segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O DRAGÃO E A SERPENTE

O autor (padre Carreira das Neves), neste preciso contexto, aborda a problemática do capítulo 12 do livro do Apocalipse. De seguida, apresenta a sua tradução do versículo 17 que é a seguinte: “Furioso contra a Mulher, o Dragão foi fazer guerra ao resto dos seus filhos, os quais guardam os mandamentos de Deus e se mantêm fiéis a Jesus” .
Na interpretação que faz em relação à Mulher, nada temos a dizer! Parece-nos coerente, em função do contexto imediato, que esta Mulher esteja, obviamente, em oposição à sua parte contrária que, na linguagem apocalíptica, é apresentada como sendo o grande Dragão, a antiga Serpente – cf. v. 9.
No entanto, se nos é permitido realçar a incorrecção, expressa pelo autor, quando comenta este Poder que faz guerra à Mulher (Igreja) e à sua descendência (crentes). Não sabemos se o autor o fez deliberadamente ou se, por mero lapso! Convenhamos que não foi nada feliz na sua interpretação, quando refere, num tom muito seguro, que este Dragão e Serpente “só pode ser o Império Romano”. É isto que não conseguimos entender! Porquê? Por duas ordens de razão, vejamos:

a) O Intérprete – O homem
O autor critica o biblista E. Ferreira, personagem que está na base das considerações sobre a confissão religiosa chamada – Adventistas –, por este aplicar os 1260 dias, descritos em Apocalipse 11:3, como representando a “hegemonia político-religiosa papal (…)”.
Apesar da sua autoridade, que muito respeitamos, a dado passo diz: "Diante deste contexto só não vê quem não quer. Os Adventistas que me perdoem, mas a sua interpretação não tem qualquer fundamento bíblico.” Muito bem! Mas, agora, se tal nos for permitido, perguntamos: qual é o fundamento do autor para escrever o que escreveu, isto é, que o grande Dragão, a antiga Serpente, representa o Império Romano? Não receará o autor que o feitiço se vire contra o feiticeiro?
Tanto quanto saibamos, a Bíblia não é um livro assim tão enigmático para que nos ponhamos a adivinhar e a tentar, ao acaso, conciliar as nossas ideias com os textos bíblicos! No entanto, a crítica que endereça ao biblista acima mencionado, é a mesma que recai sobre si mesmo, por que procede exactamente da mesma maneira, isto é, acusando ligeira e gratuitamente, sem qualquer fundamento escriturístico!
Mas o que diz o próprio capítulo 12 do Apocalipse sobre o assunto? Será que é necessário adivinharmos quem é o quê? Francamente, pensamos que não! Senão vejamos: façamos somente uma simples leitura… não é preciso ser teólogo para a fazer, basta saber ler, nada mais! Vejamos: “O grande Dragão foi precipitado, a antiga Serpente, o Diabo, ou Satanás, que engana o mundo inteiro (…)” – v. 9.
A definição estava lá, só bastava ter um pouco de boa vontade e caridade cristã para ler e transcrever, nada mais!
Este princípio é aquele que é usado pela própria bíblia. Citaremos ainda dois exemplos dentro do mesmo livro! A este respeito a Bíblia diz: 1- “(…) Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande prostituta que está sentada junto de muitas águas” – Apocalipse 17:1; 2- “A mulher sentada numa besta de cor escarlate, coberta de nomes blasfematórios, com sete cabeças e dez chifres” – v. 3.
Para que o leitor não especule, como faz o nosso autor, o próprio capítulo tem a chave dos símbolos apresentados. Assim, para a 1ª afirmação: - O enigma das “águas” - é dito que: “(…) são povos, multidões, nações e línguas” – v. 15. Para a 2ª - O das “sete cabeças” - a resposta é “(…) sete colinas (…)” – v. 9.
Portanto, tudo está ali e, quiçá, sem qualquer necessidade do Magistério da Igreja para nos ajudar na compreensão das Sagradas Escrituras! Ou será que estamos enganados ou a exagerar? Quanto a nós, pensamos que não, e o prezado leitor?

b) O Intérprete – A Palavra
A ciência humana, assim como o nosso autor declaram que o livro do Génesis, no que respeita aos relatos acerca das figuras: Criação, Jardim do Éden, Adão, Eva, Serpente, tudo não passa de símbolos metafóricos, ou de “mitos, sagas (…). Mas será assim? Quem terá razão: a dita chamada “ciência”, o nosso autor ou a Palavra de Deus? Vejamos:
Se estes elementos pertencentes ao cenário da Criação não são “verdades”, então como compreender as Escrituras? Jesus, para consolidar o Seu ensino, a eles recorreu, tal como o fizeram os Seus continuadores! Para ensinar uma Verdade, ir-se-á usar o mito que, curiosamente, se encontra no Livro que é conhecido como sendo a Verdade? Estranho Deus; estranho Livro; estranha Verdade!

 Adão
Se esta figura não passa de uma invenção ou de um simbolismo, então a quem se referiam: o profeta Oseias, S. Lucas e S. Paulo? Este será comparado com que figura irreal? Qual a lógica em fundar um ensino sobre suposições? Quem é, logo, este Adão a que se referem os textos? Figura mítica ou realidade?

1- “Mas eles, como Adão, violaram a aliança (…)” - Oseias 6:7 (sublinhado nosso). (Se um ser é mítico, logo, o que ele viola, também o é)!

2- “(…) Jesus tinha cerca de trinta anos, sendo filho, como se supunha, de José (…), e Enos de Set, e Set de Adão, e Adão de Deus” - S. Lucas 3:23,38. (Se Adão é mitológico, então que dizer de Deus, seu criador)?

3- “Contudo, a morte reinou desde Adão até Moisés (…), à semelhança de Adão, que é figura d’Aquele que havia de vir” - Romanos 5:14 (sublinhado nosso). (Jesus, segundo S. Paulo, é a figura de uma personagem mítica)!

4- “Por isso, está escrito: o primeiro homem, Adão, foi feito alma vivente: o último Adão (Cristo) é um espírito vivificante” – I Coríntios 15:45 (sublinhado nosso). (Como se poderá comparar a realidade com o irreal, mitológico)?

Porventura se recorrerá ao mito para ensinar e consolidar uma verdade? Terá sido este o método deixado pelos profetas do passado e, posteriormente pelos Seus seguidores? Continuamos a pensar pela negativa!

 Jardim do Éden, Eva, Serpente
Se estes elementos não passam de símbolos metafóricos, então, como compreender certos ensinamentos das Escrituras neles baseados?
Como já vimos em relação ao texto do Apocalipse 12:9, parece-nos, tal como pudemos mostrar, lendo simplesmente o capítulo 12 do Apocalipse, que o “Dragão” era uma personagem biblicamente conhecida, isto é, “(…) a antiga Serpente, o Diabo, ou Satanás, que engana o mundo inteiro (…)”.
Jesus quando repreendia os fariseus pela sua hipocrisia, a certa altura disse: “Vós sois filhos do Diabo (…). Ele foi assassino desde o princípio e não se manteve na verdade. Quando profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque também é mentiroso e pai da mentira” – S. João 8:44.
Aqui Jesus revela duas particularidades desta personagem, a saber: 1- “assassino desde o princípio”; 2- “mentiroso e pai da mentira”. Perante estas palavras que desmascaram esta personagem, somos forçados a perguntar:

1- Quem é que esta personagem matou, visto ser acusado de “assassino”?!
2- Que mentira é que disse?
3- A quem mentiu?

A Assunção Corporal de Maria

Bento XVI, recorda os 60 anos
do dogma da assunção de Maria.
Outra indicação importante da tentativa da Igreja Católica de elevar Maria ao mesmo lugar de Cristo, é o dogma da Assunção corporal de Maria ao céu. O anseio de colocar Cristo e Maria ao mesmo nível é por demais evidente. O ensinamento bíblico de que Jesus subiu ao céu como Rei dos Reis, é acompanhado pela argumentação católica de que Maria foi assunta ao céu, para servir como “Rainha de todas as coisas.”
Os dogmas católicos romanos em relação a Maria revelam uma glorificação progressiva de seu estatuto. Notamos como Maria tem sido progressivamente elevada de um ser inocente a um ser concebido imaculadamente, sendo corporalmente assunta ao céu, e venerada como Co-redentora e mediadora da graça (Medianeira) e Rainha dos Céus.
A crescente exaltação e adoração a Maria está a pressionar o papa a promulgar um dogma final, que oficialmente elevaria Maria ao lugar de Co-redentora. Este ensino será discutido mais detalhadamente na secção seguinte deste capítulo. Mais de seis milhões de católicos de cerca de 150 países já assinaram uma petição pedindo ao papa para fazer uma definição formal do dogma mariano final “que a Virgem Maria é Co-redentora com Jesus e coopera plenamente com seu Filho na redenção da humanidade.”  Se e quando o Papa promulgar este dogma que declara Maria como Co-Redentora e mediadora de todas as graças e advogada do povo de Deus, a glorificação de Maria, terá atingido o estágio final de sua deificação.
A promulgação do dogma da Assunção corporal de Maria.
PIO XII
Este dogma da Assunção corporal de Maria, foi oficialmente promulgado pelo Papa Pio XII em 01 novembro de 1950, um dia observado pelos católicos como “Festa de Todos os Santos”. Pio XII declarou solenemente: “Pela autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo, e pela nossa própria autoridade, nós pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a Imaculada Mãe de Deus , a sempre Virgem Maria, tendo concluído o curso da sua vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. Para assegurar que esse dogma fosse aceite sem questionamento, Pio XII acrescentou esta advertência assustadora: “Se alguém, que Deus não permita, ousar, voluntariamente, negar ou pôr em dúvida o que temos definido, que ele saiba que se afastou completamente da fé divina e católica. . . . É proibido a qualquer homem mudar esta nossa declaração, pronunciamento e definição, ou tentar opôr-se e contrariá-la. Se alguém presumir fazer tal tentativa, deixe-o saber que nele incorrerá a ira do Deus Todo Poderoso e dos Bem-aventurados Apóstolos Pedro e Paulo”.
O Catecismo amplia o significado deste dogma, dizendo: “A Assunção da Santíssima Virgem é uma

domingo, 13 de fevereiro de 2011

O GRANDE PRETEXTO PARA A SUBMISSÃO DO MUNDO À IGREJA CATÓLICA ROMANA

“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida: ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6).
Outra tentativa católica significativa para elevar Maria a uma posição semelhante à de Cristo, pode ser vista no impulso de proclamar o dogma mariano final atribuindo a Maria os papéis de Mediadora e redentora. Até ao momento a Igreja Católica definiu quatro grandes dogmas marianos como verdades centrais: a Maternidade de Deus (teotokos), proclamada no Concílio de Éfeso, em 431, a virgindade perpétua de Maria, proclamada no Sínodo de Latrão, em 649, a Imaculada Conceição proclamado pelo Papa Pio IX em 08 de dezembro de 1854, e a assunção corpórea ao céu proclamada pelo Papa Pio XII em 01 de novembro de 1950.
Muitos Católicos acreditam que agora é o momento do clímax da universalmente designada “Era de Maria”, de anunciar e definir o quinto e último dogma mariano, ou seja, a mediação universal de Maria como Co-redentora, Medianeira de todas as graças e advogada para o Povo de Deus.
Um movimento internacional de leigos, liderado pelo Vox Populi Mariae Mediatrici (A Voz do Povo para a Maria Medianeira) já recolheu mais de 7 milhões de petições assinadas em mais de 155 países. As petições estão sendo enviadas para a Congregação para a Doutrina da Fé, a uma taxa de mais de 100.000 por mês. Estes católicos estão pedindo ao papa para promulgar este dogma, dificilmente podem ser chamados de lunáticos, uma vez que incluem 43 cardeais e mais de 550 bispos.
O Vox Populi, acredita que o dogma mariano de Co-redentora, Medianeira e Advogada, iria responder as perguntas: O que o corpo e a alma de Maria estão fazendo no céu? Se ela é Rainha do Céu, como ela governa seus súditos? Para responder a essas questões, eles estão pedindo ao papa para fazer uma declaração infalível de que a Virgem Maria é Co-redentora com Jesus e coopera plenamente com seu Filho na redenção da humanidade. Se isso fosse feito, Maria seria uma figura muito mais poderosa, algo parecido com o quarto membro da Santíssima Trindade e a face feminina primária através da qual os cristãos experimentam o divino.
É incerto ou não que o Papa Bento XVI irá promulgar este dogma mariano final. Mas o fato é que existe um forte apoio à coroação de Maria com o título dogmático de Co-redentora, Medianeira e Advogada.
Maria, Como Medianeira de Todas as Graças.De acordo com os ensinamentos católicos, “embora Cristo seja o único mediador entre Deus e o homem (1Tm 2:5), pois só Ele, pela Sua morte na cruz, completamente reconciliou a humanidade com Deus, isto não exclui uma mediadora secundária, subordinada a Cristo.”
Maria foi chamada de “mediadora” na bula Ineffabilis de 1854 do Papa Pio IX, o mesmo documento que proclamou a concepção da Maria Imaculada. Autoridades católicas tomam o termo para significar duas coisas: “1. Maria é a Medianeira de todas as graças por sua cooperação na Encarnação. E 2. Maria é a Medianeira de todas as graças por sua intercessão no céu.”
Na encíclica Magnae Dei Matrix (Grande Mãe de Deus), promulgada em 08 de setembro de 1892, o Papa Leão XIII declara: “nada desse imenso tesouro de todas as graças que o Senhor nos trouxe. . . é concedido para nos salvar por meio de Maria, para que, assim como ninguém pode vir ao Pai, exceto através do Filho, da mesma maneira, ninguém possa ir a Cristo senão por Sua Mãe”.
A argumentação de que ninguém pode vir a Cristo, exceto por meio de Maria, está em clara contradição com as palavras de Jesus: “Eu sou a porta: se alguém entrar por mim, será salvo, e entrará e sairá e encontrará pastagem” ( João 10:9). ”Ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai [não por Maria], não lhe for concedido” (João 6:65). ”Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28). Os convites de Cristo são sempre pessois e diretos. Eles não admitem intermediários. Ele nos ensinou a nos aproximar de Deus diretamente como o “Pai nosso que estás nos

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A VENERAÇÃO A MARIA

Uma indicação significativa da tentativa final da Igreja Católica elevar Maria para o mesmo lugar de Cristo, é a veneração popular a Maria. Esta prática representa o resultado natural dos dogmas e ensinamentos marianos proclamados ao longo dos séculos pela Igreja Católica. Ao proclamar a virgindade perpétua de Maria, a sua imaculada concepção, a sua assunção corporal aos céus, o seu papel como mediadora celestial e Co-redentora, a Igreja Católica promoveu a veneração popular a Maria, que muitas vezes ultrapassa a adoração a Cristo. Isto é evidente numa das orações católicas mais populares, conhecida como a “Ave Maria”, que termina: “Santa Maria, Mãe de Deus. Rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte. “
Maria um digno exemplo de pureza, amor e piedade.
Como a mãe do Salvador do mundo, Maria, sem dúvida, mantém para sempre um lugar especial entre todas as mulheres e na história da redenção. Ela ensinou Jesus no temor de Deus, mesmo tendo uma família disfuncional, onde o Salvador não era inicialmente aceite pelos seus irmãos e irmãs.
É perfeitamente natural admirar Maria como o melhor modelo feminino de pureza, amor e piedade. Ela é um brilhante exemplo de dedicação materna, humildade e pureza.Verdadeiramente ela foi “bendita entre as mulheres” (Lucas 1:42).
A Exaltação não-bíblica de Maria.
O problema é que ambas as igrejas tanta a Católica como a Ortodoxa Grega não param por aí. A partir de meados do século V (o Concílio de Éfeso, em 431, quando Maria foi proclamada Theotokos – Mãe de Deus), elas ultrapassaram os limites bíblicos. Elas transformaram a “mãe do Senhor” (Lucas 01:43) na Mãe de Deus, a humilde “serva do Senhor” (Lucas 1:38) na Rainha do Céu, a “agraciada” (Lc 1 : 28) na Distribuidora das Graças, a “bendita entre as mulheres” (Lucas 1:42) na celeste Co-redentora, Mediadora e Advogada. Poderíamos dizer que ela foi transformada de filha remida da queda de Adão no pecado à Co-redentora da humanidade.
No início, Maria foi isenta das tendências pecaminosas herdadas, mesmo depois do pecado original. Depois de séculos de debates, ela foi proclamada em 1854 tendo sido concebida imaculadamente, ou seja, sem qualquer mancha de pecado. Ao longo dos séculos, a veneração de Maria gradualmente se tornou o culto popular de Maria. O resultado é que os católicos devotos de hoje dificilmente deixam escapar um Pater Noster, sem uma Ave Maria. Eles se voltam com mais freqüência para a mãe, compassiva para intercessões, do que ao divino Filho de Deus, porque pensam que através de Maria qualquer petição será mais seguramente respondida.
A distinção entre a adoração e veneração.
A Igreja Católica ensina que há uma distinção básica entre a adoração a Deus, conhecida como latria, a veneração geral dos santos, chamada dulia, e a especial veneração de Maria, chamada hiperdulia. No  livro “Introdução à Maria: O Coração da Doutrina e da devoção mariana”, o professor Mark Miravalle explica

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A ESTATUÁRIA E AS IMAGENS À LUZ DA PALAVRA DE DEUS

Mais adiante voltaremos a este assunto, mas, para já, limitemo-nos a tecer umas breves considerações à forma, bastante sui generis, de abordar esta temática pelo autor (Dr. Carreira das Neves, padre e professor católico), como resposta ao seu interlocutor, o tal biblista (Pr. Ernesto Ferreira, ex-padre e Pastor Adventista de grande produção literária no âmbito da Teologia Bíblica) de outra confissão religiosa!
A certa altura da sua exposição diz “a liturgia politeísta estava cheia de estátuas de deuses e deusas; por isso não admira o alerta constante da Bíblia para tal perigo. Mas é esta a doutrina da Igreja Católica em relação às imagens do culto católico? De modo algum: tanto católicos como Adventistas só adoramos a Deus e mais ninguém.” Que afirmação mais espantosa, vinda de quem vem!
Mal seria se uma confissão religiosa, dita cristã, siga ela o credo que seguir, se não adorar a Deus! Cremos que o problema ou quaisquer divergências, deverão residir na forma desta mesma adoração! O autor ao continuar a sua exposição acrescenta: “As imagens, sejam elas da Virgem Maria ou dos Santos, têm tão-somente um valor de mediação ou de exemplaridade. Como humanos e históricos precisamos de sinais, de significantes e significados”.
Estas palavras não são inovadoras. Esta explicação faz-nos recordar as célebres palavras de Madame Sevigné quando exclamou: “Adensai-me a religião senão evapora-se toda”. Estas palavras não são mais do que o reflexo da pouca fé existente no pobre ser humano! Este, para a consolidar precisa de “sinais e de significantes”! Será que Deus não pode e deve ser adorado em toda a simplicidade, tal como as Escrituras o revelam “Deus é espírito, e os Seus adoradores em espírito e verdade é que O devem adorar” – S. João 4:24? De que tipo é a nossa fé para que só O possamos adorar através de um objecto de mediação?
Em continuação do seu raciocínio acrescenta: “Se eu olho para uma imagem ou pintura da Mãe do Senhor Jesus Cristo, lhe ofereço flores, incenso, cânticos, procissões, etc., não estou contra a Bíblia que proíbe apenas as imagens dos deuses ou de seres terrenos (animais, aves) humanos e celestiais (sol, lua, estrelas) que eram adorados, pois continuo a ser monoteísta, a adorar apenas a Deus, embora venere a Mãe do Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador” . Que forma tão estranha de se expressar e desprovida de qualquer nexo! Esta é mais uma das expressões que, se não a lêssemos e vinda de quem vem, não acreditaríamos! Como é possível misturar tanta coisa numas simples frases? Que o ser humano adore ou venere… e aqui não diferenciaremos os termos, pouco importaria se não existisse a – Norma! Esta, não só nos dá a conhecer Deus, como de igual modo, a forma mais correcta para Lhe prestarmos culto! Passaremos a explicar-nos:
Como é possível um teólogo da craveira do autor dizer que “se à imagem da Mãe do Senhor Jesus Cristo, lhe ofereço flores, incenso, cânticos, procissões, não estou contra a Bíblia (…)”! Não percebemos, francamente, a que Bíblia é que, o prelado em causa, se refere?! Se é a mesma que estamos a pensar e a usar como base para as nossas citações e reflexões, então, algo está mal, muito mal! Vejamos, brevemente o que esta diz a este respeito:

a) “(…) Apenas madeira cortada na floresta, obra trabalhada pelo cinzel do artista. Adornada com prata e com ouro. A golpes de martelo e com pregos o fixam, para que se não mova. Estes deuses assemelham-se a espantalhos num campo de pepinos. Devem ser conduzidos, pois não caminham. Não os temais, porque não podem fazer mal, nem bem.” – Jeremias 10:3-5. (sublinhado nosso). Perguntamos: Haverá assim tanta diferença, com as imagens dos ditos “santos” que são colocados, ainda nos nossos dias, nos andores para serem transportados em procissão? Pensamos que não!

b) Este texto é extenso mas, pela sua beleza e clareza, transcrevêmo-lo tal qual: “Quem forma um deus, quem funde um ídolo, se não serve para nada? Olhai: os seus devotos serão confundidos, e os seus artistas são apenas homens. (…) O que trabalha em madeira, aplica a regra, faz o esboço a lápis, desbasta a imagem com o cinzel, mede-a com o compasso; dá-lhe figura de homem e beleza humana, para o pôr a habitar numa casa.
Cortam-se cedros, escolhe-se uma azinheira ou um carvalho (…).Para gente do povo serve-lhe de lenha, recolhem-na para se aquecerem ou também para cozer o pão; porém ele faz um deus para ser adorado, fabrica uma imagem para se prostrarem diante dela. Queima no fogo metade desta madeira, assa a carne sobre as brasas e come-as até se saciar. Depois aquece-se e diz:«Bom! Estou quente, sinto a chama!». Do resto faz um deus, um ídolo diante do qual se prostra adorando, e lhe roga: «Salva-me, porque tu és o meu deus»!
Eles não sabem nem compreendem; têm os olhos fechados e não vêem; Os seus corações não compreendem. Não reflectem, não têm bom senso nem inteligência para dizer: «Queimei metade da madeira, cozi pão sobre as brasas, assei carnes e comi-as. Vou agora fazer do resto um ídolo miserável? E prostrar-me diante de um pedaço de madeira»?” – Isaías 44:10-19.
Não será isto que, infelizmente, ainda se continua a fazer, apesar da advertência da Palavra de Deus?

c) “Congregai-vos e vinde, aproximai-vos todos juntos, sobreviventes dentre as nações! Nada disto compreendem os que trazem o seu ídolo de madeira e dirigem as suas súplicas a um deus incapaz de os salvar” - Isaías 45:20 Não continua a ser esta prática uma realidade? Por exemplo, nas festividades do 13 de Maio em Fátima e não só?

Antes de continuarmos, perguntamos: qual a diferença entre o relato bíblico e as imagens (ídolos) que o autor fala se, estas esculturas, na sua maioria, são feitas à imagem e semelhança do homem? Porque é que Deus as proibiu no passado e não proibiria as citadas pelo autor no presente? Cremos que estamos a lidar com um Deus justo e, acima de tudo, coerente! Aquele que é, tal como a Sua palavra o indica “(…) o Pai das Luzes, no Qual não há mudança nem sombra de variação.” – S. Tiago1:17
Dir-nos-á, prezado leitor: - afinal, sempre é a imagem da Mãe do Salvador, valha-nos Deus! Mas, com todo o respeito, perguntamos: - alguém foi testemunha ocular para que se tivesse feito essa tal imagem conforme o original, para que se adore ou venere? Respeitamos, pois, a boa vontade do autor, mas em nada está de acordo com as Escrituras e, por conseguinte, com a suprema vontade de Deus! Não se desloca esta imagem, que não corresponde a nada, sobre um andor, tal como o refere o texto do profeta Isaías acima exposto? Esta imagem, a exemplo da dos ídolos, feitos à imagem do homem ou do animal, quando se desloca em procissão, como no passado, para que não caia, precisa, de igual modo de “golpes de martelo e com pregos a fixem para que não se mova (ou caia), não é verdade?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

EM GLÓRIA JESUS VOLTARÁ

a) I Coríntios 15:20,51
A confissão religiosa representada pelo autor que continuamos a citar ensina, como é sabido, a intercessão dos Santos! Este critica a confissão religiosa - os Adventistas - na pessoa do seu biblista, quando diz: “segundo os adventistas, os chamados «santos», como afirma, Ernesto Ferreira, não nos podem ouvir porque ainda não ressuscitaram.”
Depois, transcreve os textos citados E. Ferreira nos quais este sustenta a sua tese, que são: 1- Para o Antigo Testamento: Salmo 6:5; 115:17; 146:4; Isaías 38:18,19; Eclesiastes 9:5,6,10; 2- Para o Novo Testamento: : I Coríntios 15:20,51 e I Tessalonicenses 4:14. O nosso autor ao comentar estes textos diz que: “E. Ferreira cita-os para defender a sua tese sobre o sono da morte, mas a verdade é que os textos afirmam o contrário”.
Lemos com muita atenção o raciocínio do referido autor, mas, desde já, confessamos que não compreendemos nada do que este, neste pequeno capítulo, escreveu para anular a tese do seu interlocutor!
Que diz o texto em causa, visto que, segundo o nosso autor, afirma o contrário do quanto o seu interlocutor afirmou! Ora vejamos o seu conteúdo: “Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram” - I Coríntios 15:20. Perante tal citação bíblica conclui que: “o texto não afirma que a ressurreição só acontecerá no fim dos tempos, e, que até lá, os mortos permanecem no tal «sono da morte». Perguntamos: se não afirma que a ressurreição acontecerá, um dia, então ensina o quê? Que esta é imediata, em espírito, após a morte, tal como o nosso autor pretende que seja? Pelo menos assim ensina a confissão religiosa que representa!
Onde está a prova bíblica para tal afirmação? Onde, no texto em lide, tal como pretende o nosso autor, está o menor indício que o permita concluir que “mas a verdade é que os textos afirmam o contrário”, isto é, afirma, segundo o nosso autor que a - ressurreição imediata, em espírito, após a morte – terá lugar!
Francamente, apesar de reconhecemos as nossas limitações no campo da teologia, não conseguimos perceber o que é que este eminente teólogo descobriu assim de tão transcendente e que lhe permita concluir tal postulado! O próprio texto afirma somente o que afirma, (perdoem-nos a redundância), isto é, que Cristo ressuscitou e que, por este facto, Ele tornou-se o garante da nossa ressurreição – nada mais do que esta solene e esperançosa verdade!
Logo a seguir, o autor cita o v. 51 que diz: “Vou revelar-vos um mistério: Nem todos morreremos, mas todos seremos transformados.” - v. 51. De novo, com palavras simples, ao alcance de qualquer mente, o texto refere que, a dada altura, – todos – seremos transformados! Até aqui tudo é simples! Até aqui, voltamos a repetir, não conseguimos ver em que é que o autor pode negar a afirmação feita pelo seu interlocutor, cujo teor é: “os chamados «santos», não nos podem ouvir porque ainda não ressuscitaram”.
Se a ressurreição não é imediata, espiritualmente falando, assim como a fisicamente falando, pois esta acontecerá mais tarde – “Os vossos mortos reviverão, os seus cadáveres ressuscitarão, despertarão jubilosos os que jazem no sepulcro! (…). – Isaías 26:19. – então, realmente estes “não poderão ouvir” visto estarem no pó da terra – no sepulcro!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A BÍBLIA E O SÁBADO

Cada confissão religiosa tem uma ou várias particularidades que a diferenciam das demais; a – Igreja Católica Apostólica Romana – não seria, de modo algum, excepção.
Mas, atenção! Uma coisa é inventar uma doutrina estranha e a ensinar ao mais comum dos mortais; outra é encontrar essa dita “doutrina” no Livro dos livros – as Escrituras!
Sob este título o autor, antes de refutar seu interlocutor, diz que: “os Adventistas do Sétimo Dia dão um valor especial ao Sábado (sétimo dia), uma vez que a Bíblia impõe o Sábado como dia sagrado instituído pelo próprio Deus. Para Ernesto Ferreira, seguindo sempre o seu historicismo fundamentalista (…)”. Por aqui se poderá adivinhar que qualquer diálogo de cariz ecuménico está, à partida, excluído!
O respeitoso prelado irá, de seguida, transcrever alguns textos apontados pelo interlocutor - Génesis 2:2,3 e outros – de onde este último conclui que:

1- “(…) O Sábado foi instituído cerca de dois mil anos antes de Abraão (…)”.

2- “Vemos, pois, que vinte séculos antes de haver Judeus já fora instituído o Sábado – para todos os homens”.

3- “E se o Sábado deve levar os pensamentos para o Criador, e se o Criador foi o próprio Cristo, concluímos que o Sábado é um dia eminentemente cristão”.

4- Portanto “a mudança do Sábado para o Domingo não foi operada por autoridade das Escrituras mas por iniciativa da Igreja de Roma”.

De seguida, para responder às conclusões do seu interlocutor, o nosso autor diz: “Interessa-nos fundamentar a mudança do Sábado para o Domingo à luz da Bíblia e também à luz da tradição mais primitiva, já expressa na própria Bíblia (…). E como Jesus Cristo não escreveu nada, não mandou escrever nada, mas apenas pregar, ensinar, baptizar, é a sua vida e o seu ensino que determina o futuro da Igreja e o seu processo histórico”. 
Vejamos os textos que o autor cita para, tal como o afirma, para “fundamentar a mudança do Sábado para o Domingo à luz da Bíblia e também à luz da tradição mais primitiva, já expressa na própria Bíblia” assim como quanto a Jesus: “a sua vida e o seu ensino que determina o futuro da Igreja e o seu processo histórico”. Sigamos, portanto, o seu esclarecido raciocínio nestas duas vertentes:

a) Isaías 1:13
No propósito de desacreditar a sacralidade do Sábado, o autor chega ao extremo de apontar este texto de Isaías, para dizer que “já Isaías dava mais valor ao homem do que ao Sábado e às festas litúrgicas do templo” . Vejamos, em mais profundidade, a referência bíblica proposta que diz: “Não me ofereçais mais sacrifícios sem valor; o incenso é-me abominável; os Sábados, as reuniões de culto, as festas e solenidades são-me insuportáveis (…) estou cansado deles.” - Isaías 1:13.
Quanto a nós, e sempre dentro do ponto de vista do autor, tomaremos a liberdade de lhe dar uma ajuda para que se torne ainda mais hostil o clima contra a (aparente) observância do “Sábado”! Assim, já que o autor, para defender o seu ponto de vista cita o texto do profeta Isaías, nós tomaremos a liberdade de citar, dentro deste preciso contexto ritual, outros autores bíblicos. Como iremos ver, o formalismo tinha adquirido tal proeminência, que nada mais restava, ao professo povo de Deus, a não ser um culto formal e ritual, sem qualquer vida e significado, que prestavam ao Senhor! Vejamos:


• “O Senhor aboliu em Sião, festas e Sábados (…). “ - Lamentações 2:6
• “Aos seus divertimentos porei fim; às suas festas, às suas luas novas, aos seus Sábados e a todas as suas solenidades.” - Oseias 2:11,13
Que extraordinário! Que a generalidade das confissões religiosas tente subverter os textos para dizer que o Sábado acabou, ainda o admitimos, pois não passam de pequenos desvios em defesa dos seus pontos de vista! Não num teólogo deste gabarito! Convenhamos que é muito forte! E porquê? Pela simples razão de que esperávamos, sinceramente, muito mais! Aguardávamos um raciocínio mais clarividente e totalmente incontestado, biblicamente falando…mas não, para desencanto nosso!
Repetimos: que por razões que nos ultrapassam se ponha em causa o Sábado no Novo Testamento, tal procedimento não nos parecerá lá muito estranho, visto que a maioria da cristandade diz que veio a este mundo, na pessoa de Jesus, um Deus diferente! Ou seja, veio proclamar um estilo de vida, ensinos e preceitos diferentes! Mas, para a ambiência do Antigo Testamento, convenhamos que é um bocado forte, a todos os níveis, até por que, mais que não fosse, o povo vivia sob uma teocracia, apesar dos seus constantes desvios, quer pela parte dos sucessivos monarcas, quer por algumas largas franjas do povo! Mas, mesmo assim, para lembrar estes constantes desvios, Deus irá falar através dos profetas para corrigir estes e outros devaneios religiosos.
Curiosamente, segundo o autor, ao citar o texto do profeta Isaías e outros, Deus coloca ponto final, não nos “desvios” à pureza religiosa, mas, na liturgia sabática! Será verdade? Será só aparência? O que é que, finalmente, se está a passar? Antes de avançarmos para a profundidade dos textos propostos, convinha não esquecer, desde já, que o profeta fala em - rituais e festividades judaicas! O culto prestado desta forma, não passava de uma mera formalidade exterior, em que o coração do devoto não estava lá! E este contexto era uma realidade, tal como o nosso autor o sabe! Por isso deveria tê-lo tido em conta, antes de avançar para conclusões precipitadas! Estamos a ser incorrectos e, até, exagerados? Pensamos que não!
Vejamos, pelo menos, um texto do mesmo profeta que reflecte este mesmo clima mental e perante o qual o profeta se insurge: “ O Senhor disse: Já que este povo se aproximou de mim só com palavras e me honra só com os lábios, enquanto o seu coração está longe de mim e o culto que me presta é apenas humano e rotineiro” – Isaías 29:13 (sublinhado nosso). Deus não quer uma adoração ”faz de conta”, como se costuma dizer! Mas esta era, infelizmente, a única que o povo estava continuamente a oferecer a Deus! Será que os textos por nós acrescentados, assim como os do autor, concorrem para a destituição da sacralidade do 7º dia da semana – o Sábado - como quer fazer crer? Cremos que não!
Estas palavras amargas do próprio Deus nada têm que ver com a dessacralização do Sábado – 7º dia da semana – mas, unicamente porque, tal como já o dissemos, em termos de adoração cultual, já nada tinha sentido - era uma religiosidade aparente, exterior - nada mais!
Saiba, prezado leitor, que não estamos sós neste raciocínio! Certos autores, ao comentarem esta vontade de Deus, através do profeta – expressa por palavras duras contra a forma cultual do povo – acrescentam o seguinte: “Estes textos não podem significar que os profetas tenham condenado os sacrifícios que se ofereciam (…). Os profetas se opõem ao formalismo dum culto exterior, ao qual não correspondem as disposições do coração.”
Assim sendo, de que tratam os textos acima referidos? De que Sábados? Do Sábado (7º dia da semana) ou de dias rituais de descanso (feriados), “que calhavam em qualquer dia de semana.”? Para já, não esqueçamos que a palavra – Sábado – tem, na língua hebraica, o sentido de “descanso, feriado”; repetimos, neste preciso contexto, nada tem que ver com o Sábado – 7º dia da semana – mas unicamente com os tais dias festivos que, eventualmente, poderiam calhar num 7º dia da semana – o Sábado! Esta pequena particularidade, se não for tida em conta, poderá levar a conclusões erradas acerca do quanto o profeta, emissário da vontade de Deus, quis transmitir! Neste caso presente, se insere a conclusão do autor em causa, quando cita o texto de Isaías para consolidar a sua crítica!
Se observarmos os textos até aqui analisados, de uma forma atenta, vemos que, quer no texto bíblico de Lamentações ou no de Oseias, “a palavra – mô’ed (festa) – encontra-se ao lado do Sábado ou da lua nova (Lamentações 2:6 e Oseias 2:11,13), como se, para distinguir, estivessem reservadas às festas anuais – cf. Levítico 23:37,38.” Assim, vejamos uma particularidade no livro do Levítico que, a nosso ver, confirma e reforça o que dissemos até aqui a este respeito, isto é, a diferenciação entre Sábados rituais e o Sábado – 7º dia da semana! Vejamos os textos:

1- “são estas as solenidades do Senhor que vós celebrareis como convocações santas, oferecendo sacrifícios ao Senhor, holocaustos e oblações, vítimas e libações, segundo o rito de cada dia.” – Levítico 23:37 (sublinhado nosso).

2- “Independentemente dos Sábados do Senhor, dos vossos dons e de todas as vossas ofertas votivas ou voluntárias com as quais prestareis homenagem ao Senhor.” – v. 38 (sublinhado nosso)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A VOZ DE ROMA: A RESSURREIÇÃO

a) I Coríntios 15:20,51
A confissão religiosa representada pelo autor que continuamos a citar ensina, como é sabido, a intercessão dos Santos! Este critica a confissão religiosa - os Adventistas - na pessoa do seu biblista, quando diz: “segundo os adventistas, os chamados «santos», como afirma, Ernesto Ferreira, não nos podem ouvir porque ainda não ressuscitaram.”
Depois, transcreve os textos citados E. Ferreira nos quais este sustenta a sua tese, que são: 1- Para o Antigo Testamento: Salmo 6:5; 115:17; 146:4; Isaías 38:18,19; Eclesiastes 9:5,6,10; 2- Para o Novo Testamento: I Coríntios 15:20,51 e I Tessalonicenses 4:14. O nosso autor ao comentar estes textos diz que: “E. Ferreira cita-os para defender a sua tese sobre o sono da morte, mas a verdade é que os textos afirmam o contrário”.
Lemos com muita atenção o raciocínio do referido autor, mas, desde já, confessamos que não compreendemos nada do que este, neste pequeno capítulo, escreveu para anular a tese do seu interlocutor!
Que diz o texto em causa, visto que, segundo o nosso autor, afirma o contrário do quanto o seu interlocutor afirmou! Ora vejamos o seu conteúdo: “Cristo ressuscitou dos mortos como primícias dos que morreram” - I Coríntios 15:20. Perante tal citação bíblica conclui que: “o texto não afirma que a ressurreição só acontecerá no fim dos tempos, e, que até lá, os mortos permanecem no tal «sono da morte». Perguntamos: se não afirma que a ressurreição acontecerá, um dia, então ensina o quê? Que esta é imediata, em espírito, após a morte, tal como o nosso autor pretende que seja? Pelo menos assim ensina a confissão religiosa que representa!
Onde está a prova bíblica para tal afirmação? Onde, no texto em lide, tal como pretende o nosso autor, está o menor indício que o permita concluir que “mas a verdade é que os textos afirmam o contrário”, isto é, afirma, segundo o nosso autor que a - ressurreição imediata, em espírito, após a morte – terá lugar!
Francamente, apesar de reconhecemos as nossas limitações no campo da teologia, não conseguimos perceber o que é que este eminente teólogo descobriu assim de tão transcendente e que lhe permita concluir tal postulado! O próprio texto afirma somente o que afirma, (perdoem-nos a redundância), isto é, que Cristo ressuscitou e que, por este facto, Ele tornou-se o garante da nossa ressurreição – nada mais do que esta solene e esperançosa verdade!
Logo a seguir, o autor cita o v. 51 que diz:: “Vou revelar-vos um mistério: Nem todos morreremos, mas todos seremos transformados.” - v. 51. De novo, com palavras simples, ao alcance de qualquer mente, o texto refere que, a dada altura, – todos – seremos transformados! Até aqui tudo é simples! Até aqui, voltamos a repetir, não conseguimos ver em que é que o autor pode negar a afirmação feita pelo seu interlocutor, cujo teor é: “os chamados «santos», não nos podem ouvir porque ainda não ressuscitaram”.
Se a ressurreição não é imediata, espiritualmente falando, assim como a fisicamente falando, pois esta acontecerá mais tarde – “Os vossos mortos reviverão, os seus cadáveres ressuscitarão, despertarão jubilosos os que jazem no sepulcro! (…). – Isaías 26:19. – então, realmente estes “não poderão ouvir” visto estarem no pó da terra – no sepulcro!

b) I Tessalonicenses 4:14
Em continuação da sua exposição para rebater e, de certa maneira, anular a afirmação supra citada do seu interlocutor, o autor transcreve este texto bíblico, cujo teor é: “Se cremos que morreu e ressuscitou, assim também devemos crer que Deus, levará, por Jesus, e com Jesus os que morrem n’Ele” - I Tessalonicenses 4:14
De novo perguntamos: o que é que o texto em causa diz? Reitera, uma vez mais que Jesus morreu e ressuscitou e que - um dia – Deus levará os que morreram em Cristo Jesus.
Os verbos do texto bíblico estão no futuro, não no presente! Portanto, passar-se-á algo – um dia – não agora! Será que é preciso ser teólogo para chegar a esta simples conclusão em função das claríssimas palavras do apóstolo S. Paulo? Continuamos a pensar que não!
Quanto a nós, e até ao presente momento, ficamos na expectativa da sapiente demonstração em contrário, visto que o propósito do autor é combater, eis o termo apropriado, a afirmação feita pelo seu interlocutor.
De seguida, faz esta afirmação espantosa: “S. Paulo é totalmente claro a este respeito na I Coríntios 15:12-14”. Ficámos contentes em ler isto! Sabe porquê? Porque pensámos que ficaríamos totalmente esclarecidos, visto que o autor dizia que o apóstolo abordava o assunto com toda a - clareza! Vejamos o texto citado pelo autor para nos apercebermos da dita clareza: “Ora, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como dizem alguns de vós que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou é vã a nossa pregação e vã a nossa fé” - I Coríntios 15:12-14
O que é que S. Paulo diz, afinal, com toda a clareza no texto acima? Exactamente o que o seu interlocutor disse, isto é, que Cristo ressuscitou e que este grandioso acontecimento, será o garante da nossa ressurreição física, um dia! Segundo o texto, este acontecimento deverá acalentar a esperança dos cristãos, em particular. Então o que é que este eminente teólogo provou em contrário? Repetimos: rigorosamente nada! Muito antes pelo contrário, reiterou esta mesma esperança na futura ressurreição física.
O autor, afinal, nada disse em contrário e ainda aguardamos ser esclarecidos sobre o porquê do autor ter dito: “a verdade é que os textos afirmam o contrário”! Onde está o contrário? O autor nada disse a este respeito! Quem terá razão? Quanto a nós, leigos na matéria, em nada fomos esclarecidos pelos ditos textos que, segundo o nosso autor “afirmavam o contrário”! Quanto a nós, basta-nos a clareza da Palavra de Deus e não as palavras confusas e detractoras deste ou daquele arauto desta ou daquela confissão religiosa!
Os textos apresentados até aqui, todos, sem excepção, apontam para o futuro e não para um presente realizado, aqui e agora. Por outras palavras, mais no âmbito teológico, o que se passa é a tensão entre - o “déjà” (já), e o “pas encore” (ainda não), - isto é, no momento da morte de qualquer pessoa, esta já tem a esperança da ressurreição mas, na realidade, ainda não aconteceu tal facto.
Como vimos acima, foi-nos apresentado um texto bíblico que se encontra na primeira carta aos Tessalonicenses e no v. 14. Agora, convidamo-lo a ler connosco o versículo a seguir, que diz: “Eis que vos declaramos, conforme a palavra do Senhor: Por ocasião da vinda do Senhor, nós, os que estivermos vivos, não precederemos os mortos. Quando for dado o sinal, à voz do Arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do Céu e os que morreram em Cristo ressurgirão primeiro. Depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles sobre nuvens; iremos ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, portanto, uns aos outros com estas palavras.” - v. 15-18.
Uma vez mais, o apóstolo S. Paulo reitera que este acontecimento glorioso terá lugar num futuro, no momento da gloriosa segunda vinda de Jesus. Na Sua vinda à terra, levará, finalmente, consigo todos aqueles que morreram, crendo no Seu nome e fazendo a Sua vontade.
Perguntamos: qual é a confusão que o texto tem? Como se poderá falar diferentemente do quanto acontecerá no preciso momento da ressurreição? Se dissermos o contrário, isto é, que existe uma ressurreição espiritual imediatamente após a morte, estamos a mentir! E porquê? Pela simples razão que as nossas palavras ou explicação, por muito piedosas que possam ser, se não estiverem de harmonia com a Palavra de Deus, são, por conseguinte, palavras, visto que não passam de palavras meramente humanas!
Por outro lado, é a Palavra de Deus que nos admoesta a não misturarmos a palavra do homem com a de Deus! Leiamos o conselho do apóstolo S. Paulo a todo aquele que pensa ser o intérprete das Escrituras: “(…) para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito. (…)” – I Coríntios 4:6.  O prezado leitor ficou confuso com a clareza dos textos bíblicos acerca da ressurreição? Continuamos a crer que não! Porque estas são palavras verdadeiras e que nos dão conforto e esperança nos momentos de maior dor ao perdermos um ente querido; transmitem-nos confiança no Deus que não mente, tal como as Escrituras abertamente o afirmam. “Na esperança da vida eterna prometida desde os mais antigos tempos pelo Deus que não mente” – Tito 1:2. Por esta grandiosa esperança, que o Seu excelso nome seja louvado.
Convidamos o prezado leitor a pensar um pouquinho naquilo que, apesar de tudo, esta confissão religiosa, graças a Deus, ainda mantém e ensina – o Credo. Só que, infelizmente, não medita nas palavras que constantemente repete! Recordemos algumas passagens deste - símbolo de Niceia-Constantinopla - composto no concílio de Constantinopla em 318 d. C., a saber:
“Cremos em um só Deus, Pai todo-poderoso, criador
do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.
Cremos num só Senhor, Jesus Cristo, o Filho único de Deus (…)
Foi crucificado sob Pôncio Pilatos, sofreu e foi sepultado;
ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, segundo as Escrituras;
subiu aos céus; está sentado à direita do Pai. De lá voltará
na glória para julgar os vivos e os mortos e o seu reino
não terá fim (…). Nós aguardamos a ressurreição dos mortos
e a vida futura. Amén”.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A BÍBLIA E O SÁBADO

Cada confissão religiosa tem uma ou várias particularidades que a diferenciam das demais; a – Igreja Católica Apostólica Romana – não seria, de modo algum, excepção.
Mas, atenção! Uma coisa é inventar uma doutrina estranha e a ensinar ao mais comum dos mortais; outra é encontrar essa dita “doutrina” no Livro dos livros – as Escrituras!
Sob este título o autor, antes de refutar seu interlocutor, diz que: “os Adventistas do Sétimo Dia dão um valor especial ao Sábado (sétimo dia), uma vez que a Bíblia impõe o Sábado como dia sagrado instituído pelo próprio Deus. Para Ernesto Ferreira, seguindo sempre o seu historicismo fundamentalista (…)”. Por aqui se poderá adivinhar que qualquer diálogo de cariz ecuménico está, à partida, excluído!
O respeitoso prelado irá, de seguida, transcrever alguns textos apontados pelo interlocutor - Génesis 2:2,3 e outros – de onde este último conclui que:

1- “(…) O Sábado foi instituído cerca de dois mil anos antes de Abraão (…)”.

2- “Vemos, pois, que vinte séculos antes de haver Judeus já fora instituído o Sábado – para todos os homens”.

3- “E se o Sábado deve levar os pensamentos para o Criador, e se o Criador foi o próprio Cristo, concluímos que o Sábado é um dia eminentemente cristão”.

4- Portanto “a mudança do Sábado para o Domingo não foi operada por autoridade das Escrituras mas por iniciativa da Igreja de Roma”.

De seguida, para responder às conclusões do seu interlocutor, o nosso autor diz: “Interessa-nos fundamentar a mudança do Sábado para o Domingo à luz da Bíblia e também à luz da tradição mais primitiva, já expressa na própria Bíblia (…). E como Jesus Cristo não escreveu nada, não mandou escrever nada, mas apenas pregar, ensinar, baptizar, é a sua vida e o seu ensino que determina o futuro da Igreja e o seu processo histórico”.
Vejamos os textos que o autor cita para, tal como o afirma, para “fundamentar a mudança do Sábado para o Domingo à luz da Bíblia e também à luz da tradição mais primitiva, já expressa na própria Bíblia” assim como quanto a Jesus: “a sua vida e o seu ensino que determina o futuro da Igreja e o seu processo histórico”. Sigamos, portanto, o seu esclarecido raciocínio nestas duas vertentes:
a) Isaías 1:13
No propósito de desacreditar a sacralidade do Sábado, o autor chega ao extremo de apontar este texto de Isaías, para dizer que “já Isaías dava mais valor ao homem do que ao Sábado e às festas litúrgicas do templo” . Vejamos, em mais profundidade, a referência bíblica proposta que diz: “Não me ofereçais mais sacrifícios sem valor; o incenso é-me abominável; os Sábados, as reuniões de culto, as festas e solenidades são-me insuportáveis (…) estou cansado deles.” - Isaías 1:13 (sublinhado nosso).
Quanto a nós, e sempre dentro do ponto de vista do autor, tomaremos a liberdade de lhe dar uma ajuda para que se torne ainda mais hostil o clima contra a (aparente) observância do “Sábado”! Assim, já que o autor, para defender o seu ponto de vista cita o texto do profeta Isaías, nós tomaremos a liberdade de citar, dentro deste preciso contexto ritual, outros autores bíblicos. Como iremos ver, o formalismo tinha adquirido tal proeminência, que nada mais restava, ao professo povo de Deus, a não ser um culto formal e ritual, sem qualquer vida e significado, que prestavam ao Senhor! Vejamos:


• “O Senhor aboliu em Sião, festas e Sábados (…). “ - Lamentações 2:6
• “Aos seus divertimentos porei fim; às suas festas, às suas luas novas, aos seus Sábados e a todas as suas solenidades.” - Oseias 2:11,13 (sublinhado nosso)

Que extraordinário! Que a generalidade das confissões religiosas tente subverter os textos para dizer que o Sábado acabou, ainda o admitimos, pois não passam de pequenos desvios em defesa dos seus pontos de vista! Não num teólogo deste gabarito! Convenhamos que é muito forte! E porquê? Pela simples razão de que esperávamos, sinceramente, muito mais! Aguardávamos um raciocínio mais clarividente e totalmente incontestado, biblicamente falando…mas não, para desencanto nosso!
Repetimos: que por razões que nos ultrapassam se ponha em causa o Sábado no Novo Testamento, tal procedimento não nos parecerá lá muito estranho, visto que a maioria da cristandade diz que veio a este mundo, na pessoa de Jesus, um Deus diferente! Ou seja, veio proclamar um estilo de vida, ensinos e preceitos diferentes! Mas, para a ambiência do Antigo Testamento, convenhamos que é um bocado forte, a todos os níveis, até por que, mais que não fosse, o povo vivia sob uma teocracia, apesar dos seus constantes desvios, quer pela parte dos sucessivos monarcas, quer por algumas largas franjas do povo! Mas, mesmo assim, para lembrar estes constantes desvios, Deus irá falar através dos profetas para corrigir estes e outros devaneios religiosos.
Curiosamente, segundo o autor, ao citar o texto do profeta Isaías e outros, Deus coloca ponto final, não nos “desvios” à pureza religiosa, mas, na liturgia sabática! Será verdade? Será só aparência? O que é que, finalmente, se está a passar? Antes de avançarmos para a profundidade dos textos propostos, convinha não esquecer, desde já, que o profeta fala em - rituais e festividades judaicas! O culto prestado desta forma, não passava de uma mera formalidade exterior, em que o coração do devoto não estava lá! E este contexto era uma realidade, tal como o nosso autor o sabe! Por isso deveria tê-lo tido em conta, antes de avançar para conclusões precipitadas! Estamos a ser incorrectos e, até, exagerados? Pensamos que não!
Vejamos, pelo menos, um texto do mesmo profeta que reflecte este mesmo clima mental e perante o qual o profeta se insurge: “ O Senhor disse: Já que este povo se aproximou de mim só com palavras e me honra só com os lábios, enquanto o seu coração está longe de mim e o culto que me presta é apenas humano e rotineiro” – Isaías 29:13 (sublinhado nosso). Deus não quer uma adoração ”faz de conta”, como se costuma dizer! Mas esta era, infelizmente, a única que o povo estava continuamente a oferecer a Deus! Será que os textos por nós acrescentados, assim como os do autor, concorrem para a destituição da sacralidade do 7º dia da semana – o Sábado - como quer fazer crer? Cremos que não!
Estas palavras amargas do próprio Deus nada têm que ver com a dessacralização do Sábado – 7º dia da semana – mas, unicamente porque, tal como já o dissemos, em termos de adoração cultual, já nada tinha sentido - era uma religiosidade aparente, exterior - nada mais!
Saiba, prezado leitor, que não estamos sós neste raciocínio! Certos autores, ao comentarem esta vontade de Deus, através do profeta – expressa por palavras duras contra a forma cultual do povo – acrescentam o seguinte: “Estes textos não podem significar que os profetas tenham condenado os sacrifícios que se ofereciam (…). Os profetas se opõem ao formalismo dum culto exterior, ao qual não correspondem as disposições do coração.”
Assim sendo, de que tratam os textos acima referidos? De que Sábados? Do Sábado (7º dia da semana) ou de dias rituais de descanso (feriados), “que calhavam em qualquer dia de semana.”? Para já, não esqueçamos que a palavra – Sábado – tem, na língua hebraica, o sentido de “descanso, feriado”; repetimos, neste preciso contexto, nada tem que ver com o Sábado – 7º dia da semana – mas unicamente com os tais dias festivos que, eventualmente, poderiam calhar num 7º dia da semana – o Sábado! Esta pequena particularidade, se não for tida em conta, poderá levar a conclusões erradas acerca do quanto o profeta, emissário da vontade de Deus, quis transmitir! Neste caso presente, se insere a conclusão do autor em causa, quando cita o texto de Isaías para consolidar a sua crítica!
Se observarmos os textos até aqui analisados, de uma forma atenta, vemos que, quer no texto bíblico de Lamentações ou no de Oseias, “a palavra – mô’ed (festa) – encontra-se ao lado do Sábado ou da lua nova (Lamentações 2:6 e Oseias 2:11,13), como se, para distinguir, estivessem reservadas às festas anuais – cf. Levítico 23:37,38.” Assim, vejamos uma particularidade no livro do Levítico que, a nosso ver, confirma e reforça o que dissemos até aqui a este respeito, isto é, a diferenciação entre Sábados rituais e o Sábado – 7º dia da semana! Vejamos os textos:
1- “são estas as solenidades do Senhor que vós celebrareis como convocações santas, oferecendo sacrifícios ao Senhor, holocaustos e oblações, vítimas e libações, segundo o rito de cada dia.” – Levítico 23:37.
2- “Independentemente dos Sábados do Senhor, dos vossos dons e de todas as vossas ofertas votivas ou voluntárias com as quais prestareis homenagem ao Senhor.” – v. 38.
Se repararmos bem, as festividades são assinaladas independentemente do dia em que tenham lugar. Mas recordemos o interessante pormenor do v. 38. “Independentemente dos Sábados do Senhor (…)”. Porquê esta referência e precisão? Não será para que não haja qualquer confusão entre uma festa ritual e a sacralidade inerente ao Sábado – 7º dia da semana? Pensamos que sim.
Deus assim o definiu para marcar a diferença existente entre estas duas formas de cultuar a Deus, porque “(…) sublinham o carácter religioso do Sábado que é «para Jeová» - Levítico 23:3; o «Sábado de Jeová» - Levítico 23:38; o dia «consagrado a Jeová» - Êxodo 31:15; que Jeová, ele mesmo «consagrou» - Êxodo 20:11. Porque o Sábado é sagrado e que ele é um sinal da Aliança, a sua observância é um compromisso de salvação – Isaías 58:13,14”
Perguntamos: qual o fundamento da crítica avançada pelo autor, ao dizer, à luz do texto de Isaías, anteriormente citado, que “o profeta já dava mais valor ao homem do que ao Sábado”? Só temos uma resposta: Nenhum! Tal como pudemos ver, o texto apresentado unicamente está relacionado com a mentalidade e formas de actuar descritas, tal como o revela o seu contexto! Não tem, de modo algum, o sentido que, o autor em causa, quer que tenha! O que o autor pretendeu fazer, tirando o texto do seu contexto, não foi interpretar, mas sim mutilar o texto!
Sempre dentro deste mesmo clima mental, lutando contra a banalização da forma de adorar o Senhor, o profeta Joel faz coro com o quanto vimos do profeta Isaías, vejamos: - “Mas agora ainda, - diz o Senhor, convertei-vos a Mim de todo o vosso coração, com jejuns, com lágrimas e com gemidos. Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes. Convertei-vos ao Senhor, vosso Deus, porque Ele é bom e compassivo, clemente e misericordioso, Inclinado a arrepender-Se do castigo que inflige.” Joel 2:12,13
De tal maneira retratava o Seu povo que, mais tarde, o próprio Jesus irá citar o texto do profeta Isaías, para condenar a hipocrisia dos fariseus, aplicando-o ao Israel do Seu tempo, ao dizer: “Hipócritas! Muito bem profetizou Isaías a vosso respeito, ao dizer: (…)” – S. Mateus 15:7. Assim como no passado, Jesus denunciava a presente forma de cultuar a Deus, classificando-a de “culto farisaico, de lábios e teatral, mas não de coração”.
E nos nossos dias? Será que as coisas mudaram substancialmente? Ou será que se passará a mesma coisa? Seremos cristãos só por que os nossos antepassados abraçaram, aderiram esta ou aquela confissão religiosa cristã? E, já que deveremos aderir a uma, então, de preferência, que esta seja maioritária, para não parecer mal, nem termos problemas, a diversos níveis, por exemplo, socialmente falando! Por que não? Não é, ainda nos nossos dias, bastante cómodo, a todos os níveis, que declaremos pertencer à confissão religiosa da maioria?
Para não adorarmos somente de uma forma exterior, tal como o profeta o denuncia, então deveremos examinar a Palavra de Deus e não somente ouvir os homens, por muito doutos que sejam e por muito respeito que nos mereçam!
Seguir Jesus, prezado leitor… é isto mesmo! É colocar a Sua vontade em primeiro lugar na nossa vida. É “correr o risco de uma vida que é tão dolorosa como o caminho de um condenado à morte (…); seguir Jesus, é, para todos, estar pronto a seguir o caminho solitário e a sofrer o ódio da comunidade”. É Isto, prezado leitor, o que significa ser verdadeiramente cristão e não seguir esta ou aquela confissão religiosa sem qualquer sentido!
b) S. Mateus 12:1-3
O autor transcreve na totalidade este trecho bíblico para nos dar a conhecer, na qualidade de leitores, a forma como Jesus irá responder aos fariseus que acusavam os Seus discípulos de colherem e comerem algumas espigas, em dia de Sábado, por terem fome!
O autor cita, para reforçar a sua conclusão - S. João 5:1-18 e 9:14 - dizendo: “Assim sendo, Jesus destrói por completo a sacralidade do Templo e a do Sábado. E por que é que Jesus usava o Sábado para fazer os seus milagres, de tal modo que recebia as críticas mais acervas dos Judeus? Precisamente pelo mesmo motivo. (…) É por tudo isto e não por iniciativa da Igreja de Roma, que se passa do Sábado para o Domingo.”
Eis mais uma brilhante conclusão, entre as muitas do nosso autor! Se esta fosse feita por um qualquer colega nosso, historiador de mentalidades, ainda seria possível admiti-la, partindo do princípio de que esta não é a sua área específica do saber! Mas sendo a de um teólogo desta envergadura, um profissional de religião, confessamos que temos muita dificuldade em a aceitar! Por várias razões: em primeiro lugar, porque é muito ligeira e superficial; em segundo lugar, porque em nada corresponde à realidade dos factos!
Passaremos a explicar-nos. Eis o teor dos textos acima citados:

1- “Em certa ocasião, Jesus passava, num dia de Sábado,
através das searas. Os seus discípulos, que tinham
fome, começaram a arrancar as espigas e a comê-las.
Ao verem isto, os fariseus disseram-Lhe: Aí estão os teus
Discípulos a fazer o que não é permitido aos Sábados.
(…) E, se compreendêsseis o que significa: Prefiro
misericórdia ao sacrifício, não teríeis condenado os
que não têm culpa. O Filho do Homem até do Sábado
é Senhor.” – S. Mateus 12:1-8 (sublinhado nosso)

2- “Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma o teu catre e anda.
No mesmo instante, o homem ficou são, tomou o
seu catre e começou a andar. Ora aquele dia era Sábado.
Por isso, os Judeus disseram ao que tinha sido curado:
Hoje é Sábado, não te é permitido levar o catre. (…)
Por isso, os Judeus perseguiram Jesus por Ele ter
feito tais coisas ao Sábado” – S. João 5:8-16 (sublinhado nosso)

3- “E era Sábado, quando Jesus fez o lodo e lhe abriu
os olhos. (…) Então, alguns dos fariseus diziam:
Este homem não é de Deus, pois não guarda o Sábado.” – S. João 9:14-16
Ora, o que é que estes textos revelam, prezado leitor? Pelo menos duas realidades, a saber: 1- Execução de várias tarefas; 2- Sempre no mesmo dia - no Sábado. E, curiosamente, em todas as tarefas e respectivos dias de ocorrência, Jesus é severamente criticado! É assim que os textos falam e nesta qualidade os aceitamos - nada mais!
Iremos ver, mais abaixo, o porquê das referidas acusações, para que compreendamos se está em causa o Sábado – 7º dia da semana – ou se tudo não passa, uma vez mais, de uma maneira de fazer jus a um puro formalismo ritual – tão somente isto!

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

OS VISIONÁRIOS A LONGA DISTÂNCIA

O livro do profeta Daniel não é, tal como acima vimos, contrariamente ao que quer fazer crer o autor, um livro escrito no século II a.C.! Abordámos também algumas afirmações e conclusões deste acerca de certos detalhes do referido livro e, tal como vimos, estes não correspondem às diferentes conclusões avançadas! Vejamos ainda outras conclusões:

• Daniel / Moisés
Voltando ainda ao comentário que faz acerca do livro do profeta Daniel e das diferentes conclusões ali tiradas e, como não há duas sem três, o autor tira um par de conclusões e, convenhamos, de peso, aliás, como já vem sendo seu hábito! Vejamos:
a) “Mas penso que ficou claro que as profecias de Daniel nada têm “a ver com a verdadeira figura de Jesus Cristo (Messias)”;
b) “Aliás, os profetas, a começar por Moisés, quando pregavam faziam-no de modo que o seu auditório entendesse. Não pregavam profeticamente e apocalipticamente para séculos posteriores.”
• Quanto à primeira conclusão, pensamos ter demonstrado, acima, exactamente o contrário, quando abordámos a problemática de Daniel!
• Quanto à última conclusão, esta é uma daquelas que, tal como já o dissemos, se não a lêssemos e vinda de quem vem, não acreditaríamos! Mas já que foi expressa, por escrito, rendemo-nos a tal evidência!
A afirmação do autor, segundo a qual “Moisés nada escreveu nem deixou escrito”. Caso esta fosse verdadeira, não compreenderíamos lá muito bem o 5º livro das Escrituras – o Deuteronómio!
Se, realmente - como pensamos ter demonstrado - Moisés é o autor do Pentateuco (os 5 primeiros livros da Bíblia), ou, pelo menos, lhe é atribuída a paternidade - a conclusão do autor não tem qualquer fundamento: nem bíblico nem histórico. Se este nada escreveu, de novo, o escriba anónimo excedeu-se e escreveu o que não devia! Pois se assim é, este escritor é, no mínimo, mentiroso!
Vejamos, a título de curiosidade, um excerto do livro do Deuteronómio que diz: “O Senhor teu Deus, suscitará em teu favor um profeta saído das tuas fileiras, um dos teus irmãos, como eu: é a ele que escutarás” – Deuteronómio 18:15. A ser verdade este texto, perguntamos:
1- Quem é este “eu” que fala na 1ª pessoa? Era, sim ou não, profeta? Se sim, era ou não Moisés?
2- No discurso de Estevão, o qual se encontra relatado no livro dos Actos dos Apóstolos, acerca deste Moisés, refere: “Foi ele, Moisés, quem disse aos filhos de Israel: «Deus fará surgir um profeta como eu entre os vossos irmãos” – Actos 7:37; 3:22. Portanto, para já, quem é que está a mentir? O escriba anónimo (dizem), na qualidade de autor do Deuteronómio? Estevão? Ou, por extensão, o próprio Deus que os inspirou? Ou o eminente teólogo que nos ocupa?
Já ficámos a saber, pelo menos, que foi Moisés quem as disse. E agora, como saber quem é este “profeta” que surgiria mais tarde? Foram tantos os que lhe sucederam! Mas, entre tantos, qual? Para quê, prezado leitor, colocarmo-nos a adivinhar? Estaremos a queimar os nossos neurónios e ainda com o risco acrescido de não acertarmos naquele a quem a profecia diz respeito! Se o autor tem razão na afirmação que fez, isto é, “Moisés não pregava profeticamente (…) para séculos posteriores”, convenhamos que nada ficaremos a saber, claro está!
Graças a Deus que, para nós, o que conta é o que está escrito na Palavra de Deus e, por isso, ao contrário do autor, não temos qualquer dúvida acerca deste “profeta” que viria séculos depois! Vejamos o que nos revelam as Escrituras a este propósito: “Vendo aqueles homens o milagre que Ele fizera, disseram: «Este é, na verdade o Profeta que está para vir ao mundo».” – S. João 6:14. Não é uma inequívoca referência à profecia de Moisés? Claro que sim!
O contexto fala da multiplicação dos pães e dos peixes operada por Jesus! Ninguém tem qualquer dúvida a este respeito, pois não somos só nós que concordamos com as Escrituras; outros também dizem que “a esperança judaica espera a volta escatológica de um profeta preciso. (…) Não se trata de uma volta de Moisés, mas da aparição, no final dos tempos de um profeta que lhe seja parecido. O texto dos Actos dos Apóstolos aplica-se a Jesus.” Portanto que mais acrescentar?
Mas, tal como o autor afirma, a Bíblia tem “contradições” , ou ainda “erros históricos”! A ser verdade, então, talvez o nosso interlocutor tenha razão, pois nada tem valor e nada condiz com coisa alguma! Não queremos nem devemos usar o argumento-força da “maioria”, como o autor o faz em diversas das suas conclusões, mas unicamente pela coerência e força dos textos, nada mais! Uma vez mais, as Escrituras referem o grande perigo que é a – MAIORIA – pois nem sempre esta tem razão! Eis como a Bíblia nos aconselha: “Não sigas a opinião da maioria para praticar o mal. Não deponhas num julgamento, colocando-te ao lado da maioria, de modo a desviar a justiça da sua rectidão” – Êxodo 23:2. Em que é que as Escrituras estão desajustadas? Só na fértil imaginação de alguns, nada mais!

Se realmente “os profetas não pregavam profeticamente (…) para séculos futuros”, podemos ainda perguntar: para que servirá, a profecia? Nada se cumprirá no futuro, mas no presente! O profeta, aquele que fala por uma terceira entidade, limita-se unicamente a falar, segundo dizem, para o presente. A ser este postulado verdadeiro, que diremos? Que pensar das profecias Messiânicas, por exemplo?
Dentro desta problemática, recordaremos dois textos, entre outros, que apontavam para o futuro, para um tempo posterior ao profeta – o cerco e destruição de Jerusalém no ano 70 da nossa era. Vejamos: