quinta-feira, 10 de abril de 2014

Apocalipse Escrito em Quiasma

O quiasma é uma lista dupla de itens correlacionados, em que a ordem da segunda lista se encontra em oposição - ou antítese - à ordem da primeira lista. É algo parecido com a divisão dos pares em algumas danças antigas, ou grandes marchas, com os homens e mulheres partindo, inicialmente, em direcções opostas. Tais quiasmas, aplicados ao entretenimento, ainda hoje são divertidos. Nos tempos bíblicos, os quiasmas literários eram muitos populares, sendo intensamente admirados.

Se dividirmos o Apocalipse ao final do capítulo 14, formando duas metades não perfeitamente iguais, e então repartirmos cada metade em várias divisões, constataremos que as divisões de cada metade poder ser arranjadas em pares, os quais - a exemplo dos pares homem/mulher das danças antigas ou grandes marchas - relacionam-se uns com os outros, mas continuam sendo diferentes, uma vez que se deslocam em direcções diferentes.
 
A forma mais fácil de nos familiarizarmos com o quiasma do Apocalipse, é começar a introdução ao livro (ou prólogo), e com a sua conclusão (ou epílogo). Comparando ambos entre si, você pode facilmente constatar a existência de várias frases e sentenças admiravelmente semelhantes em cada uma dessas partes.

As semelhanças não são, contudo, cegamente precisas. Por exemplo, existe no epílogo uma advertência que não é encontrada no prólogo; a promessa da breve volta de Cristo é encontrada duas vezes no epílogo, e só uma vez no prólogo. Estamos tratando de similaridades literárias, não similaridades mecânicas. Os grandes escritores seguem um método, mas jamais permitem que o método se torne mais importante que as suas mensagens.

Muitos comentadores observaram a estreita relação que existe entre a primeira divisão após o prólogo e a última divisão antes do epílogo. A primeira divisão contém as cartas às sete igrejas (1:10 a 3:22) e a última divisão descer a Nova Jerusalém (21:9 a 22:9). Examinaremos rapidamente cada uma.

Na primeira divisão verá a igreja de Deus, representada por sete cidades simbólicas, severamente tentada e perseguida. Na última divisão, poderá observar a igreja de Deus  agregada novamente numa só cidade, a gloriosa Nova Jerusalém. Na primeira divisão, a igreja encontra-se em luta contra o pecado, na Terra que hoje conhecemos. Na última divisão, ela vive em paz e perfeita bondade, junto com Deus no lar eterno, a futura Terra renovada. Também aqui, tal qual vimos no prólogo e no epílogo, existem frases e sentenças extremamente semelhantes, nas duas divisões.

Dentre outras expressões similares, podemos mencionar as referências à árvore da vida, a uma porta aberta (e a portões que nunca se fecham), bom como à Novo Jerusalém que desce dos Céus.

Um lembrete ou observação: não se aborreça porque as nossas divisões não correspondem aos capítulos. No Apocalipse, os capítulos não foram determinados por João. Eles não existiam na sua presente forma, até mais de mil anos após a morte do autor. O arranjo do Apocalipse em capítulos embora útil em determinadas circunstâncias, não é inspirado.
Nota: A divisão em capítulos e versículos foi organizada para a leitura em comum, ou seja, o/a que dirige a leitura chama a atenção para uma determinada leitura em concreto citando o livro, capítulo e versículo. Esta organização é muito útil, no entanto, não era assim no princípio, nada no texto foi alterado, isso é o realmente importante.

Avançando para a divisão que se segue à das sete igrejas, chegamos aos sete selos (4:1 a 8:1). Retrocedendo a partir da divisão que focaliza a Nova Jerusalém, encontramos aquela que apresenta o Milénio e os eventos relacionados com este (19:11 a 21:8). Dedique especial atenção ao texto do capítulo 6:9 e 10, nos sete selos. Aqui pode verificar que as almas dos mártires cristãos clamando a Deus que julgue os seus inimigos. Durante o milénio, os mártires, agora ressuscitados são postos sobre tronos e designados por Deus (20:4) a julgarem os seus inimigos! Essas duas divisões começam com uma referência aos céus sendo abertos. Em ambas, aparece destacadamente um cavaleiro sobre um cavalo branco. Finalmente, nas duas partes pode ler-se de reis, oficiais militares e pessoas de todas as classes que se põem a clamar, pedindo a morte, ou morrem efetivamente por ocasião da segunda vinda.     

Deslocando-nos ainda mais de ambas as extremidades, em direção ao centro de livro, encontramos aquele par que provavelmente é o quiasma de maior notabilidade. As sete trombetas (8:2 a 11:18) e as sete últimas pragas (15:1 e 16:21) são, em vários sentidos, muitos diferentes. Diferem especialmente na intensidade, pois as pragas são muito piores que as trombetas. Todavia, se verificarmos com mais atenção a ambas: percebemos que cinco das seis primeiras trombetas e cinco das seis primeiras pragas afectam essencialmente os mesmos objectos, e na mesma ordem: terra, mar, rios, corpos celestes e o rio Eufrates! As sete trombetas representam severos juízos, enviados para advertir os maus a que modifiquem o seu procedimento. As sete últimas pragas representam juízos extremamente severos, enviados para punir os maus depois que estes se recusaram a mudar os seus caminhos de impiedade.

As sete trombetas e as sete últimas pragas formam pares com "seções" intituladas "O Grande Conflito" e "A Queda de Babilónia", respectivamente. Há uma razão para isso. É fascinante observar que, imediatamente após lermos sobre as sete trombetas, encontramos o texto que focaliza uma mulher vestida de branco, uma genuína mãe, cujos filhos guardam os mandamentos de Deus. Por outro lado, imediatamente depois de lermos sobre as sete últimas pragas, o texto que assoma diante de nossos olhos, fala sobre uma mulher vestida de púrpura, uma prostituta cujas filhas são também prostitutas. Ambas as mulheres passam algum tempo no deserto. Ambas têm de relacionar-se com uma besta que apresenta sete cabeças e dez chifres. Nessas duas divisões - como em outras partes do Apocalipse - ouvimos o místico clamor: "Caiu, caiu a grande Babilónia!"

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Uma Parte do Apocalipse Está no Futuro

Bem o esboço-quiasma mostra que virtualmente toda a segunda metade ainda pertence ao futuro. É certo que a descida da Nova Jerusalém ainda não ocorreu. Certamente o milénio continua a ser aguardado. Não temos dúvida de que as sete últimas pragas ainda são futuras. A queda da última Babilónia espiritual certamente ainda é futura, também. Vemos, pois, que a segunda metade do Apocalipse, neste momento, pertence virtualmente ao futuro.

Que dizer, entretanto da primeira metade? Quando as sete igrejas foram escritas, os cristãos encontravam-se espalhados por muitas cidades. Ainda hoje os cristãos continuam espalhados. Muitos comentadores estão de acordo em que as cartas às sete igrejas se relacionam com a experiência da igreja no seu conjunto, ao longo de toda a era cristã. As cenas do grande conflito, apresentadas nos capítulos 12 a 14, começam com o nascimento de Cristo (12:1, 2 e 5), prosseguem durante o longo período de perseguição (12:6, 13 a 16; 13:5 a 8) que Daniel predisse nos capítulos 7 e 8, e finalizam com a segunda vinda (14:14 a 20). Logo, as cenas do grande conflito que encerram a primeira metade do Apocalipse, dão cobertura há história da igreja cristã. Os sete selos e as sete trombetas são descrições paralelas das sete igrejas e das cenas do grande conflito, exactamente do modo como, em Daniel, as visões dos capítulos 2, 7 e 8 são paralelas entre si.

Podemos constatar, portanto que o quiasma que estrutura o Apocalipse, divide as profecias do livro em dois grupos principais: aqueles que tratam quase exclusivamente os eventos dos últimos dias (a segunda metade do livro) e aquelas que se relacionam com a experiência do povo de Deus durante a era cristã (a primeira metade do livro). A primeira metade escatológica. "Escatológica" provém do termo grego eschaton, que significa "fim". É um termo usado frequentemente, tanto por leigos como por eruditos. O seu sentido geral é "aquilo que tem a ver com o fim do mundo".

Nem tudo aquilo que tem a ver com a porção histórica sucedeu, pelo simples fato de que nem toda a história da igreja cristã já se concretizou!


O sétimo selo, a sétima trombeta e as cenas finais da divisão do grande conflito, ainda aguardam seu cumprimento. Já vimos que a segunda metade do Apocalipse é escatológica.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Deusas Pagãs Associadas à Virgem Maria

O profeta Jeremias repreendeu (Jeremias 7:19; 44:17-19,25) os israelitas por estarem adorando a Rainha dos Céus. O catolicismo romano atribui o título de Rainha dos Céus à Virgem Maria. Esse termo tem origem bíblica ou pagã? Saiba como a adoração às deusas é um denominador comum em muitas religiões e poderá ser usado para uni-las em um futuro próximo.
Poucas pessoas compreendem por que falimos moralmente. No entanto, quando olhamos para a sociedade com os olhos de Deus, por meio da Bíblia, podemos facilmente compreender a razão de estarmos enfrentando problemas sem precedentes. O estudo da nossa sociedade por meio dos olhos de Deus é o que sempre tentaremos fazer aqui; fique conosco para aprender algumas verdades esclarecedoras.
Resumo da Notícia: "Entre todas as mulheres que já viveram, a mãe de Jesus Cristo é a mais celebrada, a mais venerada... Entre os católicos romanos, a Madona, ou Nossa Senhora, é reconhecida não somente como a Mãe de Deus, mas também, de acordo com muitos papas, a Rainha do Universo, Rainha dos Céus, Trono de Sabedoria e até Esposa do Espírito Santo." (Revista Time, "Serva ou Feminista?", 30/12/1991, pg 62-66)
Verdade Bíblica: Jeremias 7:18: "Os filhos apanham a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres preparam a massa, para fazerem bolos à rainha dos céus, e oferecem libações a outros deuses, para me provocarem à ira." (Veja também Jeremias 44.)
Poderia a Nossa Senhora católica (Maria, a mãe física de Jesus), descrita no artigo da revista Time como a "Rainha dos Céus" ser a mesma "Rainha dos Céus" que estava provocando Deus à ira e ao julgamento descrito em Jeremias 7:18?
Primeiro, vamos examinar a antiga Rainha dos Céus. A maior parte destas informações foram extraídas do livro The Two Babylons (As Duas Babilónias), de Alexander Hislop, publicado em 1917. Hislop rastreou a adoração babilónica da Rainha dos Céus até aos dias após a morte de Ninrode. A data exata desse acontecimento não é conhecida exatamente, mas parece ser cerca 
Ninrode

de 400 anos após o dilúvio. Após a morte de Ninrode, sua mulher, a rainha Semíramis, decidiu manter o poder de seu marido (herdeira) o seu poder e riquezas. Ela inventou a história de que a morte de Ninrode foi para a salvação da humanidade. Ninrode foi propagandeado como "a semente prometida da mulher, Zero-ashta, que estava destinado a esmagar a cabeça da serpente e, ao fazer isso, teria seu calcanhar ferido (Gén.3:15)"

Podemos ver claramente que esta história é uma falsificação da profecia referente a Jesus Cristo. Para permitir que o povo babilónio adorasse melhor essa criança, foi criada uma gravura entalhada em madeira, retratando-a nos braços da mãe. A mãe, obviamente, obteve sua glória a partir do filho divinizado. No entanto, "no longo prazo, a adoração à mãe praticamente ofuscou a adoração ao filho". A figura original obviamente destinava-se a ser meramente "um pedestal para a proteção do filho divino... Entretanto, embora esse tenha sido o plano, é um princípio simples em todas as idolatrias que aquilo que mais apela aos sentidos acaba deixando as mais poderosas impressões". Assim, a mãe deixou a mais poderosa impressão visual, pois era uma pessoa adulta e estava vestida de forma magnificente.
Quando as pessoas começaram a adorar a mãe mais do que o filho, os sacerdotes babilónios sentiram-se forçados a publicar um édito para divinizá-la também. Após a passagem de muito tempo, "o nascimento do filho foi declarado miraculoso e, portanto, a mãe foi chamada de... Virgem Mãe". (pg 76) "Ela recebeu os títulos mais elevados. Foi chamada de Rainha dos Céus. No Egito, era Athor, isto é, a Habitação de Deus, para significar que nela habitava toda a "plenitude da divindade". (pg 77) A partir dessa origem pagã, a história da Virgem Mãe, a Rainha dos Céus, alastrou-se por todo o mundo.


  • No Egito, era chamada de Athor (pg 77)
  • No Tibete e na China, era chamada de Virgem Deipara (pg 77)
  • Na Grécia, era chamada de Héstia (Ibidem)
  • Em Roma, era chamada de Juno, ou Pomba (pg 79). A partir dessa designação, a Pomba tornou-se o símbolo da "rainha divinizada... comumente representada com um ramo de oliveira no bico". É surpreendente ler o autor jesuíta Malachi Martin, afirmar em seu livro, The Keys of this Blood [leia a resenha] que agora "a Pomba está livre, a Pomba está livre". Todo o tema desse livro é que a força motriz para a Nova Ordem Mundial é uma competição entre as forças mundiais do comunismo, capitalismo ocidental e o catolicismo romano. Martin, claramente crê que o catolicismo prevalecerá nessa luta por causa da intervenção da Virgem Maria. Incrivelmente, o artigo da revista Time diz, "O mundo reconhecerá no tempo devido que a derrota do comunismo ocorreu devido à intercessão da Mãe de Jesus" (Time, pg 62). Quando Gorbachev anunciou sua renúncia, no dia de Natal, esse conceito foi grandemente reforçado nas mentes de milhões de católicos em todo o mundo.
Martin não especifica o que quer dizer com a expressão "a Pomba está livre"; claramente, no

sexta-feira, 28 de março de 2014

JESUS APLICA A SI MESMO OS SIMBOLOS APOCALIPTICOS

Jesus viveu num tempo quando a esperança judia da próxima vinda de um Messias político tinha grande relevo. Uma quantidade de escritos apocalípticos, sob nomes falsos ou pseudónimos, circulavam com grande profusão, e mantinham a esperança messiânica candente aplicando a mensagem do juízo de Daniel e de outras passagens proféticas a seu próprio tempo e situação. Os títulos de algumas destas obras pseudoepigráficas são: 4 Esdras, 1 Enoc, Apocalipse de Baruque, Livro dos Jubileus.

Os termos "apocalíptico" e "apocalipticismo" foram usados mais tarde pelos eruditos para indicar as escatologias especulativas e contraditórias contidas nesses escritos do judaísmo tardio. As três características dominantes desse apocalipticismo judeu foram as seguintes: (1) O juízo cósmico-universal em torno do Israel nacional ou a um fiel remanescente judeu; (2) a substituição súbita da presente era pecaminosa pela criação de um mundo sem pecado e um novo cosmos; e (3) o fim predeterminado deste mundo pecaminoso e a vinda iminente do Messias. Esta urgência frequentemente estava apoiada por cálculos contraditórios de períodos de tempo na história mundial.

A maioria dos escritores apocalípticos acreditava que o fim desta era pecaminosa estava perto, e que ocorreria na sua geração. Também acreditavam que eles eram os verdadeiros intérpretes dos profetas canónicos de Israel com respeito à sua própria crise. Um exemplo notável foi a comunidade de Qumran, cujo fundador e professor ensinou que a predição de Habacuque de um remanescente do povo de Deus que sobreviveria (Hab. 2:4) se estava a cumprir na sua própria e única seita nas cavernas do Mar Morto.
Contra o fundo desta esperança iminente comum do judaísmo do século I de nossa era, o emprego que Jesus fez de alguns símbolos apocalípticos bem conhecidos chega a ser mais significativo. Mostra o enfoque inovador da mensagem do evangelho que proclamou Jesus. Cristo deu novo significado a termos apocalípticos tão populares como: "Filho do Homem", "juízo", "vida eterna e ressurreição", "reino de Deus", "esta era e a era por vir". Todas estas expressões eram mais ou menos termos técnicos nos esquemas apocalípticos do judaísmo tardio. A mensagem de Jesus surpreendeu os judeus do seu tempo porque deu a cada símbolo apocalíptico um novo significado messiânico ou cristocêntrico que despedaçou os seus sistemas escatológicos. Os odres velhos não podiam conter o espumoso vinho novo de sua mensagem de um cumprimento presente em si mesmo (ver Luc. 5:37, 38).

A conexão mais dramática de Jesus com o livro do Daniel e os escritos judeus tardios foi sua autodesignação explícita como "o Filho do Homem" (65 vezes nos Evangelhos sinópticos e 12 vezes no
quarto Evangelho). Jesus aplicou a si mesmo este titulo de forma consistente. Era a forma própria como Jesus se referia a si mesmo. O emprego extraordinário que Jesus fez deste símbolo convenceu em forma geral à erudição bíblica do nosso tempo de que Cristo adotou o termo apocalíptico "um como o filho de homem", da visão do Daniel 7:13 e 14, e o elevou a um título messiânico. As similitudes do livro 1 Enoc 37-71 e a sexta visão em 4 Esdras 13 (ambos os documentos pós-cristãos) refletem como alguns círculos apocalípticos judeus interpretavam o personagem de Daniel o "filho de homem": um Messias preexistente e celestial que viria à terra como o Juiz de toda a humanidade e governaria sobre um novo reino terrestre.

A questão é: Como empregou Jesus o título apocalíptico, o "Filho do Homem"? Jesus explicou que os seus milagres de cura ele os fez com um propósito mais elevado: "Para que saibam que o Filho do Homem tem potestade na terra para perdoar pecados" (Mar. 2:10). Mas, como pôde ser Jesus ao mesmo tempo o humilde Filho do Homem e o glorioso ser preexistente da visão de Daniel? O mistério se intensificou quando Jesus começou a dizer que o Filho do Homem celestial "devia" sofrer e ser morto, e que ressuscitaria depois de três dias (Mar. 8:31; 9:31; 10:33, 34).
Entretanto, a sua declaração mais profunda foi: "Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate por muitos" (Mar. 10:45). Aqui Jesus identificou-se com o servo sofredor de Isaías 53, que morreria para o benefício de todos. Ao fazê-lo, Jesus fundiu o servo sofredor da profecia de Isaías com o Filho do Homem da visão do Daniel. Por assim dizer, esvaziou o conteúdo do servo sofredor na personagem apocalíptica do Filho do Homem. Tal combinação de dois personagens messiânicos em profecia era desconhecido. Aos judeus parecia algo completamente paradoxal. Foi a ideia criadora de Jesus introduzir esta reinterpretação radical do Filho do Homem de Daniel. Cristo viu a Sua missão como Messias em forma completamente diferente a todas as expectativas messiânicas no judaísmo. Colocou a Sua missão de um Messias sofredor e moribundo dentro da estrutura apocalíptica de Daniel. Entretanto, a maior surpresa dos judeus foi o escutar que este humilde filho de um carpinteiro afirmava ser o apocalíptico Filho do Homem, não só em seus dias, mas também no juízo final. Considere estas afirmações de Jesus (as ênfases são minhas):
"Porque o que se envergonhar de mim e de minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, o Filho do Homem se envergonhará também dele, quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos" (Mar. 8:38).

"Então verão o Filho do Homem, vindo sobre as nuvens com grande poder e glória" (13:26).
"Tornou a interrogá-lo o sumo-sacerdote e lhe disse: És tu o Cristo, o Filho do Deus Bendito? Jesus respondeu: Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo com as nuvens do céu" (14:61, 62).

Nestas declarações dramáticas, Jesus afirmou que a profecia do Daniel 7 até esperava o seu cumprimento futuro e apocalíptico quando Deus julgue a todos os homens, mas que o Filho do Homem de Daniel já tinha aparecido com outro propósito: trazer salvação da escravidão do pecado. Cristo declarou claramente que ele, como o Filho do Homem, tinha descido "do céu" (João 3:13), e que "os anjos de Deus... sobem e

segunda-feira, 3 de março de 2014

Daniel e a Nova Terra

O livro de Daniel dá uma enorme revelação sobre o que aconteceu no passado e o que irá acontecer no futuro. Aprendemos que Deus está no controlo dos eventos humanos e que o mundo inteiro será comandado pelo maior e principal evento da História, a Segunda vinda de Jesus. Mas o livro de Daniel não termina meramente com uma recitação dos eventos mundiais, foca também o último reino que os santos herdarão.

1.      O que disse o anjo a Daniel quando chegasse o seu fim?
Rª: “Tu, porém, vai até ao fim; porque descansarás, e te levantarás na tua herança, no fim dos dias.” (Daniel 12:13)
NOTA: Daniel, como qualquer santo de Deus que morreu, descansará na sepultura até quando Jesus venha e o ressuscite, para receber a grande herança dos santos. O livro de Daniel termina com este anúncio triunfante para o seu escritor que foi fiel durante todas as tribulações que passou receberá a sua herança final. O povo de Deus dos últimos dias pode passar por tempos de tribulação como Daniel, mas como ele, receberá a sua herança final no tempo do fim.

2.      Como Daniel descreveu esta herança final?
Rª: “Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre.” (Daniel 2:44)
NOTA: A herança final dos santos é descrita como um reino. Não um lugar místico, espiritual; mas um reino real, onde poderemos viver nele.

3.      O que será dado ao Filho do Homem no final dos tempos e a quem Jesus retribuirá com o que receber?
Rª 1: “E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído.” Daniel 7:14
Rª 2: “E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão.” (Daniel 7: 27)

4.      Como resultado do julgamento, o que os santos tomarão posse?
Rª: “Até que veio o ancião de dias, e fez justiça aos santos do Altíssimo; e chegou o tempo em que os santos possuíram o reino.” (Daniel 7:22)
NOTA: A herança final que Daniel, juntamente com todos os redimidos, receberá é um reino real. As

domingo, 23 de fevereiro de 2014

As Leis dos Sacrifícios

Texto principal: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.” Romanos 12:1.
Nas línguas bíblicas, as palavras para “sacrifício” retratam, frequentemente, a ideia de aproximação e de levar alguma coisa a Deus. O significado básico do termo Hebraico para “oferta” ou “sacrifício” descreve o ato de aproximação, o ato de apresentar alguma coisa diante de Deus. O equivalente Grego significa “dádiva” e descreve a apresentação de um sacrifício.

De igual modo, a palavra portuguesa “oferta” deriva do termo latino offerre, a apresentação de uma oferenda ou de um donativo. A palavra “sacrifício” é uma combinação dos termos latinos sacer (“santo”) e facere (“fazer”) e aponta para o ato de tornar alguma coisa sagrada.

Esta semana vamos ver alguns dos sacrifícios que os crentes ofereceram a Deus. Descobriremos que Deus estava sempre a apelar a sacrifícios e que Ele continua a fazê-lo ainda hoje.

É claro que, e isso é o mais importante, Deus providenciou o Sacrifício Supremo, o de Si mesmo, na pessoa de Jesus Cristo.

O PRIMEIRO SACRIFÍCIO
Adão e Eva viviam num mundo perfeito, num jardim semelhante a um Santuário, e Deus concedia-lhes a possibilidade de comunhão, face a face, com o seu Criador. O seu primeiro pecado criou um fosso quase intransponível no seu relacionamento com Deus. No entanto, Deus já tinha planeado o meio de contrariar essa quebra de confiança e, mesmo antes de se ouvir qualquer anúncio de julgamento contra o casal, Ele comunicou-lhes a esperança de um Salvador (Gén. 3:15).

“Adão e Eva achavam-se como criminosos diante do seu Deus, aguardando a sentença que a transgressão atraíra sobre eles. Antes, porém, de ouvirem falar nos cardos e nos espinhos, na dor e na angústia que lhes caberia em quinhão, e do pó a que deveriam voltar, escutaram palavras que lhes deviam inspirar esperança.

Onde Está Deus Quando Tragédias Acontecem?

Tragédias! Elas são indescritíveis. Não têm hora para chegar, não pedem licença e interrompem os sonhos, no início ou na melhor parte deles. Elas não têm a cortesia de esperá-los terminarem.
A tragédia, em geral, parece acontecer só com as outras pessoas. Mas quando ocorre conosco, uma pergunta insistente paira no ar: por quê? Onde Deus está quando a tragédia ataca? Ele sabe onde estamos e o que está acontecendo conosco? Ele vê quando estamos sofrendo? Realmente se importa? Se sim, por que não vem nos socorrer?
Jamais entenderemos os problemas; jamais compreenderemos todas as desgraças, enquanto não buscarmos desvendar o que se passa por trás de tudo isso. Não há meio de entendermos o sofrimento, enquanto não entendermos a Deus.
Precisamos, realmente, compreender o dilema divino. Deus não queria brinquedos para manipular e controlar. Ele não criou robôs. O Criador não tencionou formar pessoas movidas a bateria. Ele queria gente de verdade a quem pudesse amar e por quem pudesse ser amado. Deus queria que os homens fossem livres para escolher. “Se, porém, não lhes agrada servir ao Senhor, escolham hoje a quem irão servir, se aos deuses que os seus antepassados serviram além do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês estão vivendo. Mas, eu e a minha família serviremos ao Senhor.” Josué 24:15. Essa foi a liberdade de escolha que Deus deu aos anjos e a todos os seres criados. Quando fez isso, Ele correu um tremendo risco: alguém, em algum lugar, poderia escolher se rebelar. E foi exatamente isso o que aconteceu.
O profeta Isaías escreveu a esse respeito: “Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações! Você, que dizia no seu coração: Subirei aos céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; eu me assentarei no monte da assembléia, no ponto mais elevado do monte santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo.” Isaías 14:12 a 14. Lúcifer era o filho da alva! Era o anjo mais elevado do Céu, aquele que ficava junto ao trono! Mas ele

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

A COMPREENSÃO DE PAULO DAS PROFECIAS DE DANIEL

O esboço apocalíptico da história da igreja que Paulo apresenta em 2 Tessalonicenses 2 cumpre um propósito similar ao que cumpre Mateus 24 (e paralelos) nos Evangelhos. Não há uma predição mais explícita a respeito da era da igreja no Novo Testamento. É estranho, mas a maioria dos comentadores entende que este capítulo é uma passagem escura nos escritos paulinos.
Em geral se reconhece que o apóstolo em 2 Tessalonicenses 2 tem como propósito dar conselho pastoral para seus dias, a mesma finalidade que teve Cristo ao pronunciar seu discurso profético. Por conseguinte, devemos supor que as frases que Paulo usa aqui não eram desconhecidas para os leitores cristãos a quem dirigiu sua carta ao redor de 50 d.C.

Muitos acreditam que a segunda epístola do apóstolo aos Tessalonicenses foi escrita para rebater um mal-entendido que tiveram alguns membros da igreja com sua primeira carta: que o dia do Senhor viria em forma repentina "como ladrão de noite" (1 Tes. 5:2, 4), e que Paulo e outros poderiam estar "ainda vivos" quando retornasse o Senhor (4:15).

Evidentemente, alguns tinham suposto que o dia do Senhor "já tinha chegado" ou que ia acontecer em qualquer momento (2 Tes. 2:2). Esta ideia injustificada de uma expectativa iminente tinha levado alguns membros a converter-se em ociosos ou a entusiasmar-se e desordenar-se excessivamente (2 Tes. 3:6-15).

Paulo trata de corrigir o engano desta expectativa – que o dia do Senhor podia ocorrer em qualquer momento –, e deduz seu argumento do esboço apocalíptico do Daniel. Na opinião de Paulo, para fazer frente ao engano de uma esperança desencaminhada era essencial conhecer a ordem consecutiva de dois acontecimentos fundamentais na história da igreja, e esses dois eventos proféticos, em ordem cronológica, são: a vinda do anticristo e a vinda de Cristo. Primeiro, "a apostasia" [e apostasia] deve manifestar-se no "homem de iniquidade" [o ánthropos tes anomias] até "sentar-se ele mesmo no templo de Deus" [éis ton naón tou theú kathísai], acompanhado por "sinais e prodígios de mentira" (2 Tes. 2:3, 4, 9, JS). Só então o Senhor se revelará e destruirá o iníquo (2 Tes. 2:8).

A advertência de Paulo se enfoca no surgimento da apostasia dentro do templo de Deus durante a era da igreja, quer dizer, dentro da igreja como uma instituição (ver 2 Cor. 6:16-18; 1 Cor. 3:16; Ef. 2:19-21). Seu ponto de vista é que esta apostasia vindoura, profetizada por Daniel, não se tinha desenvolvido como um fenómeno público na igreja apostólica, mesmo que o mistério da iniquidade "estava já em ação" (2 Tes. 2:7). Por conseguinte, o dia do Senhor não podia ter chegado nem podia esperar-se no futuro imediato.

Paulo empregou seu conhecimento apocalíptico sobre o futuro da história da igreja para corrigir um apocalipticismo extremo na igreja apostólica. O uso que o apóstolo fez do livro de Daniel como a fonte de seu esboço profético de história da igreja, faz que 2 Tessalonicenses 2 seja outro elo indispensável entre os livros de Daniel e Apocalipse.

O Enfoque Contínuo-Histórico em Daniel
Daniel profetiza o reinado de 4 impérios mundiais sucessivos em duas ocasiões (caps. 2 e 7). O anjo interpretador os identifica como Babilônia, Medo-pérsia e Grécia (ver Dan. 2:38; 8:20, 21), e aponta Roma em Daniel 9:26 e 27. O ponto crítico na visão de Daniel, que necessita que se preste cuidadosa atenção, é a revelação de que a quarta besta (ou império) tem 10 chifres, dentre os quais surge lentamente um décimo primeiro "chifre pequeno" para converter-se no anticristo. O anjo interpretador explica isto de uma maneira mais precisa:

"Os dez chifres correspondem a dez reis que se levantarão daquele mesmo reino; e, depois deles, se levantará outro, o qual será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e metade de um tempo. Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o domínio, para o destruir e o consumir até ao fim tempo, e tempos, e meio tempo" (Dan. 7:24-26).

O anjo não diz que o 4° império (Roma) estaria regido por 10 reis contemporâneos, porque isso estaria contra a história de Roma. Antes, a declaração do anjo é que "deste" império mundial sairiam 10 reis que reinariam em forma contemporânea. Esta ordem de eventos, a substituição do Império Romano pelos reinos divididos da Europa, também foi profetizado pelo sonho da estátua de Nabucodonosor: "O que viste dos pés e os dedos, em parte de barro cozido de oleiro e em parte de ferro, será um reino dividido" (Dan. 2:41).

Os reino dos 10 reis substituíram gradualmente o Império Romano e durarão até que o reino da glória os substitua no dia do juízo (Dan. 2:44, 45; 7:26, 27). Dessa forma, Daniel 2 e 7 incluem todo o espectro da infeliz Idade Média dentro de sua esfera profética. Ignorar esse intervalo de tempo de tantos séculos na perspectiva profética de Daniel é o descuido fundamental de dois sistemas dogmáticos de interpretação: o preterismo e o futurismo. Ambas as escolas de interpretação criam um intervalo injustificado de mais de 1.500 anos na história profética de Daniel, como se a Idade Média, caracterizada pelo surgimento do reino papal entre os dez reis da Europa, não fora pertinente na perspectiva que Deus tem da história. Os símbolos do Daniel devem interpretar-se em harmonia com a história, em particular com a história eclesiástica. A profecia fica confirmada por seu cumprimento (João 14:29).

Em seu discurso profético, Cristo aparentemente tomou a futura história da igreja com uma seriedade inconfundível. É essencial para a escatologia cristã reconhecer que Cristo interpretou a destruição de Jerusalém por parte dos exércitos romanos como o cumprimento das profecias do Daniel (ver Mat. 24:15; Luc. 21:20-24). Isto confirma a opinião que diz que a quarta besta de Daniel 7 representa a Roma imperial (cf. Dan. 9:26, 27). O ponto decisivo é que Cristo tomou o esboço profético de Daniel como a pauta para seu próprio panorama do futuro, e depois identificou uma certa característica profética em Daniel como cumprindo-se em sua própria geração.

Este método de interpretar o esboço apocalíptico do Daniel também foi seguido pelo apóstolo Paulo em 2 Tessalonicenses 2, essa vez para demonstrar que o dia do Senhor não era algo iminente. Como resultado, o esboço de Paulo e o discurso de Cristo têm paralelos notáveis em suas aplicações históricas.

Paralelos Entre os Esboços Apocalípticos de Jesus e Paulo
Muitos se deram conta de que o esboço profético de Paulo em 2 Tessalonicenses exibe um paralelo estrutural notável com o discurso de Jesus no monte das Oliveiras. Ambos os esboços apocalípticos contêm termos idênticos e similares, tais como o advento, o dia do Senhor, a reunião dos santos, o engano do anticristo, e sinais e milagres. Inclusive alguns comentadores inferiram que o discurso profético de Cristo foi a fonte primária do ensino do Paulo (cf. 1 Tes. 4:15). Estabeleceu-se uma semelhança muito surpreendente de expressões entre esses dois capítulos. Portanto, podem-se estudar ambos os esboços apocalípticos juntos com muito proveito. Ao mesmo tempo, precisamos compreender que tanto Jesus como Paulo fundamentam seu panorama do futuro sobre o esboço apocalíptico de Daniel. E cada um tem o propósito de aplicar o ponto de vista de Daniel da história contínua da salvação a sua época contemporânea. Esta fonte daniélica comum explica por que Jesus e Paulo usam frases e esboços similares.

Como já observamos antes, Paulo insiste com os Tessalonicenses a não ser enganados ao acreditar que o dia do Senhor já veio. Seu argumento principal é que "a rebelião" representada pelo "homem de iniquidade" ainda não se revelou publicamente no cenário da história (2 Tes. 2:3). Do mesmo modo, Jesus indicou que durante a era da igreja, "muitos se desviariam da fé" (literalmente, "tropeçarão") e se entregariam e aborreceriam uns aos outros, e se levantariam muitos falsos profetas e enganariam a muitos (Mat. 24:10, 11 ). Até o próprio fim, insistiu Cristo, "se levantarão falsos Cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios, de tal maneira que enganarão, se for possível, até os escolhidos" (Mat. 24:24). Parece que, de acordo com Jesus, os Messias falsos são os que afirmariam ser Cristo em sua segunda vinda; e os falsos profetas são os que falsamente afirmam falar em nome de Cristo.

Jesus começou seu discurso profético com a advertência: "Vede que ninguém vos engane" (Mat. 24:4). Paulo adopta o mesmo começo: "Ninguém vos engane de maneira nenhuma" (2 Tes. 2:3). Com seus esboços proféticos, ambos tratam de esfriar uma expectativa prematura e exagerada da volta de Cristo. Cada um enfatiza que se desenvolverá uma apostasia horrível, o que precipita e faz necessário a execução do juízo da vinda de Cristo.

Cristo descreve a natureza da apostasia vindoura como "a abominação da desolação... instalada no lugar santo" (Mat. 24:15, BJ), uma alusão evidente à profanação blasfema do templo que se prediz em Daniel 8 e 9. Paulo personifica a apostasia religiosa em "o homem do pecado", que se faz passar por Deus, um ser humano blasfemo que é "o filho de perdição" (2 Tes. 2:3, JS). Paulo também localiza a apostasia vindoura no templo de Deus: "O qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no templo de Deus, fazendo-se passar por Deus" (2 Tes. 2:4).
Esta harmonia de Jesus e Paulo com respeito ao lugar onde se encontra a apostasia – no templo de Deus – está enraizada diretamente no apocalipse de Daniel. Em particular, o anjo interpretador resumiu a visão do Daniel 8 como "a visão do contínuo sacrifício, e a prevaricação [pesha'] assoladora" (Dan. 8:13). A explicação adicional do anjo é importante:
"Dele sairão forças que profanarão o santuário, a fortaleza nossa, e tirarão o sacrifício diário, estabelecendo a abominação desoladora. Aos violadores da aliança, ele, com lisonjas, perverterá, mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e ativo" (Dan. 11:31, 32).

Parece evidente que Daniel é a fonte para o ensino do Novo Testamento de que um anticristo blasfemo apareceria durante a era da igreja. Tanto Cristo como Paulo mencionam que este apóstata sacrílego estaria acompanhado com "sinais e prodígios". Cristo conecta estes com "falsos cristos e falsos profetas" (Mat. 24:24); Paulo os associa com o advento do "iníquo", a quem descreve como o anticristo escatológico (2 Tes. 2:9).

Sobre a base deste paralelismo global, muitos chegaram à conclusão de que o ensino apocalíptico de Paulo em 2 Tessalonicenses 2:1-12, tanto em sua estrutura como em sua teologia, é paralela ao discurso profético de Cristo (Mat. 24; Mar. 13; Luc. 21). Ambos se iluminam mutuamente. Portanto, a conclusão principal é que "a abominação desoladora" no lugar santo da profecia de Cristo, e o anticristo pessoal sentado no templo de Deus na profecia do Paulo, são o mesmo fenómeno. Pode-se dizer que enquanto Mateus se centra sobre o futuro sacrilégio do templo de Deus, Paulo põe a ênfase no perpetrador do sacrilégio. Entretanto, o Evangelho de Marcos já tinha indicado que o sacrilégio escatológico seria perpetrado por um anticristo pessoal, ereto [hestekóta] "onde não deve" (Mar. 13:14), ou "usurpando um lugar que não é dele" (NBE).

A Ênfase de Paulo Sobre a Apostasia Religiosa
É digno de atenção que a frase de Paulo "hei apostasia" (2 Tes. 2:3), traduzido como "apostasia" em quase todas as versões brasileiras (RA, RC; BJ; NVI; e como "revolta" na versão BLH), sempre significa uma rebelião religiosa tanto no Antigo Testamento como no Novo, quer dizer, um esquecimento do Senhor e de sua verdade (cf. Jos. 22:22; 2 Crôn. 29:19; Jer. 2:19; At. 21:21).* Esta rebelião é mais que uma transgressão fortuita da lei divina. Esta "iniquidade" [anomia] representa uma rebelião fundamental e sustentada contra Deus. Embora já estava ativa em uma forma oculta no tempo do Paulo, a apostasia se desenvolveria finalmente em uma rebelião mundial, uma forma idolátrica de adoração que desafiaria a autoridade da Palavra de Deus.

O apóstolo não insinua que está revelando alguma verdade nova e assombrosa. Paulo recorda a seus leitores o fato de que já lhes ensinou este segredo apocalíptico enquanto ainda estava com eles (2 Tes. 2:5). A instrução de Paulo aos novos conversos ao cristianismo incluiu aparentemente os pontos essenciais do discurso profético de Cristo e do anticristo de Daniel (cf. At. 20:27-30; 1 Tim. 4:1, 2; 2 Tim. 3:1-5). Paulo não recorda aos Tessalonicenses de uma apostasia geral vindoura, a não ser especificamente de "a rebelião" que estava descrita em forma tão dramática como a falsificação do Messias no livro de Daniel.
Para entender o apóstolo devemos compreender que "o homem da iniqüidade" que se opõe a todo deus – quem por exaltar-se a si mesmo no templo de Deus está condenado à destruição (2 Tes. 2:3, 4) – é a descrição condensada de Paulo do anticristo que se faz passar por Deus em Daniel 7 a 11 (especificamente em 7:25, 26; 8:11-13; 11 :31, 36-39, 45).
A natureza essencial do anticristo de Daniel é sua vontade jactanciosa de "mudar" a lei de Deus e os tempos sagrados (Dan. 7:25), e trocar a adoração redentora no templo de Deus por seu próprio culto idólatra de adoração (Dan. 8:11-13, 25). Portanto, a perspectiva de Daniel representa uma apostasia dupla: uma, da lei divina (Dan. 7) e outra, do evangelho e o santuário (Dan. 8). É decisivo compreender que o objetivo do mal não é estabelecer o ateísmo, e sim impor uma religião falsificada com um sistema falso de adoração e salvação.

Paulo destaca a natureza religiosa do anticristo que virá, quem tratará de autenticar seu culto idolátrico por meio de sinais e milagres sobrenaturais (2 Tes. 2:4, 9). O anticristo se sentará solenemente no templo de Deus com uma obsessão compulsiva para demandar autoridade divina e usurpar as prerrogativas que pertencem só a Cristo. Por este engano, forçará todos os homens a aceitá-lo como o Messias e o Senhor.

Como Paulo Emprega a Frase "o Templo de Deus"
O apóstolo nunca emprega o termo grego naós (templo) para o edifício do templo em Jerusalém. Visto que Paulo cria que Deus já não morava mais no velho santuário, a não ser entre a comunidade dos cristãos, considerou a igreja de Deus como o novo templo de Deus:

"Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo" (1 Cor. 3:16, 17).
"Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?" (l Cor. 6:19).

"E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" (2 Cor. 6:16, citando Ezeq. 37:27).
"Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor" (Ef. 2:19-21).

Além de referir-se ao crente individual como o templo de Deus, Paulo viu tanto na igreja local como na igreja universal de Cristo o cumprimento da promessa escatológica feita pelo profeta Ezequiel de que Deus criaria um novo templo no tempo do Messias (Ezeq. 37:24-28). Paulo declara solenemente que qualquer que destrua a santidade e a unidade espiritual deste novo templo (por ensinos falsos ou idolatria), "Deus o destruirá " (1 Cor. 3:17).

Por esta evidência nos escritos do Paulo, podemos concluir que seu emprego normal do termo "templo" [naós] é uma referência não ao judaísmo e sim à igreja cristã. Esta conclusão fica confirmada adicionalmente quando consideramos como avaliou Paulo "a cidade atual de Jerusalém" representando o judaísmo: como um pacto de obras que escraviza (Gál. 4:25). Para o Paulo, "a Jerusalém de cima, a qual é mãe de todos nós, é livre" (Gál. 4:26).

À luz destas referências, parece extremamente improvável que o apóstolo Paulo pensasse que a frase "o templo de Deus" se referia ao edifício do templo em Jerusalém. O contexto mais amplo do emprego que Paulo faz da linguagem figurada para o templo apoia a ideia de que o seu emprego do "templo de Deus" em 2 Tessalonicenses 2:4 se refere à comunidade da igreja cristã do futuro.

A declaração do Paulo de que o homem de pecado "se senta" [kathísai] no "templo de Deus" é de profundo significado. Este conceito audaz reflete a visão de Daniel, em que o Ancião de dias "sentou-se" para levar à justiça o poder arrogante e endeusado. À luz deste antecedente daniélico do tribunal, a descrição do Paulo do adversário "sentando-se" indica que o anticristo se estabeleceria a si mesmo como mestre e juiz dentro da igreja!

Aqui Paulo está oferecendo mais que uma "admoestação pastoral". A predição de Paulo segue a revelação de Daniel do desenvolvimento futuro da história da salvação. Paulo interpreta o esboço de Daniel de acordo com o princípio do evangelho: o cumprimento é em Cristo e a igreja de Cristo.

A apostasia predita em Daniel 7, 8 e 11 surgiria dentro do povo do novo pacto, em um falso mestre, em um Messias falso. Por outro lado, Jesus prometeu que as portas do hades [inferno] nunca prevaleceriam contra sua igreja (Mat. 16:19), e que seus escolhidos não seriam enganados se permanecessem alerta (Mar. 13:22, 23). A tensão entre a igreja como instituição e a igreja como uma comunidade espiritual se reflete também na admoestação pastoral de Paulo em 1 Coríntios 11:19, e em sua predição profética aos anciões de Éfeso em Atos 20:28-31: "E de vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas para arrastar após si os discípulos" (v. 30). Isto chegou a ser uma ameaça séria em algumas igrejas apostólicas na província romana da Ásia (Apoc. 2:19-29; 1 João 2:18-27).

Finalmente, o que se desenvolve como tema central no Apocalipse de João é o simbolismo das duas mulheres em Apocalipse 12 e 17. Aqui se descreve a igreja cristã e à apóstata não só em termos de diferenças dogmáticas ou doutrinais, mas também como duas comunidades adoradoras diferentes.

Como Paulo Emprega os Tipos de Adoração Falsa no Antigo Testamento
A admoestação de Paulo se centra na chegada da apostasia religiosa – o "homem da iniquidade" dentro do templo de Deus na terra –, uma apostasia que permanecerá até a gloriosa vinda de Cristo:

"Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não será assim sem que antes venha a apostasia e se

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

COMPREENDENDO A PROFECIA DAS 2300 TARDES E MANHÃS

A finalidade desta pesquisa que se segue, é fornecer uma compreensão fácil sobre um tema pouco compreendido até mesmo por teólogos. Porém não entrarei em detalhes específicos sobre os acontecimentos proféticos, mas me detenho no "quando" a profecia se cumpre. Para isso ore a Deus para que Ele ilumine a sua mente a compreender este assunto de extrema relevância histórica, profética e espiritual.


Algumas pessoas se surpreendem ao estudar a profecia das 2300 tardes e manhãs e não encontrarem uma solução lógica que se encaixe perfeitamente com os eventos históricos já ocorridos. Explicando: A dificuldade limita-se a forma de cálculo utilizado para datar o início e fim desta profecia. È por isso que muitos não encontram o ano de 1844 como término da mesma e sim 1843.



O fato comum é que subtraem 457 (a data da saída da ordem para restaurar Jerusalém – Daniel 9:25) de 2300 e notam que não atingem o ano de 1844, e sim um ano a menos.


Se desejarmos saber matematicamente quando o referido tempo terminou, não podemos simplesmente subtrair desta forma, por que 457 é data, e 2300, número de anos. Para encontrar um resultado satisfatório, temos que transformar datas em anos. Assim, ao mudar 457 A.C para anos, podemos agora subtraí-lo de 2300.



O decreto de Artarxerxes foi emitido em 457 A.C no 7º ano de seu reinado (Esdras 7:1-28) e foi posto em execução no outono deste ano. Este decreto foi o primeiro a dar ao estado Judeu a autonomia completa. 



Todos sabemos que um ano possui quatro estações. Em nosso País(Brasil) estes períodos do ano se chamam: Primavera, Verão, Outono e Inverno. Para fins de compreensão em nosso estudo iremos definir neste gráfico um ano completo com suas quatro estações :

Primavera
Verão
Outono
Inverno
Como o decreto foi predito em outono, concluímos que faltava mais ou menos 1/4 de ano para que este terminasse, já que o ano possui quatro estações, considerando que no hemisfério Norte o Outono começa entre o fim de setembro e começo de outubro.


A data para início é 457 A.C, mas o número de anos é 456 anos completos + 1/4 de 457 que ainda faltava transcorrer. Assim temos:
DATA
NÚMERO DE ANOS
ESTAÇÃO
457 A.D
456 completos + 1/4
Outono
Portanto, subtraindo 456+1/4 de 2300, encontramos a data desejada de 1844. Como a data de 457 A.C é antes de Cristo, é fácil compreender que faltava 3/4 de ano para este ser completo. Notem, que 1/4 de ano a mais não pode simbolizar a primavera e sim o outono, por que a linha de raciocínio neste caso é descendente (-).
DATA
NÚMERO DE ANOS
ESTAÇÃO
1844 A.D
1843 + 3/4
Outono
Creio que as dúvidas tenham sido sanadas, porém já que mencionamos esta profecia, o capítulo 9 de Daniel apresenta a profecia das setenta semanas como um período de tempo de 490 anos(70 semanas x 7 dias de uma semana) fazendo uma parte do tempo da profecia das 2300 tardes e manhãs. O seu estudo é de extrema importância por que através dele encontramos a data específica para a contagem desta profecia, sendo assim, Daniel 8:14 só poderá ser compreendido quando estudado com o capítulo 9 do mesmo livro.
Leia com atenção os seguintes versos para melhor compreensão:
24 Setenta semanas estão decretadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o santíssimo.
25 Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até o ungido, o príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; com praças e tranqueiras se reedificará, mas em tempos angustiosos.
26 E depois de sessenta e duas semanas será cortado o ungido, e nada lhe subsistirá; e o povo do príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até o fim haverá guerra; estão determinadas assolações.
27 E ele fará um pacto firme com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador; e até a destruição determinada, a qual será derramada sobre o assolador. Daniel 9:24 a 27
O batismo de Cristo como vimos, aconteceria em 483 anos após a data de 457 A.C marcada pela ordem de restauração para Jerusalém. Calculando:
DADOS PROFÉTICOS
CÁLCULOS
7 semanas + 62 semanas = 69 semanas
69 semanas X 7 (dias semanais) = 483 anos


Assim temos: 483 (69 semanas) - 456+1/4 ("ordem de restauração") = 26+3/4. O batismo de Jesus aconteceria em Outono. Assim temos:
DATA
NÚMERO DE ANOS
ESTAÇÃO
27 A.D
26 + 3/4
Outono
BATISMO DE CRISTO


A morte de Jesus ocorreria 3,5 anos depois do batismo (metade da última semana – vs 27 ). Como a conta envolve quartos e não meios, subtende-se que metade de um ano seria 2/4, já que um ano completo possui quatro estações, 4/4. O resultado seria 3,5 anos, o mesmo que 3+2/4 + 26+3/4 = 29+5/4 ou 30+1/4. A cruz foi levantada 30 anos completos depois de Cristo mais 1/4 de ano seguinte (Sabemos que Cristo morreu  por ocasião da páscoa). Assim temos:
DATA
NÚMERO DE ANOS
ESTAÇÃO
31 A.D
29+5/4 ou 31+1/4
Primavera
Morte de Cristo

Até a morte de Estevão são mais 3,5 anos, e as 70 semanas, ou 490 anos, chegam ao fim. Somando 3+2/4 a 30+1/4 o resultado é 33+3/4 do ano seguinte ou em data, 34 A.D. Assim temos:
DATA
NÚMERO DE ANOS
ESTAÇÃO
34 A.D
33 + 3/4
Outono
Fim das 70 semanas – Morte de Estevão
Nesta altura percebemos que falta 1810 anos para concluirmos a data profética. Explicando: Subtraindo 490 (número correspondente das 70 semanas) de 2300 sobram 1810 anos que somados a 33+3/4 chegamos também ao resultado desejado: 1843+3/4 ou mais precisamente como conhecemos outono de 1844.


O gráfico final o ajudará a visualizar de forma completa os eventos ocorridos durante os períodos das 2300 tardes e manhãs. Assim temos:
NÚMERO DE ANOS
456+1/4 (A.C)
26+3/4
30+1/4
33+3/4
1843+3/4
EVENTO
Ordem para restaurar Jerusalém – Decreto do Rei Artarxexers
Batismo de Jesus
Morte de Cristo
Morte de Estevão
Fim dos 2300 tardes e manhãs – Início do Juízo investigativo
457 A.C
27 A.D
31 A.D
34 A.D
1844 A.D