quarta-feira, 22 de setembro de 2010

A ACTUALIDADE: FÁTIMA

A lei ritual mosaica preconizava vários tipos de oferta, após a maternidade, segundo a bolsa do ofertante: “Se não tiver meios para oferecer um cordeiro, tomará duas rolas ou duas pombas ainda novas; uma para o holocausto; outra para o sacrifício expiatório; e o sacerdote fará a expiação por ela e será purificada” - Levítico 12:8 tendo em conta a sua humilde oferta – “um par de rolas ou duas pombinhas” - S. Lucas 2:23,24. Pela oferta dada ficamos a conhecer que Maria e José eram um casal de muito baixos rendimentos. Portanto, significa que tiveram uma existência muito difícil! Se tivermos em conta as imagens de escultura existentes e a maneira como esta é retratada, perguntamos: que tem a ver a figura apresentada, nos nossos dias, com a realidade física da personagem?
Se é verdade o que alguns autores nos divulgam acerca da idade de Maria, esta “quando deu à luz, devia ser uma jovem de quatorze anos”; então convidaríamos o leitor a ter a amabilidade de fazer uma simples conta de somar; junte a estes anos, os de Jesus quando morreu (33 anos). Portanto, Maria, à morte de Jesus teria cerca de 47 a 50 anos, o que para a época, e para uma simples e pobre cidadã, deveria ser uma idade muito razoável!
Maria, uma mulher popular, extremamente pobre, que aspecto poderia ter? Certamente que nunca teria o aspecto igual ou parecido àquele que é apresentado através da estatuária! Como seres humanos e sociáveis, facilmente compreendemos que não seriam traços a representar uma mulher de grande simplicidade! Assim, o que os olhos do fiel contemplam, não só nada tem a ver com a realidade projectada, no que respeita a – juventude e beleza – como também em nada corresponde ao original, pela simples razão de não existir qualquer testemunha ocular!
Depois, como é que esta imagem aparece aos devotos? É interessante ler o que a este propósito nos é dado a conhecer! Comecemos pela descrição da imagem: “esta mede 1,10 metros e é feita de madeira de cedro do Brasil. As mulheres portuguesas agradecendo à Virgem de Fátima o não envolvimento directo de Portugal na II guerra. Em campanha nacional para a recolha de ofertas para a confecção de uma coroa, angariaram-se 8 kg de ouro e inúmeras pedras preciosas. A virgem de Fátima tem incrustada no seu interior, uma das balas do atentado ao Papa João Paulo II, no Vaticano, em 13 de Maio de 1981. De um valor incalculável, nesta coroa trabalharam, gratuitamente, doze especialistas durante três meses. Exemplar único, pesa 1200 gramas e tem 313 pérolas e 2679 pedras preciosas (…)”.
Recordaremos aqui uma pequena frase integrada no dogma da Assunção de Maria; esta é “A Virgem Imaculada (…) exaltada por Deus como rainha”; ou ainda o que disse o autor que nos ocupa, quando falava acerca de Maria, acrescentando: “se eu olho para uma pintura da Mãe do Senhor Jesus, lhe ofereço flores, incenso, cânticos, procissões (…). Lembramo-nos de um paralelo bíblico, quando o povo se desviou do culto a Deus e se voltou para os ídolos – imagens de escultura (quer humanas ou de animais). O texto bíblico diz: “Não aceitaremos o que nos dizes em nome do Senhor. Antes, cumpriremos todas as promessas que fizemos de queimar incenso à rainha do céu e de lhe oferecer libações (…)” – Jeremias 44:16-19.
Qual é a posição do profeta em função da idolatria, pela parte do povo? A este efeito lê-se: “ A apostasia, o cinismo e a idolatria do povo provocaram uma violenta reprovação do profeta”. E quem era esta rainha dos céus? Ela era a deusa Astarote – Istar.
Não conseguimos compreender por que razão a estátua, imagem de Maria, não é um ídolo!? Qual a diferença entre esta e as imagens de escultura denunciadas quer no Antigo quer no Novo Testamento? O texto dos 10 mandamentos é bastante claro a este respeito: “Não farás para ti imagens esculpidas, nem qualquer imagem do que existe no alto dos céus (…); não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto (…)” – Êxodo 20:4-6. Em quê esta imagem de escultura está isenta desta proibição? Quanto a nós? Em nada!
A Virgem é, como sabemos, “invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro e medianeira”. Mas, como poderia ser “mediadora” se, como já vimos - nem sempre se teve conhecimento que o era!? E como conciliar esta afirmação, doutrina e crença com o texto bíblico que ensina que: “há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo Homem” – I Timóteo 2:5 (sublinhado nosso). Perguntamos: então, quantos mediadores existem? Em quem confiar? Na palavra humana ou na divina? Uma vez mais, preferimos ficar ao lado da imutável Palavra de Deus.
Pelo menos seguimos, quanto a nós, o magno conselho daquele que esta confissão religiosa diz ter sido o primeiro Papa – Simão Barjonas. Após ter sido ameaçado pelos altos dignitários eclesiásticos da época, para que não falassem mais do nome incómodo de Jesus, ele mesmo disse: “(…) importa mais obedecer a Deus do que aos homens” – Actos 5:29.
Portanto, para que não haja quaisquer equívocos, reiteramos o nosso mais profundo respeito pela pessoa de Maria – a mãe do nosso Salvador. Vamos ilustrar de uma forma ainda mais simples e compreensível, o que Maria representa para nós: Deus quis mandar-nos a Salvação. Fê-lo através de uma carta e de um envelope; exactamente, como qualquer um de nós faz ao escrever a alguém, não é verdade? Assim, ao recebermos esta “carta” de grande valor enviada por Deus, abrimos o “envelope” e cuidadosamente lemos e nos apropriamos do seu conteúdo, não é verdade? Até aqui tudo bem, dirá o prezado leitor! E depois?
Depois? Pois bem: Quanto ao conteúdo – o Escrito, a Salvação – Cristo ( cf. S. Lucas 19:9) – nós guardamo-Lo; mas, o que é que fazemos com o envelope - Maria? 1- Uns, amarrotam-no e o lançam fora! 2- Outros, por ter contido uma grande notícia, ainda o guardarão religiosamente! 3- Outros ainda, farão o mesmo até que, ao serem devidamente informados, esclarecidos, apesar deste ter tido um grande valor representativo, para nada serve e não o guardarão mais! É esta, prezado leitor a posição:

1- Do incrédulo – (Aquele que o amarrota e, descuidadamente o lança fora).

2- Do religioso - mas que não consulta as Escrituras; (Aquele que o mantém, pelo seu valor simbólico).

3- Do religioso - que se vai iluminando devido à consulta da Palavra de Deus e que agem em conformidade com os ensinos ali ministrados. (Não o guardarão, apesar do respeito e carinho que nos merece, pois preferimos o conteúdo – o Salvador. Pensamos ser o caso de todo o verdadeiro cristão).

Estamos a ser desrespeitosos ao ilustrarmos assim a posição dos diversos tipos de pessoas às quais o Evangelho é dirigido? Não é esse o nosso propósito. Todos estes grupos merecem todo o nosso respeito, apreço e carinho. Mas outra coisa é concordarmos com os seus métodos de actuação. O erro poderá ser muito aliciante, mas em plena consciência, quem poderá resistir à Verdade?
A este propósito, eis o que diz S. Paulo: “Nada podemos contra a verdade, mas só a favor da verdade” – II Coríntios 13:8. Ainda recentemente saiu um livro adverso ao culto Mariano, escrito por Mário de Oliveira que está suspenso das suas funções. O título da obra é – Fátima, nunca mais (CLICAR). Quanto a nós não passa de uma tentativa para repor a Verdade… tão maltratada por este sistema religioso.

Bibliografia:
Daniel-Rops, op. cit., p. 133
Manuel Vilas-Boas et all, Fátima, os Lugares da Profecia, Lisboa, Ed. Círculo de Leitores, 1993, pp. 118,119
Catecismo, p. 219, nº 966
Joaquim Carreira das Neves, OFM, op. cit., p. 127
Jean Steinmann, Le Prophète Jéremie, Paris, Ed. Du Cerf, 1952, p. 269
Idem, p. 268
Catecismo, p. 220, nº 969

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

A IGREJA DE ROMA E O SEGUNDO MANDAMENTO DA LEI DE DEUS

Já aflorámos, ao de leve, este 2º mandamento da Lei de Deus. Os 10 mandamentos foram dados ao homem para que este soubesse como proceder numa dupla relação: 1- Com Deus; 2- Com o próximo.
É interessante que no Catecismo, na transcrição dos 10 Mandamentos de Deus,

omite o 2º, incluindo-o no 1º! Depois, um pouco mais adiante, justiça seja feita, aborda uma única frase deste 2º mandamento, a saber: “Não farás para ti qualquer imagem de escultura”. De seguida, refere que “no sétimo Concílio Ecuménico de Niceia, em 787, justificou o culto dos ícones: de Cristo e também de Maria mãe de Deus, dos anjos, e de todos os santos. Encarnando o Filho de Deus inaugurou uma nova economia das imagens”.
Sem entrarmos nos pormenores que intervieram para que tal pudesse ser aprovado, este nos informa que: “(…) O Concílio Ecuménico de Niceia, em 787, justificou (…)”. Perguntamos: E quanto a Deus? Será que a Sua Palavra o autoriza ou passou a justificar? Uma vez mais, os preceitos e vontades dos humanos prevalecem sobre as Escrituras! Será mesmo teimosia ou falta de conhecimento? Qual será a verdadeira razão?
Numa tentativa para demonstrar que Deus - ordenou e permitiu - a instituição de imagens, o Catecismo cita dois exemplos bíblicos: 1- A serpente de bronze; 2- A Arca da Aliança com os querubins. Gostaríamos de tecer um breve comentário acerca destas hipotéticas razões para apoiar a adoração e culto prestado às imagens de escultura.

a) Arca da Aliança
O texto bíblico, acerca do assunto diz: “Ali Me encontrarei contigo; é do alto do propiciatório (tampa da arca), entre os dois querubins dispostos sobre a arca do testemunho que te comunicarei todas as Minhas ordens para os filhos de Israel” – Êxodo 25:22. Eis o texto tal qual é! Onde, perguntamos nós, é que no texto se vê o israelita adorar ou prestar culto, venerar os querubins ali existentes? Em lado nenhum… pelo menos que nós o saibamos!

b) A serpente de bronze
Vejamos, para o efeito, o texto bíblico que a ela se refere: “ O Senhor disse a Moisés: faz uma serpente ardente e coloca-a sobre um poste. Todo aquele que for mordido, olhando para ela, viverá” – Números 21:8. Qual o contexto? Bastará lê-lo para verificar que, devido à transgressão e constante rebeldia do povo, Deus castiga-o enviando serpentes ardentes ao seu encontro! Assim, ao serem mordidos, eram convidados a exercer fé, isto é - olhar- não para a imagem do mal – serpente – pois ela não tinha qualquer virtude curativa, mas, repetimos, deveriam ter fé e olhar para que - olhando - se curassem! Quem se demorasse em tentar compreender o como e o porquê, morreria! Aqui, uma vez mais, onde existe o acto de adoração? Continuamos a afirmar: em lado NENHUM!
Mais tarde, nas Escrituras, voltamos a encontrar uma referência a esta serpente de metal, assim como da sua respectiva destruição! Leiamos o que as Escrituras nos dão a conhecer a propósito: “O rei Ezequias destruiu os lugares altos, quebrou as estrelas e cortou os bosques sagrados. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha feito, porque, até então, os israelitas queimavam incenso diante dela” – II Reis 18:4.
Ora, o que é que o texto revela? Unicamente que houve uma reforma religiosa levada a efeito pelo rei Ezequias! E qual foi o resultado? Não é preciso adivinhar, pois o texto apresentado é claríssimo acerca do assunto! E porquê? Porque a adoravam, lhe prestavam culto e lhe queimavam incenso devido às “suas mentes obscurecidas pela apostasia”.
Portanto, prezado leitor, contrariamente ao que o Catecismo refere Deus nunca “ordenou ou permitiu a instituição de imagens (…)”! , Poderia Deus instituir o que sempre proibiu? Como compreender tal paradoxo? Se tal adoração ou veneração ainda subsiste em certas confissões religiosas é porque o ser humano quer, obstinadamente, continuar a contornar a vontade expressa de Deus! E quando assim acontece, inevitavelmente, as contradições são visíveis, como facilmente se entenderá!
Prezado leitor, a escolha está perante cada um de nós. Quanto aos mentores do Catecismo dizem: “o culto cristão das imagens não é contrário ao mandamento que proíbe os ídolos”! Que poderemos fazer se persistem teimosamente a querer tapar o sol com uma peneira com malhas muito largas?
Gostaríamos aqui de reiterar que, tudo quanto dissemos acerca deste assunto, nada, mas mesmo nada, tem que ver com qualquer falta de respeito ou consideração pela mãe do Salvador! O que dissemos até aqui só tem um único propósito: repor a verdade bíblica e corrigir algo que nunca passou pela cabeça de Maria – ser adorada como se de uma deusa se tratasse! Certamente que, caso acontecesse nos nossos dias a sua ressurreição, a exemplo de Simão Barjonas, esta ficaria muito triste com o que têm feito e fazem em seu nome!

Bibliografia:
Êxodo 20:1-17
Catecismo, pp. 441,442
Idem, p. 441
Idem, p. 460, cap. IV
Ibidem, nº 2131
Ibidem
John H. Taylor, Jr., O Comentário Bíblico, I e II Reis e II Crónicas, Lisboa, Ed. Jupec, 1984, p. 107
Catecismo, p. 460, nº 2130
Ibidem, nº 2132

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A VOZ DE ROMA

Vejamos, para nos apercebermos da força e arrogância desta confissão religiosa que, a todo o custo, sem que compreendamos, em nome de quem o faz, chama a si toda a autoridade que só reside, integralmente, em Deus ou na Sua Palavra!
Recentemente, o Papa João Paulo II publicou a Carta Apostólica Ad Tuendam Fidem, com o objectivo de acrescentar algumas normas no Código de Direito Canónico e no Código dos Cânones das Igrejas Orientais.
Citaremos, para não sermos longos, um ou outro dos acrescentos apontados pela Carta Apostólica referida: “No Cânone 1436 do Código dos Cânones das Igrejas Orientais acrescente-se o parágrafo 2 do Cânone 594, de tal forma que fique com a seguinte formulação:

Cânone 1436
a) Parágrafo 1:
Contém o seguinte articulado: “Aquele que nega uma verdade que por fé divina ou católica deve acreditar ou põe em dúvida, ou então repudia totalmente a fé cristã e, legitimamente avisado, não se retractar, seja punido como herege ou como apóstata com excomunhão maior (…)”. (sublinhado nosso).
No limiar do século XXI, o que será que esta ameaça quererá significar?

b) Parágrafo 2
“Fora estes casos, quem advogar uma doutrina definitivamente proposta ou condenada por errónea pelo Romano Pontífice ou pelo Colégio dos Bispos no exercício do magistério autêntico e, legitimamente admoestado, não se retractar seja punido com uma pena adequada”. (sublinhado nosso).
(No limiar do século XXI, o que será que esta ameaça quererá significar? Que o céu se pasme? Como se poderá ousar punir alguém que tenha um pendor espiritual qualquer? Será, perguntamos, lícito, punir o simples acto de respirar? Não estarão ao mesmo nível? Que incomoda se A ou B segue este ou aquele credo, desde que se comporte nos parâmetros da cidadania? O que dirá a área do Direito a este respeito? Seria interessante saber)!
“Estabelecemos que seja válido e ratificado tudo quanto Nós, com a presente carta apostólica escrita de moto próprio, decretámos e prescrevemos que seja inserido na legislação universal da Igreja Católica (…) não obstante tudo quanto haja em contrário”.
Perante o que acabamos de transcrever, isto é: “se não se retractar seja punido com uma pena adequada”? Perguntamos: o que será esta pena adequada? Quanto a nós, será um grande poço sem fundo, de grande abrangência, no campo das mentalidades! O mesmo será dizer, que se aplicará a qualquer circunstância, de não importa sob que clima mental! Nem mais nem menos, esta confissão religiosa continua igual ao que sempre foi, sempre acima de tudo e de todos, tal como no triste passado que a sua história, igualmente triste, não se cansa de proclamar!
O cristianismo oprimido da Igreja primitiva tornou-se numa força opressora e tudo em nome de Deus - quem diria? Para terminarmos, eis como se poderia definir o poder papal: “É só o Papa que recebe o Espírito santo, a inspiração normativa: da sua inspiração, da sua verbalização que ex cathedra proclama infalível, dependem todas as coisas deste soberbo edifício da instituição do sagrado direito canónico”.
Que terá em comum esta confissão religiosa com o cristianismo ou com o seu mentor - Jesus Cristo? São, efectivamente, duas faces da mesma moeda! Só que… feitas de metais diferentes!
Enfim, numa palavra de síntese: se fizéssemos tábua-rasa da data das afirmações acima transcritas, diríamos que recuámos no tempo, que entrámos na máquina do tempo e caímos numa época de trevas e de obscurantismo espiritual, ou seja, para melhor nos situarmos - em plena Idade Média – onde esta confissão religiosa comandou tudo e todos! Só porque ela era a única detentora do saber. A única que tinha acesso às escrituras! A única que ameaçava com o Inferno quem não obedecesse! E que faria aquele, mesmo o poderoso, nesta terra, contra tal ameaça – porque a tinha como verdadeira?
E tanto é assim, como já vimos, com o exemplo de Canossa, com o imperador Henrique IV da Alemanha (1056-1106)! Onde se veria hoje, devido ao conhecimento das Escrituras – graças a Deus por isso – um rei deslocar-se ao encontro do Papa. Este, no seu castelo, no bem-estar da lareira, e o monarca, cá fora, descalço na neve, a implorar, durante três dias, com vestes de penitente, o perdão papal! Se não fosse um facto histórico diríamos que tal ocorrência nunca teve lugar na história dos homens!
Dr. Ilídio Carvalho

Bibliografia:
Neste momento é a fonte que: “Vaticano saiu em defesa da fé Católica” in Jornal de Notícias, Lisboa, 08 de Julho de 1998, p. 22
Emil Brunner, La Doctrine Chrétienne de l’Église de la Foi et de l’Achèvement, Genève, Ed. Labor & Fides, 1967, Dogmática Vol. III, p. 96
John H. Taylor, Jr., O Comentário Bíblico, I e II Reis e II Crónicas, Lisboa, Ed. Jupec, 1984, p. 107
Catecismo, p. 460, nº 2130
Ibidem, nº 2132

domingo, 5 de setembro de 2010

O BAPTISMO INFANTIL

Abramos este interessante tema para que possamos reflectir um pouco sobre este assunto. A exemplo do quanto temos vindo a analisar, iremos ver se esta doutrina e prática tem fundamento nas Escrituras.

1- A Palavra e o gesto
O Catecismo define a palavra baptismo da seguinte forma: “baptizar significa, em grego: mergulhar, imergir. O mergulho simboliza a sepultura do catecúmeno na morte de Cristo, de onde sai ressuscitado com Ele como nova criatura”. (sublinhado nosso). Ainda sobre o mesmo tema, acrescenta: “o baptismo aparece sempre ligado à fé”. E mais adiante, refere que: “(…) as crianças também têm necessidade do novo nascimento pelo Baptismo (…)”.
Apreciemos mais de perto esta exposição doutrinária, para que, uma vez mais, possamos ver, não somente se ela é coerente, como também se está, obviamente, de acordo com as Escrituras. Vejamos o que esta já nos mostrou, quando diz:

a) Baptizar, significa mergulhar
b) Baptismo ligado à fé
c) Crianças com necessidade de um novo nascimento

Analisemos cada situação para que possamos sentir a que ponto estas afirmações não passam de postulados meramente humanos, sem qualquer sentido!

a) Baptizar, significa mergulhar
Tanto quanto saibamos, existem duas formas de proceder, quanto a nós, antagónicas, para com o ritual do baptismo, a saber: Imersão e Aspersão! A primeira, como claramente diz o Catecismo, significa: mergulho, isto é, quando a água cobre totalmente o crente. A segunda significa, tal como o nome o indica: aspergir, borrifar água sobre a cabeça do catecúmeno, tenha ele a idade que tiver!
Para já, ao nível da significação das palavras, encontramo-nos perante uma contradição! Como poderá alguém ser baptizado por – Aspersão – se este modo de proceder é, simplesmente, borrifar com água?! Tal como esta confissão religiosa muito bem o define, a palavra - baptizar - implica mergulho, ficar submerso pelas águas. Só assim a acção simboliza a “sepultura do catecúmeno na morte de Cristo”?!
Como conciliar estas duas expressões? Temos que escolher - ou uma ou outra! Só o termo - Imersão - é que está de acordo com as Escrituras! Portanto, para a restante, esta não indica qualquer baptismo mas, unicamente, a acção de aspergir! Ou se é baptizado, ou se é aspergido, não temos outra escolha, porque estas duas palavras, repetimos, correspondem a acções diferentes!
Para melhor mostrarmos o quanto queremos dizer, apresentamos uma simples ilustração que reflecte, perfeitamente bem, o quanto queremos transmitir:

Certa vez, um jovem perguntou ao pai:
- Por que é que a Bíblia diz que somos sepultados no baptismo? Tenho visto bebés a serem baptizados e eles não são sepultados.
O pai respondeu-lhe:
- Meu filho, é tudo a mesma coisa! Não faz diferença se a pessoa é imersa ou aspergida.
O tempo passou. Certo dia morreu um bezerro na sua quinta.
O pai, como tinha muito que fazer naquela altura disse ao filho:
- Filho, agora estou muito ocupado. O bezerro precisa de ser sepultado. Não te importas de fazer o trabalho por mim?
O jovem prontamente respondeu:
- Fique descansado, que eu vou fazer o serviço.
O rapaz saiu e, passados 10 minutos estava de volta! Assim que o pai o viu, admirado, perguntou:
- Meu filho, já sepultaste o animal?
A resposta não se fez esperar:
- Sim pai, já o fiz!
O pai retorquiu:
- Mas, como conseguiste fazê-lo tão depressa?
O pai, sem se deixar convencer pelas explicações do filho, disse:
- Deixa-me ver. Leva-me até ao local onde o fizeste.
O pai seguiu o rapaz até à sepultura do animal. Ali estava o bezerro esticado no chão unicamente com um bocado de terra na cabeça!
O pai disse:
- Meu filho, tu não enterraste o animal! Ele não foi sepultado!
Disse o filho:
- Mas o pai disse que era a mesma coisa!

Pensamos, prezado leitor, que esta simples ilustração nos mostra claramente a incoerência do processo que, repetimos, não tem qualquer apoio nas Escrituras! Porque são duas acções diferentes, tal como as palavras que as definem!

b) Baptismo ligado à fé
Eis uma afirmação verdadeira, finalmente! Jesus assim o disse: “Quem acreditar e for baptizado será salvo, mas quem não acreditar será condenado” – S. Marcos 16:16. Segundo Jesus, a Salvação repousa, curiosamente, não no baptismo, mas na crença, fé! Jesus não o poderia ter dito de outra forma! A razão, prezado leitor é muito simples! Sabe porquê? Porque o baptismo é o resultado de uma crença. Primeiro cremos na doutrina e, só depois, publicamente, a manifestamos através do acto do baptismo, não ao contrário!
Para que haja uma cerimónia baptismal terá que previamente existir no catecúmeno, naquele que deseja aderir a qualquer confissão religiosa, um reconhecimento e noção do seu estado de pecador. Será válido um baptismo se não for precedido por um “acreditar”? Vemo-lo só nos registos internos da dita confissão religiosa! Para Deus esta acção de – aspergir - não tem qualquer validade à luz do que nos foi deixado escrito, como vimos.
Vejamos um exemplo relatado nas Escrituras, passado, segundo dizem, com o primeiro Papa - Simão Barajonas. Sob o efeito do Pentecostes, isto é, da descida do Espírito Santo, este dirigiu-se à multidão e falou-lhes acerca de Jesus, por eles crucificado. O discurso foi tão grandioso nos seus efeitos que os seus ouvintes lhe perguntaram: “(…) Que havemos de fazer, irmãos? Pedro respondeu-lhes: Convertei-vos e peça cada um o Baptismo em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos seus pecados (…).” – Actos 2:37,38; 3:19.
O apóstolo não fez mais do que repetir, fielmente, o preconizado pelo Mestre, ou seja: 1- Conversão, Arrependimento pelo que se fez no passado recente; 2- Baptismo em nome de Jesus, para limpeza do estado espiritual anterior e reconhecimento público da sua fé. Se, biblicamente falando, estes são os passos a seguir até chegar ao baptismo, como é que o enquadraremos nas crianças de um, dois, três ou mais meses? Terão estas qualquer consciência dos seus actos para tomarem alguma decisão? Se sim! Quais?
Desde logo, quer devido à sua tenra idade, quer pela significação da palavra – consciência – o catecúmeno nada tem de que possa e deva ser limpo! Por outro lado, qual será a fé a exercer por este, tendo em conta o seu estado espiritual anterior? Nós respondemos abertamente: Nenhuma!

1- Pecado Original - Já muitas vezes temos ouvido esta expressão! Mas qual será a sua origem e, consequentemente, o seu significado? Uma vez mais, leiamos a explicação que o Manual Oficial desta confissão religiosa dá. Vejamos: “(…) «Pela desobediência de um só homem, muitos (quer dizer, a totalidade dos homens) se tornaram pecadores» - Romanos 5:19. “(…) assim também, pela obra de justiça de um só (de Cristo), virá para todos a justificação que dá a vida” - Romanos 5:18 . “(…) A partir desta certeza de fé, a Igreja confessa o Baptismo para a remissão dos pecados, mesmo às crianças que não cometeram qualquer pecado pessoal”. “(…) E é por isso que o pecado original se chama «pecado» por analogia: é um pecado «contraído» e não «cometido»; um estado, não um acto”. Passaremos a tecer alguns comentários acerca destes excertos:
a) Através dos méritos de Cristo “virá para todos a justificação que dá a vida”, nem poderia ser de outra maneira! Como corolário deste ensinamento bíblico, o Catecismo conclui que “a partir desta certeza de fé, a Igreja confessa o Baptismo para a remissão dos pecados, mesmo às crianças que não cometeram qualquer pecado pessoal”.
Como é que se poderá entender tal procedimento? Que necessidade de baptismo terá alguém que não cometeu qualquer acto pecaminoso (por pensamentos ou por obras)!? Pensamos que não faz qualquer sentido tal afirmação, ensino e consequente prática!
b) Afirma que, apesar das crianças não terem cometido pecado, este está nelas porque possuem “um pecado «contraído» e não «cometido»; um estado, não um acto”. Assim: “O Baptismo, ao conferir a vida da graça de Cristo, apaga o pecado original e reorienta o homem para Deus, mas as consequências para a natureza, enfraquecida e inclinada para o mal, persistem no homem e convidam-no ao combate espiritual”. (sublinhado nosso)
Ora, “o baptismo apaga o pecado original”! Como pode este apagar o que nenhuma a criança tem! (Visto esta ter, como qualquer ser humano, à nascença, isso sim, tendência, inclinação natural ao pecado), o que é bastante diferente! Se após o baptismo, o ser humano, a criança, continua “inclinada para o mal (…)”, então, para que servirá o tal baptismo? 1- Esta nada tem de que se arrependa! 2- Ela continuará a possuir em si mesma, como os demais seres humanos, a idêntica tendência com que veio ao mundo – inclinação para o mal?
Ora, se após o baptismo continuamos inclinados ao pecado (actos pecaminosos), a permanência neste estado reforça, uma vez mais, a verdade que, apesar de pecadores, agora, pela fé em Cristo Jesus, podemos ser vencedores! N’Ele e por Ele podemos contornar esta mesma inclinação para o mal. Mas, para que tal aconteça, como facilmente se compreenderá, o catecúmeno, deverá em primeiro lugar arrepender-se, exercer fé e então passar à fase seguinte – o baptismo – para que, tal como diz S. Paulo, o catecúmeno “Pelo baptismo sepultámo-nos juntamente com Ele, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos, mediante a glória do Pai, assim caminhemos nós também numa nova vida” – Romanos 6:4.
Para quê complicar o que só por si é simples? Bastaria somente aceitar e praticar o quanto, a este respeito, diz a Palavra de Deus, e TUDO se simplificaria!

2- Toda esta doutrina e prática, estranha às Escrituras, está apoiada no que esta
confissão religiosa entende do texto bíblico acima citado – Romanos 5:18,19. Mas, finalmente, o que é que S. Paulo ali ensina? Vejamos o seu contexto:
No capítulo 3 da Epístola, S. Paulo coloca uma grande questão: Como é que Deus que é justo poderá permanecer assim e considerar como tais, os pecadores injustos? A resposta, ele mesmo a dá: é graças a Jesus Cristo!
Muito bem! Mas o que é que há em comum entre o Filho de Deus e nós, pecadores? De novo o apóstolo irá dar: esta encontramo-la precisamente nos textos em questão – no capítulo 5! Como vimos, no capítulo 6, S. Paulo explica que se passa , simbolicamente, em Cristo, do estado de injusto ao de justo através do baptismo.
Voltemos ao texto de Romanos 5:19, para que saibamos verdadeiramente do que é que o apóstolo estava a falar, quando escreveu: “Porque pela desobediência de um só, todos foram condenados, assim também, pela obediência, de um só, muitos se tornaram justos.” (sublinhado nosso). S. Paulo fala de alguém que desobedeceu (Adão) e de um outro que obedeceu (Cristo, o 2º Adão – cf. I Coríntios 15:45).
Iremos fazer uma breve análise dos termos empregues pelo apóstolo e da maneira como foram traduzidos, para nos apercebermos que, o que trazemos connosco - desde o nosso nascimento - nada tem que ver com a estranha doutrina do – Pecado Original – em Adão!
No grego, língua em que nos aparece a referida epístola, o verbo – peitharcheô – significa: obedecer, seguir o conselho de. Este verbo encontramo-lo nalguns textos, nomeadamente em: 1- Actos 5:29,31,32 - “Pedro e os demais apóstolos responderam: «Importa mais obedecer a Deus do que aos homens» (…) A fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados (…) que Deus tem concedido àqueles que Lhe obedecem”; 2- Tito 3:1 - “Aconselha-os a que se sujeitem aos magistrados e às autoridades, que lhes obedeçam (…)”.
Acontece que, no texto que nos ocupa – Romanos 5:19 – não encontramos este verbo, por estranho que possa parecer à primeira vista! Neste texto estão as palavras – parakoês e upakoês! A primeira, foi traduzida por (desobediência); a segunda por (obediência)! Aqui encontramos uma curiosidade interessante! Estas palavras têm como raiz um verbo! Só que não aquele que estaríamos à espera, como acima o referimos! Aqui, encontramos, curiosamente, o verbo Akouô (ouvir) - o que, a nosso ver, é bastante significativo para este preciso contexto!
Portanto, a acção – obedecer - assim como o seu contrário, repousa num - ouvir ou fazer orelhas surdas - aos conselhos de Deus! Isto quer dizer:
1- Que o (1º Adão), pela sua conduta e vivência deixou de ouvir o que Deus mandou para que fosse obedecido, por isso, este desobedeceu!
2- Quanto a Cristo (2º Adão), este nunca deixou de ouvir tudo quanto Deus Pai disse e, por isso, sempre obedeceu.

Portanto, prezado leitor, que ilações retirar da simplicidade e intenção do texto? Fica perfeitamente claro, a nosso ver, que a expressão: “Porque pela desobediência de um só, todos foram condenados (…)”, assim como “pela obediência, de um só muitos se tornaram justos” está relacionada unicamente com o saber estar atento à voz de Deus e não com a noção humana de – pecado original – estranha às Escrituras!
Por outras palavras: todo aquele que tem prazer em ouvi-Lo, naturalmente, obedece; caso contrário, desobedece! Isto quer dizer que não somos – obrigados – a permanecer pecadores! Continuamos a ter, é verdade, a tal tendência inata ao pecado, mas em Cristo podemos ser vencedores.
Assim:
1- O tal – estado – no qual nascemos e permanecemos, nada tem que ver com a letra e o espírito do texto em questão! E porquê? Pela simples razão de que, devido à idade do catecúmeno, à tal falta de consciência, este – estado (ou inclinação) – existe, mas é totalmente inoperante! 2- Depois, e só depois de alguns anos, é que este – estado (tendência ou inclinação) – desperta e revela que o baptismo anteriormente ministrado, de nada serviu!
E porquê?
Vejamos: 1- Não só porque esta acção – aspersão – como vimos, não tem qualquer significado ( baptismo é igual a imersão); 2- Porque esta acção foi também, de igual modo, praticada num período de vida isento de qualquer mancha de pecado, isto é, total inconsciência! Assim, poderemos concluir que:

• Não houve purificação, porque o mesmo estado permaneceu (inconsciência);

• b)Não existiu regeneração pela simples razão, de não ter existido pecado, ou noção deste, para limpar!

• A aplicação do baptismo só faz sentido se for para proceder, simbolicamente, à passagem em Cristo Jesus, de pecadores a justificados em Cristo.

• Por palavras ainda mais simples: não deixámos de ter tendência para o mal, ela permanece! Mas Deus olha-nos - não como nós somos - mas nos méritos de Cristo, ou seja, (como justos). É aqui que reside toda a diferença! E esta metamorfose, uma vez mais, não se aplica às crianças: 1- Pela sua inconsciência; 2- Pela sua inocência!
• Perguntamos: Qual é a origem desta prática ritual? A resposta, como não podia deixar de ser, encontra-se no HOMEM! O Catecismo assim o esclarece: “A doutrina da Igreja sobre a transmissão do pecado original foi definida sobretudo no século V sob o impulso da reflexão de S. Agostinho (…) e, no século XVI, por oposição à Reforma protestante. (…). A Igreja pronunciou-se (…) quanto ao pecado original, no 2º Concílio de Orange em 529 e no Concílio de Trento em 1546”, tendo sido instituído, mais precisamente, “o decreto sobre o pecado original a 07 de Janeiro de 1547”.

Portanto, uma vez mais é a Palavra de Deus contra a palavra dos homens proferida e decretada nos diferentes Concílios! Uma vez mais, a última palavra é nossa: aceitar ou rejeitar! Servir a Deus ou aos homens! Quanto a nós, só aceitaremos princípios, ditos religiosos, se estiverem de acordo como espírito e a letra das Escrituras. Assim, preferimos seguir o magno conselho do, segundo dizem, primeiro Papa - Simão Barjonas – quando disse: “mais importa obedecer a Deus do que aos homens” – Actos 5:29. E você, prezado leitor?

c) Crianças com necessidade de um novo nascimento
Pelo que acabámos de examinar, este – novo nascimento – não tem qualquer sentido e razão de ser! Se assim fosse, Jesus contradizer-se-ia nas Suas palavras e actos. Recordemos um episódio bíblico: o de Nicodemos.
Certa noite, um doutor da lei chamado Nicodemos foi ao encontro do Mestre, para saber mais coisas a Seu respeito. A certa altura, Jesus diz-lhe: “ «Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus»” – S. João 3:3. Isto dito por outras palavras: o ser humano para poder ser salvo terá que ser objecto de “uma nova criação”. Perguntamos: poderia ser, prezado leitor, o raciocínio de Jesus diferente? Acaso poderiam ter outra coloração as Suas palavras? Claro que não! E porquê? Porque pensamos que, se Jesus fala assim é porque se trata de um adulto, com uma existência de vida acompanhada de muitos actos pecaminosos!
Mas, que dizer das crianças? Precisarão estas, tal como refere o Catecismo, de um “novo nascimento”? Leiamos uma vez mais as palavras de Jesus acerca das crianças: “Vendo isto, Jesus indignou-Se e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as afasteis, pois a elas pertence o reino de Deus” – S. Marcos 10:14. Que dizer destas palavras? Quanto a nós não podemos fazer mais do que reconhecer que “o acolhimento que Jesus reservou às crianças prova, ao contrário, que elas não têm necessidade de baptismo. O baptismo não é para aqueles que não têm necessidade de arrependimento”.
Como conclusão reiteramos o que acima dissemos: que este ritual que se pratica no seio desta confissão religiosa contraria a ordem dada por Jesus, assim como também o apelo feito por Simão Barjonas, quando apelou ao povo para que: 1- Se convertesse; 2- Se arrependesse; 3- Se baptizasse (Actos 2:38; 3:19)
Qual o detergente branqueador? Ei-lo: o nome, o sangue de Jesus – cf. I S. Pedro 1: 18,19. Tudo isto, prezado leitor, reiteramos: não pode, pelas razões acima analisadas, acontecer a uma criança! Assim, uma vez mais, estamos perante uma doutrina de cariz HUMANO, não divino! Portanto, a evitar!

Bibliografia:
A melhor definição de pecado encontramo-la em I S. João 3:4-6, que diz: “(…) porque o pecado é transgressão da lei. (…)Todo aquele que permanece n’Ele não peca; e todo aquele que peca, não O viu nem O conheceu”. Assim, pecar é, segundo o texto: 1- Não O ter visto; 2- Não O ter conhecido. O que vem depois são as acções resultantes destes dois aspectos, isto é, os actos pecaminosos nas suas mais variadas facetas!
Catecismo, p. 102, nº 406
Jean-Louis Schonberg, op. cit., p. 227
Roberto Badenas, Encontros, Lisboa, Ed. P. A. 1992, p. 35
Franz J. Leenhardt, op. cit., p. 116
Isidro Pereira, S.J., op. cit., p. 443
Fritz Rieneker e Cleon Rogers, op. cit., p. 265
Isidro Pereira, S.J., op. cit., p. 22
Consciência: a função pela qual conhecemos a nossa vida interior, isto é, os fenómenos psíquicos que a todo o momento se passam em nós” – António José Escarameia, Lições de Psicologia, 8ª ed., Porto, Livraria Figueirinhas, 1971, p.19
Catecismo, p. 101, nº 402
Ibidem, nº 403
Ibidem, nº 404
Henry Feyerabend, Tantas Religiões! Porquê?, Lisboa, Ed. P. A., pp. 114,115
Catecismo, p. 279, nº 1214
Idem, p. 282, nº 1226
Idem, p. 286, nº 1250

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

IGREJA OU CRENTES?

Gostaríamos de introduzir este tema através de uma breve ilustração; esta é muito simples e encerra algumas verdades para cada um de nós. Vejamos o seu conteúdo:
Certo dia, alguém perdeu uma moeda; este tem a ideia de que foi ali que a perdeu! Mas, só que não sabe exactamente onde! No entanto, estava a procurá-la sob a luz do candeeiro público, do outro lado da rua.
Entretanto chega um amigo e, ao vê-lo assim, pergunta:
- O que é que perdeste que merece assim tanto cuidado?
O amigo, ao dar-lhe atenção, respondeu:
- Perdi uma moeda rara, de colecção!
O amigo, admirado, voltou a perguntar:
- Mas olha lá, já estás aí há muito tempo e não a encontras! Tens a certeza que foi realmente aqui, junto ao candeeiro, que a perdeste?
A resposta do outro não se fez esperar:
- Não, não foi propriamente aqui… mas ali, apontando para o outro lado da rua!
O outro, bastante admirado, perguntou:
- Então! Se não a perdeste junto ao candeeiro, porque é que a procuras aqui?
A resposta foi pronta e objectiva:
- Sabes porquê? Porque aqui há luz!

Não será exactamente o mesmo que se passará com a cristandade em geral? Todos estamos ansiosos para encontrar uma resposta cabal a todas as nossas ansiedades causadas pela nossa existência. De igual modo, desejamos encontrar a Verdade Bíblica! Tentamos, desesperadamente, achá-la e, nesta incansável procura, pensamos que esta estará, possivelmente, na confissão religiosa maioritária, no nosso País!
Esta confissão religiosa, aparentemente, tudo tem para possuir a Verdade, humanamente falando! Procuramos uma espécie de Verdade! Uma que melhor se adapte aos nossos interesses! A que queremos ouvir, e não a que se encontra, independentemente da nossa vontade e interesses de índole vária, unicamente nas Escrituras!

Contradição ou Aparência?
Ilustraremos tudo isto, por comparação, com certas palavras de Jesus, para que sintamos quanta verdade esta ilustração, acima descrita, encerra. Recordemos as palavras contidas no evangelho de S. Mateus e vejamos se têm qualquer paralelo com o que acabámos de dizer: “Todo aquele que se declarar por Mim diante dos homens, também Me declararei por ele diante do Meu Pai que está nos céus. Não penseis que vim trazer a paz, mas a espada à terra; não vim trazer a paz mas a espada. Porque vim separar o filho do pai, a filha da sua mãe e a nora da sogra; de tal modo que os inimigos do homem serão os seus familiares. Quem amar o pai ou mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem amar o filho ou filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não tomar a sua cruz para Me seguir, não é digno de Mim.” – S. Mateus 10:32-38; cf. S. Lucas 12:51-53
Agora, um outro texto: “(…). Então avançaram, deitaram as mãos a Jesus e prenderam-no. Um dos doze que estavam com Jesus levou a mão à espada, desembainhou-a, feriu um servo do sumo sacerdote, cortando-lhe uma orelha. Jesus disse-lhe: «Mete a tua espada na bainha, pois todos quantos se servirem da espada, à espada morrerão (…)»” – S. Mateus 26:50-52. (sublinhado nosso)
Esperamos não ser igualmente acusados de “literalistas psicologizantes fundamentalistas” por assim procedermos! Que quererão os textos significar? Será que Cristo apela à violência? Será esta a lição? Vejamos: “(…) não procuremos nele um teórico da não violência. Foi dia após dia, numa sucessão de decisões e por uma série de actos redentores, que Jesus triunfou da violência”; ou ainda “Não é que negue a defesa armada justa, mas porque ali, naquele preciso contexto, era imprudente ante a desproporção de forças e, principalmente, perante a inutilidade, pois tinha chegado «a sua hora»”.
Se olharmos os textos sob este ponto de vista, com uma ligeira conotação de violência, não será que estamos, francamente, a passar ao lado do real sentido dos textos, da sua coesão e coerência internas? Será normal Jesus, tal como acima foi explicado, ter estes sentimentos tão humanos que nós tão bem compreendemos? claro, que sim!
Como humanos que somos também temos os mesmos sentimentos! De igual modo, interpretaríamos assim os textos, tal como os acabámos de transcrever, nem mais nem menos! Mas esta é, repetimos, uma reacção tipicamente humana! Mas, insistimos, não devemos negligenciar a dinâmica do texto! Será que o seu pensamento era de cariz nacionalista, tendo em conta um hipotético bem-estar dos Seus seguidores contemporâneos ou futuros ou, antes pelo contrário, apresenta uma visão mais dilatada, ou seja a aceitação ou não do Seu ensino pelos homens? Ora vejamos: Quanto ao primeiro texto: “Jesus não deseja, de modo algum, criar barreiras e divisões familiares; mas constata que o efeito da Sua vinda ao mundo e a pregação da Sua palavra é a divisão! Ele exige que se tome posição: por ou contra.” Ou ainda: “Jesus talhou na dura rocha das realidades humanas um caminho novo, pelo qual ele passou por primeiro carregando sobre os seus ombros todas as exigências do reino de Deus: justiça social, transformação de instituições, tomada de posição pela verdade, regeneração individual. Eis os materiais que encontrou em volta dele entre os homens. Eis as pedras, a madeira e a areia com os quais construiu o Reino de Deus, sobre a terra (…)”.
Pensamos que os textos bíblicos apresentados não são contraditórios; pela simples razão que não têm como primeira preocupação a violência ou a não-violência! Mas comportam as consequências do ensino de Jesus que, por ele só, causa divisões a todos os níveis! E não será assim? Como compreender o tremendo ódio dos judeus acerca de Jesus? Faltou Jesus, porventura, alguma vez ao respeito a qualquer dirigente religioso da Sua época? Acaso foi menos cortês nalguma forma de tratamento? Se não foi, então porque se movimentaram sempre com o único propósito de O silenciar? Concorrência?
Como meros humanos, somos levados a pensar que sim! Mas, o que é que as Escrituras nos revelam? Leiamos, uma outra aparente contradição em Jesus: 1- “O mundo não pode odiar-vos, mas odeia-Me a Mim, porque faço ver que as suas obras são más” – S. João 7:7 (sublinhado nosso) ; 2- “Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, Me aborreceu a Mim” – S. João 15:18
Que nos diz o prezado leitor? Parecem contraditórios os textos, não é verdade? Mas não são, se os entendermos bem! Quanto ao primeiro texto o Senhor revela-nos duas verdades essenciais: 1-“ O mundo não pode odiar-vos (…)”! Claro! porque ainda não O conheciam, ainda não se identificavam com ele; ainda agiam e pensavam como os demais concidadãos; 2- “(…) porque faço ver que as suas obras são más” – eis a razão, a única, do seu titânico ódio por Jesus! Quanto ao segundo texto: a aparente contradição: “Se o mundo vos aborrece (…)”. Agora, parece que dá o dito pelo não dito! Mas o que Jesus está a dizer é muito simples: Neste momento da vossa evangelização, viveis no mundo, é verdade, mas já não sois dele! Já não pensais como ele, sois diferentes, conheceis novas directrizes – a plena vontade de Deus, o Pai – algo que os vossos concidadãos não querem conhecer! Agora, tal como Eu, ireis sentir na vossa vida o mesmo ódio, vós que tendes o meu nome – Cristãos! E, assim como eu faço, vocês também o deverão fazer, isto é, dizer que as suas obras são más!
Não será este o sentido das palavras de Jesus, quando disse: “Dei-lhes a Tua palavra, e o mundo aborrece-os porque não são do mundo, assim como Eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal. Eles não são do mundo como Eu não sou do mundo” – S. João 17:14-16? Claro!
Portanto, se quisermos seguir realmente a Sua Palavra, tal como está exarada nas Escrituras, certamente que iremos encontrar os problemas que Jesus referiu, porque os seus ensinos são diferentes dos que a sociedade e costumes humanos impõem! A ser assim, então estamos perante um dilema: 1- Ou estas não são palavras de Jesus, e como tal, deverão ser rejeitadas! 2- Ou a confissão religiosa que tradicionalmente seguimos, nada tem que ver com a Palavra de Deus! E porquê?
Em que é que eu tenho problemas por pertencer, por nascimento, a esta confissão religiosa professada pela maioria? De emprego, de amigos, de hábitos perniciosos a diversos níveis sociais e morais? Nada nem ninguém me diz nada! Antes pelo contrário! Se assim é, portanto, que revolução é que Cristo veio fazer; que espada, que dissensões veio trazer? Se nada de especial comigo se passa: Ou Jesus, afinal, nada veio trazer; ou não estou a seguir o que realmente Ele preconizou como modo de vida e condutas cristãs para todo aquele ou aquela confissão religiosa que se disser ser a Sua continuidade!
Se alguém começar a estudar as Escrituras e a interiorizar que deve amar e respeitar a vontade do amado – Cristo –, então quando começar a praticar o que aprendeu para agradar ao novo Senhor da Sua vida, Aquele que lhe deu o nome que usa – cristão –, então verá que o cristianismo, o ser verdadeiramente cristão, nada tem a ver com o que tinha feito, em termos de vivência! E o que é que passará a acontecer? Os amigos que até ali o acompanhavam, começam a não ter prazer na sua companhia! Eventualmente, não fuma, já não bebe bebidas alcoólicas, já não frequenta lugares menos recomendáveis, já não é companhia para sítios e vícios menos próprios! E porquê? Porque quer manter uma boa saúde e ser, em plenitude, cristão!!
Procedendo assim, já reparou, prezado leitor, a quantidade de perigos e derivados que o professo cristão evitaria? Quase que, estamos tentados a dizer que: se não fosse por mais, só por estas razões, já merece a pena ser CRISTÃO, não acha?! Portanto, o que é isto a não ser o reflexo, o genuíno cumprimento das palavras “(…) Não penseis que vim trazer a paz, mas a espada à terra; não vim trazer a paz mas a espada. Porque vim separar (…)”! Está a pregar a violência? Claro que não! Mas unicamente a apontar para o resultado a que chegará todo aquele que Lhe quiser ser fiel!
Em síntese, o cristão, se deseja sê-lo, deverá ser DIFERENTE! Vejamos: 1- “A dignidade da vida cristã, levada até à intransigência e à santidade, chocou profundamente os pagãos. A conversão exige uma mudança de vida e fornece os meios para a concretização dessa exigência”; 2- “Tertuliano pintou ao vivo o embaraço do cristão, solidário da vida da cidade, com as suas celebrações e as suas alegrias, que lhe ferem o senso moral e as convicções religiosas (…). Poderia um cristão frequentar ou aplaudir um espectáculo que ultrajava a moral e fazia corar o próprio pagão? Como recusá-lo sem atrair a atenção dos outros?” ; 3- “«É um bom homem, o Gaius Seius. Que pena que seja cristão!»”. Se assim foi no passado, prezado leitor, deverá ser diferente no presente?
Eis o repto diante de cada um de nós. O que é que iremos escolher?

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

AS DUAS MULHERES OU AS DUAS IGREJAS

Dr. Ilídio Carvalho
No livro do Apocalipse aparecem com clareza duas mulheres que passaremos a examinar um pouco mais de perto. Iremos compará-las para melhor as compreendermos.
“(…) vi uma mulher sentada sobre uma besta de cor de escarlata, coberta de nomes blasfematórios, com sete cabeças e dez chifres. A mulher estava vestida de púrpura e de escarlata (…); tinha na mão uma taça de ouro cheia das abominações e das imundícies da sua prostituição. Na sua fronte estava escrito um nome misterioso: Babilónia, a grande, a mãe das prostitutas e das abominações da Terra. Vi que a mulher estava embriagada com o sangue dos santos e com o sangue dos mártires de Jesus; e esta visão encheu-me de espanto”.
“Furioso contra a Mulher, o Dragão foi fazer guerra ao resto dos seus filhos, os quais guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus”.

Perante estes dois textos do Apocalipse, uma pergunta baila na nossa mente: de quem fala o profeta? Quem poderão ser ou representar estas mulheres com diferentes matizes?
Quer um texto quer o outro, ambos fazem referência à mulher, só que em diferentes cenários. A mulher descrita no capítulo 12 deste livro, para os comentadores, de uma forma geral, representa uma entidade – a Igreja cristã – “(…) A única interpretação incontestável é a que diz respeito à Igreja”. Quanto à mulher do capítulo 17, as opiniões começam a ser divergentes, oscilando entre: Igreja e Roma.
Quanto a nós, pensamos que a mulher do capítulo 17, mais que não fosse, por uma questão de ritmo e coerência do todo, como veremos, indica uma Igreja com características diferentes da do capítulo 12! Quando a Bíblia fala de Israel para dar a conhecer a sua infidelidade em relação a Deus, este é sempre apresentado como uma mulher que tem duas vertentes: fiel e prostituta.
O Antigo Testamento contém muitas referências a ambas as vertentes. Repare, prezado leitor, por exemplo, neste contexto, na forma poética que o profeta Jeremias utiliza para descrever a relação entre Deus e Israel: “(…) lembro-me da tua fidelidade no tempo da tua mocidade; do amor dos teus desponsórios, quando Me seguias no deserto, naquela terra que se não semeia. Era então Israel propriedade sagrada do Senhor” – Jeremias 2:2,3. O mesmo profeta descreve, logo a seguir, o caso contrário – infidelidade – quando reforça a metáfora conjugal: “Tu, pois, que te tens prostituído a inúmeros amantes, poderás voltar para Mim?” – Jeremias 3:1
Desde já, pensamos, poderemos, em plena consciência, afirmar que a mulher do capítulo 12, representa uma característica da Igreja! Assim é, pelo menos, o que também pensa o nosso autor, quando afirma que: “(…) a mulher (…) só pode ser a Igreja cristã”. Se assim é, então porque é que, de repente, o mesmo símbolo, para certos autores, significará outra realidade diferente, a saber: “(…) Roma imperial da época, que se tornou o símbolo da perversão política, cultural, religiosa”?
Já reparou, prezado leitor, num interessante pormenor que o profeta Jeremias nos mostra - uma dualidade de cenários: o deserto e o habitado. No dizer do profeta, ao recordar o passado, o bom tempo passado juntos, no deserto, (Deus - o esposo e Israel - a esposa), assim se expressa: “(…) Israel era propriedade sagrada do Senhor” – Jeremias 2:3. Depois, devido ao contacto com os outros povos e respectivas influências, o resultado não se fez esperar; aconteceu o pior, espiritualmente falando: a prostituição - “Que injustiça encontraram em Mim para se afastarem de Mim? (…)” – Jeremias 2:5; ou ainda “(…) o Meu povo abandonou-Me (…)” – Jeremias 2:13 ; ou ainda “(…) amo os estrangeiros e quero segui-los” – Jeremias 2:25.
Sob este pano de fundo - Deus o esposo fiel e Israel, a esposa nem sempre fiel - podemos facilmente situar Israel (a Igreja) nos diferentes cenários: Apocalipse 12 e 17! Vejamos alguns detalhes destes dois símbolos para que nos apercebamos dos contrastes existentes:
Perante esta comparação de contrários, a primeira imagem que salta aos olhos é que, não somente ambas são identificáveis com a mesma realidade (Igreja), como também evidenciam a fidelidade e o seu contrário! Que conclusão poderemos tirar como corolário desta grelha de dados? Quanto a nós subscrevemos totalmente, não só o esquema que nos é proposto, como também a conclusão de que a “identidade da prostituta do Apocalipse não é uma potência pagã nem um poder político. Na linha das imagens da Bíblia, a prostituta do Apocalipse simboliza a infidelidade do povo de Deus; na perspectiva do Novo Testamento, é a Igreja que se desviou e se comprometeu com os amantes da terra”.
Esta mulher que também representa uma Igreja corrompida! Ela está prostituída! O que é curioso neste capítulo 17 do Apocalipse é que aqui a ênfase recai totalmente sobre a mulher! Esta, apesar de representar uma Igreja, está totalmente identificada com o Dragão, que é Satanás (Apocalipse12:9).
Mas esta Igreja prostituída ainda mantém a aparência e a forma religiosa! Já reparou bem? Ela tem na mão uma “taça” um cálice! Este não contém, “(…) a nova aliança no Meu sangue (…)” – S. Lucas 22:20, por estranho que possa parecer! Mas está cheio de “abominações e imundícies” – Apocalipse 17:4! Se recordarmos o que é dito do v. 1-6, e tendo em conta este cenário, poderemos elaborar algumas considerações, a saber:

1- Como Igreja, perdeu a sua razão de ser;
2- Deixou de ter comunhão com Deus;
3- Afastou-se da comunidade que lhe deu origem, para instituir-se com estrutura de poder;
4- Utiliza a opressão política e institucional para atingir os seus fins. Estes últimos são blasfemos, visto que a Igreja instituída deixou de ouvir a voz de Deus.

Esta deixou de falar através da comunidade dos fiéis, para falar em nome próprio, com a pretensão de ser, ela mesma, a voz de Deus! Deixou de representar o povo de Deus porque esta não ouve nem obedece à voz da verdade – a Deus!
Quanto à outra, a mulher fiel, o texto de – Apocalipse 12:17 - revela-nos que o Dragão atacará, impulsionado pela fúria, a todos quantos estão abrangidos pela letra e espírito do texto apocalíptico, a saber: 1- Ao resto dos filhos da mulher (Igreja); 2- Aqueles que: a) Guardam os Mandamentos de Deus; b) Que têm o Testemunho de Jesus.
Estes, que são designados como sendo o “resto” da mulher, quem poderão ser? Confessamos a nossa ignorância: NÃO SABEMOS! Mas uma coisa sabemos - exactamente o que o texto nos esclarece – as características que definirão este “resto”, este “remanescente”! Estas estão expressas, não é preciso adivinhar!
Quais são? Recordamos: a) Guardam os Mandamentos de Deus; b) Que têm o Testemunho de Jesus. Quem, eventualmente poderá ser? À luz do esclarecimento bíblico, quem estará à altura de preencher estes requisitos? Os judeus, porque guardam os Mandamentos de Deus? Se bem entendemos os textos, tal não deve ser, “(…) visto, porém que a repelis (a Palavra de Deus) (…) voltamo-nos para os pagãos” – Actos 13:46!
Se estes, como povo, não são, perguntamos: quem poderá ser? Cremos encontrar uma possível resposta em S. Paulo “(…) Paz e misericórdia ao Israel de Deus” – Gálatas 6:16; cf. Romanos 9:6; 11:25-27. Quanto a nós, embora não haja uma unanimidade de interpretação, opinamos pelo “Israel de Deus, em distinção do Israel segundo a carne”. Mas, para o propósito em causa, pouco importa visto que o texto em lide não faz distinção entre povo e povo, ou confissões religiosas!
A Bíblia unicamente faz a distinção entre os que guardam, observam os Mandamentos de Deus e os que o não fazem! Isto, por outras palavras, quer dizer que o tal “resto” será conhecido e reconhecido por Deus, não porque - desde o seu nascimento pertence a este ou aquele povo, a esta ou àquela confissão religiosa - mas porque se mantém fiel aos ensinos da Palavra de Deus. Portanto, trata-se de um todo que terá algo em comum: os Mandamentos de Deus, e não serão conhecidos, repetimos, por uma formal aderência a uma Igreja, quem quer que ela seja!
É evidente que, como facilmente se compreenderá, existindo pessoas que tenham algo em comum, tendencialmente, se unirão! Estas têm a mesma fé, partilham a mesma esperança e princípios. Porque ser cristão, prezado leitor, não é, segundo Jesus, frequentar um culto, seja ele qual for, por este ser muito antigo, ou ainda porque a ele assiste a maioria, uma elite, socialmente falando! Mas, unicamente, quando a nossa vida e ensinos estiver de acordo com o que nos revelam as Escrituras, a saber: “Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor entrará no reino dos céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos céus” – S. Mateus 7:21 (sublinhado nosso)
Ainda a propósito do texto do Apocalipse 12:17, gostaríamos de abrir um pequeno parêntesis para fazermos um brevíssimo reparo à tradução e comentário que o nosso autor faz ao texto em lide. Efectivamente, não compreendemos o porquê da referida tradução! Apesar de conhecermos as nossas limitações linguísticas, a tradução apresentada, na última parte do versículo, não tem grande coisa a ver com o original! Passaremos a apresentar, para comparação, a tradução proposta e o texto original.
Perguntamos, prezado leitor: que relação tem a tradução proposta com o original? Será só para ser diferente?
Depois, ao comentar o texto assim vertido, o autor acrescenta que estes “ estão em oposição aos cristãos que não resistiram às perseguições”! Para o autor em questão, “o Dragão e a Serpente só pode ser o Império Romano” – e, sendo assim, já facilmente se compreenderá a tradução apresentada, para fazer realçar, sob a perseguição imperial, a diferença entre os que permaneceram fiéis a Jesus e os que o não conseguiram!
Só que, tal interpretação do Dragão é abusiva e contradiz frontalmente o que, o texto claramente esclarece! Um pouco mais à frente, é-nos dito que: “O grande Dragão, a antiga Serpente, o Diabo, ou Satanás (…)” – v. 9. Então, como facilmente se compreenderá, por exclusão de partes: se a tradução apresentada não tem qualquer sentido, em relação ao original - de igual modo o seu comentário também o não tem! E bastará ler o versículo com atenção para que o leitor se aperceba que não se trata, de modo algum, de mostrar vencedores, mas unicamente revelar a todo aquele que lê - quem será o alvo – da ira do Dragão!
A Igreja verdadeira deixou um resto com características que o identificariam como tal! Como já dissemos, não existe, como – resto – uma Igreja, mas unicamente pessoas que aderirão a este selo, esta marca identificadora de possuírem a Verdade! O Dragão ou Satanás, tal como o define as Escrituras, tem ao seu dispor, nos nossos dias muitas confissões religiosas, guarnecidas por verdadeiras multidões espalhadas pelo globo! Mas o profeta revela que, o “resto” que incomoda o Dragão, porque segue o seu evangelho, a sua vontade ou doutrina, será alvo de uma “guerra”!
“O Dragão foi fazer guerra”! Porquê? Já pensou, prezado leitor, na razão desta declaração de guerra? Já notou que ninguém o magoou fisicamente ou até lhe faltou ao respeito? Estas, em termos humanos, seriam causas maiores que justificariam, talvez, uma agressão da parte ofendida em legítima defesa da honra e do bom nome, não é verdade? Mas não! Por estranho que pareça, a ira, o ódio só têm uma única razão: esta criatura quer ser adorada como Deus, mas só os que conhecem as Escrituras é que estarão habilitados a responder negativamente a tal pretensão! Porquê? Porque só a Bíblia e não outra fonte qualquer, é que nos esclarece quem é, realmente, quem! Por outras palavras mais simples: só estes é que estarão à altura de DESMASCARAR os seus subtis ardis, não outros!
Estes, prezado amigo, incomodam o Dragão porque podem demonstrar pelas Escrituras o não fundamento de certos ensinos pseudo-bíblicos; estes são, tal como a profecia aponta “os que guardam os Mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus”. E quanto à restante cristandade, por inerência, confissões religiosas? Nunca o incomodaram, sempre estiveram ao seu lado – na pseudo-verdade – por isso, não existe ira ou guerra da parte do Dragão, como facilmente se compreenderá!

Bibliografia:
André Feuillet, L’Apocalypse, Paris, Ed. Desclée de Brouwer, 1962, p. 96 ; Cf. Leonhard Goppelt, Teologia do Novo Testamento, 2ª ed., Brasil, Ed. Vozes, 1983, Vol. I e II, p. 453
Idem, p.454; Cf. Charles Brutsch, op. cit., pp. 277,278
Joaquim Carreira das Neves, OFM, op. cit., p. 124
Charles Brutsch, op. cit., p. 278, nota 4
Jacques Doukhan, Le Cri du Ciel, pp. 223,224
F. J. Leenhardt, Epístola aos Romanos, S. Pulo, Ed. ASTE, 1969, p. 304, nota 33; Cf. Frédéric Godet, Commentaire sur l’Epître aux Romains, 3ª ed., Genève, Ed. Labor & Fides,1968, pp. 402-406
Joaquim Carreira das Neves, OFM, op. cit., p. 124
Ibidem

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

CONFLITO ENTRE O BEM E O MAL

Quem é realmente quem? Que solene pergunta? Mas quem terá a resposta? No conflito entre o Bem e o Mal, tanto quanto saibamos, só um único livro tem autoridade para falar e nos esclarecer – as Sagradas Escrituras!
Vejamos, muito brevemente, o capítulo 13 do Apocalipse, que mais não é do que a descrição, em detalhe, do quanto acabámos de analisar acima. Aqui encontramos alguns elementos desta mesma tensão. Este capítulo fala-nos do Dragão e de duas bestas: 1- Uma que vem do mar – v. 1-10; 2- Outra que vem da terra – v. 11-18.

a) A Besta do mar
Na sequência das possíveis interpretações, esta “besta que sobe do mar reconhecemos ser o Império idólatra dos 10 primeiros Césares”, ou um poder contrário a Deus , o “Anticristo”.
O v. 4 diz: “Adoraram o Dragão porque deu à besta o seu poder e adoraram a besta, dizendo: «Quem é semelhante à Besta (…)»”. (sublinhado nosso). Numa primeira conclusão vemos que o Dragão é adorado pela besta, assim como esta última também o é!
Note-se, inerente a esta besta, uma particularidade interessante! Esta, após ser ferida de morte, recupera e os seus adoradores exclamam: “Quem é semelhante à Besta”! Em primeiro lugar, este título, encontramo-lo, no Antigo Testamento, unicamente atribuído ao próprio Deus: 1- “Quem entre os deuses é como Tu, Senhor (…)” – Êxodo 15:11; 2- “(…) «Senhor, quem é como vós?» (…)” – Salmo 35 (34):10. Em segundo lugar, este mesmo título está associado a Miguel (Mi ka ‘el) - Aquele que luta pelo povo de Deus.
O livro do profeta Daniel revela-nos que: “(…) Miguel, um dos principais Príncipes, veio em meu socorro (…). Ninguém me ajuda nestes trabalhos a não ser Miguel, o vosso Príncipe” – Daniel 10:13,21. No livro do Apocalipse: “Travou-se, então, uma batalha no céu: Miguel e os seus anjos pelejavam contra o Dragão (…)” – Apocalipse 12:7.
O título “Miguel, na angelologia de Daniel, é o anjo que conduz o povo de Deus e o defende contra os seus inimigos. O seu nome significa: «Quem é como Deus?»”
A besta, neste grito de vitória dito pelos seus adoradores: - “Quem é semelhante a” - está a chamar a si mesma um título que pertence, como vimos, exclusivamente, à divindade!
Isto quer dizer que neste capítulo 13 estamos em presença de: dois chefes supremos, duas forças e, consequentemente, de duas religiões! Ainda neste capítulo, e como veremos mais abaixo no detalhe, quando abordarmos a sua marca de identificação, veremos uma espécie de “Trindade Satânica”, constituída pelo: 1- Dragão; 2- Besta do mar; 3- Besta da terra.
Iremos, de seguida, fazer algumas comparações entre estes dois poderes, estas duas expressões - “Quem é semelhante a”. Vejamos:

b) A Besta da terra
Esta profecia, começa por dar a conhecer um pormenor estranho, esta tem: “(…) dois chifres semelhantes aos de um cordeiro, mas falava como o dragão” - V. 11. Quem poderá ser esta segunda besta vinda da terra? Transcreveremos uma ideia que, apesar de ser expressa por outras palavras é comum a muitos comentadores: “Se se reconheceu na primeira besta o símbolo do Império divinizado, é normal que se veja nesta segunda o falso profeta, o sacerdote imperial”.
O texto bíblico continua e diz: “(…) e obrigava a terra e os seus habitantes a adorar a primeira besta” – v. 12. Aqui notamos uma coisa interessante: Contrariamente à primeira besta, esta não chama a si qualquer adoração mas, unicamente obriga a adorar a primeira besta! Será que isto quererá dizer que esta segunda besta não é, a exemplo da primeira, um poder religioso mas político, na medida em que vai ao ponto de usar meios coercivos para se fazer obedecer? Pensamos que sim!
Eis algumas das suas características:

1-Foi-nos dito que tinha algo de “cordeiro” mas que, por oposição, falava como o “dragão”. Aparentemente é mansa - como um cordeiro – mas escondendo a arrogância e ferocidade de um – dragão! Esta “(…) persuadiu-os a fazer uma imagem da Besta que sobrevivera ao golpe da espada” – v.14. Esta age sob o poder do Dragão, o qual já sabemos de quem se trata!

2- Logo a seguir, somos informados que esta “exercia todo o poder da primeira besta (…) – v. 12. Se assim acontece e, tendo em conta que esta primeira besta recebe o seu poder do Dragão v.4, então ambas actuam sob o mesmo patronato – o Dragão!

3- “(…) persuadiu-os a fazer uma imagem da Besta que sobrevivera ao golpe da espada” – v.14. (sublinhado nosso). Segundo somos esclarecidos por alguns comentadores, estas bestas representam o sistema imperial romano! No entanto, este texto esclarece que a primeira besta reviveria! Será que iremos ter, de novo, um Império como o do passado ou este pequeno pormenor quer revelar-nos outra realidade bem diferente? Assim, a identificação feita pela generalidade dos comentadores não nos parece lá muito sólida, convenhamos!

c) Autoridade ou submissão?
Quando lemos o capítulo 13 do Apocalipse, é-nos declarado que o Dragão dá a estas duas bestas um grande poderio. Mas se fizermos uma leitura mais atenta, veremos que este “poderio” não é mais do que uma situação episódica, muito embora se estenda pelo tempo longo!
Assim, em ambas as bestas encontramos uma característica que lhes é comum, isto é, a forma verbal – Edothê (consentir em dar). Esta é um derivado do verbo – Didômi (dar). Portanto, um SER muito acima do Dragão lhe outorga poder para que este, por sua vez, o conceda a outrém!

1- Quanto à besta do mar: é-nos dito que: 1- “Foi-lhe permitido (Edothê) proferir
palavras arrogantes (…) e deram-lhe (Edothê) o poder de agir (…)” - v. 5; 2- “Foi-lhe permitido (Edothê) fazer guerra aos santos (…); deu-se-lhe (Edothê) poder sobre (…)” – v. 7.

2- Quanto à besta da terra: as Escrituras informam-nos que executará: 1- “(…) prodígios que lhe foi permitido (Edothê) fazer (…)” – v. 14; 2- “Foi-lhe concedido (Edothê) o poder de (…) v. 15.

Que quererá isto dizer? Apesar do Dragão ter tanto poder, tudo o que faz é sob – autorização, permissão, concessão! Isto faz-nos recordar um certo professor que tivemos que dizia a respeito de Satanás: “o raio de acção desta personagem é o mesmo do de um cão feroz”! Por outras palavras, a ferocidade deste é igual ao tamanho da corda que o prende à casota. Pois se estivermos um pouco afastados desta corda, para que servirá a sua ferocidade? Ele não nos consegue alcançar porque a corda é curta, não é verdade?
Assim se passa o mesmo com Satanás. Ele só vai até onde Deus o permitir, até onde a corda esticar, nem mais um centímetro! Assim sendo, esta personagem não tem o direito natural de: 1- Governar; 2- E, muito menos… de ser Adorada!
Ora, se esta permissão (Edothê) lhe é outorgada, também esta acção implica, forçosamente, a existência de um período de tempo útil, não para todo o sempre! Por outras palavras – este poder - lhe será retirado, até mesmo a sua própria existência! O poder lhe foi outorgado e, num determinado tempo, este lhe será retirado por esse Ser Todo Poderoso – o Grande DEUS Criador!
Qual o porquê desta outorga de poder; a existência do Mal e respectivos representantes? Será pelo prazer de ver sofrer os Seus filhos? Leiamos a resposta dada pelo Senhor na Sua Palavra: “Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapasse as forças humanas. Deus é fiel e não permitirá que sejais tentados além das vossas forças. Pelo contrário, junto com a tentação, também vos dará meios de suportá-la para que assim possais resistir-lhe” – I Coríntios 10:14; ou ainda “Feliz o homem que suporta a provação, porque depois de ter sido provado, receberá a coroa da vida que o Senhor prometeu aos que O amam” – Tiago 1:12.
Como é que provamos, mesmo até a nós mesmos, que amamos de verdade se não formos testados acerca do que dizemos amar e querer? Deus deseja formar um povo, homens e mulheres de fibra. Exactamente como alguém o disse: “homens que se não comprem nem se vendam; homens que, no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o pecado pelo seu nome exacto; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é recto, ainda que caiam os céus”. Eis o objectivo supremo do teste.

d) O Prodígio
A besta aproveitará o dom que Deus lhe outorgou – o Tempo! Tentará fazer o máximo no pouco tempo que lhe resta! Não foi o Tempo criado por Deus? Satanás sabe-o muito bem! E, permita-nos que o diga: sabe-o muito melhor do que nós! Ele tem consciência do “pouco tempo” que lhe foi concedido para que possa actuar! Só que este “tempo” é relativo; para ele, devido à sua dimensão cósmica, não para nós que estamos limitadíssimos no tempo!
O nosso tempo de existência, grosso modo, em média são 70 anos, enquanto que ele permanece! Tantas e tantas vezes desperdiçamos o nosso tempo em futilidades! Este nunca o faz! Vejamos dois avisos de Deus acerca desta personagem, ligados ao tempo: 1- “Sede sóbrios e vigiai! O diabo, vosso adversário, anda ao redor de vós como um leão que ruge, buscando a quem possa tragar (…)” – I Pedro 5:8 (sublinhado nosso); 2- “Ai dos que vivem na terra e no mar, porque o Demónio desceu sobre vós, cheio de furor, sabendo que já tem pouco tempo” – Apocalipse 12:12 (sublinhado nosso).
Portanto, em síntese: 1- Convite à vigilância; 2- Denunciado o Adversário; 3- Busca incessante de incautos; 4- Inimigo cheio de ódio; 5- Sabe que tem pouco tempo.
Mas existe uma promessa: o verdadeiro filho de Deus será VENCEDOR! Sim, prezado leitor, apesar de tudo isto, da dureza das provas e aflições, o povo de Deus vencerá! Mas como? Com que poder? O livro do Apocalipse o revela claramente! Ora veja: “Eles venceram-no pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho (…)” – Apocalipse 12:11. Aqui temos o segredo da vitória.
Em Apocalipse 12:17, como vimos, encontrámos o objecto da ira do Dragão. Vejamos, em paralelo as semelhanças entre os dois textos:
Se virmos bem: as razões que motivam a guerra do Dragão são as mesmas que produzirão a vitória dos filhos de Deus! Ou seja: os vitoriosos só poderão ser aqueles que manejam bem a “palavra do seu testemunho”; aqueles que aproveitam o melhor possível o tempo que lhes foi dado por Deus para conhecerem o Seu “testemunho” – a Sua Palavra!
Assim, como o seu tempo será curto, para que consolide o seu prestígio; e para que a demonstração do seu poder fique sem qualquer contestação, operará grandes prodígios, como se de Deus! Esta manifestação de poder será de tal ordem que “(…) até fez descer fogo do céu sobre a terra, à vista de todos os homens” – Apocalipse 13:13.
Este tipo de manifestação de poder não é nada de novo! Recordamos aqui o episódio do profeta Elias quando orou para que Deus se manifestasse através do fogo: “De repente o fogo do Senhor baixou do céu e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, a poeira e até mesmo a água do sulco” – I Reis 18:38; cf. II Reis 1:10.
Mais tarde, esta manifestação será recordada por dois discípulos de Jesus – quando os samaritanos os não receberam. Estes, indignados, perguntaram a Jesus: “«Senhor, queres que digamos que desça fogo do céu e os consuma?»” – Lucas 9:54
O profeta Elias é recordado porque, segundo a profecia de Malaquias: “Eis que vou enviar-vos o profeta Elias, antes que chegue o meu dia, grande e terrível. Ele aproximará o coração dos pais do dos filhos (…) – Malaquias 3:23,24 (4:5,6). Assim, a besta procederá “como Elias, chamando fogo do céu à vista de todos os homens. Como um falso Elias ela preparará o caminho para o falso Messias”.
Estes prodígios têm uma particularidade interessante: “Engana os habitantes da terra com os prodígios que lhe foi permitido fazer (…) – Apocalipse 13:14 (sublinhado nosso). Mas como é que isto é possível? Será que o fogo é irreal? Será que não se vê? Será que é só uma aparência de fogo? Continuamos a pensar na literalidade do texto! Então se assim é, onde é que está o engano? Quanto a nós, este reside não na manifestação, porque é visível, mas em nome de quem tudo é feito!
Tudo se passará em nome de Deus! Para aqueles que, uma vez mais, não conhecerem a Palavra de Deus e os Seus ensinos acerca desta personagem e métodos de actuação - tudo se passará em nome de Deus! Só que a verdade é outra, bem diferente! Repetimos: só o conhecedor das Escrituras saberá distinguir a subtileza do erro! Ele não será desmascarado de outra forma! Tal qual como vimos acima, ele será desmascarado e vencido, somente por aqueles que “têm a palavra do Seu testemunho”.
Jesus, já no Seu tempo alertou os seus discípulos para os sinais do fim do tempo, da história desta terra. Ele disse: “hão-de surgir falsos Cristos e falsos profetas que farão grandes milagres e prodígios, a ponto de desencaminharem, se possível, até os eleitos” – S. Mateus 24:24 (sublinhado nosso). Que prodígios serão estes assim tão sublimes que, “se possível desencaminharão os próprios eleitos”? Veja! Se isto poderá até “desencaminhar” os que conhecem, então o que há-de acontecer àqueles que nada conhecem? Uma vez mais, para estes últimos, tudo se passará como sejam fenómenos feitos pelos verdadeiros servos de Deus!
E quanto ao poder de Satanás? S. Paulo o esclarece: 1- “Esses tais falsos apóstolos, operários desonestos, que se disfarçam em apóstolos de Cristo. E não é de estranhar, porque o próprio Satanás, se disfarça em anjo de luz” – II Coríntios 11:13,14 (sublinhado nosso). Se se disfarça é porque não é a entidade que está a representar, não é verdade? Este poder fará tudo para parecer ser o que, infelizmente, sempre desejou ser – igual a Deus – como acima já o dissemos! Pobre criatura!; 2- A sua derradeira cartada de mestre será imitar o esplendor que acompanhará a segunda vinda de Jesus.
S. Paulo nos alerta para este facto: “Então aparecerá o ímpio, que o Senhor Jesus destruirá com o sopro da Sua boca e aniquilará com o resplendor da Sua aparição. A vinda do ímpio será acompanhada, graças ao poder de Satanás, de toda a espécie de milagres, de sinais e de prodígios enganadores” – II Tessalonicenses 2:8,9 (sublinhado nosso). Já reparou? Ele virá, precedido por grandes milagres, sinais e prodígios - de MENTIRA! Graças a Deus porque não nos deixa em trevas acerca do que irá acontecer!
E nos nossos dias, o que é que está a acontecer? Nada de novo, ou algo que nos faça pensar, em termos espirituais? Vejamos: Hoje, mais do que nunca, os Movimentos religiosos não cessam de aparecer! E o que é que têm para oferecer? Tudo o que o prezado leitor desejar ouvir! Porque não uma cura?! Passando por cima de fraudes financeiras e afins, destas ditas confissões religiosas, iremos ver este procedimento, unicamente à luz do quanto vimos até aqui:
O que é que as Escrituras nos dizem a este respeito? Através delas será que poderemos detectar a falsificação destes actos praticados em nome de Deus? Uma vez mais, a Palavra de Deus tem a resposta. Vejamos: “Pelos seus frutos, pois, os conhecereis. Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus. Muitos Me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não foi em Teu nome que profetizámos, em Teu nome que expulsámos os demónios e em Teu nome que fizemos muitos milagres? E então, dir-lhes-ei: Nunca vos conheci; afastai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade.” – S. Mateus 7:20-23.
Vamos a imaginar a cena: Jesus encontra-se, permitam-nos, à porta do reino dos Céus. Ali se apresentarão os eventuais usufrutuários e apresentarão as suas credenciais! Estas quais são? Nós fizemos isto e mais isto – EM TEU NOME! E, para que não hajam dúvidas até trouxemos o vídeo respectivo das sessões feitas na Igreja! E eis que agora Tu nos dizes: “Nunca nos conheceste”? Mas que brincadeira vem a ser esta? Então, os milagres, curas, exorcizações e profetismo? Estas manifestações foram feitas em nome de quem? Segundo o vídeo que trouxemos, tudo foi feito no TEU NOME! Repare que, este candidato à eternidade tinha a impressão de ter invocado o nome de Jesus… não o do (outro)!
Pois é, tudo em nome de Jesus…e Ele nunca ali esteve! Que tristeza, não é verdade? Não esqueçamos o conselho áureo do próprio Jesus: “Pelos seus frutos, pois, os conhecereis. Nem todo o que Me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus (…)”. É aqui, prezado amigo leitor, que reside o cerne da questão! A nossa religiosidade não pode ser só - o faz de conta, a aparência, a maioria, o parece bem, nada mais! Por isso Cristo acrescentou: 1- “Nunca vos conheci;”; 2- “afastai-vos de Mim, vós que praticais a iniquidade (Anomia)” – isto é, ilegalidade, injustiça, pecado.
Poderia a Palavra de Deus ser mais clara? Cremos nela encontrar tudo quanto precisamos, a nível da informação para resistir ao embate final que se avizinha! Preparemo-nos, eis o convite da Palavra de Deus a todos aqueles que desejam vencer pelo Seu testemunho – a Sua Palavra!

e) Adoração
Quem é que tem direito à adoração? A resposta é única: DEUS! E porquê? Pela simples razão de que só Ele é o Criador “dos céus, da terra, do mar e de tudo o que existe” – Apocalipse 14:7
Devido ao seu estatuto de “criaturas criadas”, por muito excelsas que o sejam, não têm esse direito, repetimos! Certa vez, Simão Barjonas recebeu na sua casa um gentio romano chamado Cornélio. Este, ao aproximar-se “(…) caindo-lhe aos pés, prostrou-se (Proskuneô). O apóstolo levantou-o, dizendo: «Levanta-te, que eu também sou homem»” – Actos 10:25,26. No Apocalipse encontramos: 1- Quando S. João se preparava para adorar o anjo que com ele falava: “Prostrei-me aos seus pés para o adorar (Proskuneô), mas ele disse-me: «Não faças isso; sou um servo como tu e como os teus irmãos (…)” – Apocalipse 19:10; 2- “Depois de as ver e ouvir prostrei-me aos pés do anjo, que mas mostrava, para o adorar (Proskuneô). Mas ele disse-me: «Não faças isso! Sou um servo como tu (…). Adora (Proskuneô) a Deus” – Apocalipse 22:8,9
Portanto, pudemos ver que, quer anjos e homens, todos estão excluídos do direito à adoração. E quanto ao Dragão, o Diabo, Satanás, a antiga Serpente? É um deus ou só um anjo magnífico em poder? Quem é ele? A Bíblia o trata por muitos nomes: Acusador, sedutor, pai da mentira, príncipe deste mundo, anjo de luz, etc, etc.
No profeta Ezequiel encontramos uma descrição acerca do rei de Tiro. Mas, de uma forma velada, o texto em questão vai muito para lá deste monarca, pois representa uma outra realidade que não o rei de Tiro. Vejamos o texto: “Estavas no Éden, jardim de Deus; cobrias-te de toda a espécie de pedras preciosas (…) desde o dia em que foste criado. Eras um querubim (anjo) protector (…). Eras irrepreensível em tua conduta desde o dia em que nasceste, até que se achou iniquidade em ti.” – Ezequiel 28:13-15.
Pelo teor dos versículos, vê-se claramente que a realidade tem outra dimensão para além do humano rei de Tiro! Este nunca esteve no jardim do Éden e, muito menos, era um “querubim”! Este deve ser um dos versos bíblicos que esta entidade mais odeia! Sabe porquê? Porque põe a nu aquilo que ele sempre foi: uma criatura criada! Porque, só um ser Criador é que tem direito à Adoração! E, tanto quanto saibamos, este poder está ausente desta entidade! Provas? As Escrituras no-lo revelam claramente. Vejamos alguns exemplos bíblicos: as Pragas do Egipto; até que ponto esta personagem tentou anular o plano de Deus para o Seu povo:
Água em sangue “(…) Araão levantou a vara e todas as águas se transformaram em sangue” – Êxodo 7:19,20 “(…) Os magos do Egipto fizeram o mesmo com os seus encantamentos (...)" - Êxodo 7:22

Rãs “(…) estende a tua vara e manda subir rãs (…) – Êxodo 8:1(5) “Mas os magos do Egipto fizeram o mesmo com os seus encantamentos (...)" - Êxodo 8:3(7)

Mosquitos “(…) fere o pó da terra e este transformar-se-á em mosquitos (…). Todo o pó da terra se transformou em mosquitos.” – Êxodo 8:12,13,(16,17) “Os magos lançaram mão dos seus encantamentos, mas não conseguiram. (…). Eles disseram ao Faraó: «Está aí o dedo de Deus»” – Êxodo 8:14,15,(18,19)

O que é que este quadro nos mostra? Exactamente as limitações do seu enorme poder! Só numa manifestação é que falhou! Sim, prezado leitor, não conseguiu dar poder a estes magos para poderem imitar a 3ª praga! Porquê? Porque se tratava de um ACTO CRIADOR! As pragas anteriores consistiam em suscitar o que já existia! Esta última visava fazer com que o pó se “transformasse” num ser vivo! Perante esta impossibilidade, os falsos criadores tiveram que reconhecer, vencidos, que aquilo os ultrapassava, mesmo ao seu patrono, porque era um acto digno do “dedo de Deus”!
Assim, com este pano de fundo, já poderemos compreender o porquê da segunda besta ter que usar meios coercivos, mesmo a morte, para obrigar aqueles que o não desejam fazer, isto é, – adorar a besta e a sua imagem! Não o querem fazer! Não porque sejam teimosos ou mal educados, mas porque sabem que só o verdadeiro Deus tem esse direito – o Deus Criador.
O convite é feito por Deus; somos livres de o aceitar ou não; a opção é nossa e feita em toda a liberdade! Este tem o seguinte teor: “«Temei a Deus e dai-lhe glória, porque chegou a hora do seu julgamento. Adorai (Proskuneô) Aquele que fez o Céu e a Terra, o mar e as fontes das águas»” – Apocalipse 14:7 (sublinhado nosso).
Este é o convite a todo o ser vivente. Compete-nos, pois, fazer a melhor escolha!

f) A Marca
Falámos acima na junção destes três poderes, que por sua vez, formavam “a Trindade da imperfeição”.
No final da actuação da besta da terra, é lançado um desafio ao leitor mais atento, quando é dito: “É aqui que é preciso sabedoria. Quem for dotado de inteligência calcule o número da Besta, porque é o número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis” – Apocalipse 13:18. Que número será este: 666? Quanto já foi dito e escrito a propósito?! Que poderemos nós, a este nível, acrescentar de “inteligente”? Todavia, gostaríamos de tecer umas breves considerações:
No senso comum o número 7 (sete) é o da perfeição; o número de Deus, da plenitude.
O Sétimo dia da obra criadora é um tempo sagrado – um pilar da Criação! Todo o contexto fala de ADORAÇÃO! Quando nesta se fala, entende-se a Criação por intermédio de um Deus Criador – Apocalipse 14:7. E qual é, dos dias da semana, o memorial da Criação e o qual também nos revela o nome do Criador de todas as coisas? Uma vez mais, é o 7º dia – o Sábado (Êxodo 20:8-11)!
Assim, o número 7 (sete) é um número, em termos religiosos, verdadeiro! É o número santificado por Elohim; é a pluralidade da divindade. Assim sendo, esta santidade só se poderá manifestar de uma forma tripla, isto é: Deus, o Pai = 7; Deus, o Filho = 7; Deus, o Espírito Santo = 7, portanto, não queremos chegar ao 777 (Setecentos e setenta e sete) mas a três números iguais em significado e plenitude: 7- 7- 7.
Quanto ao 6 é um número abaixo do 7. Nunca será o número da perfeição, da Criação, sem o Sábado. É, por conseguinte, um número imperfeito, o número do homem sem religião, sem Deus! Assim, de igual modo, por analogia, tal como o referimos acima, estamos perante uma Trindade Satânica, a saber: O Dragão = 6; a besta do mar = 6; a besta da terra = 6. Não nos alongaremos em explicações, quiçá, especulativas, acerca de quem aqui é representado! Para nós, neste preciso contexto, faremos a associação destas três forças malignas: 6- 6- 6! Este número 6 é quase, mas não é: a Plenitude, a Perfeição, a Verdade!
Assim, “666, o número da besta, é um querer e não poder; pois por mais que se esforce, nunca chegará a 7 7 7”. Que comparação poderá existir entre os números 6-6-6 e 7-7-7? Matematicamente e teologicamente, são diferentes! A não ser a veleidade de querer parecer ser 7-7-7, mesmo que para isso tenha que recorrer à mais extrema violência! Quanto a nós tudo está simples, compreensível, coerente racionalmente e em consonância, esperamos, com o espírito da letra do texto.