quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

OS ÚLTIMOS COMPANHEIROS DO CORDEIRO - APOCALIPSE 14:1-5

Apocalipse 14 cumpre a função de ser a contraparte positiva do capítulo 13. Aqui os santos que resistem o impacto dos poderes do anticristo recebem uma recompensa gloriosa por sua fidelidade. Vemos o Cordeiro de Deus em pé entre seus seguidores (Apoc. 14:1), em um contraste evidente com a besta e seus seguidores que se apresenta em Apocalipse 13.

Enquanto os que adorem a besta levam a marca do anticristo, os companheiros do Cordeiro levam o selo do Deus vivo em suas frentes (Apoc. 14:1). Apocalipse 13 prediz a maturação da apostasia com seu número 666. Apocalipse 14 nos assegura do juízo de Babilónia e da recompensa do povo de Deus com seu número 144.000. Evidentemente, Apocalipse 14 funciona como o complemento do capítulo 13. Um erudito crítico alemão ficou tão impressionado por Apocalipse 14, que o chamou "o ponto mais elevado formal e substancial do Apocalipse".1 Enquanto que os reformadores protestantes e os movimentos de reforma modernos apelam a Apocalipse 14 para demonstrar sua chamada divina, Ellen White reconhece que ainda não se alcançou seu significado completo:

"O capítulo 14 do Apocalipse é do mais profundo interesse. Logo será compreendido em todos seus alcances, e as mensagens dadas a João o revelador serão repetidas com clareza".2

A Visão da Igreja Triunfante
"E olhei, e eis que estava o Cordeiro sobre o monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, que em sua testa tinham escrito o nome dele e o de seu Pai. E ouvi uma voz do céu como a voz de muitas águas e como a voz de um grande trovão; e uma voz de harpistas, que tocavam com a sua harpa. E cantavam um como cântico novo diante do trono e diante dos quatro animais e dos anciãos; e ninguém podia aprender aquele cântico, senão os cento e quarenta e quatro mil que foram comprados da terra. Estes são os que não estão contaminados com mulheres, porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vai. Estes são os que dentre os homens foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro" (Apoc. 14:1-5).

A visão da igreja triunfante dá a conhecer a última geração de crentes cristãos que sobrevivem às ameaças finais do anticristo. Os 144.000 seguidores do Cordeiro são vitoriosos porque perseveram em sua lealdade a Cristo Jesus. Por seu rechaço a submeter-se à idolatria, venceram a besta. Demonstram que o anticristo não teve êxito em seu objetivo de estabelecer o domínio universal. Mas o céu intervirá dramaticamente no fim da era. O Cordeiro poderoso conquistará a besta em favor de seu povo do pacto. Esta segurança foi dada explicitamente pelo anjo interpretador:

"Estes [a besta e os reis da terra] combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão os que estão com ele, chamados, eleitos e fiéis" (Apoc. 17:14).

Seu cumprimento se descreve em um quadro simbólico de surpreendente resgate divino:
"E vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O que estava assentado sobre ele chama-se Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça" (Apoc. 19:11).

Esta visão majestosa constitui o cumprimento cristocêntrico da libertação do tempo do fim de que fala Daniel:
"Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro" (Dan. 12:1).

Tanto Daniel como Apocalipse centralizam a libertação final do povo do pacto de Deus sobre o monte Sião, "o monte glorioso e santo" (Dan. 11:45; Apoc. 14:1). O mesmo monte de ataque e de salvação se apresenta na profecia do Joel:
"E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque, no monte Sião e em Jerusalém, estarão os que forem salvos, como o Senhor prometeu; e, entre os sobreviventes, aqueles que o Senhor chamar" (Joel 2:32).
Desde que o rei Davi colocou o arca de Jeová, símbolo da presença e do trono de Deus, no monte Sião, este monte foi chamado "santo". Chegou a ser o lugar simbólico de libertação na tradição profética (ver Sal. 2; 46; 48; 110). É muito significativo que o Apocalipse de João representa os 144.000 seguidores do Cordeiro em pé com o Cordeiro sobre o monte Sião:
"Olhei, e eis o Cordeiro em pé sobre o monte Sião, e com ele cento e quarenta e quatro mil, tendo na fronte escrito o seu nome e o nome de seu Pai" (Apoc. 14:1).

O monte Sião ou a cidade santa (Jerusalém) estão colocados em contraposição a Babilónia, mencionada em Apocalipse 14:8, 16:19 e 17:1-6. Sião e seu santuário, seu culto religioso e seus seguidores constituem a norma da verdade salvadora pela qual Babilónia, seu culto religioso e seus seguidores são medidos no tribunal do céu. Tanto Sião como Babilónia são nomes que estão enraizados profundamente na história da salvação de Israel. Representam os arquiinimigos religiosos envoltos em um combate mortal (Jer. 50; 51; Dan. l ).

O Antecedente Veterotestamentário de Sião
Nas profecias de Israel, "Sião" é o símbolo da cidade de Deus, o lugar da presença e proteção de Deus, especialmente para os tempos messiânicos (Isa. 40-66; Zac. 1-9). O ponto em questão não é um lugar "santo" geográfico, mas sim a presença de Deus entre seu fiel povo do pacto. Sião foi o símbolo de bênção e libertação (ver Isa. 37). Esta teologia de Sião foi tornada proeminente por Isaías em seu conflito com um sacerdócio e um reinado corrompido que reclamavam o amparo de Deus como pertencendo incondicionalmente a Sião e Jerusalém literal (Isa. 28-31).

Para Isaías, "Sião" representou um povo espiritual: os que procuram o Senhor e têm a lei de Deus em seus corações (Isa. 51:1, 7). Deus disse a essa Sião: "Tu és o meu povo" (v. 16). Isaías empregou o casamento como um símbolo da fidelidade de Deus para com Sião, apesar de havê-la abandonado temporalmente "por um breve momento" quando se comportou mais como uma "meretriz" em suas relações com outras nações (31:1-3). Este significado dual de Sião foi expresso por Isaías nestas palavras:
"Porque o teu Criador é o teu marido; o SENHOR dos Exércitos é o seu nome; e o Santo de Israel é o teu Redentor; ele é chamado o Deus de toda a terra" (Isa. 54:5).

"Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela, que estava cheia de justiça! Nela, habitava a retidão, mas, agora, homicidas" (Isa. 1:21).

Esta dupla caracterização do Sião tanto como esposa fiel e como meretriz, em momentos diferentes, forma o antecedente teológico para compreender as duas mulheres simbólicas no Apocalipse de João. O Apocalipse descreve a igreja fiel como uma esposa radiante (Apoc. 12:1), e a igreja apóstata como a grande meretriz: "Babilónia" (17:1-5).

Quais São os 144.000?
Na perspectiva profética de Joel, o povo remanescente o constitui os que estão cheios com o Espírito de Deus (Joel 2:28) e adoram ao Senhor (2:32). A criação deste povo do novo pacto só pode ocorrer depois que o Messias receba a plenitude de sua unção (Isa. 11:1, 2; 61:1-6; ver Mat. 3:16, 17). A igreja apostólica recebeu este batismo do Espírito Santo no dia de Pentecostes, conforme consta em Atos 2. Mas a perspectiva de Joel 2:28-32 evidentemente avança para adiante, ao tempo do fim, quando se efetue a separação final dos fiéis no monte Sião:

"E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como o Senhor tem dito, e nos restantes que o Senhor chamar" (Joel 2:32).

O Apocalipse descreveu a era da primeira igreja nos capítulos 2 e 3 nas cartas de Cristo, mas os santos do tempo do fim estão representados em Apocalipse 7 como os 144.000 verdadeiros "israelitas" de todas as tribos (12 x 12.000). Esta é linguagem em clave do pacto de redenção de Deus. Seu "selamento" como "servos" de Deus por parte dos anjos os assinala como os que suportaram a prova do anticristo ao rechaçar sua "marca". Entretanto, são vitoriosos só porque confiaram "no sangue do Cordeiro" (Apoc. 7:14). Seus caracteres estão centrados em Cristo e são semelhantes a Cristo. Estão em um contraste direto com os que têm o número da besta, o 666, "um número misterioso que significa paródia e imperfeição".3

Protótipos dos 144.000 no Antigo Testamento
Dois protótipos no Antigo Testamento iluminam nossa compreensão dos 144.000. Pelo profeta Ezequiel sabemos a verdade tantas vezes passada por alto, que só o povo do pacto, o povo de Deus que é selado, permanecerá protegido no dia do juízo. Os que estejam sem o selo de Deus estão marcados para a condenação (ver Ezeq. 9:5, 6). Na última análise de Deus não haverá povo "indeciso". Apocalipse 14 mostra que está chegando o tempo quando toda a terra será levada à "maturação" ou decisão, seja para o bem ou para o mal, e depois do anjo anunciará: "A colheita da terra está amadurecida" (Apoc. 14:15). O catalisador desta maturação coletiva forma o ponto culminante de Apocalipse 14: as mensagens dos três anjos dos versículos 6-12, que se tratam nos capítulos seguintes.

Outra conexão vital entre os 144.000 em Apocalipse 14 e a profecia de Israel é a predição do Sofonías. Entre os anos 630-625 a.C., Sofonias proclamou os juízos de Deus sobre Judá e Jerusalém devido a seus compromissos com a adoração de Baal (Sof. 1:4-6). Anunciou a iminência do juízo de Deus, o dia do Senhor (vs. 7, 14), mas também incluiu a esperança surpreendente de que um remanescente fiel permaneceria leal a Deus. Seriam protegidos no "dia da ira do Senhor" (2:3, 7, NBE). Chamou-os "os humildes da terra" (v. 3), os que adoram a Deus com lábios puros e invocam o nome do Jeová para servi-lo em seu santo monte (3:9, 11). Sofonias descreve os adoradores verdadeiros com estas palavras:

"O remanescente de Israel não cometerá iniquidade, nem proferirá mentira, e na sua boca não se achará língua enganosa; porque serão apascentados, deitar-se-ão, e não haverá quem os espante" (Sof. 3:13).

O remanescente de Sofonías 3:13 e os 144.000 do Apocalipse são idênticos: "E não se achou mentira na sua boca; não têm mácula" (Apoc. 14:5). Para entender adequadamente esta caracterização dos 144.000 devemos primeiro esquadrinhar seu significado em Sofonías3. Este profeta do Antigo Testamento não aplica a "irrepreensibilidade" e a "perfeição" de Israel de uma maneira abstrata, mas sim as aplica à sua adoração do Senhor por meio da obediência à lei do pacto que está livre das mentiras do culto aos ídolos, milagres falsos e profecia falsa (ver também Deut. 18:9-13).

Paulo também caracterizou a apostasia do homem de iniquidade como "mentira" (2 Tes. 2:11). Em Apocalipse 14 se contrasta intencionalmente os 144.000 com os adoradores da besta e seu culto religioso. Esta interpretação corresponde com a outra descrição de João: "Estes são os que não estão contaminados com mulheres, porque são virgens. Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vá" (Apoc. 14:4). Ambas as orações gramaticais formam uma unidade e se explicam por si mesmas. Os 144.000 simbólicos (tanto homens como mulheres) não seguem à "mulher" caída ou às comunidades de adoração apóstata, chamada mais tarde Babilónia ou "mãe das meretrizes" (Apoc. 17:5). Seguem exclusivamente o Cordeiro de Deus.
O termo "virgem" era o título hebraico para Sião e Jerusalém em sua relação do pacto com Deus (2 Reis 19:21; Isa. 37:22; Jer. 14:17; 18:13; 31:4; Lam. 1:15; 2:13; Amós 5:2).

Os termos "adultério" e "cometer adultério ou fornicação" usam-se tanto no Antigo Testamento como no Apocalipse como símbolos de idolatria ou de culto falso (ver Êxo. 34:15; Juí. 2:17; 1 Crôn. 5:25; Apoc. 14:8; 17:2, 4;18:3, 9; 19:2). O símbolo "virgem" [parthénos] em Apocalipse 14:4 está em contraste com o termo "meretriz" [porné], e por conseguinte está de igual maneira determinado religiosamente.4 J. Massyngberde Ford oferece este útil comentário sobre os 144.000:

"À luz do significado metafórico do termo virgem, parece que Apocalipse 14:4 se refere aos anciões fiéis de Jerusalém ou a todos quão fiéis não se poluíram com a idolatria, a sensualidade (gr. thumós) da prostituição de Babilónia como no v. 8. O não estar poluídos com mulheres pode olhar atrás ao

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

A MENSAGEM DO PRIMEIRO ANJO - APOCALIPSE 14:6, 7

É significativo o lugar onde está colocado a última mensagem de admoestação de Apocalipse 14:6-12. Encontra-se entre as ameaças do anticristo no capítulo 13 e a cena do juízo do capítulo 14:14-20. A tríplice mensagem transmite o ultimato de Deus a um mundo unido em rebelião contra ele.

"Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas" (Apoc. 14:6, 7).

A expressão "outro anjo" (v. 6) conecta este mensageiro com o anjo anterior que aparece no Apocalipse, o "anjo forte" do capítulo 10. A tríplice mensagem de Apocalipse 14 ao que parece funciona como a expansão da missão do "anjo forte" durante a sexta trombeta (Apoc. 10:5-7). Em ambos os capítulos, o 10 e o 14, a advertência do tempo do fim do céu tem o propósito de alcançar toda a terra. O anjo "voando pelo meio do céu" (o zénite do céu) em Apocalipse 14 simboliza o alcance universal de sua mensagem, assim como o anjo forte tinha posto seu pé tanto sobre o mar como sobre a terra. Esta esfera de ação universal se recalca pela ênfase: "Tendo o evangelho eterno para pregar aos moradores [literalmente, 'se sentam'] da terra, a toda nação, tribo, língua e povo" (v. 6). Esta proclamação do "evangelho eterno" de Deus é a verdadeira mensagem de reavivamento para o fim. Desenvolve a promessa anterior de Cristo:

"E este evangelho do reino será pregado em todo mundo, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim" (Mat. 24:14).
O adjetivo "eterno " [em gr., aiónion] aplicado ao "evangelho" em Apocalipse 14:6 leva consigo um significado especial. Afirma que o evangelho do tempo do fim é o evangelho inalterado dos apóstolos de Jesus. O evangelho do tempo do fim não é um evangelho diferente, mas sim o evangelho como foi exposto por Paulo em suas cartas aos romanos e a outras igrejas. A estrutura delicada do evangelho da soberana graça de Deus (ver Ef. 2:4-10) não pode ser alterado nunca, nem sequer por um anjo ou por um apóstolo. Uma inovação tal cairia sob a maldição de Deus (ver Gál. 1:6-9).

O evangelho eterno chega a ser cada vez mais relevante quando é contemplado em seu marco de Apocalipse 13, onde o anticristo demanda a lealdade à sua falsificação ou "evangelho diferente" (cf. 2 Cor. 11:4). Referindo-se aos decretos do concílio do Trento (1545-1563), o bispo Chr. Wordsworth comentou:
"Porém, apesar desse anátema apostólico repetido duas vezes [no Gál. 1:6-9], os que aderem à besta pronunciaram seu anátema sobre todos os que não recebem as novas doutrinas que acrescentaram ao evangelho de Deus".

Alguns comentadores modernos tomaram a posição de que a frase "evangelho eterno" de Apocalipse 14:6 não quer dizer o evangelho apostólico mas sim as novas de que o juízo final é iminente (v. 7). Outros assinalaram que o juízo foi uma parte essencial do evangelho desde sua iniciação (veja-se Mat. 7:22, 23; 16:27; 25:41; Rom. 2:15, 16). A vinda do justo juízo de Deus sempre significa boas novas de resgate e vindicação para seu povo do pacto (ver Sal. 96) e um dia de ajuste de contas para seus perseguidores (Jer. 50, 51).

Jesus predisse que o evangelho do reino seria pregado como testemunho (legal) a todos os que moram na terra até o próprio fim (Mat. 24:14; Mar. 13:10). Portanto, podemos aceitar Apocalipse 10 e 14:6-12 como a aplicação para o tempo do fim da predição de Jesus em Mateus 24.

Como Jesus fez em Mateus 24, o Apocalipse faz da proclamação mundial do evangelho o sinal preeminente dos tempos. G. C. Berkouwer assinalou um engano popular quanto a isto:

"Com muita frequência, a reflexão sobre os sinais foi separar-se do reino, que é seu ponto de concentração. Os resultados sempre são desconcertantes. Mas o assunto fundamental é a propagação universal do evangelho de Jesus Cristo (Mar. 13:10)... Geralmente os que catalogaram os sinais dos tempos incluíram isto, mas com freqüência se viu simplesmente como outro elemento no 'relatório da narração'... Nos últimos dias a pregação do evangelho é o ponto focal de todos os sinais. Nela podem e devem ser entendidos todos os sinais".2

Deve respeitar-se o significado fundamental do evangelho eterno. Não é um exagero deduzir que uma compreensão nova do evangelho apostólico em seu marco do tempo do fim de Apocalipse 10 e 14, cria um novo povo remanescente! Estão comissionados como mensageiros a pregar o evangelho em seu marco apocalíptico de Apocalipse 13 e 14. Devido a este convite final à humanidade antes do juízo, todo mundo estará amadurecido para esse juízo. Isso não quer dizer que se possa calcular a data do fim que se aproxima. O reavivamento do evangelho sem adulteração é básico para o plano determinado de Deus (Mar. 13:10). É uma "parte do atuar de Deus no tempo do fim".3 Proclamar a tríplice mensagem de Apocalipse 14 é a missão final da igreja! O cumprimento desta missão é o maior sinal de todos os que indicam que começou o tempo do fim!

A Escritura não estabelece que a segunda vinda de Cristo está condicionada ao êxito da pregação do evangelho, mas sim está condicionada à realidade da pregação mundial. A tríplice mensagem de Apocalipse 14 intensifica o apelo anterior de Jesus: "Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus" (Mat. 4:17).

O Conteúdo do Evangelho Eterno

Jesus mesmo andou "pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus" (Luc. 8:1), o que indicava a chegada do Messias prometido. Incluía seu nascimento (Luc. 2:10, 11, "novas de grande gozo"), sua vida (Mat. 11:5), sua morte expiatória (Mar. 10:45; Ef. 2:14-17; At. 10:36), e sua ressurreição e entronização no céu (At. 2:30-33). "Sua aparição, não simplesmente sua pregação, toda sua obra está indicada por 'pregando as boas novas [euanguelízesthai]' ".4 Portanto o evangelho apostólico se centralizava nas boas novas de que Jesus de Nazaré era o Messias da profecia (At. 5:42; 8:35; 17:3, 18). Por conseguinte, o evangelho também inclui as profecias messiânicas do Antigo Testamento (ver 1 Ped. 1:10, 11; Rom. 1:2; 16:25, 26).

Como rei de Israel, Cristo personifica o reino de Deus. Pregar o evangelho de Cristo significa uma proclamação eficaz no poder e a autoridade do Espírito Santo (ver Heb. 2:4). Tal pregação transmite salvação e cria paz e gozo (At. 8:8, 39). Paulo recebeu o evangelho por meio de uma revelação direta de Jesus Cristo (Gál. 1:12). Explicou o conteúdo do evangelho de uma maneira sistemática em Romanos 1 aos 8. centra-se na verdade de que Jesus é o Cristo (Rom. 1:1-4) e que a salvação é nossa por meio da justificação por graça, só por meio da fé em Cristo (Rom. 3:28; 4:25; 5:1; 8:1, 33, 34).

Paulo resumiu sua compreensão do evangelho em 1 Coríntios 15:3-5, onde menciona a morte expiatória de Cristo, sua sepultura, ressurreição e as aparições do Cristo ressuscitado. Em síntese, a essência do evangelho de Paulo pode compendiar-se na confissão: Jesus é o Cristo (Messias), o Senhor ressuscitado (ver Rom. 10:9, 10). Paulo também reconheceu o dia do juízo como parte do evangelho (ver Rom. 2:16; At. 17:30, 31). Este é seu amplo panorama do evangelho. A proclamação do juízo e das boas novas estão inextricavelmente unidas, como o arrependimento e o novo nascimento (Mar. 1:15; Isa. 57:15). O juízo de Deus é essencialmente boas novas para o crente, porque Cristo é tanto Juiz como Salvador (João 5:22). Gerhard Friedrich reconheceu que o evangelho e o juízo estão conectados indissoluvelmente:

"Desde que o evangelho é a chamada de Deus... aos homens, demanda decisão e impõe obediência (Rom. 10:16; 2 Cor. 9:13). A atitude para com o evangelho será a base da decisão no juízo final (2 Tes. 1:8; cf. 1 Ped. 4:17)".5
A proclamação do evangelho oferece o gozo da salvação presente aos que o aceitam por fé (Ef. 1:13; 1 Cor. 15:2; Rom. 1:16; 8:15-17). Diz Ivan T. Blazen:

"Em termos da informação real da Escritura, é uma ficção acreditar que a justificação não nos relaciona com a soberania de Cristo como Senhor ou que o juízo não nos relaciona com a obra de Cristo como Salvador... Quando chegar o fim, o juízo avalia e atesta da realidade da justificação evidenciada pelas testemunhas fiéis do povo de Deus. Neste fluxo, a justificação e o juízo não estão na relação de tensão ou contradição mas sim na de inauguração e consumação".6

A Mensagem do Primeiro Anjo

"Dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas" (Apoc. 14:7).

Este mensageiro celestial fala com "grande voz", o que indica que todos os moradores da terra devem 

domingo, 14 de dezembro de 2014

VISÃO DO TRONO DO CRIADOR - APOCALIPSE 4

O Cristo ressuscitado chama agora a João para que suba no Espírito para ter uma nova visão e um olhar dentro do céu (Apoc. 4:1). O Espírito lhe permite ver através de "uma porta aberta" na sala do trono do Todo-poderoso. Tal privilégio foi concedido só a poucos servos de Deus, tais como Miqueias (1 Reis 22:19-22), Isaías, Ezequiel e Daniel. Enquanto Isaías estava adorando no templo de Jerusalém tinha visto Deus sentado em um trono no céu, rodeado por serafins e anjos. Esses guardiões do trono estavam louvando a Deus cantando: "Santo, santo, santo, Jeová dos exércitos; toda a terra está cheia de sua glória" (Isa. 6:3).

Enquanto estava cativo em Babilónia, também foi permitido ao profeta e sacerdote Ezequiel ver os céus abertos. Conta que viu a semelhança de 4 criaturas viventes sustentando o trono de Deus. Esses seres levavam o trono semelhante a uma carruagem para Jerusalém para convocar a cidade apóstata diante do divino Juiz. Descreve os 4 seres como tendo 4 asas e 4 rostos que se pareciam com os rostos de um homem, um leão, um boi e uma águia (Ezeq. 1:5, 6, 10). Sobre as cabeças dos 4 portadores do trono, Ezequiel viu "uma expansão a maneira de cristal maravilhoso" (v. 22) e ainda por cima daquele firmamento, "a figura de um trono" com alguém sentado sobre ele que tinha "a forma de homem" (v. 26). Ao redor do trono viu um arco-íris (v. 28). O impacto dessa visão do trono foi tão entristecedora que Ezequiel diz que ao contemplá-la "caí com o rosto em terra" (v. 28, NBE).

Quando João estando em Patmos descreve sua visão do trono, usa palavras que fundem as duas

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

CHAVES INTERPRETATIVAS DO APOCALIPSE

O livro do Apocalipse é datado por volta do ano 96 de nossa era, quando já estavam escritos os Evangelhos do Novo Testamento. Os quatro Evangelhos – Mateus, Marcos, Lucas e João –, todos falam a respeito da primeira vinda do Messias Jesus e se concentram em sua vida, sua missão e morte, sua ressurreição e sua ascensão. Aí terminam os quatro Evangelhos. Mas o livro do Apocalipse começa depois de sua ressurreição, com Cristo exaltado à mão direita do Pai, levando a cabo sua obra de intercessão em preparação para sua volta. Desse modo, o Apocalipse se concentra sobre sua mediação em favor da igreja durante a era cristã e em sua obra final de juízo e libertação como a introdução para seu segundo advento. O Apocalipse é o complemento dos quatro Evangelhos. É o único livro revelado por Cristo diretamente do céu. Ele o chama seu próprio "testemunho destas coisas nas igrejas" (Apoc. 22:16). Em sentido especial, o livro do Apocalipse é o testemunho de Jesus e o testemunho do Espírito (V. 17; 2:7, 11).

A primeira chave
Que chaves temos para decifrar seu simbolismo apocalíptico? A primeira chave interpretativa se apresenta virtualmente em cada versículo do livro. A edição grega do Novo Testamento indica que o Apocalipse contém mais de 600 alusões aos escritos do Antigo Testamento. A Bíblia Hebraica continua sendo o fundamento e a raiz do Novo Testamento, e só quando mantemos juntos ambos os Testamentos temos uma Bíblia completa. Em grande parte, o Antigo Testamento é profecia e o Novo Testamento proclama seu cumprimento em Cristo e em seu povo. Não podemos entender completamente um sem o outro. O fato de que o Apocalipse se refira mais de 600 vezes à história do Antigo Testamento e a seus conceitos hebraico, sugere que o Antigo Testamento é a primeira chave para decifrar o livro do Apocalipse.

Em seu livro Atos dos Apóstolos, Ellen White declara que "no Apocalipse todos os livros da Bíblia se encontram e se cumprem" (p. 585). Essa é uma declaração teológica profunda e fascinante! Todos os

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

EVENTOS FINAIS

Este documentário em vídeo descreve os últimos sinais proféticos que ocorrerão neste mundo, sinais estes que concluirão com a Volta triunfal de Jesus, o Milénio no Céu e a restauração da terra em um novo Paraíso.
Se você acredita que a grande tribulação se dará após a Volta de Jesus e que sua volta será secreta, se prepare, você ficará surpreso com as verdades que estes vídeos lhe revelarão.
A última Batalha logo será travada e o Grande Conflito entre o bem e o mal terá fim, ninguém estará neutro nesta guerra espiritual. De que lado estará você?

Vídeos Eventos Finais - Parte 01

Sinais que as profecias apontam e que se cumprem em nossos dias.

Vídeos Eventos Finais - Parte 02

 O mundo político e Religioso se unirão através de Leis e acordos para impor a "Marca da Besta".

Vídeos Eventos Finais - Parte 03

Com imposição de duras leis os justos são perseguidos, começa o tempo de angústia e as 7 pragas começam cair sobre a terra.

Vídeos Eventos Finais - Parte 04

Em momento de grande angústia Jesus aparecerá nas nuvens do céu com grande Poder e Glória, visível e com todos os seus anjos para libertar seu povo, transformá-los e levá-los para a pátria celestial.

Vídeos Eventos Finais - Parte 05

 Inicia o Milénio no Céu, satanás é preso, os salvos Reinam e julgam com Cristo por mil anos.

Vídeos Eventos Finais - Parte 06


Fim do Milénio, Nova Jerusalém desce para a terra, satanás é solto, ímpios ressuscitam e cercam a cidade Santa, fogo desce do céu e os consomem.

Vídeos Eventos Finais - Parte 07 (Final)


Deus faz novas todas as coisas, a terra é restaurada á sua perfeição original, Deus habitará com seu povo e Ele será seu Deus…

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A ÚNICA CIDADE SEM CEMITÉRIO

Quando eu tinha uns 6 anos, fiz uma viagem – a minha primeira e grande viagem – fui com a minha mãe da Figueira da Foz para uma aldeia (terra da minha mãe) perto de Soure ao sul de Coimbra onde vivi até aos 12 anos. Soure é uma vila para mim muito atrativa, o rio e um castelo, além de um lindo parque com baloiços para as crianças. Mas aquela cidade tem um lugar triste chamado cemitério.

Aos 12 anos voltamos para a Figueira da Foz, conheci a grande cidade, passado algum tempo fiquei doente e fui internado no grande hospital, ao lado havia e há um grande cemitério.

Daí em diante, conheci muitas outras cidades, cidades famosas, grandes capitais, como Coimbra, Lisboa, Barreiro, Valencia, Madrid em Espanha, enfim; conheci muitas cidades em toda a Europa.

Mas sabe o que eu ainda não encontrei? Uma cidade que não tenha cemitério. Ando à procura de uma cidade que não tenha cemitérios; eu ainda não achei. Você já encontrou? Se conhecem por favor à saída fale dela que eu quero visitar.  

Hoje eu quero falar de uma Cidade que não tem cemitério nenhum, a cidade dos meus sonhos.

O patriarca Abraão – ele é conhecido como o pai da fé e pai de todos os que crêem nas promessas de Deus, e ele andou como um peregrino aqui nesta Terra, e andava mesmo sem saber para onde ia, mas procurava uma cidade sem cemitério, porque "aguardava a Cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador." (Heb. 11:10)

Com efeito, a Cidade que Deus nos preparou, a Cidade de ouro e cristal não terá cemitérios. Lemos em:
Apoc. 21:2-4 – "E vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus, adereçada como uma noiva ataviada para o seu noivo. E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas."

Todos quantos entrarem pelas portas da Cidade de Jerusalém celeste nunca mais verão a morte, porque a morte já não existirá, porque nesta Cidade não haverá cemitérios, já não haverá luto: ninguém vai se vestir de preto, mas de vestes brancas, que são símbolo de vitória.

O apóstolo Paulo escreve sobre essa inexcedível vitória. Notem as sua palavras em: 1ªCor. 15:54, 55 – "Mas, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrito: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?"

Quando o almirante Nelson travou a batalha contra a esquadra francesa, no rio Nilo, o almirante Nelson abateu os seus inimigos franceses numa derrota esmagadora, e ele impressionado com isso, disse: "A palavra vitória não é suficientemente grande para descrever o importante acontecimento." (MM, 1966,14).

Quando o Senhor Jesus Cristo vier na Sua glória e majestade, quando Ele chamar os mortos e transformar os vivos, "quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade", então a palavra vitória será pequena demais para descrever o acontecimento.

E quando todos os justos de todos os tempos se reunirem numa grande e inumerável multidão, e atravessarem os portais da Cidade Eterna, a Cidade que não tem cemitérios, então a palavra vitória não será suficientemente grande para descrever a ocorrência.

É por isso que S. Paulo disse noutra parte que nós somos mais do que vencedores por Aquele que nos amou. É uma vitória tão grande, é uma supervitória, é algo tão maravilhoso que a língua humana não poderá jamais descrever. "Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou em coração humano, o que Deus tem preparado para aqueles que O amam." (1ª Cor. 2:9).


I – DESCRIÇÃO DA CIDADE

Como será a Cidade Eterna, como será a Cidade que não tem cemitérios?

1) A Bíblia diz que a Nova Jerusalém será construída de ouro puro, semelhante a vidro límpido. (Apoc. 21:18). Portanto, será uma cidade muito rica. Os homens que a contemplarem nunca viram tanto ouro na sua vida. A visão da Cidade de Ouro parece vidro cristalino.

2) A Bíblia acrescenta que a cidade terá a glória de Deus; e por isso, o seu fulgor, o seu brilho será semelhante a uma pedra preciosíssima, como pedra de jaspe cristalina. (21:11).

E se a Cidade terá a glória de Deus, não precisa nem do sol nem da lua para lhe darem claridade. A

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O Sábado ou o Domingo?

Os estudos anteriores revelaram o assombroso fato de que alguém tentou mudar o original sétimo dia do sábado do nosso Deus. Foi revelado que Deus não fez nenhuma mudança com relação ao sábado. Ele é parte da eterna, imutável, lei dos dez mandamentos de Deus. O sábado foi originado no jardim do Éden, será guardado na nova terra, é o sinal especial de um relacionamento com Deus. O chifre pequeno teria autoridade para mudar o sábado para o domingo? Neste estudo queremos examinar toda possível evidência no Novo Testamento que mesmo remotamente tenha surgido a possibilidade dessa mudança. Examinaremos todos os textos do Novo Testamento que mencionam o primeiro dia da semana. Existem apenas oito.

O DOMINGO NO NOVO TESTAMENTO

1.      O chifre pequeno realmente mudaria os tempos e as leis de Deus?
“E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo.” (Daniel 7:25)

2.      Examine todos os 8 textos do Novo Testamento que mencionam o 1° dia da semana.
Ver:

2.1  Marcos 16:9  “E Jesus, tendo ressuscitado na manhã do primeiro dia da semana, apareceu primeiramente a Maria Madalena, da qual tinha expulsado sete demónios.”
Nota: Este texto simplesmente declara a verdade de que Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana. Não há insinuação de que devemos guardar este dia em honra a ressurreição de Jesus.

2.2 Marcos 16:1,2; Lucas 24:1; Mateus 28:1; João 20:1,2
“E, PASSADO o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo. E, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, de manhã cedo, ao nascer do sol.” Marcos 16:1,2
Nota: Este texto deixa claro que o sábado foi o dia anterior a ressurreição, e não o dia da ressurreição.

2.3 “Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco.” João 20:19
Nota: Os discípulos não estavam reunidos para honrar a ressurreição de Jesus, porque não acreditaram nisto naquela ocasião. Eles se mantiveram trancados e escondidos por medo de lhes acontecer o que aconteceu a Jesus. Nada indicava aqui uma mudança no dia ou adoração.

2.4 I Coríntios 16:2 “No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte  (em casa) o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar.”
Nota: Paulo estava arrecadando dinheiro para os cristãos de Jerusalém que sofriam de fome (Atos

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

A MENSAGEM DO SEGUNDO ANJO - APOCALIPSE 14:8

LEIA A MENSAGEM DO PRIMEIRO ANJO
"E outro anjo seguiu, dizendo: Caiu! Caiu Babilónia, aquela grande cidade que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição!" (Apoc. 14:8).

Este anjo "seguiu" o primeiro, não no sentido de substituí-lo, mas sim no sentido de acompanhá-lo (como em Apoc. 14:4). A mensagem adicional menciona a "Babilónia" pela primeira vez em Apocalipse, e a descreve como a grande adúltera que seduziu as nações com vinho intoxicante. A mensagem do segundo anjo não pode entender-se adequadamente se se isola Apocalipse 14 do contexto que lhe seguir nos capítulos 16 a 18, nos quais é dada mais informação a respeito de Babilónia.

O outro enfoque para entender "Babilónia" é recuperar as conexões com o Antigo Testamento. O nome "Babilónia" está escolhido de maneira intencional para revelar a relação teológica de tipo e antítipo com o arqui-inimigo de Israel durante o velho pacto. A queda histórica do império neobabilónico, tal como Isaías, Daniel e Jeremias a predisseram, está decretado como sendo o protótipo da queda de Babilónia do tempo do fim. Esta correspondência tipológica esclarece a interpretação da Babilónia do tempo do fim e de sua queda. Quando se estabeleceu a continuidade dos fundamentos teológicos de ambas as Babilónias, o Apocalipse proporciona a aplicação para o tempo do fim. Apocalipse 17 refere babilónia como sendo um "mistério" (v. 5), o que indica que a Babilónia do tempo do fim é a renovação apocalíptica da antiga cidade que se sentava sobre as "muitas águas" do Eufrates (Jer. 51:13). Uma comparação minuciosa revela a correspondência intencional:


BABILÔNIA DO TEMPO DO FIM: "Vem, mostrar-te-ei o julgamento da grande meretriz que se acha sentada sobre muitas águas". Apocalipse 17:1
BABILÓNIA HISTÓRICA: "Ó tu que habitas sobre muitas águas, rica de tesouros! Chegou o teu fim, a medida da tua avareza". Jeremias 51:13

Esta correspondência essencial das duas Babilónias está descrita pelo CBA desta forma:
"A antiga cidade de Babilónia estava situada junto às águas do rio Eufrates (ver com. Jer. 50:12, 38), morava simbolicamente 'entre muitas águas' ou povos (Jer. 51:12, 13; cf. Isa. 8:7, 8; 14:6; Jer. 50:23), assim também a Babilónia moderna é apresentada sentada ou vivendo sobre os povos da terra, ou oprimindo-os (cf. com. Apoc. 16:12)".1

A frase "Babilónia a Grande" (mencionada 5 vezes: 14:8; 16:19; 17:5; 18:2, 21) é uma alusão direta à egolatria de Nabucodonosor em Daniel 4:30 (ver também Apoc. 18:7). As frases a respeito da queda de Babilónia e de seu vinho intoxicante em Apocalipse 14:8 estão tomadas dos oráculos da condenação do Antigo Testamento contra Babilónia (Isa. 21:9; Jer. 51:7):


A QUEDA DA BABILÓNIA DO TEMPO DO FIM: "E outro anjo seguiu, dizendo: Caiu, caiu babilónia, aquela grande cidade, que a todas as nações deu a beber do vinho da ira da sua prostituição."  (Apocalipse 14 : 8)
A QUEDA DA BABILÔNIA HISTÓRICA: "Caiu, caiu Babilónia; e todas as imagens de escultura dos seus deuses jazem despedaçadas por terra" (Isa. 21:9).
"A Babilónia era um copo de ouro na mão do SENHOR, o qual embriagava a toda a terra; do seu vinho beberam as nações; por isso, enlouqueceram" (Jer. 51:7).
Assim como a antiga Babilónia foi a perseguidora de Israel, assim também "Babilônia" no Apocalipse é a perseguidora do Israel de Deus no tempo do fim. Louis F. Were recalçou o caráter teológico de Babilónia: "Menciona-se Babilónia nas profecias do Apocalipse só devido à sua oposição à Jerusalém".2 Também A. Farrar comentou de maneira similar: "Babilónia é a paródia de Jerusalém".3

Mulher Fiel
O contraste entre "Israel" e "Babilónia" que se descreve como duas mulheres, chega a ser ainda mais surpreendente quando se presta atenção às suas descrições detalhadas. Enquanto a mulher de Deus no capítulo 12 aparece "no céu" iluminada com o sol e as estrelas, a mulher infiel do capítulo 17, adornada com as invenções do homem, "está sentada sobre muitas águas" e "sobre uma besta escarlate" (Apoc. 17:1-3). Enquanto a mulher do capítulo 12 leva um menino em seu seio a que vai dar à luz, a mulher do capítulo 17 tem na sua mão um cálice cheio do sangue dos descendentes da outra mulher. A primeira mulher é protegida; a segunda persegue e será destruída.

Não pode identificar-se Babilónia com Roma imperial. A grande "meretriz" que se senta "sobre uma besta escarlate" (Apoc. 17:3) é um símbolo que distingue Babilónia (a mulher) do poder político (a "besta"). Desde o começo tem como característica essencial Babel (literalmente, "porta dos deuses") quis elevar-se aos céus para usurpar o lugar e o poder soberano de Deus (ver Gén. 11:4; Isa. 14:13, 14; Jer. 51:53).

A intenção básica de Babilónia de representar a Deus sobre a terra segundo "sua vontade" (Dan. 11:36) é o mal mais fundamental. Esta aspiração demoníaca se enfatiza na profecia do "chifre
pequeno" do profeta Daniel (caps. 7 e 8) e do "rei do norte" (11:36-45). O objetivo perigoso de substituir tanto a Deus como a sua redenção messiânica fica desmascarado na guerra que faz o chifre contra o "Príncipe dos príncipes", o verdadeiro Sumo-Sacerdote de Deus, e contra o Seu sacrifício todo suficiente (8:11, 25). Doukhan captou esta relação de Babilónia com o livro de Daniel com uma percepção aguda. Diz Doukhan: "A ambição de Babel é idêntica à do chifre pequeno. Tem uma natureza religiosa e está dirigida à posição do Sumo-Sacerdote em relação com a purificação e o juízo. Dessa maneira, luta por conseguir tanto o poder para perdoar pecados como o fim último para decidir a respeito da salvação (ver Lev. 16:19, 32)".4

O segundo anjo anuncia que Deus julgou a Babilónia e suas reivindicações religiosas de representar a

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A MENSAGEM DO PRIMEIRO ANJO - APOCALIPSE 14:6, 7

É significativo o lugar onde está colocado a última mensagem de admoestação de Apocalipse 14:6-12. Encontra-se entre as ameaças do anticristo no capítulo 13 e a cena do juízo do capítulo 14:14-20. A tríplice mensagem transmite o ultimato de Deus a um mundo unido em rebelião contra ele.

"Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas" (Apoc. 14:6, 7).

A expressão "outro anjo" (v. 6) conecta este mensageiro com o anjo anterior que aparece no Apocalipse, o "anjo forte" do capítulo 10. A tríplice mensagem de Apocalipse 14 ao que parece funciona como a expansão da missão do "anjo forte" durante a sexta trombeta (Apoc. 10:5-7). Em ambos os capítulos, o 10 e o 14, a advertência do tempo do fim do céu tem o propósito de alcançar toda a terra. O anjo "voando pelo meio do céu" (o zénite do céu) em Apocalipse 14 simboliza o alcance universal de sua mensagem, assim como o anjo forte tinha posto seu pé tanto sobre o mar como sobre a terra. Esta esfera de ação universal se recalca pela ênfase: "Tendo o evangelho eterno para pregar aos moradores [literalmente, 'se sentam'] da terra, a toda nação, tribo, língua e povo" (v. 6). Esta proclamação do "evangelho eterno" de Deus é a verdadeira mensagem de reavivamento para o fim. Desenvolve a promessa anterior de Cristo:
"E este evangelho do reino será pregado em todo mundo, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim" (Mat. 24:14).

O adjetivo "eterno " [em gr., aiónion] aplicado ao "evangelho" em Apocalipse 14:6 leva consigo um significado especial. Afirma que o evangelho do tempo do fim é o evangelho inalterado dos apóstolos de Jesus. O evangelho do tempo do fim não é um evangelho diferente, mas sim o evangelho como foi exposto por Paulo nas suas cartas aos romanos e a outras igrejas. A estrutura delicada do evangelho da soberana graça de Deus (ver Ef. 2:4-10) não pode ser alterado nunca, nem sequer por um anjo ou por um apóstolo. Uma inovação tal cairia sob a maldição de Deus (ver Gál. 1:6-9).

O evangelho eterno chega a ser cada vez mais relevante quando é contemplado em seu marco de Apocalipse 13, onde o anticristo demanda a lealdade à sua falsificação ou "evangelho diferente" (cf. 2 Cor. 11:4). Referindo-se aos decretos do concílio do Trento (1545-1563), o bispo Chr. Wordsworth comentou:

terça-feira, 26 de agosto de 2014

A MENSAGEM DO TERCEIRO ANJO - APOCALIPSE 14:9-12

"Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome. Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" (Apoc. 14:9-12).

Esta advertência solene é dirigida a cada crente. Convoca a cada um a permanecer firme contra as ameaças de morte do anticristo, e desenvolve a mensagem do segundo anjo de que todas as nações se viram compelidas a "beber o vinho" de Babilónia (Apoc. 14:8): "Se alguém beber o vinho da ira de Babilónia, também terá que beber o vinho da ira de Deus!" O "cálice" simbólico da ira de Deus (Apoc. 14:10; 16:19) era um conceito tradicional nas profecias de juízo de Israel. O "cálice de vinho" na mão de Deus servia como o símbolo de sua justiça punitiva.

Até Israel que quebrantou o pacto teve que beber o vinho de sua ira (Jer. 25:15, 16, 17; 49:12; Ezeq. 23:31-34; Isa. 51:17, 22; Sal. 60:3; 75:8). Mas Israel experimentou a taça da ira de Deus só em forma temporária (ver Sal. 60:3; Isa. 51:22). Entretanto, alguns inimigos de Israel tiveram que beber a taça da ira até sua extinção: "Beberão, e engolirão, e serão como se não tivessem sido" (Ob. 16). "Bebei, embebedai-vos e vomitai; caí e não torneis a levantar-vos..." (Jer. 25:27; também o v. 33).

A aceitação por parte de Jesus da taça da ira divina da mão de Deus no Getsémani pertence à essência do evangelho (Mat. 20:22; 26:39, 42). Declara E. W. Fudge: "Porque ele aceitou aquela taça, seu povo não tem que bebê-la. A taça que nos deixa [a taça da comunhão] é um recordativo constante de que ele ocupou nosso lugar (Mat. 26:27-29)".

Os adoradores da besta têm que beber a ira de Deus "pura" [em gr., akrátu; "sem diluir", NBE; "sem mistura", CI). Este cálice da ira já não está misturado com misericórdia. Derramar-se-á com as 7 últimas pragas (Apoc. 15:1). Isto significa que todas as pragas de Apocalipse 16 constituem uma parte integral da mensagem do terceiro anjo. Uma expressão hebraica nestes versículos tem desafiado os intérpretes:

"Será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome" (Apoc. 14:10, 11).

A frase "fogo e enxofre" é parte da maldição do pacto, maldição que inclui extinção ou aniquilação (Deut. 29:23; Sal. 11:6). O juízo sobre Sodoma e Gomorra resultou em que "subia da terra fumo como fumaça de

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O SIGNIFICADO DA NOVA JERUSALÉM

"Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ómega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho. Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte" (Apoc. 21:1-8).

Esta visão de João continua a série de visões ("Vi") que começaram com a do segundo advento em Apocalipse 19:11. Alguns inclusive consideram Apocalipse 21:1-8 como "a parte mais importante de seu livro".

Apocalipse 20 e 21 estão unidos por muitos elos. Ambos falam de "céu e terra" (20:11; 21:1), do "mar" (20:13; 21:1), do "livro da vida" (20:12; 21:17), do "trono" de Deus (20:11; 21:3), da "segunda morte" (20:14; 21:8) e do "lago de fogo" (20:15; 21:8). Estas conexões confirmam que a visão da Nova Jerusalém é a culminação da longa cadeia de visões que aparecem em Apocalipse 19:11 a 21:8. Em outras palavras, a visão de "um novo céu e uma terra nova" (21:1). Segue à segunda vinda de Cristo (19:11-16) e ao milénio.

A descida da presença constante de Deus sobre a terra renovada é o propósito do plano de Deus e dos seus juízos sobre a humanidade pecadora. Por conseguinte, a visão de Deus morando com os homens em Apocalipse 21:1-8 forma o ponto culminante de todas as visões anteriores de João, e a consumação da esperança dos mártires. A inspiração do Espírito Santo, os dois últimos capítulos de seu livro [o de João] formam o cântico mais sublime.

Agora João recebe visões repetidas da Nova Jerusalém (Apoc. 21:1-8, 10-27; 22:1-6), que revelam

domingo, 10 de agosto de 2014

Jesus já tinha usado os SIMBOLOS do Apocalipse

Jesus viveu no tempo quando a esperança judaica de uma pronta vinda do Messias político se intensificava grandemente. Uma quantidade de escritos apocalípticos, sob nomes falsos ou pseudónimos, circulavam com grande profusão, e mantinham a esperança messiânica candente aplicando a mensagem do juízo de Daniel e de outras passagens proféticas ao seu próprio tempo e situação. Os títulos de algumas destas obras pseudoepigráficas são: 4 Esdras, 1 Enoc, Apocalipse de Baruque e o livro dos Jubileus (deuterocanónicos).

Os termos "apocalíptico" e "apocalipticismo" foram usados mais tarde pelos eruditos para indicar as escatologias especulativas e contraditórias contidas nesses escritos do judaísmo tardio. As três características dominantes desse apocalipticismo

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A MENSAGEM DO TERCEIRO ANJO - Apocalipse 14:9-12

"Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome. Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" (Apoc. 14:9-12).

Esta advertência solene é dirigida a cada crente. Convoca a cada um a permanecer firme contra as ameaças de morte do anticristo, e desenvolve a mensagem do segundo anjo de que todas as nações se viram compelidas a "beber o vinho" de Babilónia (Apoc. 14:8): "Se alguém beber o vinho da ira de Babilónia, também terá que beber o vinho da ira de Deus!" O "cálice" simbólico da ira de Deus (Apoc. 14:10; 16:19) era um conceito tradicional nas profecias de juízo de Israel. O "cálice de vinho" na mão de Deus servia como o símbolo de sua justiça punitiva.

Até Israel que quebrantou o pacto teve que beber o vinho de sua ira (Jer. 25:15, 16, 17; 49:12; Ezeq. 23:31-34; Isa. 51:17, 22; Sal. 60:3; 75:8). Mas Israel experimentou a taça da ira de Deus só em forma temporária (ver Sal. 60:3; Isa. 51:22). Entretanto, alguns inimigos de Israel tiveram que beber a taça da ira até à sua extinção: "Beberão, e engolirão, e serão como se não tivessem sido" (Ob. 16). "Bebei,