sexta-feira, 2 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
O SONHO DO REI (Daniel 2:1-49)
Na verdade, é impossível estudar o livro do profeta Daniel sem nos maravilharmos da extraordinária precisão dos detalhes históricos, políticos e religiosos revelados por Deus ao seu profeta séculos antes de tudo acontecer.
A razão de ser do profetismo é a de nos fazer conhecer a vontade última do Deus que só Ele conhece. Efectivamente a profecia é isto mesmo, tal como o revela e define claramente o profeta Amós ao dizer: - “Certamente o Senhor Jeová não fará coisa alguma sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas” – Amós 3.7.
Seja agradável ou desagradável o quanto Deus tem para revelar à criatura, o profeta deverá ser o veículo desta informação. Sempre existiram dois tipos de profetas: 1- falsos; 2- verdadeiros. Antes de abordarmos o tema da lição, abramos um pequeno parêntesis para vermos no Antigo Testamento alguns exemplos de verdadeiros e de falsos profetas:
a)- I Reis 22.1-38
Recordaremos aqui o interessante episódio passado entre o rei de Judá Jeosafá e o rei de Israel Acabe ao se coligarem para fazerem guerra à Síria.
Antes de empreenderem tal propósito, Jeosafá, rei de Judá, quis saber qual a vontade de Deus (v. 5) e, para o efeito, Acabe juntou cerca de 400 profetas. Estes, a uma voz disseram ao rei: - “sobe, porque o Senhor a entregará na mão do rei” – v. 6. Estes comportaram-se como “profetas da corte”, profetas funcionários de Estado “cuja função era de dizer ao rei, aos príncipes e aos poderosos deste mundo o que eles aguardavam, o que eles esperavam e o que eles gostavam de ouvir”.
Mas para estarem mais seguros, o rei Jeosafá quis ouvir uma segunda opinião e pergunta ao sei homólogo: - “Não há aqui ainda algum profeta do Senhor, ao qual possamos consultar” – v. 7. A resposta não se fez esperar e o rei Acabe disse: - “Ainda há um homem (…); porém eu o detesto, porque nunca profetiza de mim bem, mas só mal; este é Micaías” – v.8
Este foi trazido à presença do rei, mas antes de s apresentar ao monarca foi admoestado a corroborar o quanto fora dito pelos outros ao rei (v. 13). No entanto o profeta reiterou que só diria o quanto o Senhor lhe comunicasse para dizer (v. 14). De seguida, perante o rei este fez-lhe a mesma pergunta feita aos outros e a resposta sarcástica do profeta foi a mesma (v. 15). O rei percebeu e pediu-lhe para que, finalmente, lhe desse uma resposta.
A resposta, de uma forma velada, foi anunciar a morte de Acabe, ao dizer: - “vejo Israel disperso pelos montes, como ovelhas sem pastor” – v. 17. O rei irrita-se (v. 18) e, finalmente o profeta Micaías diz: - “Se tu voltares em paz, o Senhor não tem falado por mim” – v. 28.
A batalha deu-se e conforme a palavra do profeta Micaías assim aconteceu. Nesta sequência de factos cumpriram-se duas profecias:
1ª – A mais antiga – a proferida pelo profeta Elias em relação a Acabe responsável pelo assassinato de Nabote, dizendo: – “no lugar em que os cães lamberam o sangue de Nabote, os cães lamberão o teu sangue, o teu mesmo” – I Reis 21.18,19. Esta cumpriu-se neste recontro militar – cf. I Reis 22.38.
2ª – A mais recente - o rei Acabe morre (I Reis 21.34,37).
b)- Jeremias 27.14; 29.10; 37.17
Israel estava a sofrer devido às incursões militares de Babilónia. Os falsos profetas tinham mensagens de esperança e que tudo aquilo era passageiro, pois o Senhor os protegeria. A este propósito proferiram algumas mentiras, entre outras: - “Não servireis ao rei de Babilónia” – Jer. 27.14. Ou ainda: - “Eis que os vasos da casa do Senhor cedo voltarão de Babilónia” – v. 16 (cf. II Reis 24.13,14; Esdras 1.11; Daniel 5.2).
O profeta insurge-se em relação a estas mentiras (Jer. 29.8,9), visto que o que iria acontecer era precisamente o contrário! E assim disse a vontade do Senhor: - “Certamente que passados setenta anos em Babilónia vos visitarei e cumprirei sobre vós a minha boa palavra, tornando-vos a trazer a este lugar” – Jer. 29.10. Portanto, contrariamente ao que foi dito pelos falsos profetas, não só serviriam ao rei de Babilónia, como também o tempo de cativeiro seria longo, não curto, como fora anunciado!
Por outro lado, ao ter que proferir a palavra do Senhor, ainda que desagradável e colocando em risco a sua própria vida, a exemplo do caso anterior, com Jeremias aconteceu o mesmo.
O profeta Jeremias tinha aconselhado o último rei de Judá, Zedequias, a se submeter a Babilónia e a não confiar nas alianças militares, pois não serviriam para nada (cf. Jer. 37.7-9), mas foi tido por traidor e preso (v. 13-15)!
O rei mandar soltar o profeta e em sua casa faz a pergunta que desejava fazer e, se possível, obter uma resposta bonita, de esperança e de conforto. Mas como é que as coisas se passaram? Ora vejamos o que está relatado: - “o rei lhe perguntou: há alguma palavra do Senhor? E disse Jeremias: Há. E disse ainda: na mão do rei de babilónia eras entregue” – v. 17.
Apesar da sua integridade física estar em causa, o profeta limita-se a proferir a única e soberana vontade de Deus para o momento. Pois perante a recusa do rei ao conselho do profeta (Jer. 38.2-5,14-24).
Este é o perfil do verdadeiro profeta – anunciar a Palavra de Deus – ainda que esta não seja a mais agradável para a circunstância. Este foi, sem excepção, o caso do profeta Daniel.
I- O sonho do rei
a)- A amnésia
- Nabucodonozor ficou muito perturbado pelo sonho que tinha como imagem central – uma grande estátua – a qual era esmiuçada devido ao arremesso de uma pedra “cortada sem mão” – Daniel 2.34.
O rei ficou de tal modo impressionado com o grandiosidade do quanto sonhara que, estava a sofrer de amnésia, muito embora tivesse consciência de que o objecto do seu sonho era muito importante. O texto bíblico revela-nos que ele ficou angustiado pois queria saber o que sonhou e o qual o seu significado! Esta amnésia, ainda que parcial, dever-se-á a quê? Em primeiro lugar, tendo em conta a grandeza deste império, tal como o monarca o demonstrará mais tarde pelas suas próprias palavras (Daniel 4.30), uma resposta poderá ser por que “a estátua sonhada por Nabucodonozor não correspondia à ideia que o monarca tinha da sua história e do seu destino. Por isso, ele não ousa compreender e foge do sonho, esquecendo-o”. Em segundo lugar, talvez, por que não pensarmos no Ser que originou o sonho – Deus – para que pudesse preparar o cenário que se seguirá.
O rei irá ordenar a todos os sábios da sua corte, nomeadamente, os ditos profissionais da religião, que se apresentem diante dele para lhe revelarem não somente o conteúdo do sonho como também a sua significação. Assim, perante o rei apresentaram-se “os magos, os astrólogos, os encantadores e os caldeus” – v. 2. O fracasso foi total, ao ponto destes declarem ao rei que “não há ninguém sobre a terra que possa declarar a palavra ao rei (…) senão os deuses, cuja morada não é com a carne” – v. 10,11. O rei, enfurecido, decreta a morte de todos os sábios (v. 13). A notícia chega até Daniel pediu ao rei algum tempo (v. 16) para poder apresentar ao rei o sonho e o seu significado. O rei consentiu. Daniel orou a Deus e foi-lhe revelado o sonho numa visão de noite” – v. 19.
O que é que podemos ver no quanto o texto nos revela? Desde já, este capítulo nos permite assistir a uma espécie de duelo entre a astrologia pagã e a profecia israelita. Aqui estarão em oposição Jerusalém e Babilónia, dois pólos do pensamento religioso da antiguidade. Babilónia tinha afirmado a sua superioridade militar incontestável; a civilização dos caldeus era superior também no domínio das artes. A sua vitória militar sobre Jerusalém representava, segundo a mentalidade da época, igual vitória espiritual dos seus deuses sobre o Deus de Israel.
b)- O confronto
Em presença ficam os sábios de Babilónia “os magos, os astrólogos, os encantadores e os caldeus” – v. 2 - e o representante do profetismo israelita – Daniel.
A astrologia desenvolveu-se muito entre os Caldeus. A arte dos horóscopos obedecia a certas regras em que acreditavam como precisas e científicas. Acerca destes profissionais do oculto, veremos algumas lições encontradas no Antigo Testamento:
1- Astrólogos
Tal como o nome indica, caracteriza os que estudam os astros e pensam encontrar nestes uma resposta para os problemas humanos! Mas, será isto possível? Será que os astros têm, na realidade, algo a dizer?
É verdade que, desde sempre os astros, nomeadamente – o Sol (deus Shamash) e a Lua (deusa Sin) – foram adorados como deuses, nomeadamente na Mesopotâmia. No entanto, não deixa de ser curiosa a narrativa acerca da Criação nas primeiras folhas das Escrituras – no livro dos Génesis. Assim, quando lemos o que lá está escrito acerca destes corpos celestes, por estranho que possa ser – estes não têm nome! Aqui, o Sol é mencionado e identificado por “o luminar maior”, enquanto que a Lua é identificada por “o luminar menor” – cf. Génesis 1.16.! Esta forma tão peculiar de tratar estes dois astros levou certos autores a confessarem que “dizer em Babilónia que os astros – Sol, Lua e as estrelas - não são divindades mas simplesmente luminares, lâmpadas não era uma revolução metafísica, ontológica – era um crime, uma blasfémia, um sacrilégio em relação às divindades solares e lunares de Babilónia”.
Em resumo, no mundo pagão são conhecidos não só pelos seus nomes, como também adorados como deuses; nas Escrituras nem nome têm! Qual a razão? Talvez a encontremos nesta interessante explicação “é conhecida a ligação entre o Sol e a adivinhação. Ora, este desejo de interrogar o amanhã, tão fundamental em todas as religiões antigas, encontramo-lo ainda nos nossos dias, mesmo numa época como a nossa, dita científica, nos cartomantes, adivinhos e astrólogos. É tempo de acabar com este mito. E esta é a proposta da Bíblia. Esta o fez para os antigos Hebreus: ela retirou ao Sol toda a virtude divina ao atribuir-lhe unicamente a função de simples agente subalterno, agente natural escolhido por Deus para iluminar a terra. Um simples objecto luminoso. Segundo a Bíblia, o Sol não é divino. Ele nada sabe. Ele nada revela. Ele não é mais que um objecto criado por Deus, um corpo luminoso encarregado de regulamentar, ou antes, de marcar as estações, de iluminar o dia. Uma simples lâmpada! (…). O Sol e a Lua nada são em si mesmos, nada mais do que lâmpadas. (…). Objectos insignificantes que o autor nem sequer os nomeia!”
Tal como no passado, podemos constatar esta triste verdade nos nossos dias, onde são cada vez mais aqueles e aquelas que se dão a conhecer nas muitas páginas dos jornais – a oferecer os seus serviços de astrólogos! Na verdade “o homem moderno já não acredita em Deus: ele crê nas estrelas!”
2- Magos
Na Palavra de Deus detectamos a presença destes que se dedicam ao exercício da adivinhação e da magia.
Recordaremos aqui a fase que antecedeu a saída do povo de Deus do Egipto. O Senhor irá utilizar Moisés e Arão para manifestar o Seu grande poder. Para mostrar que só Ele é o único Deus e Criador dos Céus e da Terra, irá actuar, através dos Seus servos, nas dez pragas que cairão no Egipto até à libertação final do Seu povo da escravatura egípcia.
Veremos agora como Satanás, o inimigo de Deus, de igual modo actuou no passado contra os servos de Deus na tentativa de desacreditar o poder do Criador! Vejamos alguns exemplos:
1ª praga: - as águas tornam-se em sangue
Os servos de Deus – “Arão levantou a vara e feriu as águas (…) e todas as águas do rio se tornaram em sangue” – Êxodo 7.19,20
Os magos – “Porém os magos do Egipto também fizeram o mesmo com os seus encantamentos (ciência ocultas) (…)” – Êxodo 7.22
2ª praga: - as rãs
Os servos de Deus – “Arão estendeu a sua mão sobre as águas do Egipto e subiram rãs e cobriram a terra do Egipto” – Êxodo 8.5,6
Os magos – “então os magos fizeram o mesmo com os seus encantamentos (ciência ocultas) e fizeram subir rãs sobre a terra do Egipto” – Êxodo 8.7
3ª praga: - os piolhos / mosquitos
Os servos de Deus – “Estende a tua vara e fere o pó da terra para que se torne em piolhos por toda a terra do Egipto. (..) Arão estendeu a sua mão com a sua vara e feriu o pó da terra e havia muitos piolhos nos homens e no gado (…)” – Êxodo 8.16,17
Os magos – “E os magos fizeram também assim com os seus encantamentos (ciência ocultas) para produzirem piolhos, mas não puderam (…)” – Êxodo 7.22
Por que é que “não puderam”? Até aqui os truques empregues resultaram. Por que não agora? Antes de mais, vejamos a resposta parcial, dos mesmos, a esta pergunta: - “Então os magos disseram a Faraó: - Isto é o dedo de Deus (…)” – v. 19. Na verdade, aqui nada poderiam fazer para igualar, imitar, o que os servos de Deus fizeram pelo poder do Criador.
Porquê? Agora vejamos a outra parte da resposta e esta encontra-se no v. 16, quando Deus ordenou “fere o pó da terra para que se torne em piolhos”. Não como até aqui, suscitar a vida que já existe e manipulá-la. Agora estamos perante uma ordem criadora. … e esta só Deus a poderá dar, pois nunca o Senhor outorgou a qualquer criatura Sua, ainda que excelsa em poder, tal prerrogativa! Nem mesmo o patrono destes magos – Lúcifer, Satanás – com todo o poder que o caracteriza pôde fazer fosse o que fosse. Assim podemos compreender a confissão da sua impotência perante os servos de Deus, quando disseram: - “Isto é o dedo de Deus (…)” – v. 19
Como nota final desta parte e perante o que acabámos de ver, agora podemos compreender melhor a resposta que profissionais das “ciências ocultas” deram ao rei de Babilónia, quando disseram, em relação ao revelar o sonho e a sua interpretação, que “não há ninguém sobre a terra que possa declarar a palavra ao rei (…) senão os deuses, cuja morada não é com a carne” – v. 10,11. Estes que eram profissionais da mentira, agora vão reconhecer a única verdade, a mesma que o profeta Daniel irá confirmar ao rei, ao dizer: - “(…) o segredo que o rei requer, nem sábios, nem astrólogos, nem magos, nem adivinhos o podem descobrir ao rei. Mas há um Deus nos céus o qual revela os segredos”, pois Ele e só Ele “faz saber o que há-de ser no fim dos dias” – v. 27,28. Assim, quanto ao “conhecer o amanhã” é algo que está vedado a qualquer criatura, tal como aqui pudemos ver, não só a estes profissionais das ciências ocultas como também ao seu patrono – Lúcifer, Satanás – que, também ele, não passa, contrariamente à sua vontade – de uma criatura de Deus – nada mais (cf. Ezequiel 28.15)!
Assim, devido à incapacidade humana de revelar o amanhã e perante a ameaça de morte que pairava no ar – Daniel 2.13-15 - para todos os sábios de Babilónia e incluindo Daniel e os seus amigos, o profeta recorre, através da oração – v. 19-23 - à única fonte credível – “ao Deus do céu” – v. 18. Através desta, não somente Deus lhe revela “o profundo e escondido” – v. 22 – como também O louva por todas as bênçãos recebidas – v. 23.
II- A estátua – a interpretação
O sonho tinha como figura central uma grande estátua, tal como se encontra descrita nestes termos: - “A cabeça daquela estátua era de ouro fino; o seu peito e os braços de prata; o seu ventre e as suas coxas de cobre; as pernas de ferro; os seus pés em parte de ferro e em parte de barro. E estavas a ver tudo isto, quando uma pedra foi cortada, sem mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou (…) mas a pedra que feriu a estátua se fez um grande monte e encheu a terra” – v. 32-35.
a) A interpretação – v. 37-45
* A cabeça de ouro = Babilónia (v. 32,38)
A explicação dada por Daniel mostra que a história não pára em Babilónia, contrariamente ao que o rei pensava, pois lhe sucederão mais alguns impérios, tal como a História se encarregará de mostrar. O período de domínio de Babilónia estender-se-á desde 605 a. C. até à sua queda, em 539 a. C. pelo poder seguinte – os Medo Persas.
* Peito e braços de prata = Medo Pérsia (v. 32,39)
Na interpretação do sonho não encontramos, à excepção de Babilónia os nomes dos impérios seguintes, a não ser ao longo do mesmo livro. Ao designar o poder seguinte, o profeta fá-lo através destas palavras quando se dirige ao último rei de Babilónia: - “o teu reino foi dividido e deu-se aos medos e aos persas” – Daniel 5.28.
Tal como a profecia apontava, assim aconteceu – “um reino inferior ao teu” – v. 39. Portanto, do metal ouro se passou para a prata (v. 32) para caracterizar o poder agora dominante. A queda do poder Medo Persa é ilustrado pela visão que encontramos mais à frente, ao referir que “o carneiro (Medo Persa) tinha duas pontas, uma mais alta do que a outra. (…)” – Daniel 8.3. O profeta não nos deixa especular sobre o significado do carneiro e por isso revela que “Aquele carneiro que viste com duas pontas são os reis da Média e da Pérsia” – Daniel 8.20.
O período deste segundo poder estendeu-se desde 539 a. C. (queda de Babilónia), até ao ano 331 a. C., data da derrota e massacre do exército persa na batalha de Arbela por Alexandre Magno ilustrado desta maneira pelo profeta: - “o bode (Grécia) chegou perto do carneiro, feriu-o e quebrou-lhe as duas pontas” – Daniel 8.5,7.
* Ventre e coxas de cobre = Grécia (v. 32,39)
Não deixa de ser curiosa a maneira como o profeta descreve o terceiro poder. Enquanto que para o segundo é dito unicamente que “seria inferior” ao primeiro, ao apresentar o terceiro diz que “terá domínio sobre toda a terra” – v. 39b.
Esta particularidade aponta para um poder guerreiro, conquistador a exemplo do primeiro – Babilónia – na pessoa de Nabucodonozor. Na descrição da estátua, o profeta não refere o nome deste terceiro poder. No entanto, no mesmo livro, mais adiante, encontramos claros indícios deste mesmo poder, a saber: “um leopardo que tinha quatro asas e quatro cabeças” – Daniel 7.6; ou “o bode vinha do ocidente (…) e estando na sua maior força, aquela ponta foi quebrada e subiram no seu lugar quatro também notáveis que se levantarão da mesma nação, mas não com a força dela” – Daniel 8.5,8,22.
Uma vez mais, o profeta revela-nos quem é esta terceira potência que surgiria de uma forma tão rápida “mas sem tocar no chão” – Daniel 8.5 – ao dizer que: – “o bode peludo é o rei da Grécia” – Daniel 8.21.
A hegemonia grega deveria durar de 331 a. C. a 146 a. C.
* Pernas de ferro = Roma (v. 33,40)
O profeta, contrariamente ao que vimos acima, nada revela acerca deste quarto poder a não ser que será caracterizado pelo ferro e com outras particularidades “terrível e espantoso” – Daniel 7.7. No entanto, quem consultar a História antiga sem quaisquer pressupostos e sem querer fazer dizer o que ela não diz, chegará à seguinte conclusão: depois dos impérios babilónico, medo-persa e grego-macedónio, o quarto império predito pelo profeta Daniel não poderá ser outro a não ser Roma.
Para definir a carácter dos Romanos, nada melhor do que a imagem que o profeta nos dá – o ferro. Tudo neste poder, a bem dizer, era de ferro. A sua forma de governo era férrea; eram inflexíveis, duros e impiedosos. A sua coragem, como povo, era de ferro, cruel, sanguinária e indomável. No domínio militar, os seus soldados eram de ferro e poucos soldados estavam armados para o combate como eles. A sua disciplina era de ferro, assim como o seu jugo sobre os povos vencidos.
O poder de Roma foi exercido desde o ano 146 a. C., ano em que a Grécia se tornou uma província de Roma até ao ano 476 d.C. em que o bárbaro Odoacro aniquila o último imperador do império Romano do Ocidente, Rómulo Augústulo.
* Pés em parte de barro e de ferro = Roma (v. 33,41-43)
Podemos ver aqui perfeitamente delineado um novo reino, embora pertencendo ao quarto poder, pois contém ainda ferro, no entanto é totalmente distinto dele. É, sem dúvida alguma, uma associação muito estranha, a qual nos deixa intrigados.
O profeta acrescenta que devido à sua estranha composição “será um reino dividido” – v. 41 – e, por conseguinte, será um reino com duas faces “uma parte será forte e outra fraca” – v. 42.
Antes de entrarmos em alguns considerandos convinha não perder de vista que o objecto principal das profecias do livro de Daniel não se resume unicamente aos aspectos políticos mas, também e acima de tudo apontando para a revelação de acontecimentos de ordem religiosa.
Que dizer da mistura do ferro e da argila? É um detalhe que chama a nossa atenção. Assim, cerca de sete vezes é mencionada a argila ao lado do ferro, ou seja: três vezes na descrição da estátua (v. 33-35); quatro vezes na explicação que o profeta dá desta (v. 41-45). Portanto, salta aos olhos uma certa insistência do profeta para esta particularidade, a qual deverá, certamente, ter um significado muito mais amplo do que querer dizer “fraco” em termos políticos! As repetições sucessivas chamam-nos à atenção para pequenas particularidades existente no texto.
Assim, por duas vezes na descrição da estátua, nos é revelado que são os “pés” que são “em parte de ferro e em parte de barro” – v. 33,34. Na explicação da estátua, diz-nos que “e ao que viste dos pés e dos dedos em parte de barro de oleiro e em parte de ferro, este será um reino dividido” – v. 41. De seguida, é dito que “E como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro, assim por uma parte o reino será forte e por outra será frágil” – v. 42. O que podemos ver nestes textos? Certamente que deverá ter algo que possa complementar a interpretação, pois é neste sector do texto que se encontra – a explicação da estátua. Assim, podemos ver:
- Em primeiro lugar, nesta continuada menção podemos aperceber-nos de um certo elemento cronológico, na medida em que a “aliança” ferro/barro encontramo-la, pela primeira vez, nos pés (v. 33,34).
- De seguida, o profeta a referencia tanto nos pés como nos dedos (v. 41).
- Finalmente, Daniel dá a conhecer que esta somente se encontra nos dedos (v. 42).
Na explicação que o próprio profeta dá acerca desta aliança, não fala de muitos reinos mas, declara que “este reino será dividido” – v. 41, 42, tratando-se, portanto, daquele que, na profecia está representado pelos “pés e dedos” – v. 41. Assim sendo, aconteceria em algures na História, um elemento de cisão que tornaria toda e qualquer união impossível, apesar de “misturarem-se com semente humana, mas não se ligarão um ao outro” – v. 43. Cronologicamente, o “barro” está presente antes da divisão do império Romano em dez, visto que, em primeiro lugar, ele aparece nos pés, depois pés e dedos e, finalmente, unicamente nos dedos dos pés.
Até ao v. 44 não se fala a não ser de um único reino, o quarto – o império Romano - que conhecerá uma divisão visto que no seu seio existe, efectivamente algo de tão estranho que o tornará “em parte forte e em parte frágil” – v. 42.
Para que a interpretação do sonho esteja completa é necessário termos em conta todos os elementos da estátua e não, unicamente, os metais. Como nos podemos aperceber, a profecia referencia com muito ênfase o barro, menção que não encontramos em relação aos metais componentes da estátua. Que representará o barro, visto ser chamado a desempenhar um papel tão importante na última fase da história do quarto império – o de Roma?
* O barro
Como vimos, a união do ferro com o barro, elementos constituintes do reino, sugerem a coabitação de dois poderes de natureza diferente. Um, constituído por ferro, referência a Roma, é de natureza política; o outro, de barro, um material inesperado em relação à menção dos metais, indica claramente a existência de um poder de natureza diferente. A menção do barro tem, efectivamente, uma coloração claramente religiosa.
Note-se que o profeta, a este propósito, acentua algo de particular “barro de oleiro” – v. 41. Na linguagem bíblica esta imagem reporta-nos, de imediato, ao relato da criação do homem, recordando-nos a fragilidade humana (Génesis 2.7; Job 10.9; Isaías 45.9; 64.8; Jeremias 18.6; Romanos 9.20,21). Este elemento reforça, sem sombra de dúvida, que este elemento reforça a ideia de acentuar a natureza religiosa deste poder, o que induz a alguns comentários, tais como, por exemplo: - “no plano histórico, isto significa que deveria de aparecer ao mesmo tempo que Roma, mais precisamente no momento das suas divisões, um poder religioso ligado, de uma maneira ou de outra, ao poder político de Roma. Este poder político-religioso deverá de estar presente nos nossos, visto que segundo Daniel este permanecerá até ao fim dos tempos. É necessário render-nos à evidência. Um único poder reúne todas estas condições: - a Igreja. (…). De Constantino até aos Carolíngios, os imperadores combateram para defender e colocar o poder da Igreja. A Igreja instala-se como cidade política: Roma torna-se a cidade do Vaticano”.
Ou ainda, em acordo com o que o profeta Daniel descreve, esta mistura do poder civil e do poder religioso, do poder do Estado e do poder da igreja, é considerada pela profecia como causa de fraqueza e de divisão. Por outro lado, para realçar a existência deste poder tão estranho e sem relação com nada que o anteceda, convenhamos, o profeta menciona a existência do barro! À primeira vista transitar de metais para barro, convenhamos que é algo de inesperado e sem qualquer sentido! Mas à frente do livro, ao repetir a mesma sucessão de impérios, só que por símbolos diferentes, não deixa de ser, de novo, interessante e estranha a maneira como este poder é, de certa forma, catalogado! Na verdade é detectado e apontado como sendo um animal “terrível e espantoso” – Daniel 7.7.
Porquê? Não se estaria a referir a Roma? Se sim, será que na fauna não existiria um animal suficientemente forte para o definir e caracterizar? A exemplo dos reinos anteriores, pensamos que sim. Então, por que é assim tão difícil caracterizá-lo? Uma vez mais tomamos a liberdade de responder: - porque em si mesmo, tal como a sequência do texto profético mostra, continha o germe de um outro poder absurdo que, a seu tempo faria erupção no espaço e no tempo do homem!
Que nos seja permitida esta reflexão: - passaria pela cabeça de alguém, contemporâneo do profeta, por exemplo, assistir à entronização da Igreja, isto é, de oprimida passar a repressora? Ou ainda, ser e constituir, ela mesma, um reino, um Estado no seio do próprio Estado!? Não foi o próprio Jesus a responder a Pilatos de que a Igreja nunca seria um reino político (cf. João 18.36)? Assim sendo, perguntamos: - qual a relação que Roma poderá ter com o Cristianismo? Respondemos: - Nenhuma! Roma está, como sempre esteve, directamente ligada a: - orgias - circo – feras – gladiadores – enfim, numa palavra – morte e muito sangue! E, o que é que os historiadores pensam a este respeito? Vejamos um breve comentário: - “mercê de uma reviravolta imprevista, Roma cessa de ser o bastião do paganismo para se tornar no quartel-general do cristianismo (…)”.
Ora se tivermos tudo isto em conta, de modo algum nos poderemos admirar de não ser possível encontrar quer nos metais, quer nos animais algo que dê continuidade ao que se estava a tratar! Que veria o apóstolo Pedro se ressuscitasse e visitasse Roma? Veria os seus pretensos sucessores e, mais do que isso… um reino… ainda que pequeno (quarenta e quatro hectares). Certamente que, se nada de grave lhe acontecesse, fisicamente falando, sofreria algum choque emocional, pela simples razão de ter deixado tal legado episcopal, mas… sem nunca se ter apercebido de tal facto! Na verdade, o que está em causa é, numa palavra – a consolidação do poder – da Igreja neste mundo! Sim, “O bispo de Roma, tomado de um impulso irresistível, aumenta dia a dia de importância e ei-lo que, no Ocidente, toma o lugar do imperador quando o trono vem a ficar vazio”.
Espantoso! Em termos humanos, quem ousaria supor tal transformação? “(…) os bárbaros que haviam desdenhado uma seita humilde e proscrita, aprenderam rapidamente a estimar uma religião que fora recentemente adoptada pelo maior monarca e pela nação mais civilizada do globo”. Agora, sob este novo estatuto, como exercia, no fundo, a razão de ser da sua existência – a pregação da Palavra de Deus? Para satisfação da nossa curiosidade é-nos dito que: - “A salvação da gente comum era comprada por baixo preço; a ser verdade, num só ano, doze mil homens receberam o baptismo em Roma, para além de um número correspondente de mulheres e crianças, e que uma veste branca, mais vinte moedas de ouro haviam sido prometidas pelo imperador a todos os convertidos”.
Assim, segundo a serva do Senhor, o declínio da força do ferro para a fraqueza do ferro misturado com barro nos pés e nos dedos da imagem, representa não só a “deterioração do poder e da glória dos reinos terrestres, como também a deterioração da religião”.
* A pedra
O profeta revela que “o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído (…). Do monte foi cortada uma pedra sem mão” – v. 44,45. O facto da pedra ser “cortada sem mão” contrasta com os materiais da estátua, que estão ali sem qualquer iniciativa, sucedendo-se de forma mecânica. Esta pedra tem origem celeste, de outra dimensão diferente da terrena, e não se situa no prolongamento natural dos reinos humanos.
Esta pedra vinda do Alto depois de cumprir totalmente a sua missão, por sua vez formará um reino próprio que, ao contrário dos demais, “será estabelecido para todo o sempre” – v. 44. A pedra-montanha tem o seu próprio momento, um dia no tempo e no espaço da humanidade. De nada valem os planos, as revoltas ou o poder, visto que o reino de Deus terá o seu momento de vitória, não efémera, mas definitiva.
Este prolongamento no amanhã da instauração da pedra montanha - a vinda do Senhor em poder e em glória – coincidirá com o cumprimento do quanto foi anunciado em três fases: 1- às gerações no passado distante, às quais foi proclamada esta mesma esperança, da qual “(…) profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos” – Judas 14; 2- às gerações contemporâneas do Senhor, o qual disse aos crentes do Seu tempo: - “(…) virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” – João 14.3; 3- a esta geração e/ou às vindouras : - “mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra em que habita a justiça” – II Pedro 3.13.
Sim, foi dito ao rei e reiterado aqui e agora “o que há-de ser depois disto; e certo é o sonho e fiel a sua interpretação” – Daniel 2.45. O rei reconheceu que o Deus de Daniel está acima de todos os deuses de Babilónia. De igual modo, perante tudo isto, deveremos fazer nossas as palavras do rei a Daniel, a propósito de Deus: - “Certamente o vosso Deus é Deus dos deuses e o Senhor dos reis e o revelador dos segredos (…)” – v. 47. Sim, na realidade é o que mais tarde a Palavra de Deus irá ensinar a todos aqueles que se sintam Seus filhos – a reconhecer o quanto Nabucodonozor afirmou de Deus – Senhor dos Senhores e Rei dos Reis. Esta verdade encontramo-la três vezes nas Escrituras: I Timóteo 6.15; Apocalipse 17.14; 19.16.
Através do sonho da estátua, Deus transmitiu a Nabucodonozor a verdade de que Ele exerce o Seu poder não só nos céus, mas também aqui na Terra, controlando o curso da História humana.
terça-feira, 29 de junho de 2010
A GRANDE ÁRVORE E A LOUCURA DO REI (Daniel 4:1-37)
Este capítulo começa com uma referência à paz – sob a forma de saudação emanada deste poderoso monarca. O seu conteúdo mostra-nos um rei com bom humor, enfim, um monarca muito diferente do quanto se tinha visto até aqui. Assim, nos anteriores capítulos Nabucodonozor é mostrado sob vários quadros: o conquistador, o autocrata e como construtor. Em relação a esta última faceta veremos, neste capítulo, alguns dos seus reflexos. Neste excerto bíblico, o último inerente à sua pessoa, encontramo-lo como alguém que, finalmente, irá mostrar um coração transformado depois de ter passado por diversas provas visando o quebrar a crosta bem dura da sua conduta orgulhosa.
De certa forma, esta sua última aparição, acompanhada de mais uma prova, o rei quer mostrar-nos que, por mais alto que o ser humano tenha subido, nunca passará de uma simples criatura tão frágil como uma simples gota de água. Por isso, e para exemplo das gerações vindouras, este grande monarca assim se expressou acerca de si mesmo e do Supremo Deus: - “Pareceu-me bem, fazer conhecidos os sinais e maravilhas que Deus, o Altíssimo, tem feito comigo. Quão grandes são os seus sinais e quão poderosas as suas maravilhas! O seu reino é um reino sempiterno e o seu domínio, de geração em geração” – v. 2,3.
Na realidade, que palavras tão sublimes! Para quem, como este rei, que sempre se recusara a admitir que, o quanto tinha construído não ia mais além do que o símbolo da cabeça da estátua – tal como o profeta dissera! Agora, pela primeira vez, Nabucodonozor compreende e reconhece que só o Reino de Deus é eterno e que o Deus que Daniel adora é o único que domina sobre todas as coisas – ele próprio incluído. Eis o testemunho de um homem que foi rei de um grande império e, ao mesmo tempo, tão insignificante em face de Deus. Que testemunho para as gerações vindouras; que grandeza de espírito, ao ponto de não esconder as suas fraquezas - ele, o maior monarca do seu tempo.
I – O sonho
O tempo que se seguia era o da consolidação do império onde a paz que se experimentava está bem patente na palavra de Deus, quando nos é dito que “Eu, Nabucononozor, estava sossegado em minha casa, e florescente no meu palácio” – v. 4. Que se poderá deduzir desta informação? Babilónia era uma cidade florescente, pois ela era o centro do mundo de então.
A exemplo do passado, ele irá ter uma revelação do alto – um sonho – para o qual não encontra a menor explicação.
O rei sonhou. A exemplo do passado recente, o rei convocou os sábios da corte – os magos, astrólogos, caldeus e os adivinhadores (v. 7). No passado foram incapazes de “adivinhar” o sonho e, muito menos, de dar a sua interpretação. Agora, apesar do rei o revelar, continuam sem nada poder dizer! Na verdade, já conhecemos as razões para que tal continue a acontecer. Para o rei era como a prova final para testar, uma vez mais, a superioridade do Deus de Daniel em relação aos deuses nacionais de Babilónia - algo que, como dissemos, o rei, neste capítulo, faz questão de o demonstrar.
Devido à incapacidade dos seus sábios de lhe fazerem conhecer a interpretação do sonho, o texto mostra-nos Daniel perante o rei para desempenhar a missão que era impossível para os sábios da corte. O rei irá referir-se ao profeta como “Daniel, cujo nome é Beltessazar, segundo o nome do meu deus, e no qual há o espírito dos deuses santos (…)” – v. 8. Aqui, uma vez mais, o rei emprega termos que indiciam claramente que ainda conserva crenças politeístas ao recordar em o novo nome de Daniel - Beltessazar – tem como base o nome do deus do monarca – Bel – (cf. Jeremias 50.2; 51.4), que não era mais do que o nome popular do deus supremo de Babilónia – Marduk.
O sonho, desta vez, tinha como figura central uma imponente árvore que sobre ela era dito: 1- a descrição da sua grandeza (v. 10-12); 2- o anúncio do seu derrube (v. 13-17).
a– A explicação (v. 20-28)
- a grandeza da árvore – Se o sonho era, segundo se pensava, o canal de comunicação usado pelos deuses para comunicação com os seres humanos, aqui, como anteriormente se viu, Deus irá dar uma última lição a este grande monarca da antiguidade, mostrando-lhe, uma vez mais, que havia um Deus que tudo tinha feito para lhe demonstrar a Sua superioridade, o Seu amor e o Seu ilimitado poder.
Segundo provas arqueológicas, o rei comparou Babilónia a uma grande árvore que fornecia sombra aos povos – o que significava que a imagem que revestia o seu sonho não lhe era totalmente estranha.
Subjacente a esta árvore estava a ideia de ponte entre o humano e o divino e, ao mesmo tempo, servia para realçar, uma vez mais, o orgulho desmedido deste monarca, na medida que, segundo a interpretação dada pelo profeta Daniel, a árvore representava o próprio rei (v. 20,21). A metáfora da “árvore” também a encontramos num outro homem de Deus – o profeta Ezequiel para representar o orgulho, de um outro monarca – o da Assíria – Ezequiel 31.3-14 – na qual encontramos, não só a menção de elementos comuns a ambas (v. 6), como também a advertência de que nenhuma árvore, ou seja, nenhum rei ou reino deveria aspirar a crescer assim tanto; por isso: 1- seria cortada (v. 12); 2- para que “não venha a confiar em si por causa da sua altura (…)” – v. 14.
- o seu derrube – depois de ter sido feita uma avaliação da árvore, eis que o rei ouve uma voz de um ser celeste que disse: - “cortai a árvore, destruí-a, mas ao tronco com as suas raízes deixai na terra; (…) a sua porção seja com os animais (…) e passem sobre ele sete tempos” – v. 15,16. Assim, a presença deste ser celeste e, acima de tudo, a sua sentença, demonstram claramente que a vida do monarca não está como ele pensava, nas suas mãos mas, nas do Deus que, obstinadamente, ele recusava conhecer e obedecer.
A sentença era clara – aquele que a árvore representava (o rei), acontecer-lhe-iam algumas coisas: 1- seria tirado de entre os homens – (v. 25); 2- a sua morada seria com os animais – (v.25); 3- dormiria com eles (molhado do orvalho do céu – v. 15,23,25); 4- comeria erva com eles – v. 15,25; pensaria como eles (seja-lhe dado coração de animal – v. 16); 5- durante sete tempos – v. 16,23,25.
Este grande homem transformar-se-ia num animal e nesta qualidade viveria durante sete tempos. Convém aqui recordar que a palavra traduzida por - coração – na antropologia bíblica, neste caso específico, não é sinónimo do órgão que conhecemos com este nome, mas sim da – razão – “onde estão as funções intelectuais e racionais, as quais atribuímos à cabeça e, em particular, ao cérebro. (…) no coração se elabora: o pensamento, a reflexão, a meditação, a deliberação”. Por outras palavras, o que estava a ser transmitido ao rei era que este, ao longo de todo aquele tempo, não mais poderia pensar ou raciocinar – um estado de total inconsciência reflexiva, apesar de vivo!
- prelúdio – Qual terá sido o propósito de Deus na criação do homem? O profeta Isaías o revela claramente: - “A todos os que são chamados pelo meu nome e os que criei para minha glória; eu os formei, sim, eu os fiz. (…). Esse povo que formei para mim, para que me desse louvor” – Isaías 43.7, 21. Portanto, a glória deveria ser dedicada exclusivamente a Deus, tal como é reiterado pelo mesmo profeta – “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei (…)” – Isaías 42.8.
Este orgulho, esta continuada obstinação do culto do eu, pensamos, não é mais do que o resultado do quanto a Palavra de Deus, a seu tempo, denuncia. Aqui encontramos a seguinte verdade: - “visto como se não executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal” - Eclesiastes 8.11. Verdade de Deus veiculado pelo maior sábio humano jamais existente à face da Terra – o rei Salomão.
No passado, a Assíria foi chamada a ser a “vara da ira de Deus” – Isaías 10.5. Mas, a dado momento, no auge do seu poder, esta ousou dizer que “com a força da minha mão e com a minha sabedoria fiz isto, porque sou entendido; eu removi os limites dos povos (…) e como valente abati os que se sentavam sobre tronos” – Isaías 10.13. O que levou a que Deus emitisse um juízo sobre a Assíria, na pessoa do seu rei, nestes termos: - “(…) então visitarei o fruto do arrogante coração do rei da Assíria e a pompa da altivez dos seus olhos” - Isaías 10.12.
Com Nabucodonozor a trajectória será igual – será chamado por Deus – “eis que suscito os Caldeus, nação amarga e apressada (…) para possuir moradas não suas” – Habacuque 1.6. Depois, o monarca será tentado a “atribuir este poder ao seu deus” - Habacuque 1.11. Finalmente dirá, no auge do seu poder: - “não é esta a grande Babilónia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder e para glória da minha magnificência” – Daniel 4.30.
- um tempo de graça (v. 29) – a sentença fora dada e estava totalmente nas mãos do rei torná-la outra, diríamos “condicional”! Nas palavras finais do profeta, ao rei, podemos sentir nelas uma certa esperança, talvez em relação ao tempo de prova, que poderia ser evitado pelo rei. O profeta convida o monarca ao arrependimento, visível nas palavras empregues, ao dizer: - “desfaz os teus pecados e iniquidades e pratica a misericórdia” – v. 27a. Qual o objectivo? Ele mesmo dá a resposta: - “para que se prolongue a tua tranquilidade” – v. 27b.
Uma vez mais, encontramos no Antigo Testamento, por estranho que possa parecer, o que muitos não conseguem encontrar - o Deus da graça – e não um “Deus outro, distante”! Ao rei será dado ainda uma porção de tempo – “doze meses” - v. 29 - para que ele pudesse colocar em prática a solene advertência proferida pelo profeta.
O monarca, como tantas vezes o fizera, ao contemplar a cidade que estava aos seus pés e diante dos seus olhos diz: - “não é esta a grande Babilónia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder e para glória da minha magnificência” – v. 30. Na verdade, que mal haverá na contemplação do que é verdadeiramente belo? O problema está quando a coisa inanimada criada pelo intermediário - o homem - ocupa o lugar d’Aquele que a ambos criou – Deus!
Na realidade, em termos humanos, este monarca tinha razões para admirar tudo o quanto existia ao seu redor. Na vertente religiosa, em demonstração da sua gratidão para com os seus deuses – cf. Habacuque 1.11 - irá estimular “a construção de 53 altares, 955 pequenos santuários e 384 altares de rua”. Na verdade, através da Arqueologia podemos ter uma ideia do esplendor de Babilónia em vários domínios – “um vasto sistema de fortificações, ruas, canais, palácios”. Ou ainda uma referência a algo que faz parte das ditas “sétima maravilha do mundo” – os jardins suspensos de Babilónia – que não eram mais do que uma obra de alta engenharia, para a época, mandada executar pelo monarca para reforçar a aliança Medo-Babilónica pelo seu casamento com Amyitis, filha do rei Astíages; com este feito e de uma maneira engenhosa, fazia recordar à sua esposa as montanhas e a vegetação Persa onde fora criada e vivera, apesar de estar a viver agora numa região árida. Em síntese, para realçar as construções deste monarca recordaremos o que dele foi dito - “Babilónia e as grandes cidades do sul da Mesopotâmia, saídas das suas ruínas, atestam ao mundo o génio e o poder de um dos mais audaciosos construtores da antiguidade”.
Na própria sentença, curiosamente, encontramos o gérmen da esperança, visto que a árvore, apesar de ser duramente atingida, não morreria, sem que antes, aquele a quem ela representava, “reconhecesse que o céu reina” – v. 26b.
- o cumprimento da sentença (v. 31-33) – Apesar das advertências do profeta – v. 27 -, o rei fez tábua rasa dos conselhos do profeta continuando no seu obstinado orgulho. Um ano se passou - v. 29 - e sem grandes resultados à vista! Na realidade, o deus que está acima de todos os outros é o dele e não o do profeta Daniel.
À parte da explicação do sonho dada pelo profeta (v. 20-27), das palavras do rei (v. 30,34-37) e da ordem do ser celeste (v. 32), encontramos a narrativa de uma terceira pessoa, a qual descreve: “e comia erva como os bois”; “(…) até lhe cresceu pelo, como as penas da águia e as suas unhas como as das aves” – v. 33. Este facto denuncia claramente que se estava a passar algo com o rei e, nesta qualidade, este não podia falar. Atestava-se desta maneira o cumprimento da sentença anteriormente proferida visando castigar a altivez do monarca.
Após ter proferido aquelas palavras de exaltação própria – v. 30 – ouviu-se uma voz dizendo: - “passou de ti o reino e a tua morada será com os animais” – v. 31,32. No cumprimento desta ordem, o rei, de imediato, comporta-se como um animal, comendo, dormindo e pensando como um boi (v. 25). Quem diria! O super-homem da antiguidade torna-se animal!
A doença que afectou o rei, os entendidos chama-lhe: licantropia ou zoantropia. Sob este estado mental o doente imagina ser um animal e age nesta qualidade. A este propósito, o historiador Abideno (200 a. C.) refere que “estando Nabucodonozor no terraço do seu palácio sentiu-se invadido por um espírito de profecia (…); depois, desapareceu de repente da sociedade”. A arqueologia, por seu lado, atesta a existência de tal facto numas tabletes sob o número B. M. 34.113 que se encontram no Museu Britânico.
Esta era a anomalia e, segundo a profecia, esta teria a duração de “sete tempos” – v. 16,23,32. Esta doença não era simbólica mas desenrolava-se no tempo. A palavra traduzida por “tempos” deverá ser entendida por anos. Dizemos, desde já, que a mesma palavra a iremos encontrar mais à frente – Daniel 7.25, comparando com Apocalipse 12.14 – o que ajuda na compreensão da referida expressão. Esta interpretação de “anos literais” era naturalmente aceite, pelo menos algumas fontes o deixam claramente perceber ao referirem que: - “Algum tempo depois, este príncipe teve um outro sonho, no qual pareceu-lhe estar privado do seu reino e que tinha passado sete anos no deserto com os animais. (…). Este príncipe subiu ao trono depois de ter passado sete anos no deserto e acalmou a cólera de Deus através de uma tão grande penitência, sem que ninguém, durante este tempo, ousasse tomar o seu reino”.
No entanto existem alguns movimentos religiosos que crêem e ensinam que estes “sete tempos” não são literais mas, simbólicos, proféticos. Eis o seu raciocínio: - “Em Revelação (Apocalipse), capítulo 12, versículos 6 e 14, verificamos que 1.260 dias são iguais a “um tempo, e tempos (isto é, 2 tempos) e metade de um tempo”. Isto dá um total de 3 tempos e meio. Assim, “um tempo” seria igual a 360 dias/anos. Portanto, “sete tempos” seriam 7 vezes 360, ou 2.520 dias/anos. Agora, se fizermos cada dia valer um ano, segundo a regra bíblica, os “sete tempos” equivalem a 2.520 dias/anos. – Números 14.34; Ezequiel 4.6”.
Qual o critério que define o que deverá ser tomado no sentido literal ou simbólico? Nada mais que o conteúdo do texto em causa! Assim, se observarmos bem, o texto mostra-nos claramente que se trata de um período de tempo literal e não simbólico. Observemos, a este propósito, dois versículos capitais deste mesmo capítulo: 1- “todas estas coisas vieram sobre o rei Nabucodonozor” – v. 28; 2- “mas ao fim daqueles dias eu, Nabucodonozor (…)” – v. 34. Neste caso preciso, nada no texto permite uma interpretação simbólica da palavra “tempos” pois, se assim fosse estes “sete tempos” apontariam para um período alongado, tal como acima é referido - 2.520 anos, e não o que realmente deverá ser – 7 anos literais – nada mais! Porquê? A nosso ver, por três razões simples: 1- O contexto não permite esta interpretação; 2- biologicamente falando, o rei não teve uma longevidade de 2.520 anos, como facilmente se compreenderá! 3- Caso assim fosse, como alguns pretendem, estes dois versículos – v. 28 e 34 - não teriam qualquer sentido. O magno conselho de Deus, através dos Seus mensageiros é que mantenhamos a veracidade e pureza bíblicas e que não as adulteremos com conceitos e doutrinas meramente humanas.
Assim sendo, como claramente a Bíblia o afirma e assim é aceite, o período de demência/doença do rei, estendeu-se ao longo de sete anos literais.
II – A reabilitação (v. 34-37)
A reabilitação deste monarca abre com estas palavras maravilhosas: - “mas ao fim daqueles dias eu, Nabucodonozor levantei os meus olhos ao céu e tornou-me a vir o meu entendimento” – v. 34. Agora, após este lapso de tempo, o discurso já aparece na primeira pessoa – a do rei.
Agora o rei humilha-se. Ele que, no seu orgulho não reconhecia nada nem ninguém acima dele; agora, eleva os seus olhos aos céus e glorifica Deus falando da Sua majestade e soberania. O monarca está de tal maneira mudado que não hesita em dar o seu testemunho perante todos os seus súbditos e a fazer publicamente o relato da sua falta e, ao mesmo tempo, da sua humilhação. Este aceitou e submeteu-se a esta dura prova com submissão e Deus o restabeleceu no seu reino aumentando-lhe a sua glória – v. 36b.
Desta forma ele pôde dizer: - “Agora, eu louvo, eu exalto, eu glorifico o rei do céu (…) que pode humilhar os que andam na soberba” – v. 37. Qual o porquê de tal reviravolta? Por duas razões: 1- “todos os moradores da terra são reputados em nada (…). Não há quem possa estorvar a sua mão e lhe diga: - Que fazes” – v. 35; 2- “Porque todas as suas obras são verdade” – v. 37.
Na verdade aqui está o segredo da conversão e, consequentemente, da reabilitação. Para que o ser humano possa avançar é necessário que possa reconhecer quem é. E, na verdade quão difícil é conhecermos quem somos! À pergunta: - o que é a vida? - na Palavra de Deus, entre outras, encontramos a seguinte resposta: - “É um vapor que aparece por um pouco e, depois, desaparece” – Tiago 4.14. Se esta é a resposta para o conceito de vida, então, qual será então aquele que definirá o ser humano – o homem?
De novo, a Bíblia tem a resposta para esta pergunta: - “Que é o homem «enosch» [mortal] para que te lembres dele?” – Salmo 8.5. Aqui, no original não existe a palavra adicional de [mortal], pois aqui foi colocada pelo tradutor para reforçar a força da palavra que consta no original sob a conotação de “fraco, totalmente dependente”. Na realidade, quando nos apercebermos do quanto somos na realidade, então tudo muda na nossa vida. Sim, tal como o fez o apóstolo Paulo, ao declarar: - “Miserável homem que eu sou! quem me livrará desta morte?” – Romanos 7.24
Quando o ser humano, a exemplo deste monarca, reconhecer quem é, então tudo é possível, sim, tudo pode acontecer – o ser “uma nova criatura em Cristo Jesus” – II Coríntios 5.17 – aqui e agora, no nosso tempo – hoje!
segunda-feira, 28 de junho de 2010
O REINO: CONTADO, PESADO E DIVIDIDO (Dn. 5:1-31)
O capítulo anterior falou-nos, pela última, de Nabucodonozor na 1ª pessoa. Agora um outro capítulo da história de Babilónia se abre e se fecha na pessoa do rei Belsazar. Ao longo destes três últimos capítulos pudemos ver as grandes lições dadas por Deus ao grande rei Caldeu, visando unicamente o seu arrependimento, para que reconhecesse que só o grande Deus reina e que só Ele é o soberano incontestável sobre tudo o que existe. Sim, este foi o testemunho deste homem que aprendeu a deixar o orgulho de lado, reconhecendo que a criatura humana nada é, ao exclamar: - “Todos os moradores da terra são reputados em nada (…); não há quem possa estorvar a sua mão ou que lhe diga: - Que fazes?” – Daniel 4.35
O tema deste capítulo mostra-nos um triste exemplo de quem não quis aprender com as experiências do passado, permanecendo teimosamente no enaltecimento da criatura e dos deuses inertes. Este foi o rei Belsazar, figura principal do relato deste capítulo.
1- O rei
Na realidade, quem era ele? A menção do seu nome engrossa a lista das inúmeras questões, que abordámos na primeira lição, que contribuem para colocar em causa a veracidade do livro do profeta Daniel. Teçamos alguns comentários às dúvidas existentes sobre este nome.
Algumas vozes críticas, a este propósito, dizem: - “Não tenhamos medo de dizer que a Bíblia ”; logo depois, é citado o texto bíblico que diz: - “No primeiro ano de Baltasar (Belsazar), rei de Babilónia (…)” – Daniel 7.1 – para acrescentarem a informação de que “a história não conhece nenhum rei chamado Baltazar (Belsazar)”.
Vejamos o que nos diz a História e a Arqueologia. O rei Nabucodonozor morre no ano 562 a. C., após um longo reinado de 43 anos. Em escassos cinco anos, três reis lhe irão suceder: 1- Awel-Marduk (562-560 a. C.); 2- Nergal-shar-usur (560-556 a. C.); 3- Labishi-Marduk (556 a. C.). É neste momento histórico que se encontra um dos mais turbados períodos da história de Babilónia, do qual se encontra algum eco no livro do profeta Daniel. É aqui que surge Nabonido (Nabu-na-id), chefe da conspiração que destrona Labishi-Marduk em 556 a. C.. Nabonido era filho do sacerdote Nabû-balât-su-iqbi e de uma sacerdotisa do culto do deus Sin (deus Lua) a Haran.
Devido a diversas posições no domínio religioso, Nabonido torna-se impopular e, em 548 a. C. abandona o poder, colocando interinamente no seu lugar o seu filho primogénito Belsazar (Bel-shar-usur) e vai viver para Teima. Perante o exposto pensamos que a crítica não tem qualquer fundamento.
2- O banquete
O texto bíblico abre com um banquete oferecido por Belsazar à sua corte. Qual a razão? Sabe-se que, o seu pai, Nabonido, no 17º ano do seu reinado, ou seja, no ano 539 a. C., volta a Babilónia, na tentativa de reconquistar a popularidade perdida como também para entronizar, definitivamente, o seu filho no trono de Babilónia.
Por outro lado, existe algo no texto que aguça a nossa curiosidade – a menção do álcool! Qual a razão da sua referência? Não estará normalmente associado à festa o álcool? Se sim, por que recordá-lo? Certamente, pensamos nós, para fazer passar alguma mensagem!
Na verdade, se consultarmos as Escrituras acerca do uso das bebibas alcoólicas, talvez aqui possamos encontrar algumas pistas! Recordemos, a título de exemplo, um texto dos citados, do sábio Salomão. Aqui é dado um conselho a um seu par – um monarca! Eis o conselho: - “Não é próprio dos reis beber vinho (…) para que não bebam e se esqueçam do estatuto e pervertam o juízo (…)” – Provérbios 31.4,5. Na verdade, neste estado de embriaguez, muitas coisas o rei e os seus esqueceram, como se verá mais adiante.
Uma delas é ter esquecido as experiências que Nabucodonozor tivera com o Deus dos deuses. Assim, para mostrar que os seus deuses continuavam a ser superiores ao Deus de Israel, lembrou-se de utilizar estes artefactos, não para o serviço de um qualquer templo de pedra, mas sim ao serviço do templo-carne – a sua pessoa – um simples mortal (cf. I Coríntios 3.16,17; 6.19; II Coríntios 6.16)! No cumprimento da ordem foram servidos “o rei, os seus grandes, as suas mulheres e concubinas” e o que tinha servido para louvar o Deus de Israel, agora era utilizado para dar louvor aos deuses de “ouro, prata, cobre, ferro de madeira e de pedra” – v. 2-4. A julgar pela quantidade dos utensílios profanados poderemos imaginar a envergadura do referido banquete, na medida em que, segundo a informação bíblica os artefactos trazidos de Jerusalém pelo rei, eram em número de “cinco mil e quatrocentos” – Esdras 1.11.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
A MÃO MISTERIOSA ESCREVE SENTEÇA CONTRA A IDOLATRIA
"Beberam vinho, e deram louvores aos deuses de ouro, e de prata, de bronze, de ferro, de madeira, e de pedra." Daniel 5:4
No auge de toda aquela orgia onde imperava mais o psíquico do que o racional, visto que “davam louvores aos deuses de ouro, prata, cobre, ferro, madeira e de prata” – v. 4. Na realidade, o homem, a coroa, a jóia da criação de Deus, só perdendo a razão ou o entendimento, é que poderá praticar tais actos! Mais à frente abordaremos outros aspectos desta mesma temática mas, para já, justificaremos a nossa afirmação citando o que as Escrituras, dizem acerca de quem os pratica. Assim se expressa o profeta: - “e nenhum deles (idólatras) toma isto a peito e já não têm conhecimento nem entendimento para dizer: - metade (da árvore), queimei-a no fogo e cozi pão sobre as suas brasas; assei sobre elas carne e a comi; faria eu do resto (da árvore) uma abominação? Ajoelhar-me-ia eu ao que saiu de uma árvore?” – Isaías 44.19.
Na verdade, só estando fora de si, deixando de estar no pleno uso das suas faculdades mentais é que tal procedimento poderá ser possível, pois tal conduta é, além de contrariarmos o 2º mandamento da Lei de Deus – Êxodo 20.3 – um insulto à inteligência humana! E, neste caso, a ajudar à festa está o seu companheiro inseparável – o álcool!
Assim, no melhor da festa, eis que, de repente, surge em cena “uns dedos de mão de homem e escreviam na estucada da parede do palácio real; e o rei via a parte da mão que estava escrevendo” – v.5
Uma mão que escreve! Na realidade, se imaginarmos, ainda que por momentos esta cena, deverá ter sido algo de indescritível a sua aparição e desempenho! Naquele momento os risos deram lugar a um silêncio sepulcral. Aquela mão que mexia e, além de escrever, irá instalar naquela sala e em todos os convivas nada mais do que o terror. A figura central do texto é o rei – a sua reacção perante o que se desenrolava naquele momento diante dos seus olhos!
O rei, todo ele era horror e medo. Para nos apercebermos dos efeitos desta mão no rei, lemos que: - “o rei mudou de cor (…) as juntas dos seus lombos se relaxaram e os seus joelhos bateram um no outro” – v. 6. Por outras palavras mais simples e menos púdicas, ousamos dizer que tal era o medo que o rei urinou pelas pernas abaixo! Sim, ele que era o maior responsável da revolta contra Deus. E, perante Aquele que ele tinha ousado desafiar, agora, estava paralisado de terror e de medo. E agora, que fazer? Espavorido, aos gritos, manda chamar, como hábito, os profissionais da magia. O prémio, esse, era tremendamente alto e apetecível – o terceiro lugar na administração do reino! – v. 7b. Mas, agora, uma vez mais e a exemplo do passado, estes profissionais da magia (Daniel 2.2,11; 4.7) não conseguem qualquer resultado – v. 8.
Este episódio da “mão que escreve” faz-nos recordar um outro episódio do passado que está relacionado com a ausência de Moisés durante 40 dias, com Deus, no monte Sinai – Êxodo 24.18 – onde outorgou ao Seu servo os 10 mandamentos escritos pelo próprio Deus – Êxodo 31.18. Mas, na base da montanha, na ausência do líder Moisés, o povo entregou-se à mais vil degradação e depravação – a idolatria. Chegaram ao limite da decadência e depravação ao ponto de se esquecerem do Deus que os libertou, para fazerem uma imagem em honra do deus egípcio Ápis (deus boi, FOTO), dizendo: - “Estes são os teus deuses, ó Israel, que te tiraram do Egipto” – Êxodo 32.3,8. Como se poderá ver, curiosamente, o contexto de depravação e rebaixamento de Deus é similar. Na realidade, para grandes males, grandes remédios!
quarta-feira, 23 de junho de 2010
A RAINHA PRUDENTE
Então o rei engrandeceu a Daniel, e lhe deu muitas e grandes dádivas, e o pôs por governador sobre toda a província de Babilônia, como também o fez chefe principal de todos os sábios de Babilónia. Daniel 2:48
Voltemos ao texto: - Na realidade, o rei deveria ter começado pela solução do problema, convocar aquele que melhor do que ninguém estaria à altura da resolução do mesmo, pois este tinha sido nomeado “principal governador de todos os sábios de Babilónia” – Daniel 2.48b – mas, devido à sua arrogância e orgulho próprio, não o fez! Assim, convocará os profissionais da magia e como estes não puderam ler a célebre escritura na parede, eis que intervém alguém que conhecia, perfeitamente bem, onde estava a solução do problema que tanto perturbava toda aquela gente.
Esta começa por recordar ao rei a experiência passado com o seu marido, ao dizer: - “há no teu reino um homem que tem o espírito dos deuses santos; e, nos dias de teu pai, o rei, o constituiu chefe dos magos, dos astrólogos, dos caldeus e dos adivinhos (…) ao qual o rei pôs o nome de Beltessazar” – v. 11,12b. (sublinhado nosso). Numa palavra – a rainha lembra ao monarca o quanto ele deliberadamente esqueceu - o profeta Daniel.
Mas, abramos aqui um breve parêntesis para abordarmos outra crítica ao livro do profeta Daniel. Esta refere que “as referências a diversos reis estão cheias de históricos. O rei Belsazar é filho de Nabónides e não de Nabucodonozor, como diz o texto”.
Quem terá razão – a crítica ou o profeta Daniel? Na verdade, em termos biológicos, a rainha enganou-se, pois não era filho de Nabucodonozor mas de Nabonido, como vimos mais acima. Mas, teria sido um lapso de memória da rainha? Infelizmente não tem em conta o que a própria Bíblia, em particular, no Antigo Testamento, refere a este propósito!
Assim, reiteradas vezes, no Antigo Testamento, encontramos o hábito dos sucessores de um monarca importante, ao se referirem a ele, (aquele que está na origem desta monarquia), reiteram a sua filiação, sucessória e não biológica, ao apelidarem-no, carinhosamente, de “pai” - de todos os que lhe sucederam. Eis alguns casos bíblicos:
- Abiam é chamado filho de David (I Reis 15.3) – quando na realidade (geneticamente) é filho de Roboão (I Reis 14.31), consequentemente, neto de Salomão (I Reis 14.21), logo, bisneto de David!
- Asa é chamado filho de David (I Reis 15.11) - quando na realidade (geneticamente) é filho de Abiam (I Reis 15.8), consequentemente, neto de Roboão (I Reis 14.31), logo, bisneto de Salomão e trineto de David!
- Jeosafá é chamado filho de David (II Crónicas 17.3) - quando na realidade (geneticamente) é filho de Asa (I Reis 22.41), consequentemente, neto de Abiam (I Reis 15.8), logo, trineto de Salomão.
- Atila é chamada filha de Omri (II Reis 8.26) – quando na realidade (geneticamente) é filha de Acab (II Reis 8.18), consequentemente, neta de Omri (I Reis 16.28)!
Poderá o texto bíblico ser mais claro? Assim, o profeta Daniel não inventa ou erra quando fala sob o espírito de Deus.
Fechando o parêntesis: - Como poderia o rei esquecer, a não ser, deliberadamente, alguém que, não somente tinha um nome igual ao seu, (Daniel/Bel(t)essazar – Daniel 1,7; 4.8; 5.12 ; o rei /Belsazar [unicamente um (t) os separava], como também pelas altas funções que exercia no reino, pois não esqueçamos o título que tinha – “e o pôs por governador de toda a província de babilónia. (…) E Daniel estava às portas do rei” – Daniel 2.48,49.
Daniel, em face do conselho da rainha é obrigado a “recordar” o seu homónimo e chama-o à sua presença do rei. Mas, não deixa de ser interessante a maneira como o rei se dirige a Daniel: - “És tu aquele Daniel dos cativos de Judá?” – v. 13. Este tipo de “esquecimento” não é único nas Escrituras. O mesmo podemos ver, no passado, com o rei Saul em relação ao seu rival David! Saul, atacado pela doença, queria estar rodeado de alguém que fosse músico e este era o caso de David. Assim, a Bíblia refere que “Saul enviou mensageiros a Jessé dizendo: - envia-me David, teu filho” – I Samuel 16.19. E após uma boa experiência, o rei “mandou dizer a Jessé: - deixa estar David perante mim, pois achou graça aos meus olhos” – v. 22. Mas, depois do jovem David ter conseguido aquele êxito militar – matar o gigante Golias, o filisteu (I Samuel 17.1-10, 42-45,50) – e alcançar grande popularidade ao ponto de ofuscar a do rei, este último ao mandar chamá-lo à sua presença diz: - “De quem és filho, mancebo? E disse David: Filho de teu servo Jessé, belemita” – I Samuel 17.58. Compare-se esta pergunta com a do monarca de Babilónia – “És tu aquele Daniel dos cativos de Judá?” – Daniel 5.13; aqui, a exemplo do passado, o opositor é, conscientemente, esquecido por razões óbvias, não é verdade?!
Depois das apresentações feitas, de uma forma cínica diz: - “tenho ouvido dizer de ti que podes dar interpretações e solver dúvidas” – v. 16ª – continua, mas em tom de dúvida, a dizer: - “se puderes ler e fazer-me saber a sua interpretação, serás vestido de púrpura, terás um colar de ouro ao pescoço e no reino serás o terceiro dominador”- v. 16b (sublinhado nosso).
Este pequeno pormenor “terceiro dominador”, só reforça o quanto a este respeito já dissemos, ou seja, que Belsazar ocupava a posição de regente, em lugar do pai. Em conformidade com a posição que ocupava, não poderia, em abono da verdade, oferecer outra posição no reino a não ser a máxima, dentro das disponíveis, a que estava disponível – a 3ª posição! Ora vejamos: 1º- O monarca; 2º- O co-regente (Belsazar); 3º- Daniel.
quarta-feira, 16 de junho de 2010
DANIEL E BELSAZAR OU A VERDADE E A MENTIRA
"Então respondeu Daniel, e disse na presença do rei: Os teus presentes fiquem contigo, e dá os teus prêmios a outro; todavia vou ler ao rei o escrito, e lhe farei saber a interpretação. O Altíssimo Deus, ó rei, deu a Nabucodonozor, teu pai, o reino e a grandeza, glória e majestade; e por causa da grandeza que lhe deu, todos os povos, nações, e línguas tremiam e temiam diante dele; a quem queria matava, e a quem queria conservava em vida; a quem queria exaltava, e a quem queria abatia. Mas quando o seu coração se elevou, e o seu espírito se endureceu para se haver arrogantemente, foi derrubado do seu trono real, e passou dele a sua glória. E foi expulso do meio dos filhos dos homens, e o seu coração foi feito semelhante aos dos animais, e a sua morada foi com os jumentos monteses; deram-lhe a comer erva como aos bois, e do orvalho do céu foi molhado o seu corpo, até que conheceu que o Altíssimo Deus tem domínio sobre o reino dos homens, e a quem quer constitui sobre ele. E tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o teu coração, ainda que soubeste tudo isso; porém te elevaste contra o Senhor do céu; pois foram trazidos a tua presença os vasos da casa dele, e tu, os teus grandes, as tua mulheres e as tuas concubinas, bebestes vinho neles; além disso, deste louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não vêem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida, e de quem são todos os teus caminhos, a ele não glorificaste." Daniel 5:17-23.
Agora acontece o que o rei mais temia – a presença de Daniel/Beltessazar! A verdade perante a mentira e a depravação é como um espinho na carne e convém evitá-la a todo o custo. Agora, o monarca tinha chegado a um verdadeiro beco sem saída. Na verdade o procedimento do rei é tipicamente humano, ou seja, estar de acordo com o adágio popular – “lembramo-nos de Santa Bárbara, unicamente quando troveja”! Quando os juízos de Deus se fazem presentes, mais cedo ou mais tarde, a falsa segurança humana dá lugar, inevitavelmente, ao terror. Só na dificuldade e na impossibilidade de encontrar uma solução para aquele enigma diante de si e dos seus é que se vê obrigado a convocar o profeta.
Mas, antes de cumprir a missão para a qual fora chamado, o profeta toma a liberdade de lhe ministrar um verdadeiro “estudo bíblico”, o qual se encontra do v. 17-24.
Não esqueçamos que estamos no ano 539 a. C., isto é, que o profeta Daniel terá nesta altura cerca de 85 anos de idade. A idade e o respeito granjeado até então lhe tinham dado um grande estatuto na corte ao ponto de poder dirigir-se ao rei desta maneira, ao rejeitar o seu aliciante presente, em termos humanos: - “Os teu dons fiquem contigo e dá os teus presentes a outro” – v. 17. Qual a razão provável desta resposta? A sua idade? O seu estatuto? Claro que não, pela simples razão que a verdade não tem preço; o profeta não fez mais do que seguir o conselho do sábio Salomão: - “compra a verdade e não a vendas” – Provérbio 23.23. Por outro lado, esta verdade também tinha outra realidade – que a vida deste homem iria desaparecer e os seus dons terrenos, não passavam daqui, desta terra, daquilo que é efémero e fugaz!
Assim, antes de ler e interpretar a escritura na parede irá falar ao rei acerca do quanto deveria ter feito e não o fez! Belsazar tivera certamente muitas oportunidades de conhecer e fazer a vontade de Deus. Ele vira o seu avô Nabucodonozor ser banido do convívio das pessoas. Ele testemunhara o intelecto no qual se vangloriava o orgulhoso monarca e como lhe fora retirado por Aquele que o tinha concedido. Ele vira o seu avô ser afastado do reino e tornar-se companheiro dos animais do campo. Ele conhecia onde se encontrava a verdade e quem a poderia ministrar mas, em vez disso, preferiu afastar-se e recusar humilhar-se dedicando-se aos divertimentos e à glorificação do eu, apagando, desta forma, as lições que nunca deveria ter esquecido.
Este monarca desperdiçou as oportunidades que tão graciosamente lhe foram concedidas para se familiarizar com a verdade. Por estas razões, o profeta começa por lhe recordar a história do grande Nabucodonozor e como este fora humilhado ao longo daqueles sete anos, até que reconhecesse que só o Altíssimo reina – v. 20,21. E vai directo ao assunto dizendo ao rei “não humilhaste o teu coração ainda que soubeste tudo isto” – v. 22.
E, para finalizar o profeta acrescenta: - “E te levantas-te contra o Senhor do céu (…). Além disto, deste louvores aos deuses de prata, ouro, cobre, ferro, madeira e de pedra, que não vêem, não ouvem, nem sabem; mas a Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, a ele não glorificaste. Então dele foi enviada aquela parte de mão” – v. 23.
Na realidade, tal como diz a Escritura “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” – Hebreus 10.31 – ou ainda “Porque o nosso Deus é um fogo consumidor” – Hebreus 12.29. Que palavras amargas.
Já vimos que, todo aquele que adora algo a não ser o Deus Criador, em primeiro lugar, está a desrespeitar o 2º mandamento da Lei de Deus – Êxodo 20. 1-17; em segundo lugar está a atentar, pela segunda vez contra Deus, pois está a pôr em causa a inteligência por Ele dada a todo o ser humano! Se este adorar um objecto inerte que inteligência demonstrará? Nenhuma, não é verdade! Por esta atitude desprovida de senso, está a demonstrar que Deus não existe! A todo aquele que assim procede, as Escrituras só têm um nome para o qualificar, ou seja: tolo, néscio – cf. Salmo 10.4; 14.1; 53.1- isto é, desprovido de inteligência!
A este propósito, abramos aqui um parêntesis para que possamos ver um ou outro pormenor:
* Ídolos
Afinal, que lição queria dar o profeta ao ter dito: - “(…) deste louvores aos deuses de prata, ouro, cobre, ferro, madeira e de pedra, que não vêem, não ouvem, nada sabem (…) “ – v. 23? Será esta chamada de atenção válida para os nossos dias? Que dizem e pensam, hoje, aqueles que continuam a praticar tais actos que o profeta denuncia? Ora vejamos uma opinião deveras curiosa: - “A liturgia politeísta estava cheia de estátuas de deuses e deusas; por isso não admira o alerta constante da Bíblia para tal perigo. Mas é esta a doutrina da Igreja Católica em relação às imagens do culto católico? De modo algum. (…), só adoramos a Deus e mais ninguém. (…). As imagens, sejam elas da Virgem Maria ou dos Santos, têm tão-somente um valor de mediação ou de exemplaridade. Como humanos precisamos de sinais, de significantes e significados. (…). Se eu olho para uma imagem ou pintura da Mãe do Senhor Jesus Cristo, lhe ofereço flores, incenso, cânticos, procissões, etc., não estou contra a Bíblia que proíbe apenas as imagens dos deuses ou de seres terrenos (animais, aves), humanos e celestes (sol, lua, estrelas) que eram adorados, pois continuo a ser monoteísta, a adorar apenas a Deus, embora venere a Mãe do Senhor Jesus, nosso Salvador”.
Acerca desta citação iremos tecer algumas considerações:
* As imagens
- Na realidade, o culto das imagens é um fenómeno humano. Começaremos por comentar a citação acima: - “Como humanos precisamos de sinais, de significantes e significados”. Recordamos que estas palavras nada têm de novo! Esta explicação faz-nos recordar as célebres palavras de Madame Sevigné quando exclamou: - “Adensai-me a religião senão evapora-se toda”.
Na realidade que quererão dizer estas palavras? Nada mais demonstram a não ser pouca fé. Para a consolidar, o ser humano precisa de “sinais, de significantes”! Na realidade, de que tipo é a nossa fé para que só O possamos adorar através de um objecto de mediação? Aliás, desde logo, se estivermos a ver a representação de quem dizemos crer, ainda que esta fosse real, perguntamos: - onde estará a tal dita fé?
- Depois, é dito que: - “Se eu olho para uma imagem ou pintura da Mãe do Senhor Jesus Cristo, lhe ofereço flores, incenso, cânticos, procissões, etc., não estou contra a Bíblia que proíbe apenas as imagens dos deuses ou de seres terrenos (animais, aves), humanos e celestes (sol, lua, estrelas) que eram adorados, pois continuo a ser monoteísta, a adorar apenas a Deus, embora venere a Mãe do Senhor Jesus, nosso Salvador”. O que quererá isto dizer?
Qual será a diferença entre “adorar” e “venerar”? Mas perguntemos a quem sabe. Somos informados que: Adorar é: prestar culto à divindade; Venerar é: reverenciar, tratar com respeito.
Na mente do adorador, onde está a diferença? Na verdade, só se for nas palavras e não em mais lado nenhum! Depois, é dito que à mãe do Senhor Jesus Cristo é oferecido “incenso, cânticos e procissões”. Mas qual é a diferença disto e do quanto è atestado e condenado pelas Escrituras? Ouçamos o profeta Jeremias 44.17, quando denunciava estas mesmas práticas do antigo Israel: - “(…) queimando incenso à rainha dos céus e oferecendo-lhe libações (…)”; ou ainda “o Senhor não podia por mais tempo sofrer a maldade das vossas acções, as abominações que cometestes” – v. 22
Haverá muita dissemelhança entre a personagem deste texto bíblico e a que se refere e o que nos é revelado no Catecismo? Ora vejamos: - “Por isso, a Virgem é invocada na Igreja com os títulos de advogada, auxiliadora, socorro e medianeira”. Não contraria esta afirmação a ordem das Escrituras? Ora vejamos, quem é o único “mediador” entre nós e Deus. O apóstolo Paulo esclarece-nos “Porque há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” – I Timóteo 2.5. Quem terá razão? O apóstolo ou o Catecismo? Ou ainda “a santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de ”. Que diferença haverá entre este título e o de “rainha dos céus”? Em abono da verdade dizemos: - nenhuma!
O autor fala ainda em “procissões”! Ora vejamos o que diz as Escrituras a este respeito: - “nada sabem os que conduzem em procissão as suas imagens de escultura feitas de madeira e rogam a um deus que não pode salvar” – Isaías 45.20; ou “Com prata e ouro o enfeitam ; com pregos e com martelos o firmam para que não se mova. São como a palmeira, obra torneada, mas não podem falar, necessitam quem os leve, porquanto não podem andar” – Jeremias 10.4,5. Que diferença existe entre a idolatria do antigo Israel e a de hoje?
- Acerca da estatuária, mesmo por muito perfeita que seja a imagem que representem, as Escrituras ainda referem que: - “têm boca e não falam (…) nem som algum sai da sua garganta” – Salmo 115.5,7. Apesar de ser uma imagem perfeita e de altíssima qualidade de execução está isenta de vida! Qual a diferença destes e de Deus? É enorme, como facilmente se compreenderá. E porquê? As Escrituras dão-nos a conhecer a grande diferença, nestes termos: - “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus e todo o exército deles pelo espírito da sua boca. (…). Porque falou e tudo se fez; mandou e logo tudo apareceu” – Salmo 33.6,9. Para Deus não há qualquer diferença entre o dizer e o criar. Assim “para designar o que não existe, a língua hebraica dirá simplesmente – lô dabar (não palavra) – ou empregar um dos muitos termos que significam: vazio, sem conteúdo, sem força, sem eficácia. O ídolo de madeira é uma mentira porque ele não pode salvar” – cf. Isaías 45.20
Em conclusão, só a Deus, segundo as Escrituras, se pode e deve venerar e adorar. Tudo o resto não passa de uma abominação ao Senhor.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
AS LETRAS MISTERIOSAS EM DANIEL 5
Você conhece o capítulo 5 de Daniel? É uma parte da Bíblia assombrosa! O comentário que se segue foi escrito pelo Dr. Ilidio Carvalho, ficará impressionado com a magnifica exposição.
Agora o profeta Daniel irá, finalmente, justificar a razão da sua presença ali. No final da sua admoestação recordou: - “(…) mas a Deus, em cuja mão está a tua vida e todos os teus caminhos, a ele não glorificaste. Então dele foi enviada aquela parte de mão” – v. 23
Qual a mensagem escrita por esta mão através das palavras: MENE - (contado, numerado) – porque os dias do reinado de Belsazar tinham sido numerados e Deus decidira que tinha chegado o tempo de dizer: - basta! TEKEL – (pesado) – a vida e os actos do monarca estavam a ser colocados num dos pratos da balança, enquanto que no outro estava a lei de Deus. O prato do rei, infelizmente, tinha sido achado em falta; - PERES/FARSIN- (separado) – o reino do monarca ia ser dividido e dado aos Medo-Persas - (v. 25-28). A missão estava cumprida, agora faltava o rei cumprir a sua palavra, proclamando Daniel como sendo o terceiro dominador do reino – v. 29.
O relato bíblico em causa - v. 30 - refere que naquela mesma noite Babilónia cai nas mãos da coligação Medo-Persa. Efectivamente, os dias de Babilónia estavam contados e, esta cai nas mãos do rei Persa Ciro no mês de Setembro/Outubro de 539 a. C.
No entanto, no v. 31, refere que “Dario, o Medo, ocupou o reino”. Quem era este Dario, se a História e a Bíblia (Isaías 45.1) referem o nome de Ciro? Em termos arqueológicos está atestado que quem tomou Babilónia foi um tal Gobrias, governador de Gutium, acompanhado pelos exércitos de Ciro. Visando a resolução deste aparente enigma, os especialistas referem que “o nome de Dário é um título honorífico e que Gobrias o poderia ter tomado como nome de reinado”.
E a queda de Babilónia teve lugar. Cumpriu-se a queda da Babilónia literal como se cumprirá a queda da simbólica. Curiosamente, ambas têm algo em comum – ambas causam grande alegria e júbilo no universo; a literal - Jeremias 51.48; a simbólica – Apocalipse 18.20
Deus, no passado quis curar esta cidade, mas “ela não sarou” – Jeremias 51.9. Como consequência, Deus irá pronunciar-se contra ela. Assim, ainda quando Babilónia estava no auge do seu poderio, em 594/593 a. C., ou seja “no 4º ano de Zedequias” - Jeremias 51.59 – o profeta encarrega Seraías de ler o rolo onde se encontrava escrita este oráculo, profecia, inerente à queda de Babilónia - o que aconteceria cerca de 55 anos mais tarde, ou seja, em 539 a. C!.
As palavras do Senhor que o profeta mandou ler em Babilónia foram:
- “A palavra que falou o Senhor contra Babilónia” – Jer. 50.1
- “Fugi do meio de babilónia (…) porque eu suscitarei e farei subir contra Babilónia uma congregação de grandes nações da terra do norte” – v. 8,9; 51.6,45
- “Por causa do furor do Senhor não será habitada, antes se tornará assolação (…) porque pecou contra o Senhor” – 50.13,14b
- “Por isso habitarão nela as feras do deserto (…) e nunca mais será povoada, nem será habitada de geração em geração” – v. 39,40
Seraías após ter acabado a leitura do quanto acabámos de referir – Jeremias 51.61 –, deveria, em seguida, atá-lo a uma pedra e o lançar no meio do rio Eufrates, segundo a ordem do profeta - Jeremias 51.63. Como consequência lógica, ambas as peças se afundaram. Depois deste gesto ainda deveria de dizer categoricamente: - “Assim será afundada Babilónia e não se levantará “ – v. 64.
Na verdade, quando nada faria supor pois encontrava-se no auge do seu poder, fora dito a Babilónia que desapareceria. Quem diria que, cerca de 55 anos depois se cumpririam, literalmente, estas palavras!
Na realidade, que grandioso Deus é o nosso Deus. A Ele seja dado todo o louvor.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
A LUTA DE DANIEL PARA MANTER A ADORAÇÃO AO DEUS DO CÉU
Daniel 6
Estamos perante o último capítulo narrativo do livro do profeta Daniel, o qual também apresenta o fim de uma progressão de acontecimentos que visavam a qualificação do profeta para o que Deus lhe reservava.
Na realidade, este capítulo marca o fim das tentativas levadas a cabo por Satanás para que o profeta não estivesse qualificado para o quanto Deus tinha para anunciar à humanidade nos capítulos que se seguem e que compõem a secção profética. Assim, recapitulemos os precedentes capítulos: no 1º, encontramos a prova da comida consagrada aos ídolos, a qual foi rejeitada. No 2º, Daniel é, por arrastamento com todos os magos, os encantadores e os adivinhos da corte babilónica, condenado à morte. No 3º, os amigos de Daniel são postos à prova, em relação à adoração daquela grande estátua que representava o rei, permanecendo firmes na sua fé. No 4º, a soberania de Deus é vindicada. No 5º, o anúncio final de Babilónia literal; No estudo de hoje, veremos a derradeira prova passada pelo profeta para manter intacta a sua adoração unicamente a Deus, ainda que para tal arrisque a sua vida. Na realidade, o tema de hoje é, diremos nós, a matriz do quanto, posteriormente, nos admoestam as Escrituras: - “Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como um leão, buscando a quem possa tragar” – I Pedro 5.8.
I- O rei
O relato bíblico dá-nos que, Dário, o Medo, o novo ocupante do trono de Babilónia, tem 62 anos – Daniel 5.31. Muito se tem debatido acerca da sua verdadeira identidade, no entanto, segundo o historiador Judeu Flávio Josefo, revela que a este rei “os Gregos dão outro nome” , nome que, segundo alguns, poderá ser Gubaru, o governador de Gutium e também de Babilónia. O detalhe da menção da sua idade, segundo o texto bíblico, dá-nos a conhecer um homem maduro e com bastante sentido de liderança. Este, para uma melhor administração do reino irá nomear 120 sátrapas.
II- Os administrativos
O rei, segundo o texto bíblico, irá nomear para a chefia destes sátrapas, três outros príncipes, dos quais Daniel fazia parte. Em relação a estes últimos, o rei pensou em Daniel para “constituí-lo sobre todo o reino” – Daniel 6.2,3.
Na realidade, onde existir o ser humano, o germe da discórdia poderá acontecer por diversas razões. O texto em lide revela-nos que os colegas de Daniel começaram a nutrir sentimentos menos próprios a seu respeito. Um deles – a inveja. Daniel tinha sido recompensado pela sua fidelidade e a sua posição hierárquica era superior à dos outros. A segunda - a hostilidade. Esta é igual à que os injustos sentem contra os justos. Anteriormente, nas Escrituras, podemos ver um exemplo desta mesma situação – os irmãos de José o detestavam porque ele não era como eles – cf. Génesis 37.2-4
No entanto, o texto em causa mostra-nos perfeitamente a causa do desagrado dos irmãos de José a seu respeito, assim como o de Daniel, em relação as seus correligionários. Ora vejamos:
a) Daniel - a nomeação destes diferentes governadores e respectivos príncipes acima destes, dos quais Daniel era o mais importante, visava unicamente o bem-estar do rei – “para que o rei não sofresse dano” – Daniel 6.2b. Naquela elevada posição, a tentação de se apropriar de poderes e afins, para os quais não tinham sido autorizados, estava sempre presente. E, acima deles estava o incorrupto Daniel!
b) José - No texto inerente à pessoa de José, podemos encontrar, de igual modo, o mesmo ambiente, muito embora em circunstâncias diferentes. Nestes versículos citados, encontramos uma das razões dó ódio que os seus irmãos nutriam por ele. Porquê? Porque contava ao seu pai o que se passava com os seus irmãos – tal como nos é dito: - “José trazia uma má fama deles a seu pai” – Gén. 37.2b. Portanto, quem gosta que acerca de si se digam verdades, quando estas falam contra nós? Ninguém!
Ora, quem não é por nós é contra nós; nesta qualidade, nada há a fazer a não ser eliminar o obstáculo – o bem. Estes, na corte de Babilónia, irão tentar colocar em prática um plano visando a desgraça de Daniel. Mas como fazê-lo? Estes olhavam para ele mas “não podiam achar ocasião ou culpa alguma; porque ele era fiel e não se achava nele nenhum vício nem culpa” – v. 4. Que perfil! Mas quem era Daniel? Um deus ou um ser humano que, um dia, como veremos mais adiante, simplesmente, nascera de novo? Na realidade não passava de um homem, um simples mortal, como os demais. A este propósito, certa vez, uma multidão quis divinizar Paulo, chamando-o pelo nome do deus pagão Mercúrio, e a Barnabé o de Júpiter – Actos 14.12. Sem qualquer hesitação, estes disseram, corrigindo tal intenção: - “Varões, por que fazeis estas coisas? Nós também somos homens como vós, sujeitos às mesmas paixões (…)” – v. 15; Tiago 5.17.
Portanto, a exemplo dos demais, tanto Daniel no passado, como Paulo e Barnabé, não passavam de simples seres humanos, tal como qualquer um de nós, nada mais.
III- A subtil mentira
Como não podia acusá-lo fosse do que fosse e como o seu pérfido propósito era anular Daniel, pensaram em algo que corresponderia ao que tanto desejavam – que o profeta caísse em desgraça perante o rei.
Em termos humanos nada existia que maculasse este homem, a não ser que lhe toquemos em algo que este nunca abdicará – a sua fidelidade para com o seu Deus. Na realidade, foi assim que pensaram ao reconhecerem que “nunca acharemos ocasião alguma contra este Daniel, se não a procurarmos contra ele na lei do seu Deus” – v. 5. Que testemunho da verdade! É desta forma que Deus justifica os Seus servos e obriga o mundo, contra a sua vontade, a dar-lhes testemunho.
Se bem pensaram, melhor irão fazê-lo. Sabiam que todos os homens têm um preço – ou da sua fé, ou da sua bajulação. E, cientes destes dois parâmetros vão aliciar o rei usando o segundo estratagema – a bajulação humana! Estes irão agir hipocritamente lisonjeando a pessoa do rei; e, sob o pretexto de reforçar a sua autoridade e, sem que o rei se apercebesse do que estava em causa, consegue arrancar do monarca um decreto que tem como substrato o tema da – adoração – ligada à sua religião!
O teor do decreto era “qualquer que, por um espaço de trinta dias fizer uma petição a qualquer deus, ou a qualquer homem e não a ti, ó rei, seja lançado na cova dos leões” – v. 7. O decreto fora assinado pelo rei. E o que iria acontecer agora com Daniel? As Sagradas Escrituras revelam-nos que o profeta “quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa e, como antes costumava fazer, de joelhos, orava e dava graças, diante do seu Deus, três vezes no dia” – v. 10. Iria fraquejar? Tanto no passado, como no presente, o conselho, a admoestação é a mesma que fora dada a este homem de Deus, ou seja “a perseverança na oração é uma necessidade; que nada se interponha entre vós e este dever”. Na realidade nada tinha mudado na vida deste homem fiel em relação ao seu Deus.
O profeta não se escondeu para continuar a orar ao seu Deus, pois “havia no seu quarto janelas abertas” – v. 10. Daniel sabia o que era a oração: 1- para o profeta, “orar, é abrir a Deus o seu coração como se faria a um amigo mais íntimo”; 2- por outro lado ao reconhecer que nada era sem o auxílio de Deus e buscava-o através deste meio por que “a oração é, na mão da fé, a chave que abre os tesouros do céu onde estão os recursos infinitos do Todo-Poderoso”. A constância deste servo de Deus será denunciada ao rei, visto que tal postura era contrária ao que estava lavrado no decreto, sob estas palavras: - “Daniel, que é um dos transportados de Judá, não tem feito caso de ti, ó rei, nem do édito que assinaste, antes três vezes por dia faz a sua oração” – v. 13. Já, no passado recente, desta vez com os amigos de Daniel – no episódio da fornalha ardente – os que os denunciaram têm, curiosamente, a mesma fraseologia: - “Há uns homens judeus que tu constituíste sobre os negócios da província de Babilónia (…); estes homens, ó rei, não fizeram caso de ti; a teus deuses não servem, nem à estátua de ouro que levantaste, adoram” – Daniel 3.12. Como a história se repetiu no passado, de igual modo se repetirá no futuro, “e foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta” - Apocalipse 13.15. Repetimos, aqui, tal como no passado, o contexto é o mesmo – a adoração unicamente ao verdadeiro Deus!
IV- O rei
Em função desta denúncia é que o monarca se apercebe do quanto estava, não somente na mente dos seus pérfidos cortesãos como também na base daquele édito real – não a sua real e elevada pessoa, mas o aniquilamento do indesejável e incorrupto transportado de Judá - Daniel!
Este tentará tudo por tudo para revogar a sua própria lei, mas sem sucesso – v. 14! Na realidade, os seus decretos eram infalíveis e irrevogáveis, tal como se encontra noutro texto do Antigo Testamento – “a escritura que se escreve em nome do rei e se sela com o anel do rei, não é para revogar” – Ester 8.8.
Assim é, todas as vezes que o homem se diviniza. A pretensão humana à infalibilidade é, ainda hoje, um dos maiores obstáculos à liberdade cristã e ao desenvolvimento espiritual. A este propósito, que nos seja permitido abrir um pequeno parêntesis acerca da pretensão de um poder – Roma papal - que, nos capítulos a seguir, como veremos, o profeta denunciará:
- A 20 de Junho de 1868, pela bula Aeterni Patris é convocado um Concílio – o Vaticano I – que funcionou de 08 de Dezembro de 1869 a 20 de Outubro de 1870. Este Concílio, o da supremacia da autoridade papal sobre os bispos, irá culminar na afirmação de que, ao papa pertence a última interpretação da Tradição e das Escrituras! Este pode, desta forma, proclamar com toda a legitimidade um dogma na qualidade de – Vicarius Christi (Vigário de Cristo) – nesta Terra! O papa, ciente do seu poder, irá aprovar o polémico decreto que consagra a famosa – infalibilidade – do Sumo Pontífice Romano, ou seja, a sua!
Finalmente, mas sem unanimidade, este último dogma é aprovado como sendo oriundo de Deus! Eis o seu articulado: - “Apresentamos e definimos como dogma divinamente revelado: que quando o Pontífice Romano falar – ex cathedra – isto é, quando, excedendo o seu cargo de Pastor e de Doutor de todos os cristãos, ele defina, em virtude da sua suprema autoridade apostólica, se uma doutrina sobre a fé ou sobre os costumes deve ser seguida pela Igreja Universal, está dotado pela assistência divina prometida na pessoa do bem-aventurado Pedro, desta infalibilidade de que o divino Redentor quis que a Sua Igreja fosse provida, definindo uma doutrina sobre a fé ou sobre os costumes; e, por consequência, que tais definições do Pontífice Romano são irreformáveis por si próprias e não em virtude do consentimento da Igreja”.
O rei nada mais pode fazer a não ser inclinar-se perante a lei que ele próprio promulgara e, com tristeza ordena o cumprimento da lei. Dário mostra respeito e interesse pelo Deus de quem Daniel era servo, ao qual chama de “Deus vivo” – v. 20. Ele sabe por que razão o profeta desobedece à sua ordem, visto que, ao mandar executar a sentença declarou: - “O teu Deus, a quem tu continuamente serves, ele te livrará” – v. 16. De novo Deus é colocado no Seu único lugar – o 1º na nossa vida. O mesmo, mais tarde, ao ser ameaçado pelas autoridades religiosas do Sinédrio, para não evangelizar no nome de Jesus, Pedro responderá: - “(…). Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” – Actos 5.28,29.
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