domingo, 15 de maio de 2011

TERCEIRO DIA - A MULHER E O DRAGÃO (Apocalipse 12)

Quando nos aproximamos do livro do Apocalipse parece que estamos numa espécie de ante câmara do quanto o apóstolo Pedro chamou de “outras Escrituras”, ou seja, o Antigo Testamento – II Pedro 3.16. Na verdade, dos quatrocentos e quatro versículos que compõem este livro, cerca de duzentos e setenta e oito pertencem a estas “outras Escrituras”. Tendo em conta este enraizamento, alguns comentadores precisam que “este livro do Novo Testamento é o que mais se refere ao Antigo Testamento e às instituições judaicas tradicionais. Neste contam-se, não menos de duas mil alusões ao Antigo Testamento, das quais quatrocentas alusões explícitas e noventa citações literais do Pentateuco ou dos profetas”.
Tendo em conta este contexto próximo, para podermos compreender este capítulo que nos ocupa, temos que entender um versículo que encontramos logo no princípio da Bíblia, um versículo de capital importância; diríamos até que, dentro da importância que todos os textos têm, este é um dos mais importantes, pois nele encontramos de uma forma resumida a razão de ser de toda a Escritura. O texto em causa encontramo-lo em Génesis 3.15. Aqui podemos ver um diálogo de Deus com Satanás: - “E porei inimizade entre ti e a mulher; e entre a tua semente e a sua semente; esta (este) te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. Aqui encontramos quatro aspectos: 1- inimizade; 2- serpente; 3- mulher; 4- duas sementes (do dragão e da mulher). Irá existir uma inimizade mortal entre a serpente e a mulher; entre a semente da serpente e a da mulher. Mas, como nos podemos aperceber, a verdadeira guerra não é entre a serpente e a mulher e as respectivas sementes.207 Se repararmos bem para a última parte do versículo, é dito que “(…) este te ferirá

segunda-feira, 9 de maio de 2011

QUARTO DIA: AS DUAS BESTAS DO APOCALIPSE (Apocalipse 13

Este capítulo comporta quatro temas principais: 1- a besta que sobe do mar; 2- a besta que sobe da terra; 3- a marca da besta; 4- o número misterioso 666. Assim começa o vidente de Patmos a sua visão: - “E eu pus-me sobre a areia do mar, e vi subir do mar uma besta que tinha sete cabeças e dez chifres e sobre os seus chifres, dez diademas, e sobre as suas cabeças um nome de blasfémia. E a besta que vi era semelhante ao leopardo, e os seus pés como os de urso; e a sua boca como a de leão; e o dragão deu-lhe o seu poder e o seu trono e grande autoridade” – Apoc. 13.1,2.
Antes de mais, convinha precisar que, no princípio não existiam capítulos e versículos.224 Eles surgiram para conforto do leitor e, ao mesmo tempo, para facilitar qualquer citação de qualquer parte das Escrituras, pois assim com excepcional facilidade encontraremos o texto citado, o que não acontecia, por exemplo no tempo de Jesus. Por esta razão, quando lemos na Palavra de Deus que alguém está a citar as Escrituras, para apoiar o que pretende dizer ou ensinar, unicamente diz: - “Está escrito”. Vejamos alguns exemplos: - O próprio Jesus nas Suas tentações – Mateus 4.4; Ou o apóstolo S. Paulo quando falava equiparava o 1º ao 2º Adão (Cristo) - I Cor. 15.45; ou ainda quando o apóstolo Pedro falava no contexto do Pentecostes para justificar os sonhos e as visões, irá citar um profeta do Antigo Testamento – o profeta Joel - ou “O que foi dito pelo profeta Joel” – Actos 2.16.
Mas, como podemos ver, é citado unicamente: - “Está escrito” -, estando subentendido que o ouvinte sabia que a referida citação pertencia a este ou aquele profeta, pois não há qualquer contestação à referida citação. Mas, onde encontrar unicamente este pequeno excerto que compõe a citação no quanto o profeta escreveu? Convenhamos que era difícil, não é verdade? No caso de Jesus, bastaria ter citado – Deut. 8.3 –

quarta-feira, 4 de maio de 2011

QUINTO DIA: A FALSA IGREJA DO APOCALIPSE (Apocalipse 17)

Há muita especulação, no presente, em relação a este capítulo do livro do Apocalipse. Há muitas interpretações na Igreja Adventista que, numa análise mais profunda das mesmas, não estão fundamentadas, baseadas na palavra profética mais segura. A razão pela qual se chega a determinadas interpretações deste capítulo é, devido ao facto, de isolar este capítulo do contexto profético de Daniel 2 e 7 e de Apocalipse 12 e 13. Ora, se este capítulo fosse analisado à luz deste contexto, certamente que não haveria nenhum problema em compreender este capítulo. O conteúdo deste fala-nos da última etapa do domínio do chifre pequeno, da besta ou do homem do pecado.
Como vimos até aqui, existem 3 símbolos que representam o mesmo poder na História: 1- o chifre pequeno; 2- a besta; 3- o homem do pecado; 4- a mulher prostituta. Aqui iremos falar da prostituta, mas na sua 2ª fase de domínio, ou seja, no período em que a sua ferida mortal foi curada após um período de 1260 anos. O chifre pequeno, na sua 2ª fase, é o último poder que irá dominar o mundo até à 2ª vinda de Cristo e, consequentemente, o cap. 17 do Apocalipse deverá ter algo que ver com esta mesma etapa. Este capítulo, de modo algum, se poderá referir a outra coisa, porque não há mais poder nas profecias, pois o último que domina é, efectivamente, o chifre pequeno, a besta, o homem do pecado e, consequentemente, esta

quarta-feira, 27 de abril de 2011

SEXTO DIA: O HOMEM DO PECADO, O FILHO DA PERDIÇÃO (II Tessalonicenses 2)

Vamos examinar algo que não se encontra directamente, nem nos escritos do profeta Daniel nem no livro do Apocalipse, mas que está relacionado com o tema em causa. Apercebemo-nos que existe um elemento comum a todos os escritos proféticos, ou seja, a figura do chifre pequeno que persegue, implacavelmente, o povo de Deus. Aqui iremos analisar uma profecia que se enquadra no que já vimos até aqui, ou seja, a actividade do chifre pequeno.
Nos escritos do apóstolo S. Paulo esta entidade não tem este nome, mas um outro, ou seja – o homem do pecado. Vejamos o que o apóstolo Paulo escreveu acerca deste assunto. Quando é que Paulo escreveu o que se encontra em II Tess. 2.1-9? Qual é o último poder que governará o mundo antes que Cristo venha e que será destruído nesta mesma ocasião? Como já analisámos até aqui, é o chifre pequeno em conluio com a besta. Este poder que S. Paulo descreve é o mesmo que o chifre pequeno e a besta, não somente pelas suas características que iremos evidenciar, como também porque o apóstolo S. Paulo disse que este poder será destruído no momento no momento da 2ª vinda de Cristo. Se “o homem do pecado” irá ser destruído quando Cristo voltar, então é porque é o ultimo poder que governará o mundo. O poder que estava a dominar o mundo na época de S. Paulo era o Império romano. Isto quer dizer que, o que o apóstolo descreve encontra-se no futuro, O apóstolo S. Paulo está a viver sob o poder simbolizado pelo dragão – Roma. Isto quer dizer que, o que ele escreveu deverá acontecer depois do dragão, Roma. Para que possamos compreender perfeitamente - II Tess. 2.1-9 – temos que ter presente o seu contexto que se encontra na Iª carta aos Tessalonicenses – a 2ª vinda de Cristo.
I- Introdução
Vejamos então o texto que se encontra em I Tess. 4.15-17: - “Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque

sábado, 16 de abril de 2011

A SACUDIDURA E O TEMPO DO FIM.

Em Amós 9:9, existe um texto ao qual precisamos prestar atenção: “Porque eis que darei ordens e sacudirei a casa de Israel entre todas as nações, assim como se sacode trigo no crivo, sem que caia na terra um só grão”.
Deus advertiu através do seu mensageiro, que haveria um processo de sacudidura naquele tempo, entre a casa de Israel, o povo escolhido de Deus; disse que separaria a palha do grão. Essa idéia de sacudidura, ou peneiramento, foi extraída da agricultura. Os grãos de trigo, cevada, lentilha, por exemplo, eram colhidos, mas estavam com muita casca, palha, pedrinhas e coisas semelhantes. Colocava-se uma porção numa peneira e começava-se a sacudir, primeiro com menos intensidade e ia-se aumentando gradualmente. A sujudidade saía e o grão ficava. Isso até hoje é praticado. Em diversas zonas rurais podemos ver o peneiramento de feijão, milho e outros tipos de ceriais.
Para o grão, é um processo terrível, mas necessário. Ser sacudido de um lado para o outro, e não sair da peneira, permitindo somente que saia a pragana, requer uma habilidade por parte do peneirador. Mas quando termina o processo, somente permanece o grão, e o supérfluo foi expelido. Guarde bem este conceito. O que não presta sai, o grão fica. Este conceito simples, mas profundo, é a mensagem que Deus deu a Amós, a fim de que o povo de Deus naquele tempo entendesse os tempos difíceis pelos quais passaria, mas o resultado seria maravilhoso.
Assim como Deus deu uma mensagem profética de advertência sobre esse terrível, mas necessário processo espiritual da sacudidura entre o povo de Israel, Ele também advertiu o povo remanescente de que isso aconteceria entre nós. Ao estudarmos e refletirmos sobre a sacudidura (também denominada de

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Homem do Pecado, o Filho da Perdição: “se levanta contra tudo o que se chama Deus”

(II Tessalonicenses 2)
5- “O qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora; de sorte que se assentará como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus” – II Tess. 2: 4.
Façamos, desde já uma comparação com os poderes em causa. Em Dan. 7 é dito que o chifre pequeno “falava grandiosamente” – v.8,11,20. A besta assinalada no Apoc. 13, por seu lado, também fala “grandes coisas e blasfémias” – v. 5. Quando procuramos o perdão para os nossos pecados devemos orar a Deus através de Cristo. Quem, na verdade se encontra, verdadeiramente, no templo, no santuário celeste, naquele que serviu de modelo ao terrestre (Êxodo 25.40; Heb.8.2)? Ali encontra-se Cristo a interceder pelo pecador – Heb. 4.14-16; 7.24-28. A noção de blasfémia, como vimos anteriormente, é quando a criatura quer ocupar o lugar de Deus, chamando assim, entre outras prerrogativas – o perdoar pecados – Marcos 2.1-7. Vejamos, neste texto base, algumas das suas particularidades:
a)- “O qual se opõe e se levanta contra tudo o que se chama Deus ou se adora” – 4a. Qual será a sensação

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O CHIFRE PEQUENO: CARACTERÍSTICAS DESTE PODER POLÍTICO-RELIGIOSO

Até aqui mostrámos um panorama global das diversas metamorfoses deste mesmo poder. Pudemos ver o que a História Medieval nos dá a conhecer acerca da forma como uma confissão religiosa pode actuar quando ligada ao poder civil; ela operará, apesar de tudo, sob a capa da dilatação da fé, em nome de Deus, mas paradoxalmente, sob a forma de campanhas militares – Cruzadas – ou violência religiosa – Inquisição. De certa maneira tentámos dar conteúdo à Palavra profética para que, desta forma possamos recolher uma série de indícios, evidências para uma melhor e inequívoca identificação deste poder contrário à Palavra de Deus, a uma postura cristã, em suma, ao verdadeiro cristianismo. Posto isto, iremos relembrar algumas destas características desta personagem que ajudará o leitor a ter uma

terça-feira, 5 de abril de 2011

A falsa interpretação profética das 2300 tardes/manhãs

Neste estudo iremos tentar perceber, se estas personagens históricas – o rei Seleucida Antíoco IV Epifânio e o Sumo-Sacerdote Onias III – estão ou não relacionadas com os elementos descritos na profecia do profeta Daniel.
a) O chifre pequeno - a sua origem
Qual é, na verdade, a sua origem? O chifre pequeno sai de um dos quatro chifres sucessores da grande ponta (chifre) ou avança ele a partir de um dos pontos cardeais, isto é, um dos quatro ventos dos céus? A tradução clássica bíblica refere que, quando a ponta grande foi quebrada “subiram no seu lugar quatro (chifres) também notáveis, para os quatro ventos do céu. E de uma delas (chifres) saiu uma ponta (chifre)” – Dan. 8.8,9ª.
A maior parte das traduções bíblicas, neste preciso trecho, tal como podemos ler, dá a entender que o chifre pequeno sai de um dos quatro chifres que sucederam à ponta grande que foi quebrada. No entanto, num exame mais atento à sua construção gramatical, este mostra algo de diferente, ou seja, indica que o chifre pequeno, ou o poder por ela representado, sai, não “das quatro pontas/chifres” que sucedem à “ponta grande”, mas sim de um dos

domingo, 27 de março de 2011

O CALENDÁRIO PROFÉTICO - A PROFECIA DAS 70 SEMANAS

(Daniel 9.24-27)
Os cristãos que procuram compreender as profecias que se encontram na Palavra de Deus, neste caso concreto, as que se encontram nos capítulos 8 e 9 do profeta Daniel, pois fazem parte do mesmo bloco, facilmente poderão esquecer o ensino fulcral, a razão de ser das Escrituras, ou seja, a primeira e a segunda vinda de Cristo, caso não sigam o grande conselho do próprio Senhor Jesus: - “Examinais as Escrituras porque vós cuidais ter nelas a vida eterna e são elas que de mim testificam” – João 5.39. Estas palavras aplicavam-se aos Seus contemporâneos, aqueles que construíram uma religião de pendor humano e com aparente base nas Escrituras. Hoje, a exemplo do passado, estas palavras são para nós. Na Palavra de Deus ecoa a mais sublime das verdades, articulada em 3 tempos: - Jesus virá – (este é o ensino de todo o Antigo Testamento) - Jesus veio – (é o testemunho de todo o Novo Testamento) - Jesus voltará – (é a gloriosa esperança encontrada em toda a

quarta-feira, 23 de março de 2011

OS DOIS SANTOS QUE FALAM

Retomemos a interpretação do restante texto do profeta Daniel. Aqui o profeta ouve o diálogo entre dois seres celestes aos quais chama “santos”.
a) A pergunta - v. 13 - “Depois ouvi um santo que falava e disse outro santo àquele que falava: - até quando durará a visão do contínuo e da transgressão assoladora para que seja entregue o santuário e o exército, afim de serem pisados?”
a)- A questão do tempo: - A pergunta foi feita nestes termos: - “(…)até quando” mostra claramente que o contexto que a motiva é de opressão e, em resposta à mesma, faz-se eco de um juízo, julgamento, para a reposição da normalidade.
A questão em causa está ligada a um determinado tempo. Assim sendo, é inevitável que nos perguntemos acerca do início da mesma. Convém, no entanto, recordar a este propósito as palavras do anjo que informava o profeta: - “a visão se realizará no fim do tempo” – v. 17,19, ou ainda: - “a visão da tarde e da manhã é verdadeira (…) só daqui a muitos dias se cumprirá” – v. 26. Estas palavras são significativas visto que a noção “fim dos tempos” está presente ao longo deste capítulo.