No livro de Daniel, capítulo 8, encontramos uma sequência de eventos históricos que precedem a segunda vinda de Cristo; nele é descrito a sucessão de quatro reinos (babilônico, medo-persa, grego e romano) e que, proveniente do último, surgiria um poder que atuaria de maneira singular ao deitar por terra a verdade referente ao santuário celestial, obscurecendo deste modo o ministério intercessório de Jesus. Daniel 7:25 descreve também esse poder dizendo: "Proferirá palavras contra o Altíssimo, magoará os santos do Altíssimo e cuidará em mudar os tempos e a lei..."
Entretanto, Deus não permitiria que Seus ensinos, Sua lei e a verdade relativa ao ministério sumo-sacerdotal de Jesus prosseguisse indefinidamente obscurecida pelo erro. Através de homens e mulheres fiéis e tementes a Deus, Ele reavivaria Sua causa (Isaías 58:12). A reforma protestante redescobriu parcialmente o papel de Cristo como nosso Mediador, o que ocasionou grande reavivamento no mundo cristão. Contudo, havia ainda outras verdades a serem reveladas acerca do ministério celestial de Jesus. E o tempo em que Deus restauraria essas verdades e iniciaria o grande julgamento da raça humana foi revelado ao profeta Daniel:
- Até quando durará a visão do sacrifício diário e da transgressão assoladora, visão na qual é entregue o santuário e o exército a fim de serem pisados?
- Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado. (Daniel 8:13-14)
Ao anjo Gabriel fora entregue a missão de explicar esses eventos proféticos, mas, o impacto das informações conduzira Daniel a enfermidade. Por este motivo, ele teve que adiar os esclarecimentos relativos ao período de tempo das 2300 tardes e manhãs; o único aspecto da visão que ainda não havia sido elucidado (Daniel 8:27). Em Daniel 9:22 tem-se o retorno do anjo Gabriel com o objetivo de completar essa tarefa. Portanto, Daniel capítulos 8 e 9 acham-se conectados, sendo o capítulo 9 a chave para desvendar o mistério das "2300 tardes e manhãs" descrito no capítulo 8. Todavia, se faz necessário primeiramente entender o que significa "tardes e manhãs":
"... E disse Deus: Haja luz. E houve luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.
E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. Houve tarde e manhã, o primeiro dia." (Gênesis 1:3-5)
De acordo com as Escrituras, "uma tarde e uma manhã" corresponde a "um dia" (período de tempo aproximado de 24 horas). Portanto, as "2300 tardes e manhãs" mencionadas em Daniel 8:14 equivalem a "2300 dias". Porém, Daniel capítulos 8 e 9 referem-se a tempo profético e neste caso "um dia" equivale a "um ano":
"Segundo o número dos dias em que espiastes a terra, quarenta dias, cada dia representando um ano..."; "Quarenta dias te dei, cada dia por um ano..." (Números 14:34; Ezequiel 4:7)
A partir desses versos pode-se afirmar que "2300 dias" proféticos representam "2300 anos" literais e, com essas informações, retornemos às palavras do anjo Gabriel dirigidas a Daniel com o intuito de fazê-lo entender o período de tempo descrito na profecia:
"... Daniel, agora, saí para fazer-te entender o sentido. No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a coisa e entende a visão. Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniquidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos." (Daniel 9:22-24)
A partir de Daniel 9:24 pode-se fazer a seguinte pergunta: Qual a relação entre as "setenta semanas" e os 2300 anos?
O anjo Gabriel anunciou que "setenta semanas foram determinadas sobre o povo e sobre a santa cidade" de Daniel, isto é, sobre o povo judeu e sobre a cidade de Jerusalém. A palavra "determinada", nesse verso, foi uma opção de alguns tradutores bíblicos para o verbo hebraico original hebraico (chathak). Porém, o significado mais próximo do original é cortar, dividir, separar.1, 2 O dicionário hebraico-inglês de Genesius3