 e 16:21) são, em vários sentidos, muitos diferentes.
Diferem especialmente na intensidade, pois as pragas são muito piores que as
trombetas. Todavia, se verificarmos com mais atenção a ambas: percebemos que
cinco das seis primeiras trombetas e cinco das seis primeiras pragas afectam
essencialmente os mesmos objectos, e na mesma ordem: terra, mar, rios, corpos
celestes e o rio Eufrates! As sete trombetas representam severos juízos,
enviados para advertir os maus a que modifiquem o seu procedimento. As sete
últimas pragas representam juízos extremamente severos, enviados para punir os
maus depois que estes se recusaram a mudar os seus caminhos de impiedade.
As sete trombetas e as sete últimas pragas formam pares com
"seções" intituladas "O Grande Conflito" e "A Queda de
Babilónia", respectivamente. Há uma razão para isso. É fascinante observar
que, imediatamente após lermos sobre as sete trombetas, encontramos o texto que
focaliza uma mulher vestida de branco, uma genuína mãe, cujos filhos guardam os
mandamentos de Deus. Por outro lado, imediatamente depois de lermos sobre as
sete últimas pragas, o texto que assoma diante de nossos olhos, fala sobre uma
mulher vestida de púrpura, uma prostituta cujas filhas são também prostitutas.
Ambas as mulheres passam algum tempo no deserto. Ambas têm de relacionar-se com
uma besta que apresenta sete cabeças e dez chifres. Nessas duas divisões - como
em outras partes do Apocalipse - ouvimos o místico clamor: "Caiu, caiu a
grande Babilónia!"
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Uma Parte do Apocalipse Está no Futuro
Bem o esboço-quiasma mostra que virtualmente toda a segunda
metade ainda pertence ao futuro. É certo que a descida da Nova Jerusalém ainda
não ocorreu. Certamente o milénio continua a ser aguardado. Não temos dúvida de
que as sete últimas pragas ainda são futuras. A queda da última Babilónia
espiritual certamente ainda é futura, também. Vemos, pois, que a segunda metade
do Apocalipse, neste momento, pertence virtualmente ao futuro.
Que dizer, entretanto da primeira metade? Quando as sete
igrejas foram escritas, os cristãos encontravam-se espalhados por muitas
cidades. Ainda hoje os cristãos continuam espalhados. Muitos comentadores estão
de acordo em que as cartas às sete igrejas se relacionam com a experiência da
igreja no seu conjunto, ao longo de toda a era cristã. As cenas do grande
conflito, apresentadas nos capítulos 12 a 14, começam com o nascimento de
Cristo (12:1, 2 e 5), prosseguem durante o longo período de perseguição (12:6,
13 a 16; 13:5 a 8) que Daniel predisse nos capítulos 7 e 8, e finalizam com a
segunda vinda (14:14 a 20). Logo, as cenas do grande conflito que encerram a
primeira metade do Apocalipse, dão cobertura há história da igreja cristã. Os
sete selos e as sete trombetas são descrições paralelas das sete igrejas e das
cenas do grande conflito, exactamente do modo como, em Daniel, as visões dos
capítulos 2, 7 e 8 são paralelas entre si.
Podemos constatar, portanto que o quiasma que estrutura o
Apocalipse, divide as profecias do livro em dois grupos principais: aqueles que
tratam quase exclusivamente os eventos dos últimos dias (a segunda metade do
livro) e aquelas que se relacionam com a experiência do povo de Deus durante a
era cristã (a primeira metade do livro). A primeira metade escatológica.
"Escatológica" provém do termo grego eschaton, que significa "fim". É um termo usado
frequentemente, tanto por leigos como por eruditos. O seu sentido geral é
"aquilo que tem a ver com o fim do mundo".
Nem tudo aquilo que tem a ver com a porção histórica
sucedeu, pelo simples fato de que nem toda a história da igreja cristã já se
concretizou!
O sétimo selo, a sétima trombeta e as cenas finais da
divisão do grande conflito, ainda aguardam seu cumprimento. Já vimos que a
segunda metade do Apocalipse é escatológica.
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