quinta-feira, 11 de setembro de 2014

A MENSAGEM DO PRIMEIRO ANJO - APOCALIPSE 14:6, 7

É significativo o lugar onde está colocado a última mensagem de admoestação de Apocalipse 14:6-12. Encontra-se entre as ameaças do anticristo no capítulo 13 e a cena do juízo do capítulo 14:14-20. A tríplice mensagem transmite o ultimato de Deus a um mundo unido em rebelião contra ele.

"Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-lhe glória, pois é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas" (Apoc. 14:6, 7).

A expressão "outro anjo" (v. 6) conecta este mensageiro com o anjo anterior que aparece no Apocalipse, o "anjo forte" do capítulo 10. A tríplice mensagem de Apocalipse 14 ao que parece funciona como a expansão da missão do "anjo forte" durante a sexta trombeta (Apoc. 10:5-7). Em ambos os capítulos, o 10 e o 14, a advertência do tempo do fim do céu tem o propósito de alcançar toda a terra. O anjo "voando pelo meio do céu" (o zénite do céu) em Apocalipse 14 simboliza o alcance universal de sua mensagem, assim como o anjo forte tinha posto seu pé tanto sobre o mar como sobre a terra. Esta esfera de ação universal se recalca pela ênfase: "Tendo o evangelho eterno para pregar aos moradores [literalmente, 'se sentam'] da terra, a toda nação, tribo, língua e povo" (v. 6). Esta proclamação do "evangelho eterno" de Deus é a verdadeira mensagem de reavivamento para o fim. Desenvolve a promessa anterior de Cristo:
"E este evangelho do reino será pregado em todo mundo, para testemunho a todas as nações; e então virá o fim" (Mat. 24:14).

O adjetivo "eterno " [em gr., aiónion] aplicado ao "evangelho" em Apocalipse 14:6 leva consigo um significado especial. Afirma que o evangelho do tempo do fim é o evangelho inalterado dos apóstolos de Jesus. O evangelho do tempo do fim não é um evangelho diferente, mas sim o evangelho como foi exposto por Paulo nas suas cartas aos romanos e a outras igrejas. A estrutura delicada do evangelho da soberana graça de Deus (ver Ef. 2:4-10) não pode ser alterado nunca, nem sequer por um anjo ou por um apóstolo. Uma inovação tal cairia sob a maldição de Deus (ver Gál. 1:6-9).

O evangelho eterno chega a ser cada vez mais relevante quando é contemplado em seu marco de Apocalipse 13, onde o anticristo demanda a lealdade à sua falsificação ou "evangelho diferente" (cf. 2 Cor. 11:4). Referindo-se aos decretos do concílio do Trento (1545-1563), o bispo Chr. Wordsworth comentou:

terça-feira, 26 de agosto de 2014

A MENSAGEM DO TERCEIRO ANJO - APOCALIPSE 14:9-12

"Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome. Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" (Apoc. 14:9-12).

Esta advertência solene é dirigida a cada crente. Convoca a cada um a permanecer firme contra as ameaças de morte do anticristo, e desenvolve a mensagem do segundo anjo de que todas as nações se viram compelidas a "beber o vinho" de Babilónia (Apoc. 14:8): "Se alguém beber o vinho da ira de Babilónia, também terá que beber o vinho da ira de Deus!" O "cálice" simbólico da ira de Deus (Apoc. 14:10; 16:19) era um conceito tradicional nas profecias de juízo de Israel. O "cálice de vinho" na mão de Deus servia como o símbolo de sua justiça punitiva.

Até Israel que quebrantou o pacto teve que beber o vinho de sua ira (Jer. 25:15, 16, 17; 49:12; Ezeq. 23:31-34; Isa. 51:17, 22; Sal. 60:3; 75:8). Mas Israel experimentou a taça da ira de Deus só em forma temporária (ver Sal. 60:3; Isa. 51:22). Entretanto, alguns inimigos de Israel tiveram que beber a taça da ira até sua extinção: "Beberão, e engolirão, e serão como se não tivessem sido" (Ob. 16). "Bebei, embebedai-vos e vomitai; caí e não torneis a levantar-vos..." (Jer. 25:27; também o v. 33).

A aceitação por parte de Jesus da taça da ira divina da mão de Deus no Getsémani pertence à essência do evangelho (Mat. 20:22; 26:39, 42). Declara E. W. Fudge: "Porque ele aceitou aquela taça, seu povo não tem que bebê-la. A taça que nos deixa [a taça da comunhão] é um recordativo constante de que ele ocupou nosso lugar (Mat. 26:27-29)".

Os adoradores da besta têm que beber a ira de Deus "pura" [em gr., akrátu; "sem diluir", NBE; "sem mistura", CI). Este cálice da ira já não está misturado com misericórdia. Derramar-se-á com as 7 últimas pragas (Apoc. 15:1). Isto significa que todas as pragas de Apocalipse 16 constituem uma parte integral da mensagem do terceiro anjo. Uma expressão hebraica nestes versículos tem desafiado os intérpretes:

"Será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome" (Apoc. 14:10, 11).

A frase "fogo e enxofre" é parte da maldição do pacto, maldição que inclui extinção ou aniquilação (Deut. 29:23; Sal. 11:6). O juízo sobre Sodoma e Gomorra resultou em que "subia da terra fumo como fumaça de

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O SIGNIFICADO DA NOVA JERUSALÉM

"Vi novo céu e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo. Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram. E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. Disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ómega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho. Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte" (Apoc. 21:1-8).

Esta visão de João continua a série de visões ("Vi") que começaram com a do segundo advento em Apocalipse 19:11. Alguns inclusive consideram Apocalipse 21:1-8 como "a parte mais importante de seu livro".

Apocalipse 20 e 21 estão unidos por muitos elos. Ambos falam de "céu e terra" (20:11; 21:1), do "mar" (20:13; 21:1), do "livro da vida" (20:12; 21:17), do "trono" de Deus (20:11; 21:3), da "segunda morte" (20:14; 21:8) e do "lago de fogo" (20:15; 21:8). Estas conexões confirmam que a visão da Nova Jerusalém é a culminação da longa cadeia de visões que aparecem em Apocalipse 19:11 a 21:8. Em outras palavras, a visão de "um novo céu e uma terra nova" (21:1). Segue à segunda vinda de Cristo (19:11-16) e ao milénio.

A descida da presença constante de Deus sobre a terra renovada é o propósito do plano de Deus e dos seus juízos sobre a humanidade pecadora. Por conseguinte, a visão de Deus morando com os homens em Apocalipse 21:1-8 forma o ponto culminante de todas as visões anteriores de João, e a consumação da esperança dos mártires. A inspiração do Espírito Santo, os dois últimos capítulos de seu livro [o de João] formam o cântico mais sublime.

Agora João recebe visões repetidas da Nova Jerusalém (Apoc. 21:1-8, 10-27; 22:1-6), que revelam

domingo, 10 de agosto de 2014

Jesus já tinha usado os SIMBOLOS do Apocalipse

Jesus viveu no tempo quando a esperança judaica de uma pronta vinda do Messias político se intensificava grandemente. Uma quantidade de escritos apocalípticos, sob nomes falsos ou pseudónimos, circulavam com grande profusão, e mantinham a esperança messiânica candente aplicando a mensagem do juízo de Daniel e de outras passagens proféticas ao seu próprio tempo e situação. Os títulos de algumas destas obras pseudoepigráficas são: 4 Esdras, 1 Enoc, Apocalipse de Baruque e o livro dos Jubileus (deuterocanónicos).

Os termos "apocalíptico" e "apocalipticismo" foram usados mais tarde pelos eruditos para indicar as escatologias especulativas e contraditórias contidas nesses escritos do judaísmo tardio. As três características dominantes desse apocalipticismo

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A MENSAGEM DO TERCEIRO ANJO - Apocalipse 14:9-12

"Seguiu-se a estes outro anjo, o terceiro, dizendo, em grande voz: Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a sua marca na fronte ou sobre a mão, também esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado, sem mistura, do cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos, e não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem e quem quer que receba a marca do seu nome. Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" (Apoc. 14:9-12).

Esta advertência solene é dirigida a cada crente. Convoca a cada um a permanecer firme contra as ameaças de morte do anticristo, e desenvolve a mensagem do segundo anjo de que todas as nações se viram compelidas a "beber o vinho" de Babilónia (Apoc. 14:8): "Se alguém beber o vinho da ira de Babilónia, também terá que beber o vinho da ira de Deus!" O "cálice" simbólico da ira de Deus (Apoc. 14:10; 16:19) era um conceito tradicional nas profecias de juízo de Israel. O "cálice de vinho" na mão de Deus servia como o símbolo de sua justiça punitiva.

Até Israel que quebrantou o pacto teve que beber o vinho de sua ira (Jer. 25:15, 16, 17; 49:12; Ezeq. 23:31-34; Isa. 51:17, 22; Sal. 60:3; 75:8). Mas Israel experimentou a taça da ira de Deus só em forma temporária (ver Sal. 60:3; Isa. 51:22). Entretanto, alguns inimigos de Israel tiveram que beber a taça da ira até à sua extinção: "Beberão, e engolirão, e serão como se não tivessem sido" (Ob. 16). "Bebei,

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Depois da Morte – O que ACONTECE?

O conceito de julgamento encontrado em Daniel surge da questão vital do que acontece à pessoa na morte. Para ser consistente, nosso entendimento da morte deve estar em harmonia com o conceito do julgamento que descobrimos em Daniel. Existem dois ensinamentos básicos com relação à morte. O primeiro sugere que quando as pessoas justas morrem, vão diretas para o céu, recebendo a vida eterna imediatamente após a morte. Quando os ímpios morrem, vão direto para o inferno e passam a eternidade num lugar a arder. O segundo sugere que quando as pessoas morrem, vão para o túmulo e “dormem”, e não sabem nada antes da ressurreição. Após a ressurreição, recebem imortalidade. Os ímpios são ressuscitados no fim dos 1000 anos para receber a sua punição. Um cuidadoso exame de ambos ensinamentos revelará o conceito que está em harmonia com a percepção de Daniel sobre o julgamento.

O CONCEITO DE DANIEL SOBRE A MORTE

1.      O que Daniel disse que aconteceria a ele após sua morte?
Rª: “Tu, porém, vai até ao fim; porque descansarás, e te levantarás na tua herança, no fim dos dias.” (Daniel 12:13)
Nota: Daniel disse que descansaria de seus labores até o fim dos dias. No fim de todos os períodos proféticos, na segunda vinda de Jesus, ele receberia a sua herança na ressurreição. Daniel não tinha expectativa de ir ao céu antes da segunda vinda de Jesus.

2.      Com que palavra Daniel descreve a pessoa quando ela morre e quando os justos e ímpios receberão recompensa ou punição?
Rª: “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.” (Daniel 12:2)?
Nota: Para Daniel a morte é como ir para a cama à noite e dormir. A próxima coisa que você verá depois de morrer é a manhã da ressurreição. Aqueles que acordam (são ressuscitados), receberão vida ou maldição eterna na ressurreição, não quando morrerem.

A ESPERANÇA DA RESSURREIÇÃO

3.      Como é importante a esperança da ressurreição para o cristianismo e se ela não existisse o que aconteceria às pessoas quando elas morrem?
Rª: “E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou.  E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé. …Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos.” (I Coríntios 15:13-18)
Nota: Se não existe ressurreição, não existe vida eterna. Sem ela não poderíamos virtualmente estar no cristianismo, pois a ressurreição é uma das únicas doutrinas da fé cristã. Não a religião, mas o cristianismo ensina sobre a ressurreição da morte. Se as pessoas vão para o céu quando morrem, não teriam de ser ressuscitadas. O ensinamento que sugere que quando as pessoas morrem, vão diretas para o céu destrói a necessidade da mais essencial doutrina cristã, a doutrina da ressurreição.

4.      Porque Jesus está vindo pela segunda vez?
Rª: “NÃO se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.” (João 14: 1-3)
Nota: Por que Jesus voltaria pela segunda vez para levar o Seu povo para a casa de Seu Pai se o seu povo fosse imediatamente para lá quando morresse? Então, não somente o ensinamento de que a consciência desaparece imediatamente após a morte, destrói a doutrina da ressurreição, mas também destrói qualquer necessidade da segunda vinda de Jesus.

É A ALMA MORTAL OU IMORTAL?

Aqueles que ensinam que as pessoas quando morrem vão para o céu sugerem que toda pessoa é nascida com alma imortal, que enquanto o corpo morre e vai para a terra, a alma volta para Deus. Então, o homem

sábado, 5 de julho de 2014

A ENTRONIZAÇÃO DO CORDEIRO DE DEUS - APOCALIPSE 5

O propósito do Apocalipse de João é revelar as coisas que "devem acontecer" (Apoc. 1:1, 19; 4:1). De modo surpreendente, o que João vê agora em visão, não trata a respeito do que ia passar na terra e sim o que estava acontecendo no céu! A razão para este notável ponto central de atividade em Apocalipse 4 e 5 pode encontrar-se na revelação de que as decisões na sala do trono celestial determinam o curso da história humana, tal como o surgimento e a queda dos governos humanos, mas acima de tudo, o destino final do mundo. Daniel tinha assinalado a soberania de Deus sobre a humanidade: "Ele muda os tempos e as idades; tira reis e põe reis" (Dan. 2:21; ver também 4:17; 5:18, 26-28). Depois da devastação de Jerusalém, Jeremias assegurou aos judeus: "Mas tu, Jeová, permanecerás para sempre; teu trono de geração em geração" (Lam. 5:19). Jesus se submeteu ao poder brutal do governador romano Pilatos, mas declarou: "Nenhuma autoridade teriam contra mim, se não fosse dada de acima" (João 19:11).
Agora o Soberano no céu revela a João um esboço da era da igreja, com ênfase especial sobre o resultado final como está determinado por sua vontade soberana. Este futuro se centra em Cristo e em seu povo do pacto, e se revela por meio da visão do "livro" de Apocalipse 5 a 7.

O livro divino [biblíon] em Apocalipse 5 está selado com 7 selos que ninguém nem no céu nem na terra é digno de abrir. Isto é altamente significativo. Nenhum ser criado, seja anjo ou santo, tem a dignidade de Jesus exaltado. Só Cristo pode dar a conhecer os juízos de Deus, abrindo os selos (Apoc. 6 e 7), e pelas visões seguintes e esclarecedoras do Apocalipse. Dessa maneira Cristo dá sentido à história mundial. Ele colocou a humanidade em direção a uma meta que Deus predeterminou em sua sala do trono no céu. Por isso as visões do trono de João são fundamentais para todo o livro. G. R. Beasley-Murray percebeu isto e disse: "Neste particular, estes capítulos [Apoc. 4 e 5] constituem o fator fundamental da estrutura que mantém unido o livro, porque o resto das visões são montadas nesta estrutura principal".1

A ênfase sobre o livro divino na mão direita de Deus amplia o foco de Deus como o Criador em Apocalipse 4 para Deus como o Redentor de sua criação. A visão do trono no capítulo 5 revela a maneira na qual Deus "tem que vir" (Apoc. 4:8) na história da humanidade para cumprir seu propósito. A Majestade sobre o trono tem em sua mão direita um livro escrito em ambos os lados, e selado com 7 selos (5:1). Alguns viram aqui uma similitude com o rolo do livro desdobrado que Ezequiel recebeu de Deus, no qual estavam escritas por diante e por trás "lamentos e lamentações e ais" (Ezeq. 2:9, 10). Outros vêem um paralelo mais adequado com o rolo de Deuteronómio, o qual, como o livro do pacto, devia dar-se a um recém-coroado rei em Israel (ver Deut. 17:18-20; 2 Reis 11:12). Em sua tese, Ranko Stefanovic tira esta ampla conclusão:

"Ao tomar o livro, a Cristo lhe encomendou a soberania do mundo (cf. 1 Ped. 3:22; Fil. 2:9-11); o livro significaria então a legítima transferência do reino. Em tal contexto, também tem um caráter de testamento, e pode chamar-se também o livro da herança de Cristo. Desde que a transferência do reino se refere à recuperação da posse do direito que se perdeu pelo pecado, o livro tem todas as características do livro da redenção ou a escritura da venda. Ao tomar o livro, todo o destino da humanidade se coloca nas mãos do Cristo entronizado; por isso é na verdade o livro celestial do destino. Ele julgará sobre a base de seu conteúdo, por isso é o livro de juízo".2

O conteúdo deste livro selado, descrevendo os juízos de Deus sobre um mundo hostil, como aparece pelos capítulos que seguem, coloca-se nas mãos do Senhor ressuscitado, o Cristo todo-poderoso e omnisciente (ver Apoc. 5:6). Apocalipse 5 assegura que por meio da vitória de Cristo na terra, será restaurado o reino de Deus (ver Apoc. 21:5).

"Todavia, um dos anciãos me disse: Não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos. Então, vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. Ele tinha sete chifres, bem como sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados por toda a terra. Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono" (Apoc. 5:5-7).

Um dos santos glorificados no céu explica que as promessas de Deus a Israel encontraram seu cumprimento no Senhor ressuscitado, e se refere a três profecias essencialmente messiânicas e as combina em uma proclamação de cumprimento: Génese 49:9, 10; Isaías 11:1-10 e 53:7. "Em nenhum outro lugar no Novo Testamento estão agrupados os termos reais mais significativos em relação com Cristo e seu ministério posterior a sua ressurreição assim como no sentar-se à direita sobre o trono do Pai".3 Mas, por que Cristo Jesus foi o único considerado digno? Por que o plano de Deus para a restauração de todas as coisas se faz depender da dignidade moral do Messias davídico e de sua missão como o Cordeiro de Deus (Apoc. 5:6)? W. C. Van Unnik explicou bem isto:
"Ele foi provado em seus sofrimentos e ganhou a vitória. A grandeza de sua obra se descreve no v. 9: de todas as nações redimiu escravos e fez, a estes que antes eram escravos de todos os povos, inclusive os pagãos (!), ser o povo santo de Deus, sacerdotes e reis, a prerrogativa típica de Israel (Êxo. 19:5 e seguintes)".4

João vê o Cristo crucificado e ressuscitado sendo exaltado e entronizado na sala do trono celestial como o Soberano da história. A transferência do livro selado do Pai a Cristo o faz Senhor sobre o desenvolvimento da história do planeta, dado que sua tarefa é abrir os selos do livro do destino do homem. Cristo começa a executar os decretos para o mundo e a igreja. A história humana com seu juízo final se coloca nas mãos do Senhor ressuscitado. Sem Cristo, a história do mundo é um enigma e não tem finalidade. Portanto, todo o céu estala em louvor quando Cristo é declarado digno de receber o livro divino do destino.
"E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos" (Apoc. 5:8).

Em resposta à coroação de Cristo no céu, todos os serafins e os anciões cantam com adoração um "novo cântico" ao Cordeiro de Deus:

"Cantavam um cântico novo: Tu mereces receber o rolo e soltar seus selos, porque foste morto e com teu sangue adquiriste para Deus homens de toda raça e língua, povo e nação; fizeste deles linhagem real e sacerdotes para nosso Deus e serão reis na terra" (Apoc. 5:9, 10, NBE).

Este cântico é "novo" porque agora foi entronizado o Rei legítimo. Seu triunfo sobre o pecado, Satanás e a morte sobre a terra é considerado no céu como de importância decisiva (ver também Fil. 2:9-11). George Ladd declara: "Se não tivesse vindo em humildade, como Salvador sofredor, não teria vindo como Messias conquistador".5 Este cântico é novo porque está apoiado no fato de que o Cordeiro foi morto, e demonstrou ser digno de abrir os selos do livro como se fora seu próprio testamento.
Em outro sentido, o cântico dos serafins e dos anciões é novo porque está apoiado não só sobre acontecimentos passados, mas também olha para o futuro da humanidade redimida: "E serão reis na terra" (Apoc. 5:10). Isso significa que aos fiéis se outorgará o privilégio de compartilhar o reino com Cristo (Luc. 22:29, 30; Apoc. 3:21). João vê o coro celestial aumentando cada vez mais, até que milhões de anjos se unem com sua doxologia do séptuplo louvor ao Cordeiro: "Proclamando em grande voz: Digno é o Cordeiro que foi morto de receber o poder, e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor" (Apoc. 5:12; cf. l Crón. 29:11-13, para Jeová).

O coro continua aumentando até que finalmente João vê todas as criaturas no céu, na terra e debaixo da terra (os mortos) somar suas vozes aos coros celestiais na exaltação tanto do Pai como do Cordeiro: "Então, ouvi que toda criatura que há no céu e sobre a terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que neles há, estava dizendo..." (Apoc. 5:13; ver também Fil. 2:10, 11).
Aqui Cristo recebe o reconhecimento cósmico-universal de sua deidade porque "toda criatura" adora a Deus e ao Cordeiro. Na visão de João, o círculo de adoradores foi em constante aumento. Primeiro, o círculo íntimo dos 4 serafins, depois se acrescentaram os 24 anciões seguidos pelos milhões de milhões de anjos. Finalmente, o círculo mais exterior de todos os seres criados no universo se unem na adoração e louvor da majestade de Deus. Este é o objetivo final para o qual avança a história e que se cumprirá no fim.

O céu antecipa esta celebração do reino de Deus e do Cordeiro na Nova Jerusalém (Apoc. 21:22-27; 22:1-5). Hoje a igreja pode tomar fôlego com esta segurança. Seus melhores dias estão no futuro. O reino de Deus será restaurado. Bruce M. Metzger faz esta aplicação: "O propósito primitivo do autor não é tanto descrever a liturgia do céu, como o é o dar esperança e um sentido de vitória a seu povo sobre a terra na luta que lhe espera no futuro".6 Beasley-Murray assinala corretamente que "o característico importante do rolo selado não são os juízos que acompanham a abertura dos selos [Apoc. 6-9], e sim o acontecimento supremo ao qual conduzem".7

A Abertura dos Selos
A visão do trono de Apocalipse 5 não descreve a cena do juízo de Daniel 7, como alguns sustentam. As diferenças entre ambas as visões são muito assinaladas. Primeiro, a intenção da visão do trono que teve João é revelar o começo do ministério e reinado celestial de Cristo devido a sua entronização como o Senhor ressuscitado, a iniciação de uma nova era de salvação, a era messiânica.

A visão de Daniel descreve um juízo no céu que inaugura o ministério final de Cristo quando o anticristo governou a terra durante 3½ tempos proféticos (Dan. 7:8-11, 25, 26). Jon Paulien declara: "O juízo não tem lugar nos capítulos 4 e 5 quando os selos ainda têm que ser abertos".8

Apocalipse 5 descreve o gozo de êxtase que há no céu pela abnegação, ressurreição e entronização de Cristo como Rei-Sacerdote no céu, que o capacita a restaurar o reino de Deus sobre a terra. As ações de Cristo de abrir os 7 selos do livro se parecem com o ritual da abertura de um testamento, que na cultura romana estava fechado com 7 selos.9 Quando se abria um testamento, lia-se em voz alta ante as testemunhas originais e depois, executava-se. Th. Zahn declara:
"O documento assegurado com sete selos é um símbolo facilmente compreendido da promessa e segurança dada por Deus a sua igreja do futuro reino [basiléia]. Esta disposição irrevogável de seus bens ocorreu faz muito tempo, foi documentada e selada, mas incluso no foi levada a cabo. A herança ainda está guardada no céu (1 Ped. 1:4), e portanto o testamento incluso no foi aberto nem levado a cabo".10

Esta comparação ilustra o significado da abertura do divino livro: pode ler-se e realizar-se como um testamento por Cristo só depois de sua morte como sacrifício. A abertura de um selo por Cristo revela uma nova fase da história da igreja, até que o sexto selo apresente o terrível dia do juízo para todos os que rechaçaram o reino do Cordeiro.

Hans K. LaRondelle

Referências
1 Beasley-Murray, Revelation, p. 108.
2 Stefanovic, The Background and Meaning of the Sealed Book of Revelation 5, p. 322.
3 Ibid., p. 318.
4 Van Unnik, " 'Worthy is the Lamb'. The Background of Apoc 5", p. 460.
5 Ladd, El Apocalipsis de Juan: Un comentario, p. 55.
6 Metzger, Breaking the Code. Understanding the Book of Revelation, p. 54.
7 Beasley-Murray, Revelation, p. 123.
8 Paulien, em Simposio sobre el Apocalipsis, T. 1, P. 187.
9 Zahn, Introduction to the New Testament, t. 3, p. 394.

10 Ibid.

terça-feira, 17 de junho de 2014

Chave para interpretar o Apocalipese - A segunda chave

Escreve Daniel: "Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem" (Dan. 7:13). Esta representação específica forma a fonte da proclamação de João em Apocalipse 1: "Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá" (v.7). Na visão de Daniel, o semelhante a um filho de homem, o ser celestial, foi até o "Ancião de Dias" (Dan. 7:13).

"Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído" (Dan. 7:14).
Esta coroação celestial do Messias celestial em Daniel 7 desenvolve o centro culminante em Daniel 2 onde a rocha cortada "sem intervenção humana" investe contra a estátua, pulveriza-a e é levada pelo vento de maneira que não fica nada a não ser a rocha, que chega a ser o paraíso restaurado. Dessa forma, tanto no capítulo 2 como no 7, o profeta nos assegura que o reino de Deus será restaurado sobre a terra.

Há algo muito importante que se desenvolve entre o Daniel 2 e 7. A pedra de Daniel 2 chega a ser o Messias, representado como "um como um filho de homem", em contraste com as "bestas" ímpias do capítulo 7. Esta revelação assombrosa revela que no céu há outro personagem celestial além de Deus o Pai, um de aparência divina, que aparece sobre um carro de nuvens celestial: "Com as nuvens!" Estas devem representar as nuvens de anjos celestiais. A linguagem figurada de "nuvens" indica uma aparência divina (ver Êxo. 13:21; 14:19; 19:16; 40:34; Lev. 16:2; Núm. 9:15-23; Sal. 104:3; Isa. 19:1; Deut. 33:26). O Messias divino virá para julgar e restaurar (Dan. 7:22). O Pai lhe dá todo o domínio sobre a terra. Este Messias governará nosso mundo de parte de Deus. Declara Daniel:

"O reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo" (Dan. 7:27).
Aqui lemos que os santos receberão o reino de Deus. Esse "reino será reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão" ao divino Filho de Homem (7:27). Dessa maneira Deus transfere no céu ao Messias divino toda a autoridade e o poder soberano sobre nosso planeta.

O Filho de Homem celestial deve provir do céu e dirigir-se à Terra. Nesse ponto, Apocalipse 1 continua e

domingo, 1 de junho de 2014

A Vitória da Igreja e as Duas Grandes Ceias


"Vindas são as bodas do Cordeiro!" Que tema para o cântico da multidão! E João ouve-os proclamando louvores. É, na verdade, um grito de triunfo. O grande sistema do mal e do engano está vencido. A grande e orgulhosa Babilônia está agora em desolação, e os santos estão prestes a receber sua final recompensa.
Do trono ali presente ecoa uma ordem festiva, convocando os servos de Deus e a todos os que O temem, tanto grandes como pequenos, para fazerem ouvir suas vozes em louvor. Esse coro é como o som "de muitas águas" e como "a voz de grandes trovões". Eles clamam, em triunfo: "Aleluia, pois já o Senhor Deus Todo-Poderoso reina.
Regozijemo-nos, e alegremo-nos, demos-Lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a Sua esposa se aprontou." (Apocalipse 19:6 e 7).

Apocalipse 19
 Costumes Matrimoniais no Oriente.
Este explodir de júbilo é uma das mais sublimes passagens de toda a Escritura. Para entendermos melhor isto, devemos analisá-lo na situação de um casamento de acordo com os antigos costumes do Oriente. Em primeiro lugar, havia os esposais, considerados mais um ato do que o "compromisso" de nosso costume ocidental. A seguir, dava-se o pagamento do dote de casamento, uma parte importante do contrato. Após isto, vinha o período de preparação pessoal da parte da noiva, enquanto o noivo preparava a casa.
casamento não era realizado na igreja, como estamos acostumados, mas era uma cerimônia singela em que o noivo dava um reconhecimento público de seu direito à noiva. Isto era realizado ao lançar ele sua capa ao redor do ombro da noiva, enquanto o acompanhamento se deslocava ao longo da estrada em que a festa nupcial devia ser realizada.
A festa nupcial, ou ceia das bodas, era um acontecimento espetacular, durando, às vezes, dias e mesmo semanas. O pai do noivo providenciava essa festa, e esta era costumeiramente realizada na casa do pai. Era uma ocasião de honrar a seu filho e, no caso de um casamento real, o rei às vezes dava um banquete a uma cidade ou a toda província, em homenagem ao jovem casal, como um sinal de afeição e honra. Este regalo, costumeiramente se realizava antes do casamento.
 Quem é a Esposa?
Em Apocalipse 21:9 e 10 a esposa é claramente definida como sendo a Santa Cidade, a Nova Jerusalém. Em outros textos, porém, é a igreja chamada "esposa". No Apocalipse, a esposa é mencionada como ataviada em "linho fino, puro e resplandecente, sendo isto chamado "a justiça dos santos" - uma figura dificilmente aplicável a uma simples cidade material. (Apocalipse 19:8).
Há qualquer contradição aqui? - Absolutamente, não. A cidade é a esposa, mas uma cidade sem habitantes é apenas um aglomerado de edifícios e ruas. É o povo que ocupa a cidade, que reside em seus edifícios, que faz da cidade o que ela é. E a nova Jerusalém, com seus muros de jaspe e ruas de ouro, toda radiosa com a glória de Deus, deve ficar repleta de justos de todas as eras.
 E mais, a Cidade Santa não é apresentada no Apocalipse como esposa até que todos os santos a estejam habitando.
Paulo chama a Jerusalém celestial "a mãe de todos nós". (Gálatas 4:26). Assim ele compara a igreja aos filhos da esposa. Nosso Senhor faz o mesmo quando fala de Seu povo como "os filhos das bodas". (Marcos 2:19). Em Suas parábolas, Ele assemelha a igreja a convidados a um banquete (Mateus 22:11), noutra ocasião, comparou-a a "dez virgens", ou damas de honra (Mateus 25:1). Essas diferentes ilustrações são usadas para ensinar lições importantes. Não se trata de contradição. É antes um novo modo de revelação divina. Precisamos delas para ter uma idéia completa do quadro.
Desde o início da história humana, Deus tem procurado súditos para Seu reino. Quando Adão pecou, Satanás, o sedutor do homem, reivindicou os reinos deste mundo. Mas, na "plenitude dos tempos", Deus mesmo veio na pessoa de Seu Filho "para buscar e salvar o que se havia perdido", e pelo sacrifício de Sua própria vida, o Filho recuperou a posse perdida. Ele é o Redentor ou o Resgatador celestial. E não devemos esquecer nunca que "Deus estava com Cristo, reconciliando consigo o mundo". (II Coríntios 5:19).
Antecipando o tempo em que o reino será de novo restaurado em favor da raça perdida, Deus, através de todos os séculos, tem estado a chamar os homens para que deixem os seus pecados e entrem em associação com Ele. Nas Escrituras, o relacionamento entre Deus e Seu povo tem sido muitas vezes ilustrado pela relação entre marido e mulher.
Isaías 54:4 e 5Isaías 62:5Jeremias 2:32; 6:2Efésios 5:32
Oséias 2:19 e 20Mateus 9:15João 3:29II Coríntios 11:2
A mais bela ilustração desta revelação do amor de Deus por Seu povo, no entanto, encontra-se na história de Abraão enviando seu servo para procurar uma esposa para Isaque, seu filho. (Gênesis 24).
Quando Deus chamou a nação de Israel, falou disto como de um noivado. "Desposar-te-ei em justiça", Ele disse. (Oséias 2:19). Alguns separam esses textos, procurando aplicá-los tanto a Israel como nação, como à igreja à parte de Israel, dependendo do ponto de vista particular do interpretador. Deus sempre teve uma só igreja - formada de todas as nações e reunida como um todo de cada geração de homens. Em Atos 7:38, lemos sobre a igreja no deserto". Esta igreja era definitivamente composta daqueles a quem Moisés tirou do Egito. Eram parte da verdadeira igreja de Deus, igreja esta que existe desde os dias de Adão. Por esta esposa, ou igreja, o Esposo celestial pagou um dote muito mais valioso do que ouro ou pedras preciosas. Este dote foi o Seu próprio sangue, por Ele voluntariamente derramado.
Após Seu sacrifício, veio o intervalo de separação, quando Ele voltou para a casa de Seu Pai, tempo durante o qual a esposa devia preparar-se. Ela devia ser vestida de "linho fino, puro e resplandecente", que é "justiça dos santos". (Apocalipse 19:8; Apocalipse 7:13).
Enquanto a noiva se prepara, o Noivo está-lhe preparando um lugar. "Vou preparar-vos lugar", Ele disse: "E se Eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e voz levarei para Mim mesmo." (João 14:2 e 3). Oh, bendita recepção, quando formos chamados para o Seu lado!
Em Cristo fomos escolhidos desde a eternidade. (Efésios 1:4; II Timóteo 1:9). Ao longo de todas a dispersão do Velho Testamento, as bodas têm sido anunciadas. Quando o Filho de Deus assumiu nossa carne, ela teve sua efetivação. Quando Ele Se sacrificou no calvário, o dote foi pago. Desde que Ele ascendeu ao Céu, a esposa tem estado a preparar-se, e o Esposo a preparar-lhe um lar - a Nova Jerusalém. Logo Ele virá e a chamará para que ocupe o lugar para ela preparado.
 Antes que Ele deixe as cortes de glória, depois de haver concluído Sua intercessão, virá perante o Pai, o Ancião de Dias, sendo-Lhe aí dado o "domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas O servissem." (Daniel 7:13 e 14). Então é feito o anúncio: "Alegremo-nos, e regozijemo-nos, e demos-Lhe glória, porque são vindas as bodas do Cordeiro, e já a Sua esposa se aprontou." (Apocalipse 19:7).
Se consideramos a Santa Cidade como esposa, então sabemos que ela está pronta. Mas resta aos habitantes dessa cidade preparar-se, pois logo o Esposo surgirá com toda a autoridade do Céu, ao vir como Conquistador para reclamar o que Lhe pertence.
O apóstolo, descrevendo essa cena, diz: "E vi o Céu aberto, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele chama-Se Fiel e Verdadeiro; e julga e peleja com justiça." (Apocalipse 19:11 e 14). Notai a palpitante descrição da vinda do Rei como se encontra nos versos 12 e 13:
  • "Seus olhos eram como chama de fogo; Sua cabeça estava adornada com muitas coroas, ou diademas; Suas vestes estavam salpicadas de sangue, e Ele portava o título: "Rei dos reis e Senhor dos senhores!"
Não admira que os ímpios se assombrem, que os não preparados habitantes da Terra fujam para as rochas e as montanhas, pedindo para serem escondidos "da face dAquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro!" (Apocalipse 6:16). Em contraste com isto está a expectante esposa - a igreja. A promessa é: "Bem-aventurado os que são chamados para as bodas do Cordeiro." (Apocalipse 19:9). Quando o Esposo vier, Ele tomará o Seu povo e conduzirá de volta ao reino de Seu Pai, onde participarão da ceia das bodas. Olhando para esse tempo, Jesus disse: "Não beberei deste fruto da vide até aquele dia em que o beba de novo convosco no reino de Meu Pai." (Mateus 26:29).
 Quando Ocorrem as Bodas?
Terminado Seu ministério intercessório, Jesus vem perante o "Ancião de Dias" para receber o reino e o domínio pelos quais morreu. (Daniel 7:13). Isto representa, na realidade, as bodas do Cordeiro, e ocorre antes que Ele volte à Terra para buscar os Seus santos, os quais arrebatados para encontrá-Lo, são então levados para "as bodas do Cordeiro" na casa do Pai. (Apocalipse 19:7 a 9). Jesus disse: "Estejam cingidos os vossos lombos e acessas as vossas candeias. E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor quando houver de voltar das bodas." (Lucas 12:35 e 36) - Ver Primeiros Escritos, págs. 55, 251 e 280; O Grande Conflito, págs. 426 a 428.
Os expectantes santos são a esposa para quem Ele volta. O reino e os súditos do reino são uma coisa só. Como convidados, eles vão para a festa de bodas; como a esposa, partilham os presentes nupciais outorgados pelo Pai como sinal de Sua afeição quando "o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu, serão dados aos santos do Altíssimo." "Chegou o tempo em que os santos possuíram o reino." Maravilhosa possessão! Vem depressa, grande dia de Deus!
 Uma Segunda Ceia.
Os versos finais do capítulo 19 trazem à cena outra ceia. Não é uma festa nupcial de alegria e vitória como a que se celebra quando os justos entram à presença do Pai, mas é a trágica ceia das aves de rapina que vêm alimentar-se da carne dos ímpios, esses que, havendo rejeitado o convite para a ceia das bodas do Cordeiro, são destruídos pelo resplendor da presença de nosso Senhor. Os dias em que vivemos são dias de preparo. Enquanto o povo de Deus está se preparando para encontrar o seu Senhor em paz, as nações da Terra preparam-se para a guerra e o derramamento de sangue. Aqui está o chamado que sai para as nações: "Santificai uma guerra; suscitai os valentes; cheguem-se, subam todos os homens de guerra." (Joel 3:9). O slogan de nossos dias parece ser: Fale de paz, mas prepare-se para a guerra. Certamente a seara está pronta para a ceifa.
 Um Abrigo Seguro.
Logo, a besta e o falso profeta - os dois grandes sistemas de engano - serão finalmente lançados no fogo consumidor de Deus (Apocalipse 19:20), e os ímpios, por tanto tempo ousados e desafiadores, serão então destruídos "pelo resplendor de Sua vinda".
Trazidos de medo, os ímpios vêem o Senhor vindo em majestade e poder, e correm para os abrigos das rochas e para o topo das escarpadas montanhas, por temor do Senhor e da glória de Sua majestade, "quando Ele Se levantar para sacudir terrivelmente a Terra". Palácios altivos e edifícios considerados à prova de fogo, derreterão como piche. A única coisa que resistirá nesse dia será o caráter piedoso. Foi o caráter e a experiência cristã o que faltou as virgens loucas da parábola do Mestre. (Mateus 25:1 a 8). Deus diz:
  • "Farei cessar a arrogância dos atrevidos, abaterei a soberba dos tiranos. Farei que um homem seja mais precioso do que ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir." (Isaías 13:11 e 12). Preciosa promessa!
 Do trono de Deus, ouve-se uma voz, dizendo: "Louvai o nosso Deus, vós, todos os Seus servos." (Apocalipse 19:5). A palavra "trono" ou "assento" [lugar para sentar-se], ocorre 50 vezes neste livro, 37 vezes referindo-se ao trono de Deus, e 13 vezes ao trono de Satanás. Assim, temos uma guerra entre tronos e os reis que eles representam. Em face ao trono de Deus, o Seu caráter é vindicado e os propósitos do pecado são expostos. Quando o grande juízo se encerra, dois anúncios ecoam do trono, o primeiro: "Está Feito!" E então: "Eis que venho sem demora!"
João vê este poderoso Rei descendo em majestade, a fronte adornada com muitos diademas, pois Cristo é Rei de um reino multiforme, setuplicado: "Rei dos judeus" - pelo povo; Rei de Israel - nacional; Rei de Justiça - espiritual; Rei dos Séculos - histórico; Rei dos santos - eclesiástico; Rei do Céu - celestial; Rei da Glória - supremo. Tudo isto está unido no título: "Reis dos reis" (Apocalipse 19:16).
 Quando Jesus venceu a morte e o autor do pecado, privou-o de sua pretensão de realeza. E assim é que Ele desce como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Ele morreu para que pudesse fazer-nos cidadãos do Seu reino.

Roy A. Anderson, Revelações do Apocalipse, 2.ª ed., 1988, pág. 203

sábado, 24 de maio de 2014

O Fogo Divino e Sua Falsificação

Apocalipse 13:13 afirma que o falso profeta “fez grandes sinais, de maneira que até fogo fazia descer do céu à terra, à vista dos homens”. O que significa isso?

O fogo é um símbolo interessante no livro do Apocalipse. Na maioria das vezes é um símbolo do juízo de Deus contra os ímpios (ver Apoc. 8:5, 14:10), que às vezes preserva os servos de Deus (Apoc. 11:5). Muitas vezes, é associado com a divindade. Por exemplo, João viu no santuário celestial “sete tochas de fogo”, identificadas como um símbolo do Espírito Santo (Apocalipse 4:5). O fogo também está relacionado a Cristo: “Seus olhos eram como chama de fogo” (Apocalipse 1:14, cf. Apoc. 2:18, 19:12); “Suas [pernas] como colunas de fogo” (Apoc. 10:1).

O fogo na Bíblia é um elemento teofânico (Manifestação da divindade). Muitas vezes, quando Deus se manifesta ao homem, Sua presença é comparada ou está associada com o fogo. Possivelmente o exemplo mais importante no Antigo Testamento é a experiência dos israelitas no Monte Sinai: “Todo o Monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo” (Êxodo 19:18). Sua aparência abrasadora indicava Sua presença em um lugar particular enquanto mantinha-se distante e inacessível por causa da Sua santidade.

A expressão “desceu fogo do céu” também é usada em Apocalipse 20:9. Neste caso, o fogo é um instrumento do julgamento divino contra as forças do mal que tentam tomar pela força a Cidade Santa. Esta utilização é diferente da registrada em Apocalipse 13:13. O falso profeta fez descer fogo do céu para enganar os habitantes da terra. O incidente de Elias no Monte Carmelo, fornece a base bíblica para este simbolismo.

Os israelitas foram adorar à Baal, e o profeta os confrontou com uma escolha: O Senhor ou Baal. Elias indicou que o verdadeiro Deus iria revelar-se fazendo descer fogo do céu (1 Reis 18:20-39). Baal era incapaz de atender a exigência. Elias orou, o fogo do Senhor caiu do céu, e o povo gritou, “O Senhor é Deus”. O milagre foi uma manifestação clara da presença do Senhor e serviu para identificar o verdadeiro Deus, defronte de um falso.

Apocalipse 13:13 descreve uma tentativa de falsificar a presença de Deus através de atividades miraculosas no sentido de persuadir os moradores da terra de que no conflito cósmico, os poderes do mal representam o verdadeiro Deus. Como resultado dessa falsa teofania, muitos adorarão ao dragão e a besta (versos 4, 12).

A maior e verdadeira teofania a ser testemunhada pela raça humana está prestes a ocorrer. Paulo se refere a ela como “a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo” (Tito 2:13). Este evento sem precedentes ocorrerá na segunda vinda do Senhor.

O simbolismo de fazer descer fogo do céu, indica que o falso profeta tentará validar ou autenticar sua pretensa missão divina para o mundo através da realização de milagres. Mas me atreverei, com base nos parágrafos anteriores, a uma interpretação mais específica.

Na descrição do regresso do nosso Salvador no Novo Testamento, o fogo exerce uma importante função teofânica. Aquele que está voltando é o nosso “Deus e Salvador”. Um bom exemplo é encontrado em 2 Tessalonicenses 1:7-8: “…Quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo. …”. Parece-me que, para o apóstolo, o símbolo do fogo que descia do céu, aponta para o glorioso evento da segunda vinda de Cristo. Então, será transparente claro para a raça humana e às forças do mal que Cristo é realmente o nosso verdadeiro Deus e Salvador.

Se esta proposta for aceita, podemos concluir que Apocalipse 13:13 descreve uma tentativa por parte dos poderes do mal de imitar a segunda vinda de Cristo, a fim de enganar a raça humana. “E não é de admirar”, escreveu Paulo, “pois o próprio Satanás se transforma em anjo de luz” (2 Coríntios 11:14).


Deixe-me lembrá-lo de que as forças do mal não tem poder sobre aqueles que pertencem ao Senhor. Elas foram derrotadas por Ele, e Sua vitória é a nossa vitória. Nunca serão capazes de imitar perfeitamente a vinda do Senhor. “Guerrearão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos Senhores e o Rei dos reis; vencerão também os que estão com Ele, chamados eleitos, e fiéis”. (Apoc. 17:14).