terça-feira, 20 de outubro de 2009

COMPREENDENDO OS 1290 E 1335 DIAS DE DANIEL

(Autor: Alberto R. Timm)
A interpretação dos "1290 dias" e dos "1335 dias" de Daniel 12:11 e 12 respectivamente como 1290 anos e 1335 anos é antiga, podendo ser encontrada já entre os expositores judeus do século 8 d.C. Essa interpretação, baseada no princípio dia-ano (Núm. 14:34; Ezeq. 4:6 e 7), continuou sendo advogada pelos seguidores de Joaquim de Fiore (1130-1202), bem como por vários outros expositores, durante a pré-Reforma, a Reforma e a tradição protestante subsequente.1

Guilherme Miller (1782-1849), por sua vez, acreditava, em primeiro lugar, que tanto os 1290 anos como os 1335 anos haviam iniciado em 508, quando Clóvis obteve a vitória sobre os visigodos arianos, passo esse decisivo na união dos poderes político e eclesiástico para a punição dos considerados hereges pelo catolicismo medieval. Em segundo lugar, Miller cria que os 1290 anos haviam se cumprido em 1798, com o aprisionamento do Papa Pio VI pelos exércitos franceses; e, finalmente, que os 1335 anos se estenderiam por mais 45 anos até o término dos 2300 anos de Daniel 8:14, entre 1843 e 1844.2

Essa interpretação foi mantida pelos primeiros adventistas observadores do sábado,3 transformando-se na posição histórica da Igreja Adventista do Sétimo Dia até hoje.4 Porém, em anos recentes, alguns pregadores independentes começaram a propagar o que consideram nova luz sobre os 1290 e 1335 dias de Daniel 12. Rompendo com a tradicional compreensão adventista, tais indivíduos alegam que ambos os períodos são compostos por dias literais, e não dias que representam anos, a se cumprirem ainda no futuro.

Alguns deles sugerem que ambos os períodos iniciarão com o futuro decreto dominical; que os 1290 dias literais são o período reservado para o povo de Deus sair das cidades; e que ao término dos 1335 dias literais a voz de Deus será ouvida anunciando "o dia e a hora" da volta de Cristo.5 Por mais interessante que essa teoria possa parecer, existem pelo menos cinco razões básicas que nos impedem de aceitá-la.

1. A teoria se baseia numa leitura parcial e tendenciosa dos escritos de Ellen White.

Um dos argumentos para justificar o cumprimento futuro dos 1290 e 1335 dias é a falsa alegação de que Ellen White considerava como errônea a noção de que os 1335 dias já haviam se cumprido no passado. Alusões são feitas à carta que ela enviou "à igreja na casa do irmão Hestings", datada de 7 de Novembro de 1850, na qual são mencionados alguns problemas relacionados com o irmão O. Hewit, de Dead River.
No texto original em inglês dessa carta aparece a seguinte declaração: "We told him of some of this erros in the past, that the 1335 days were ended and numerous errors of his."6 Essa declaração deveria ser traduzida simplesmente como: "Nós lhe mencionamos alguns dos seus erros do passado, que os 1335 dias haviam se cumprido e muitos dos seus erros." No entanto, alguns defensores da nova teoria profética preferem substituir a conjunção "que" (inglês that) pela expressão "tais como" (inglês such as), alterando dessa forma o sentido do texto. Assim, eles conseguem fazer com que a sentença diga que entre os erros advogados por Hewit estava também a ideia de "que os 1335 dias haviam se cumprido".
Se a intenção de Ellen White era realmente corrigir o irmão Hewit por crer que os 1335 dias já haviam se cumprido, permaneceriam as indagações? Por que Ellen White se limitou a corrigir, em 1850, de forma parcial e tendenciosa, apenas a posição desse irmão, sem qualquer repreensão aos demais líderes do movimento adventista que também criam que esse período profético já havia se cumprido em 1844? Por que ela não reprovou o seu próprio esposo, Tiago White, por afirmar na Review and Herald, ainda em 1857, que "os 1335 dias terminaram com os 2300, com o Clamor da Meia-Noite em 1844"?7
Por que ela não o repreendeu por continuar publicando na mesma Review vários artigos de outros autores, advogando a mesma idéia?8
E mais, como poderia Ellen White haver declarado, em 1891, que "nunca mais haverá para o povo de Deus uma mensagem baseada em tempo. Não devemos saber o tempo definido nem para o derramamento do Espírito Santo nem para a vinda de Cristo"?9
Evidências de que Ellen White cria que esses períodos já haviam se cumprido em seus dias podem ser encontradas também em suas declarações segundo as quais Daniel já estava sendo vindicado em sua sorte (ver Dan. 12:13) desde o início do tempo do fim.10 Cremos, portanto, que o Dr. Gerard. P. Damsteegt, professor do Seminário Teológico da Universidade Andrews, estava correcto ao declarar que "já em 1850 E. G. White havia escrito que "os 1335 dias haviam se cumprido", sem especificar o tempo do seu término".11

2. A teoria quebra o paralelismo profético-literário do livro de Daniel.
Para justificar o suposto cumprimento futuro dos 1290 e 1335 dias, os advogados da "nova luz" profética alegam, sem qualquer constrangimento, que o conteúdo da Daniel 12:5-13, onde são mencionados esses períodos, não é parte da cadeia profética do livro de Daniel. Porém, uma análise mais detida da estrutura literária do livro não confirma essa teoria. O Dr. William H. Shea esclarece que, no livro de Daniel, cada período profético (1260, 1290, 1335 e 2300 dias) aparece como um apêndice calibrador ao corpo básico da respectiva profecia que lhe corresponde.
Por exemplo, a visão do capítulo sete é descrita nos versos 1-14, mas o tempo a ela relacionado só aparece no verso 25. No capítulo 8, o corpo da visão é relatado nos versos 1-12, mas o tempo só ocorre no verso 14. De modo semelhante, os tempos proféticos relacionados com a visão do capítulo 11 só são mencionados no capítulo 12.12 Esse paralelismo comprova que os 1290 dias e os 1335 dias de Daniel 12:11 e 12 compartilham da mesma natureza profético-apocalíptica dos termos "tempo, tempos e metade de um tempo", de Daniel 7:25, e as 2300 tardes e manhãs de Daniel 8:14.
Assim, se aplicarmos o princípio dia-ano aos períodos proféticos de Daniel 7 e 8, também devemos aplicá-lo aos períodos de Daniel 12, pois todos esses períodos estão interligados, de alguma forma, e a descrição de cada visão indica apenas um único cumprimento para o período profético que lhe corresponde.
Além disso, a alusão em Daniel 12:11 ao "sacrifício diário" e à "abominação desoladora" conecta os 1290 e os 1335 dias não apenas com o conteúdo da visão de Daniel 11 (Dan. 11:31), mas também com as 2300 tardes e manhãs de Daniel 8:14 (ver Dan. 8:13; 9:27). O mesmo poder apóstata que haveria de estabelecer a "abominação desoladora" em lugar do "sacrifício diário" é descrito em Daniel 7 e 8 como o "chifre pequeno", e em Daniel ' como o "rei do Norte." Portanto, a tentativa de interpretar alguns períodos proféticos de Daniel (70 semanas, 2300 tardes e manhãs) como dias que simbolizam anos, e outros (1290 dias, 1335 dias) como meros dias literais, é totalmente incoerente com o paralelismo profético-literário do livro de Daniel.

3. A teoria apoia-se em uma interpretação não bíblica do termo hebraico tamid.
A teoria de que tanto os 1290 dias quanto os 1335 dias iniciam com o futuro decreto dominical é baseada na suposição de que, em Daniel 12:11, as expressões "sacrifício diário" e "abominação desoladora" significam respectivamente o sábado e o domingo. Mas também essa suposição carece de fundamento escriturístico.
A expressão "sacrifício diário" é a tradução do termo hebraico tamid, que significa "diário" ou "contínuo", ao qual foi acrescentada a palavra "sacrifício", não encontrada no texto original de Daniel 8:13 e 12:11. A palavra tamid é usada nas Escrituras em relação não apenas com o sacrifício diário do santuário terrestre (ver Êxo. 29:38 e 42), mas também com vários outros aspectos do ministério contínuo daquele santuário (Êx. 25:30; 27:20; 28:29 e 38: 30:8; I Crón. 16:6). No livro de Daniel, o termo se refere, obviamente, ao contínuo ministério sacerdotal de Cristo no santuário celestial (Dan. 8:9-14). Já a expressão "transgressão assoladora" ou "abominação desoladora" subentende o amplo sistema de contrafacção a esse ministério, construído sobre as teorias antibíblicas da imortalidade natural da alma, da mediação dos santos, do confessionário, do sacrifício da missa, etc.
Não podemos concordar com a teoria de que em Daniel 12 o "diário" representa simplesmente o sábado, e a "abominação desoladora", o domingo. Para crermos dessa maneira, teríamos que esvaziar essas expressões do amplo significado que lhes é atribuído tanto pelo próprio contexto bíblico no qual aparecem, como também pelo consenso geral das Escrituras.

4. A teoria reflete a interpretação jesuíta futurista da Contra-Reforma católica.
Os defensores da interpretação literal-futurista dos 1290 e 1335 dias alegam que sua posição é genuínamente adventista e plenamente sancionada pelos escritos de Ellen G. White. No entanto, se analisarmos mais detidamente o assunto à luz da História, perceberemos que essa teoria rejeita o historicismo e o princípio dia-ano da tradição protestante, para se alinhar abertamente com o futurismo literalista da Contra-Reforma católica.
Os reformadores protestantes do século 16 identificavam o "chifre pequeno" com o papado, do qual se originaria a "abominação desoladora" de que fala Daniel.13
Foi para inocentar o papado dessas acusações que o cardeal italiano Roberto Bellarmino (1542-1621), o mais capaz e renomado de todos os polemistas jesuítas, sugeriu que o "chifre pequeno" era um mero rei e que os 1260, 1290 e 1335 dias eram apenas dias literais a se cumprirem somente no período que antecederia o fim do mundo.14 Dessa forma, o papado contemporâneo não poderia mais ser identificado como o "chifre pequeno" ou "rei do Norte" e, consequentemente, não mais poderia ser responsabilizado pela "transgressão assoladora" ou "abominação desoladora". Muitos dos defensores contemporâneos da interpretação futurista dos 1290 e 1335 dias desconhecem o comprometimento dessa teoria com o futurismo da Contra-Reforma católica. Mas, mesmo assim, tais indivíduos deveriam pelo menos reconhecer que "essas propostas futuristas repousam, essencialmente, sobre uma compreensão errónea dos padrões de pensamento da poesia hebraica", e que "elas representam uma leitura do idioma hebraico através de óculos ocidentais".15

5. A teoria menospreza as advertências de Ellen G. White contra a tentativa de se estender o cumprimento de qualquer profecia de tempo para além de 1844.
Se essa teoria fosse correcta, bastaria ser promulgado o decreto dominical, e já saberíamos por antecipação quando a porta da graça se fecharia e quando ocorreria a segunda vinda de Cristo. Essa é, por conseguinte, mais uma forma subtil e capciosa de se estabelecer datas para os eventos finais. Por mais originais e criativas que possam parecer, essas tentativas não passam de propostas especulativas, que desconhecem ou menosprezam, em nome de Ellen White, as suas próprias advertências sobre o assunto.
Já em 1850, ela escreveu: "O Senhor me mostrou que o tempo não tem sido um teste desde 1844, e que o tempo nunca mais será um teste."16
Posteriormente, acrescentou que "nunca mais haverá para o povo de Deus uma mensagem baseada em tempo". "O Senhor mostrou-me que a mensagem deve ir, e que não deve depender de tempo; pois tempo não será nunca mais uma prova. Deus não nos revelou o tempo em que esta mensagem será concluída, ou quando terá fim o tempo de graça."17
Somente depois do fechamento da porta da graça, e pouco antes da segunda vinda, é que Deus há de declarar aos salvos "o dia e a hora da vinda de Jesus".18
Comentando a expressão "que não haveria mais tempo" (Apoc. 10:6 KJV), em 1900, a sra. White declarou: "Esse tempo, que o anjo declara com um solene juramento, não é o fim da história deste mundo, nem o tempo de graça, mas o tempo profético, que precederia o advento de nosso Senhor. Ou seja, o povo não terá outra mensagem a respeito de um tempo definido. Após este período de tempo, que se estende de 1842 a 1844, não pode haver qualquer cálculo definido de tempo profético."19
Sendo esse o caso, por que então continuar insistindo em reaplicar os 1290 dias e os 1335 dias de Daniel 12 para o futuro? Cabe somente a Deus julgar o grau de sinceridade daqueles que assim o fazem, mas uma coisa é certa: A"fé em uma mentira não terá influência santificadora sobre a vida ou o caráter. Nenhum erro é verdade, nem pode tornar-se verdade pela repetição, ou por fé nele. ... Posso ser perfeitamente sincera em seguir um caminho errado, mas isso não torna o caminho certo, nem me levará ao lugar que eu desejava chegar."20

PROTEGIDOS DO ENGANO
É evidente, portanto, que a teoria de um cumprimento futuro dos 1290 e 1335 dias baseia-se numa leitura parcial e tendenciosa dos escritos de Ellen White, quebra o paralelismo profético-literário do livro de Daniel, apoia-se em uma interpretação não bíblica do termo hebraico tamid, reflecte a interpretação jesuíta futurista da Contra-Reforma católica, e menospreza as inspiradas advertências contra a tentativa de se estender o cumprimento de qualquer profecia de tempo para além de 1844.
Numa época em que os vendavais de falsas doutrinas estarão soprando com forte intensidade (Efés. 4:14), "para enganar, se possível, os próprios eleitos" (Mat. 24:24), só estaremos seguros se alicerçados sobre a clara e inamovível Palavra de Deus. Toda "nova luz", para ser verdadeira, deve estar em perfeita harmonia com o consenso geral das Escrituras e dos escritos inspirados de Ellen White.21 Os atalaias do povo de Deus jamais deveriam permitir que as conjecturas e as especulações humanas os impeçam de dar à trombeta o sonido certo (Eze. 33:1-9; I Cor. 14:8).

Referências:
1 LeRoy Froom, The Prophetic Faith of Our Fathers, Washington, D.C.: Review and Herald, 1954, vol. 4, págs. 205 e 206.
2 William Miller, Evidences from Scripture and History of the Second Coming of Christ about the Year a.D. 1843, and of His Personal Reign of 1000 Years, Brandon, Vermont: Telegraph Office, 1833, pág. 31; Idem, Evidence from Scripture and History of the Second Coming of Christ, about the Year 1843,
Exhibited in a Course of Lectures, Boston, Joshua V. Himes, 1842, págs. 95-104, 296 e 297; Idem, Synopsis of Millers Views, Signs of the Times, 25/01/1843, págs. 148 e 149.
3 P. Gerard Damsteegt, Foundations of the Seventh-day Adventist message and Mission, Grand Rapids, MI; Eerdmans, 1977, págs. 168-170.
4 ver Uriah Smith, Synopsis of the Present Truth, nº 12, Review and Herald, 28/01/1858; Stephen N. Haskell, The Story of Daniel the Prophet, Berrien Springs, MI, 1903; págs. 263-265; J. N. Loughborough, The Thirteen Hundred and Thirty-Five Days, Review and herald, 04/04/1907, págs. 9 e 10; Uriah Smith, The Prophecies of Daniel and the Revelation, Washington, D.c., Review and Herald, 1944, págs. 330 e 331; George Price, The Greatest of the Prophets: A New Commentary on the Book of Daniel, (Mountain View, CA, 1955, págs. 337-342; Araceli S. Melo, Testemunhos Históricos das profecias de Daniel, Rio de Janeiro, RJ, Laemmert, 1968, págs. 727-729. Francis D. Nichol (editor), The Seventh-day Adventist Bible Commentary, Washington, D.C., Review and Herald, 1977, vol. 4, págs. 880 e 881; Vilmar e. Gonzalez, "Os 1290 e 1335 dias em Daniel 12", Revista Adventista, 09/82, págs. 43 e 45; Hacques B. Doukhan, Daniel: The Vision of the End, Berrien springs, MI, 1989, pág. 135; William H. Shea, "Time Prophecies of Daniel 12 and Revelation 12 e 13, in Frank Holbrook (editor), Symposium on Revelation - Book 1, Daniel and Revelation Commitee Séries, vol. 6, Silver Spring, MD, 1992, págs. 327-360.
5 Victor Michaelson, Delayed Time-setting Heresies Exposed, Payson, AZ; Leaves-Of-Autumn, 1989.
6 E. G. White, Carta H-28, 07/11/1850.
7 James White, "The Judgment", Review and Herald, 29/01/1857, pág. 100.
8 J. N. Loughborough, "The Hour of His Judgement Come", Review and Herald, 14/02/1854, pág. 30; Uriah Smith, "Short Interviews with Correspondents", Idem, 24/02/1863, pág. 100, e 08/09/1863, pág. 116.
9 Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 188.
10 Idem, Manuscrito 50, 1893; Carta K-59, 22/11/1896; Manuscrito 176, 04/11/1899; Manuscrito 10, 1900; Carta B-6, 17/01/1907.
11 P. Gerard Damsteegt, Op. Cit., pág. 169.
12 William H. Shea, The Abundant Life Bible Amplifier, Boise ID, Pacific Press Association, 1996, págs. 217-223.
13 LeRoy Froom, Op. Cit., vol. 2, págs. 241-463.
14 Ibidem, págs. 495-502.
15 Frank Holbook, Symposium on Revelation - Book 1, pág. 327.
16 Elen G. White, Primeiros Escritos, pág. 75
17 Idem, Op. Cit., vol 1, págs. 188 e 191.
18 Idem, O Grande Conflito, pág. 640.
19 Comentários de Ellen White em The Seventh-day Adventist Bible Commentary, vol. 7, pág. 971.
20 Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, vol. 1, pág. 56.
21 Idem, Counsels to Writers and Editors, págs. 33-51.

AS SEIS TROMBETAS DO APOCALIPSE

Introdução: Todos os Outonos, em tempos bíblicos, Deus tinha, para os sacerdotes que oficiavam no Templo em Jerusalém, uma tarefa especial: tocar trombetas para lembrar o povo de que deveriam preparar-se para o Dia da Expiação que se aproximava. Esse dia era também o dia anual de juízo, de introspecção e de confissão dos pecados. Em Apocalipse do capítulo 8 ao 11, Deus adverte a humanidade sobre a necessidade de arrependimento e de trilhar caminho direito, fá-lo através de 7 anjos com as suas trombetas. Este toque é para si e para mim também.

1- O “silêncio no céu” é momento de expectativa (Apocalipse 8:1). O que é que se segue a este silêncio?
Apocalipse 8:2-4.

Nota explicativa: Já nos habituámos a esta reverência que precede um momento solene junto ao trono de Deus. Imediatamente antes de ler as cartas às sete igrejas, encontrámos Jesus no Santuário, vestido como Sumo Sacerdote, caminhando entre os castiçais.
Antes da abertura dos sete selos, vimos Jesus simbolizado como um Cordeiro Pascal, em pé junto ao trono. Agora, um anjo oferece incenso sobre o altar de ouro.
A nossa expectativa seria a de ver Jesus em pé ao lado do altar de ouro, oferecendo incenso com as nossas orações. É também verdade, que a Bíblia apresenta por vezes Jesus como sendo um anjo (Êxodo 3:1-6; Génesis 48:16).
Obviamente, Jesus não é um anjo na forma em que compreendemos os anjos. Ele é Deus! A palavra anjo significa “mensageiro”, e Jesus é o supremo portador das mensagens de Deus.

2- Para onde lança o anjo o incensário e o que fazem os anjos de seguida?
Apocalipse 8:5-7.

Nota explicativa: O incenso era oferecido pelo Sumo Sacerdote no Templo de Jerusalém no Dia da Expiação. O incenso é um símbolo do próprio Jesus. Representa a doçura e bondade de Cristo, e especialmente a Sua morte sacrificial na cruz. O incenso não é para convencer Deus a amar-nos, Ele já nos ama (São João 16:27; 3:16).
São João viu, ao toque da trombeta, o incensário ser lançado sobre a Terra. Como podemos explicar tal alteração de comportamento? Porventura, Deus ama-nos e ao mesmo tempo nos fere? Será que o nosso Sumo Sacerdote, que vive “sempre para interceder” por nós (Hebreus 7:25), por vezes também nos pune? Certamente que sim!

3- Haverá razões que levem o amor a punir?
Apocalipse 3:19.
Nota explicativa: A punição é conferida normalmente para nos fazer sofrer a merecida consequência do nosso comportamento. Há, porém, outras razões que levam o amor a punir, como por exemplo:

1- O amor pode levar a punir a fim de persuadir ao arrependimento e a orientar o curso da vida num sentido melhor. Os pais que amam os filhos fazem isso. Deus também!

2- O amor pode também levar a punir os nossos inimigos, a fim de proteger os amados e fiéis de continuarem a sofrer a crueldade que estes lhes infligem.

3- Será que estamos a viver o tempo em que Deus chama ao arrependimento e conversão?
Apocalipse 8:6-12.
Nota explicativa: Como dissemos na nota de introdução, o toque convocava para a batalha e comunicava mensagens durante as guerras (Jeremias 4:19; I Corintios 14:8). As trombetas eram tocadas dez dias antes do dia anual do julgamento “Yom Kipur”. Nas sete trombetas do Apocalipse, operações militares e juízos encontram-se expressamente combinados. “As nações se enfureceram”; “chegou... o tempo determinado para serem julgados os mortos” (Apocalipse 11:18).

4- A primeira trombeta.
Apocalipse 8:7
Nota explicativa: “saraiva”; “fogo”; “sangue”; “terça parte da vegetação”. Em linguagem bíblica erva representa povo que floresce em justiça (Isaías 44:3-4), e árvores também são símbolos do povo de Deus (Salmo 1:3; 52:8; 92:12), Jesus retratou a nação judaica dos Seus dias como um figueira que não produziu os seus frutos (São Lucas 13:6-9).
Inquestionavelmente, o evento que preenche as características desta trombeta, foi a memorável destruição da nação judaica e a queda da sua capital, Jerusalém, no ano 70 da nossa era. A nação judaica rejeitou persistentemente os profetas. Por fim eles exigiram a morte do Filho de Deus, que viera para salvar a todos nós. Deus, relutantemente, teve que permitir que colhessem os frutos das suas próprias escolhas (Mateus 23:38).

5- A segunda trombeta.
Apocalipse 8:8-9.

Nota explicativa: Em Apocalipse 17:1,15, “águas” simbolizam “povos, multidões, nações e línguas”. O “mar” da segunda trombeta é o mar da humanidade. Em 455, os Vândalos, entre muitos outros povos, pilharam Roma. Vandalizaram a cidade durante duas semanas. Roma tinha punido o povo de Deus, chegava agora a sua hora de sofrer as consequências.

6- A terceira trombeta.
Apocalipse 8:10-11.

Nota explicativa: A Igreja medieval do ocidente sucumbiu às seduções de Satanás, conformando-se progressivamente com os padrões da cultura secular e pagã. Durante este tempo a igreja perdeu a maior parte do seu poder de transformar pessoas. Na verdade, ela muitas vezes estimulou à prática do crime. A doce e efervescente fonte da vida tornou-se barrenta e amarga. “Absinto”, a estrela cadente e ardente: Satanás e os mestres cristãos que se prestaram a cumprir os satânicos propósitos. A verdadeira religião de Jesus e a verdade a Seu respeito, confiada à Igreja Cristã da Idade Média, especialmente aquela centrada em torno da Igreja de Roma, ao ser poluída pelos erros do “absinto”.

7- A quarta trombeta.
Apocalipse 8:12.

Nota explicativa: Da mesma forma como Jesus é a fonte última da vida, Ele é também o “Sol da justiça” (Malaquias 4:2), a origem de toda a verdade e luz. Por duas vezes São João ouviu Jesus dizer: “Eu sou a luz do mundo (São João 8:12; 9:5). Numa dessas ocasiões, Jesus acrescentou: “Quem Me segue não andará em trevas.”
Esta trombeta é o cumprimento solene e infeliz do que foi feito pela Igreja Católica Romana, apesar de conhecer os Dez Mandamentos (Êxodo 20:1-17). Em 1054 a Igreja Romana excomungou iradamente a Igreja Grega-Ortodoxa e milhões dos seus membros, porque, entre outras coisas insistiam em continuar a observar o Sábado do sétimo dia (Génesis 2:1-2). Por volta do ano 1500, a mesma Igreja Romana provocou um anátema escandaloso, ao impor à população da Europa mais de 150 dias santificados não-bíblicos, a seu bel-prazer.
A Lei de Deus e o ministério sacerdotal de Cristo no santuário celestial, foram certamente, a “Luz” do Céu foi, “obscurecida” por um sistema terrestre de leis, sacerdotes e sacrifícios. Cumpriu-se a quarta trombeta.

8- A quinta e sexta trombeta.
Apocalipse 9:1, 14.

Nota explicativa: Lamentamos o pouco espaço que temos para analisar todo o desenvolvimento que mereciam este emocionante assunto das trombetas. Diremos de forma muito resumida que grandes expositores bíblicos como Martinho Lutero, Joseph Mede e Sir Isaac Newton, acham que estas cenas de gafanhotos são representações dos grandes exércitos muçulmanos que repetidamente guerrearam contra os cristãos durante longos séculos.

Apelo: Certamente reparou que há ainda uma outra trombeta, a sétima, estudá-la-emos no tema AS DUAS TESTEMUNHAS. Dissemos anteriormente que as sete trombetas constituir-se-iam em “juízos de advertência”. Esses juízos ocorrem em tempo de poder levar-nos ao arrependimento.
Iremos ver que vivemos o tempo da Sétima trombeta e que se aproximam as Sete últimas pragas, quando estas caírem será demasiado tarde para que alguém se arrependa verdadeiramente.
Aproxime-se de Jesus e aceite a Sua mão estendida para si, Ele é o único Caminho, Verdade e Vida. Agora, é ainda tempo. Que Deus o/a abençoe!

CRONOGRAMA DOS EVENTOS PROFÉTICOS