O esboço apocalíptico da história da igreja que Paulo
apresenta em 2 Tessalonicenses 2 cumpre um propósito similar ao que cumpre
Mateus 24 (e paralelos) nos Evangelhos. Não há uma predição mais explícita a
respeito da era da igreja no Novo Testamento. É estranho, mas a maioria dos
comentadores entende que este capítulo é uma passagem escura nos escritos
paulinos.
Em geral se reconhece que o apóstolo em 2 Tessalonicenses 2
tem como propósito dar conselho pastoral para seus dias, a mesma finalidade que
teve Cristo ao pronunciar seu discurso profético. Por conseguinte, devemos
supor que as frases que Paulo usa aqui não eram desconhecidas para os leitores
cristãos a quem dirigiu sua carta ao redor de 50 d.C.
Muitos acreditam que a segunda epístola do apóstolo aos
Tessalonicenses foi escrita para rebater um mal-entendido que tiveram alguns
membros da igreja com sua primeira carta: que o dia do Senhor viria em forma
repentina "como ladrão de noite" (1 Tes. 5:2, 4), e que Paulo e
outros poderiam estar "ainda vivos" quando retornasse o Senhor
(4:15).
Evidentemente, alguns tinham suposto que o dia do Senhor
"já tinha chegado" ou que ia acontecer em qualquer momento (2 Tes.
2:2). Esta ideia injustificada de uma expectativa iminente tinha levado alguns
membros a converter-se em ociosos ou a entusiasmar-se e desordenar-se
excessivamente (2 Tes. 3:6-15).
Paulo trata de corrigir o engano desta expectativa – que o
dia do Senhor podia ocorrer em qualquer momento –, e deduz seu argumento do
esboço apocalíptico do Daniel. Na opinião de Paulo, para fazer frente ao engano
de uma esperança desencaminhada era essencial conhecer a ordem consecutiva de
dois acontecimentos fundamentais na história da igreja, e esses dois eventos
proféticos, em ordem cronológica, são: a vinda do anticristo e a vinda de
Cristo. Primeiro, "a apostasia" [e apostasia] deve manifestar-se no
"homem de iniquidade" [o ánthropos tes anomias] até "sentar-se
ele mesmo no templo de Deus" [éis ton naón tou theú kathísai], acompanhado
por "sinais e prodígios de mentira" (2 Tes. 2:3, 4, 9, JS). Só então
o Senhor se revelará e destruirá o iníquo (2 Tes. 2:8).
A advertência de Paulo se enfoca no surgimento da apostasia
dentro do templo de Deus durante a era da igreja, quer dizer, dentro da igreja
como uma instituição (ver 2 Cor. 6:16-18; 1 Cor. 3:16; Ef. 2:19-21). Seu ponto
de vista é que esta apostasia vindoura, profetizada por Daniel, não se tinha
desenvolvido como um fenómeno público na igreja apostólica, mesmo que o
mistério da iniquidade "estava já em ação" (2 Tes. 2:7). Por
conseguinte, o dia do Senhor não podia ter chegado nem podia esperar-se no
futuro imediato.
Paulo empregou seu conhecimento apocalíptico sobre o futuro
da história da igreja para corrigir um apocalipticismo extremo na igreja
apostólica. O uso que o apóstolo fez do livro de Daniel como a fonte de seu
esboço profético de história da igreja, faz que 2 Tessalonicenses 2 seja outro
elo indispensável entre os livros de Daniel e Apocalipse.
O Enfoque
Contínuo-Histórico em Daniel
Daniel profetiza o reinado de 4 impérios mundiais sucessivos
em duas ocasiões (caps. 2 e 7). O anjo interpretador os identifica como
Babilônia, Medo-pérsia e Grécia (ver Dan. 2:38; 8:20, 21), e aponta Roma em
Daniel 9:26 e 27. O ponto crítico na visão de Daniel, que necessita que se
preste cuidadosa atenção, é a revelação de que a quarta besta (ou império) tem
10 chifres, dentre os quais surge lentamente um décimo primeiro "chifre
pequeno" para converter-se no anticristo. O anjo interpretador explica
isto de uma maneira mais precisa:
"Os dez chifres correspondem a dez reis que se
levantarão daquele mesmo reino; e, depois deles, se levantará outro, o qual
será diferente dos primeiros, e abaterá a três reis. Proferirá palavras contra
o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a
lei; e os santos lhe serão entregues nas mãos, por um tempo, dois tempos e
metade de um tempo. Mas, depois, se assentará o tribunal para lhe tirar o
domínio, para o destruir e o consumir até ao fim tempo, e tempos, e meio tempo"
(Dan. 7:24-26).
O anjo não diz que o 4° império (Roma) estaria regido por 10
reis contemporâneos, porque isso estaria contra a história de Roma. Antes, a
declaração do anjo é que "deste" império mundial sairiam 10 reis que
reinariam em forma contemporânea. Esta ordem de eventos, a substituição do
Império Romano pelos reinos divididos da Europa, também foi profetizado pelo
sonho da estátua de Nabucodonosor: "O que viste dos pés e os dedos, em
parte de barro cozido de oleiro e em parte de ferro, será um reino
dividido" (Dan. 2:41).
Os reino dos 10 reis substituíram gradualmente o Império
Romano e durarão até que o reino da glória os substitua no dia do juízo (Dan.
2:44, 45; 7:26, 27). Dessa forma, Daniel 2 e 7 incluem todo o espectro da
infeliz Idade Média dentro de sua esfera profética. Ignorar esse intervalo de
tempo de tantos séculos na perspectiva profética de Daniel é o descuido
fundamental de dois sistemas dogmáticos de interpretação: o preterismo e o
futurismo. Ambas as escolas de interpretação criam um intervalo injustificado
de mais de 1.500 anos na história profética de Daniel, como se a Idade Média,
caracterizada pelo surgimento do reino papal entre os dez reis da Europa, não
fora pertinente na perspectiva que Deus tem da história. Os símbolos do Daniel
devem interpretar-se em harmonia com a história, em particular com a história
eclesiástica. A profecia fica confirmada por seu cumprimento (João 14:29).
Em seu discurso profético, Cristo aparentemente tomou a
futura história da igreja com uma seriedade inconfundível. É essencial para a
escatologia cristã reconhecer que Cristo interpretou a destruição de Jerusalém
por parte dos exércitos romanos como o cumprimento das profecias do Daniel (ver
Mat. 24:15; Luc. 21:20-24). Isto confirma a opinião que diz que a quarta besta
de Daniel 7 representa a Roma imperial (cf. Dan. 9:26, 27). O ponto decisivo é
que Cristo tomou o esboço profético de Daniel como a pauta para seu próprio
panorama do futuro, e depois identificou uma certa característica profética em
Daniel como cumprindo-se em sua própria geração.
Este método de interpretar o esboço apocalíptico do Daniel
também foi seguido pelo apóstolo Paulo em 2 Tessalonicenses 2, essa vez para
demonstrar que o dia do Senhor não era algo iminente. Como resultado, o esboço
de Paulo e o discurso de Cristo têm paralelos notáveis em suas aplicações
históricas.
Paralelos Entre os
Esboços Apocalípticos de Jesus e Paulo
Muitos se deram conta de que o esboço profético de Paulo em
2 Tessalonicenses exibe um paralelo estrutural notável com o discurso de Jesus
no monte das Oliveiras. Ambos os esboços apocalípticos contêm termos idênticos
e similares, tais como o advento, o dia do Senhor, a reunião dos santos, o
engano do anticristo, e sinais e milagres. Inclusive alguns comentadores
inferiram que o discurso profético de Cristo foi a fonte primária do ensino do
Paulo (cf. 1 Tes. 4:15). Estabeleceu-se uma semelhança muito surpreendente de
expressões entre esses dois capítulos. Portanto, podem-se estudar ambos os
esboços apocalípticos juntos com muito proveito. Ao mesmo tempo, precisamos
compreender que tanto Jesus como Paulo fundamentam seu panorama do futuro sobre
o esboço apocalíptico de Daniel. E cada um tem o propósito de aplicar o ponto
de vista de Daniel da história contínua da salvação a sua época contemporânea.
Esta fonte daniélica comum explica por que Jesus e Paulo usam frases e esboços
similares.
Como já observamos antes, Paulo insiste com os
Tessalonicenses a não ser enganados ao acreditar que o dia do Senhor já veio.
Seu argumento principal é que "a rebelião" representada pelo
"homem de iniquidade" ainda não se revelou publicamente no cenário da
história (2 Tes. 2:3). Do mesmo modo, Jesus indicou que durante a era da
igreja, "muitos se desviariam da fé" (literalmente,
"tropeçarão") e se entregariam e aborreceriam uns aos outros, e se
levantariam muitos falsos profetas e enganariam a muitos (Mat. 24:10, 11 ). Até
o próprio fim, insistiu Cristo, "se levantarão falsos Cristos e falsos
profetas, e farão grandes sinais e prodígios, de tal maneira que enganarão, se
for possível, até os escolhidos" (Mat. 24:24). Parece que, de acordo com
Jesus, os Messias falsos são os que afirmariam ser Cristo em sua segunda vinda;
e os falsos profetas são os que falsamente afirmam falar em nome de Cristo.
Jesus começou seu discurso profético com a advertência:
"Vede que ninguém vos engane" (Mat. 24:4). Paulo adopta o mesmo
começo: "Ninguém vos engane de maneira nenhuma" (2 Tes. 2:3). Com
seus esboços proféticos, ambos tratam de esfriar uma expectativa prematura e
exagerada da volta de Cristo. Cada um enfatiza que se desenvolverá uma
apostasia horrível, o que precipita e faz necessário a execução do juízo da
vinda de Cristo.
Cristo descreve a natureza da apostasia vindoura como
"a abominação da desolação... instalada no lugar santo" (Mat. 24:15,
BJ), uma alusão evidente à profanação blasfema do templo que se prediz em
Daniel 8 e 9. Paulo personifica a apostasia religiosa em "o homem do
pecado", que se faz passar por Deus, um ser humano blasfemo que é "o
filho de perdição" (2 Tes. 2:3, JS). Paulo também localiza a apostasia
vindoura no templo de Deus: "O qual se opõe e se levanta contra tudo que se
chama Deus ou é objeto de culto, a ponto de assentar-se no templo de Deus,
fazendo-se passar por Deus" (2 Tes. 2:4).
Esta harmonia de Jesus e Paulo com respeito ao lugar onde se
encontra a apostasia – no templo de Deus – está enraizada diretamente no apocalipse
de Daniel. Em particular, o anjo interpretador resumiu a visão do Daniel 8 como
"a visão do contínuo sacrifício, e a prevaricação [pesha']
assoladora" (Dan. 8:13). A explicação adicional do anjo é importante:
"Dele sairão forças que profanarão o santuário, a
fortaleza nossa, e tirarão o sacrifício diário, estabelecendo a abominação
desoladora. Aos violadores da aliança, ele, com lisonjas, perverterá, mas o
povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e ativo" (Dan. 11:31, 32).
Parece evidente que Daniel é a fonte para o ensino do Novo
Testamento de que um anticristo blasfemo apareceria durante a era da igreja.
Tanto Cristo como Paulo mencionam que este apóstata sacrílego estaria
acompanhado com "sinais e prodígios". Cristo conecta estes com
"falsos cristos e falsos profetas" (Mat. 24:24); Paulo os associa com
o advento do "iníquo", a quem descreve como o anticristo escatológico
(2 Tes. 2:9).
Sobre a base deste paralelismo global, muitos chegaram à
conclusão de que o ensino apocalíptico de Paulo em 2 Tessalonicenses 2:1-12,
tanto em sua estrutura como em sua teologia, é paralela ao discurso profético
de Cristo (Mat. 24; Mar. 13; Luc. 21). Ambos se iluminam mutuamente. Portanto,
a conclusão principal é que "a abominação desoladora" no lugar santo
da profecia de Cristo, e o anticristo pessoal sentado no templo de Deus na
profecia do Paulo, são o mesmo fenómeno. Pode-se dizer que enquanto Mateus se
centra sobre o futuro sacrilégio do templo de Deus, Paulo põe a ênfase no
perpetrador do sacrilégio. Entretanto, o Evangelho de Marcos já tinha indicado
que o sacrilégio escatológico seria perpetrado por um anticristo pessoal, ereto
[hestekóta] "onde não deve" (Mar. 13:14), ou "usurpando um lugar
que não é dele" (NBE).
A Ênfase de Paulo
Sobre a Apostasia Religiosa
É digno de atenção que a frase de Paulo "hei
apostasia" (2 Tes. 2:3), traduzido como "apostasia" em quase
todas as versões brasileiras (RA, RC; BJ; NVI; e como "revolta" na
versão BLH), sempre significa uma rebelião religiosa tanto no Antigo Testamento
como no Novo, quer dizer, um esquecimento do Senhor e de sua verdade (cf. Jos.
22:22; 2 Crôn. 29:19; Jer. 2:19; At. 21:21).* Esta rebelião é mais que uma
transgressão fortuita da lei divina. Esta "iniquidade" [anomia]
representa uma rebelião fundamental e sustentada contra Deus. Embora já estava
ativa em uma forma oculta no tempo do Paulo, a apostasia se desenvolveria
finalmente em uma rebelião mundial, uma forma idolátrica de adoração que
desafiaria a autoridade da Palavra de Deus.
O apóstolo não insinua que está revelando alguma verdade
nova e assombrosa. Paulo recorda a seus leitores o fato de que já lhes ensinou
este segredo apocalíptico enquanto ainda estava com eles (2 Tes. 2:5). A
instrução de Paulo aos novos conversos ao cristianismo incluiu aparentemente os
pontos essenciais do discurso profético de Cristo e do anticristo de Daniel
(cf. At. 20:27-30; 1 Tim. 4:1, 2; 2 Tim. 3:1-5). Paulo não recorda aos
Tessalonicenses de uma apostasia geral vindoura, a não ser especificamente de
"a rebelião" que estava descrita em forma tão dramática como a
falsificação do Messias no livro de Daniel.
Para entender o apóstolo devemos compreender que "o
homem da iniqüidade" que se opõe a todo deus – quem por exaltar-se a si
mesmo no templo de Deus está condenado à destruição (2 Tes. 2:3, 4) – é a
descrição condensada de Paulo do anticristo que se faz passar por Deus em
Daniel 7 a 11 (especificamente em 7:25, 26; 8:11-13; 11 :31, 36-39, 45).
A natureza essencial do anticristo de Daniel é sua vontade
jactanciosa de "mudar" a lei de Deus e os tempos sagrados (Dan.
7:25), e trocar a adoração redentora no templo de Deus por seu próprio culto
idólatra de adoração (Dan. 8:11-13, 25). Portanto, a perspectiva de Daniel
representa uma apostasia dupla: uma, da lei divina (Dan. 7) e outra, do
evangelho e o santuário (Dan. 8). É decisivo compreender que o objetivo do mal
não é estabelecer o ateísmo, e sim impor uma religião falsificada com um
sistema falso de adoração e salvação.
Paulo destaca a natureza religiosa do anticristo que virá,
quem tratará de autenticar seu culto idolátrico por meio de sinais e milagres
sobrenaturais (2 Tes. 2:4, 9). O anticristo se sentará solenemente no templo de
Deus com uma obsessão compulsiva para demandar autoridade divina e usurpar as
prerrogativas que pertencem só a Cristo. Por este engano, forçará todos os
homens a aceitá-lo como o Messias e o Senhor.
Como Paulo Emprega a
Frase "o Templo de Deus"
O apóstolo nunca emprega o termo grego naós (templo) para o
edifício do templo em Jerusalém. Visto que Paulo cria que Deus já não morava
mais no velho santuário, a não ser entre a comunidade dos cristãos, considerou
a igreja de Deus como o novo templo de Deus:
"Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o
Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o
destruirá; porque o templo de Deus, que sois vós, é santo" (1 Cor. 3:16,
17).
"Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito
Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós
mesmos?" (l Cor. 6:19).
"E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos?
Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei e
entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo" (2
Cor. 6:16, citando Ezeq. 37:27).
"Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros,
mas concidadãos dos santos e da família de Deus; edificados sobre o fundamento
dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da
esquina; no qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no
Senhor" (Ef. 2:19-21).
Além de referir-se ao crente individual como o templo de
Deus, Paulo viu tanto na igreja local como na igreja universal de Cristo o
cumprimento da promessa escatológica feita pelo profeta Ezequiel de que Deus
criaria um novo templo no tempo do Messias (Ezeq. 37:24-28). Paulo declara
solenemente que qualquer que destrua a santidade e a unidade espiritual deste
novo templo (por ensinos falsos ou idolatria), "Deus o destruirá " (1
Cor. 3:17).
Por esta evidência nos escritos do Paulo, podemos concluir
que seu emprego normal do termo "templo" [naós] é uma referência não
ao judaísmo e sim à igreja cristã. Esta conclusão fica confirmada adicionalmente
quando consideramos como avaliou Paulo "a cidade atual de Jerusalém"
representando o judaísmo: como um pacto de obras que escraviza (Gál. 4:25).
Para o Paulo, "a Jerusalém de cima, a qual é mãe de todos nós, é
livre" (Gál. 4:26).
À luz destas referências, parece extremamente improvável que
o apóstolo Paulo pensasse que a frase "o templo de Deus" se referia
ao edifício do templo em Jerusalém. O contexto mais amplo do emprego que Paulo
faz da linguagem figurada para o templo apoia a ideia de que o seu emprego do
"templo de Deus" em 2 Tessalonicenses 2:4 se refere à comunidade da
igreja cristã do futuro.
A declaração do Paulo de que o homem de pecado "se
senta" [kathísai] no "templo de Deus" é de profundo significado.
Este conceito audaz reflete a visão de Daniel, em que o Ancião de dias
"sentou-se" para levar à justiça o poder arrogante e endeusado. À luz
deste antecedente daniélico do tribunal, a descrição do Paulo do adversário
"sentando-se" indica que o anticristo se estabeleceria a si mesmo como
mestre e juiz dentro da igreja!
Aqui Paulo está oferecendo mais que uma "admoestação
pastoral". A predição de Paulo segue a revelação de Daniel do
desenvolvimento futuro da história da salvação. Paulo interpreta o esboço de
Daniel de acordo com o princípio do evangelho: o cumprimento é em Cristo e a
igreja de Cristo.
A apostasia predita em Daniel 7, 8 e 11 surgiria dentro do
povo do novo pacto, em um falso mestre, em um Messias falso. Por outro lado,
Jesus prometeu que as portas do hades [inferno] nunca prevaleceriam contra sua
igreja (Mat. 16:19), e que seus escolhidos não seriam enganados se
permanecessem alerta (Mar. 13:22, 23). A tensão entre a igreja como instituição
e a igreja como uma comunidade espiritual se reflete também na admoestação
pastoral de Paulo em 1 Coríntios 11:19, e em sua predição profética aos anciões
de Éfeso em Atos 20:28-31: "E de vós mesmos se levantarão homens que
falarão coisas perversas para arrastar após si os discípulos" (v. 30).
Isto chegou a ser uma ameaça séria em algumas igrejas apostólicas na província
romana da Ásia (Apoc. 2:19-29; 1 João 2:18-27).
Finalmente, o que se desenvolve como tema central no
Apocalipse de João é o simbolismo das duas mulheres em Apocalipse 12 e 17. Aqui
se descreve a igreja cristã e à apóstata não só em termos de diferenças
dogmáticas ou doutrinais, mas também como duas comunidades adoradoras
diferentes.
Como Paulo Emprega os
Tipos de Adoração Falsa no Antigo Testamento
A admoestação de Paulo se centra na chegada da apostasia
religiosa – o "homem da iniquidade" dentro do templo de Deus na terra
–, uma apostasia que permanecerá até a gloriosa vinda de Cristo:
"Ninguém, de maneira alguma, vos engane, porque não
será assim sem que antes venha a apostasia e se











