domingo, 9 de agosto de 2009

A 2ª IGREJA DO APOCALIPSE

A segunda etapa leva-nos a Esmirna, a uma distância de 50kms de Éfeso. Grande cidade em beleza e pelo seu comércio agitado, portanto, um centro de grande riqueza, tornou-se famosa por ter uma rua pavimentada de ouro. Era uma das raras cidades da Antiguidade a ter sido cuidadosamente planificada e completamente reconstruída. Fundada pelos Gregos no ano 1.000 a.C., ela foi destruída pelos Lídios no ano 600 a.C., e desapareceu completamente do mapa da época. Foi ressuscitada quatro séculos mais tarde por Lísimaco um dos generais de Alexandre o Grande. O prodígio da sua recreação ainda está na memória no tempo em que João escreve a Carta a Esmirna. E não é por acaso que o acento da Carta de Esmirna é sobre a morte e a ressurreição. O autor da Carta define-se como aquele que passou da morte para a vida (Ap. 2:8). Os destinatários da Carta são eles também destinados à morte, mas a promessa que lhes é feita é que receberão a vida (Ap. 2:10,11). O nome de Esmirna, deriva da palavra “mirra”, uma goma que servia para embalsamar os mortos, está carregada de evocações funestas.
Para além da alusão à origem da cidade de Esmirna, a Carta evoca igualmente os tempos conturbados dos mártires cristãos que foram perseguidos e lançados nas prisões, mas que, permanecem fiéis até à morte. E não é só a prisão e a morte que os ameaça. A miséria e a pobreza esmagam-nos de igual modo. O cristianismo ainda não atingiu um estatuto de riqueza que terá num futuro não muito distante, quando enfim, atribuirá às riquezas o favor e as bênçãos divinas. É o tempo onde ser cristão não é sinónimo de bênção e sucesso. É o tempo do fracasso. Os cristãos são originários das classes mais baixas, frequentemente vítimas de assaltos das multidões pagãs, os primeiros cristãos contrastavam com a rica e opulenta cidade de Esmirna. Eles eram atados de todos os lados, do exterior bem como do interior.
É o tempo das perseguições (100 – 313 d.C.), da parte dos pagãos todas as desculpas eram boas, até porque os cristãos eram acusados de canibalismo por causa do rito da Santa Ceia, que eles celebravam em consonância com o que ela representava o corpo e o sangue de Jesus Cristo. Eram suspeitos da prática de orgias nos seus ágapes, estas festas celebradas em ambiente de amor fraternal. Eram ainda acusados do seu ateísmo porque adoravam um Deus invisível. O Estado desconfiava deles e era posta em causa a sua lealdade politica, porque recusavam chamar Senhor a César. Havia quem dissesse que tinha ouvido dizer que eles previam o fim do mundo através do fogo. Eram pois acusados de ser incendiários, e Nero não perdeu a oportunidade de explorar este rumor. Verdadeiros párias, os cristãos tinham tudo para atrair o desprezo e o ódio, tanto mais que eram confundidos com os Judeus. Estes praticavam uma religião impopular e desprezível. Os cristãos eram assim e ao mesmo tempo, vítimas dos pagãos e até os próprios judeus deles desconfiavam.
Os Judeus, viam realmente os cristãos como um grupo desajeitado que proclamavam que o Messias já tinha vindo. Certos Judeus reagiam de forma apaixonada contra esta nova seita. Saul de Tarso, que se tinha aliado aos cristãos e que se tinha tornado Apóstolo Paulo, é disto o exemplo mais completo (ver Actos 7 a 9). A Carta a Ersmirna apenas tem uma reprovação, referindo que eles não são os verdadeiros Judeus: eles “dizem ser judeus” (Ap. 2:9). A afirmação é significativa, porque mostra que os cristãos se consideravam como os Judeus definitivos. Hoje, no meio cristão, acusar-se-ia os irmãos de não serem “verdadeiros cristãos” e falar-se-ia de uma “Igreja de Satanás”. Era o tempo em que os cristãos se sentiam muito mais próximos dos Judeus do que dos pagãos. O anti-semitismo cristão ainda não tinha nascido. Lançados nas prisões e como alimento para os leões pelos pagãos, caluniados pelos irmãos judeus, os cristãos desta época sentiam-se desfeitos e reduzidos a todas as misérias.
A perseguição intensificava-se especialmente sob o reino de Diocleciano, que os historiadores chamam “a era dos Mártires” (P. Auge, “Dioclétien”, dans Larousse universel, 1948, p. 551.). O édito de 303, o Imperador ordena “que as comunidades cristãs sejam completamente dissolvidas, as suas igrejas demolidas e os seus manuscritos bíblicos queimados” (C.Grimberg, Hisoire Universelle, vol. 3: Rome, L´Antiquité en Asie orientale et les grandes invasions – Marabout université -, Verviers, 1963, p. 284). Um enorme número de cristãos pagaram a sua fidelidade com a vida. Muitos foram reduzidos à escravidão. Neste época, conserva-se os nomes de mártires canonizados santos da Igreja Católica Romana. São Sebastião, que foi preso a uma árvore e morto trespassado por uma centena de flechas. Santa Cecília, patrona (ver imagem) da música sacra. Santa Inês (a virgem mártir), que pereceu nas chamas acesas pelo carrasco. A última destas perseguições terminou em 311, e em 313, enfim, o Imperador Constantino promulga um édito que dá aos cristãos o direito de reconstruir as suas igrejas e de praticar o seu culto com toda a liberdade.
É impressionante e deve ser realçado que esta raiva manifestada nas perseguições durou dez anos, tempo previsto pela Carta de Esmirna (Ap. 2:10), aplicando a regra do cômputo profético (um dia = ano).
A linguagem é simbólica e na tradição bíblica e judaica, o número 10 é frequentemente utilizado no sentido espiritual para traduzir a ideia de teste. Lembramo-nos de Daniel obrigado ao teste dos dez dias (Dan. 1:14,15). Este símbolo foi conservado no calendário judaico. Dez dias separam Roch hachanah, a festa das trombetas, do Kipur, o dia do julgamento – o tempo para os Judeus de passar pelo teste e de se preparar na perspectiva da grande festa das expiações. A Michna retoma o mesmo esquema e refere as primeiras dez gerações de Adão a Noé, depois de Noé a Abraão, as dez provas infligidas a Abraão, e as dez pragas no Egipto, consequentemente conclui que o número 10 marca, no tempo, o ritmo da prova (Aboth 5:1-9).
Mas não passa de uma prova. A palavra é em si portadora de esperança. Ela anuncia outra coisa que está no horizonte e supõe uma recompensa. O fracasso e a morte não têm a última palavra. A coroa do vencedor (stephanos) está reservada aos mártires da fé (Ap. 2:10).
Percebe-se um sorriso tranquilo. Vencidos sob a espada dos gladiadores, eles receberão no entanto a coroa do vencedor. Eles são mortos e no entanto eles levam a “coroa da vida” – imagem frequentemente representada em monumentos fúnebres da Antiguidade grego/latina, para representar a vitória da morte. O texto bíblico não permite pensar na promessa da imortalidade da alma tão acariciada pela filosofia grega e que encontrará caminho nas tradições judaico/cristãs. O versículo seguinte explica com cuidado que eles não “sofrerão a segunda morte” (Ap. 2:11). Esta expressão encontra-se na Bíblia para designar que “a segunda morte” é a morte definitiva dos pecadores que não se arrependeram, não reconheceram Jesus como Salvador e Senhor. A morte definitiva, é uma morte sem esperança de ressurreição. Mais adiante, a passagem de Apocalipse 20:6 esclarece este sentido ao falar das duas ressurreições. A primeira ressurreição concerne os justos na Segunda Vinda de Jesus. A segunda ressurreição diz respeito aos pecadores não-justificados. Só a primeira ressurreição abre a porta para a vida eterna. A segunda, em vez, abre-se sobre a morte eterna. Ou seja, todos sofrerão a primeira morte, mas unicamente os não-justificados (só Jesus é justificador e galardoador) conhecerão a segunda morte (veja Daniel 12:2).
Prometer aos mártires de Esmirna que não passarão pela segunda morte, é pois prometer a esperança de uma esperança efectiva, a única que dá acesso à vida eterna. Chamo a atenção que segundo as concepções da época que se baseavam no dualismo (alma boa igual a céu, corpo mau igual a inferno) é completamente barrido nesta promessa ao vencedor. O vencedor é-o em Cristo unicamente!
Para a Bíblia, o além não passa pela imortalidade da alma. Só o milagre da ressurreição que implica a totalidade do indivíduo permitirá o acesso à vida eterna.
Meus Deus, como o tema da Igreja de Esmirna é lindo! Deus seja louvado!!! Seja um vencedor em Jesus e ouvirá a Sua maravilhosa voz chamar: “Vinde benditos de meu Pai, possui por herança a vida que vos está preparada desde a fundação do mundo”, sabe esta é uma decisão que já foi tomada por Deus, agora, precisa ser tomada por si, que fará? Aceite!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O SANTUÁRIO É FUNDAMENTAL NA COMPREENSÃO DO PLANO DA SALVAÇÃO


INTRODUÇÃO: “E me farão um santuário, e Habitarei no meio deles”. Êxodos 25:8
· Habitar com seu povo e receber adoração, este foi sempre o desejo de Deus.
· Desde a história dos nossos primeiros pais há um conflito na experiência de adoração dos filhos de Deus.
· O santuário se bem compreendida a sua mensagem revela-nos a vontade de Deus para o seu povo.
· Como Adventistas do 7º Dia, temos um corpo de 28 doutrinas. Das 28 doutrinas, 3 nos distinguem de todas as demais denominações, são elas: O Dom de Profecia, a visão cosmológica do conflito entre o bem e o mal e a doutrina do Santuário Celestial.

I. OS DOIS SANTUÁRIOS – TERRESTRE E CELESTIAL
A. O SANTUÁRIO TERRESTRE
Em Exodos 25:8 Deus dá uma ordem a Moisés para a construção do santuário. Este lugar seria o local da habitação de Deus, onde simbólicamente, o povo de Israel, através dos sacrifícios de animais buscaria o perdão dos pecados e vivenciaria a experiência da adoração.
· Toda instrução nos seus mínimos detalhes fora concedida a Moisés.
· Êxodo 25:9 – “Conforme tudo o que Eu te mostrar para modelo do tabernáculo e para modelo de todos os seus móveis, assim mesmo o fareis”.
· O ritual do santuário terrestre era símbolo, figurado do outro Santuário.
· Foi através de Cristo no Calvário que verdadeiramente todo o sistema de sacrifícios de animais realizados no santuário terrestre teve a sua autêntica legitimidade. Ou seja, sem Cristo tudo o mais perdia o seu valor. Foi o sacrifício de Cristo que veio consumar o que ocorria no santuário terrestre.

B. O SANTUÁRIO CELESTIAL
Com a morte de Cristo na cruz “o véu rasgou-se de alto a baixo” (Mateus 27:51) mostrando que todo o ritual no santuário terrestre perdera o seu significado.
“Cristo morreu na hora do sacrifício da tarde ( cf. Mateus 27:45,46 e 50), como “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”(João 1:29), e “o antítipo de todas as ofertas sacrificais”.[1]
“Quarenta dias após a Sua ressurreição (cf. Actos 1:3), Cristo Ascendeu ao céu, onde iniciou o ministério no Santuário/Templo celestial. Evidências da existência deste santuário são encontradas de forma clara no Antigo Testamento (Ver Salmos 11:4; 96:6, Isaías 6:1; Daniel 8:14; 9:24; etc.), e bem mais explicitamente na epístola aos Hebreus, que tencionava transferir a atenção dos judeus – Cristãos do sacerdócio e do templo terrestre para o sacrifício de Cristo no Santuário Celestial (Ver Hebreus 4:14 – 5:10; 7:1-10-25).[2]

II. O SANTUÁRIO COMO PLATAFORMA DAS CRENÇAS IASD
“Os Adventistas consideram o santuário e os 2300 dias como “o principal pilar da fé daqueles que aguardam o Senhor, e O esperam para logo”[3]
“J. N. Andrews referiu-se ao santuário em 1867 como “a grande doutrina central” do sistema doutrinário adventista, “pois o Santuário conecta inseparavelmente todos os pontos na fé, e apresenta o assunto como um grande todo.”[4]
“Uma das descrições mais significativas da função integrativa do Santuário foi sugerida por Uriah Smith em 1877, através da analogia da roda de uma carroça.[5]
“Na grande roda da verdade, o santuário ocupa essa posição central. Nele as grandes verdades da revelação encontram o seu ponto principal.[6]
“Em 1881, Smith acrescentou que o assunto do santuário é a “grande verdade central do sistema de verdades do nosso tempo”...[7]
Ao comentando a experiência de 1844, Ellen White declarou em 1884 que Daniel 8:14 foi “a passagem que, acima de todas as outras, havia sido tanto a base como a coluna central da fé do advento.” Ela explica que “o assunto do Santuário” “revelou um sistema completo de verdades, conectadas e harmoniosas”.[8]

· Na doutrina do santuário encontramos a base para as demais crenças da nossa Igreja.
· A compreensão do Santuário é chave para compreender todas as demais doutrinas.

A. O Sábado þ Apoc. 11:19
B. A Lei de Deus þ Apoc. 11:19
C. Nova Terra þ João 19:29
D. Milénio þ Lev. 16:20 a 22
E. Segundo Advento þ Isa. 63:1-6
F. Ordem þ Núm. 4:17-20
G. Dízimo þ Lev. 27:30-34
H. Vida apenas através de Cristo þ Lev. 4:29
I. Reforma de Saúde þ Lev. 23:27-29
J. Santificação e Justificação pela Fé þ Lev. 16:23
K. A Santa Ceia þ Lev. 7:15-21
L. Julgamento þ Ecle. 12:13,14
M. Modéstia Cristã þ Deut. 22:5
N. Baptismo þ Êxo. 40:12 a 16
O. Ministério dos anjos þ Êxo. 25:20
P. Educação Cristã þ Êxo 12:26,27
Q. Dom de Profecia þ Êxo. 28:30
R. Assistência social þÊxo. 22:22-24
S. Destino dos Ímpios þ Lev. 6:10,11
T. Arrependimento þ Lev. 4:27-29

Conclusão
· Ao analisar a importância da doutrina do santuário não nos resta nenhuma dúvida de que Deus deseja habitar com o seu povo.
· Quando Deus habita com o seu povo através do santuário ele faz uma reforma total na vida religiosa e prática do crente.
· O santuário terrestre apontando para o santuário celestial nos indica que nada temos a temer. Jesus Cristo no santuário celestial é nosso Sumo Sacerdote que por nós intercede. Em breve voltará como rei para nos levar eternamente para o reino. Então reinaremos com Ele para todo o sempre.
· Precisamos crer no poder da mensagem do santuário.

Apelo: gostaria de receber no seu coração todas as bênçãos reveladas no santuário? Que Deus o/a abençoe. Amém!
[1] E. G. White. Atos dos Apóstolos, 246.
[2] Nichol, ed. Seventh – Day Adventist Bible Commentary, 7:389.
[3] Timm, Albert R. Desenvolvimento da Teologia Adventista, p. 37.
[4] Idem, p. 40.
[5] Idem
[6] Idem
[7] Idem, p. 41
[8] Idem.

O MILÉNIO - MIL ANOS DE PAZ

Já alguma vez pensou no que vai acontecer à Terra depois da volta de Jesus? Hoje vamos estudar o que a Bíblia diz acerca dos 1000 anos que se seguirão à Sua volta (Ore)
Faremos a revisão de uma lição anterior, que nos ajudará a prepararmo-nos para o estudo deste momento. Vamos ver o que acontecerá quando Jesus voltar.
Mateus 24:30 “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.”

Todo o mundo verá Jesus voltar em glória e magnificência.
Quando Jesus voltar, a Sua glória será muito brilhante e impressionante.
Salmo 50:3 “O nosso Deus vem, e não guarda silêncio; diante dele há um fogo devorador, e grande tormenta ao seu redor.”
Mateus 25:31 “Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória.”
Este fogo é a glória de Deus, que irá rodear Jesus. Ele virá com “poder e grande glória” (Mateus 23:30) e com “TODOS os santos anjos”. A Bíblia diz que o número de anjos não pode ser contado (Hebreus 12:22). Um anjo era tão brilhante e majestoso que provocou o desmaio de 100 soldados, endurecidos pela guerra (Mateus 28:2-4). Consegue imaginar como todo o céu ficará brilhante e glorioso repleto de TODOS os anjos e mostrando a glória de Deus? Não admira que todo o olho o veja e que a Sua presença seja comparada a um fogo consumidor!

Veja o que este fogo consumidor fará aos perdidos.
2ª Tessalonicenses 1:7-9 “E a vós, que sois atribulados, alívio juntamente connosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder em chama de fogo, e tomar vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus; os quais sofrerão, como castigo, a perdição eterna, banidos da face do senhor e da glória do seu poder.”
Irá destruí-los. A glória da presença de Jesus, que traz esperança e vida eterna ao crente obediente, proclama destruição eterna para os desobedientes.

O que é que os desobedientes farão quando virem Jesus?
Apocalipse 6:14-17 “E o céu recolheu-se como um livro que se enrola; e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. E os reis da terra, e os grandes, e os chefes militares, e os ricos, e os poderosos, e todo escravo, e todo livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; e diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos da face daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; porque é vindo o grande dia da ira deles; e quem poderá subsistir?”
Tentarão esconder-se. Mas não conseguirão. Ninguém se pode esconder de Deus. Apesar de lhe causar uma dor imensa, o Seu esplendor irá destruí-los. Não é uma pena que estas pessoas fujam de Jesus? Elas fogem porque não se entregaram totalmente a Jesus quando tiveram uma oportunidade. É por isso que agora é muito importante pedir a Jesus que os perdoe os nossos pecados, para que Ele dirija a nossa vida!
O que acontecerá aos cristãos aquando da vinda de Jesus? 1ª Tessalonicenses 4:16-17 (ler). Os cristãos que estão mortos serão ressuscitados e, juntamente com os cristãos vivos, serão arrebatados para encontrar o Senhor NO AR. Jesus não põe os pés na Terra. Leva os salvos com Ele para o Céu. (João 14:1-3).

Qual será o aspecto da Terra nesta altura?
Apocalipse 16: 17-20:
“17 O sétimo anjo derramou a sua taça no ar; e saiu uma grande voz do santuário, da parte do trono, dizendo: Está feito.
18 E houve relâmpagos e vozes e trovões; houve também um grande terramoto, qual nunca houvera desde que há homens sobre a terra, terramoto tão forte quão grande;
19 E a grande cidade fendeu-se em três partes, e as cidades das nações caíram; e Deus lembrou-se da grande Babilónia, para lhe dar o cálice do vinho do furor da sua ira.
20 Todas ilhas fugiram, e os montes não mais se acharam.”
O maior terramoto de todos os tempos sacudirá o planeta. As montanhas desaparecerão e as ilhas serão engolidas pelo mar. pedras de granizo, que pesam 30 quilos, cairão do céu.
2ª Pedro 3:10 “Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas.”
Jeremias 4:23-27:
“23 Observei a terra, e eis que era sem forma e vazia; também os céus, e não tinham a sua luz.
24 Observei os montes, e eis que estavam tremendo; e todos os outeiros estremeciam.
25 Observei e eis que não havia homem algum, e todas as aves do céu tinham fugido.
26 Vi também que a terra fértil era um deserto, e todas as suas cidades estavam derrubadas diante do Senhor, diante do furor da sua ira.
27 Pois assim diz o Senhor: Toda a terra ficará assolada; de todo, porém, não a consumirei.”
Jeremias 25:30-33:
“30 Tu pois lhes profetizarás todas estas palavras, e lhes dirás: O Senhor desde o alto bramirá, e fará ouvir a sua voz desde a sua santa morada; bramirá fortemente contra a sua habitação; dará brados, como os que pisam as uvas, contra todos os moradores da terra.
31 Chegará o estrondo até a extremidade da terra, porque o Senhor tem contenda com as nações, entrará em juízo com toda a carne; quanto aos ímpios, ele os entregará a espada, diz o Senhor.
32 Assim diz o Senhor dos exércitos: Eis que o mal passa de nação para nação, e grande tempestade se levantará dos confins da terra.
33 E os mortos do Senhor naquele dia se encontrarão desde uma extremidade da terra até a outra; não serão pranteados, nem recolhidos, nem sepultados; mas serão como esterco sobre a superfície da terra.”
Os mortos não serão enterrados porque não haverá ninguém para os enterrar. Todos os ímpios estarão mortos e os justos irão para o Céu. As pessoas serão todas levadas para o Céu ou então destruídas pelo esplendor da volta de Jesus. Não haverá meio-termo.
Agora vamos ver o que acontecerá a esta Terra, desolada e vazia, depois de Jesus levar os salvos para o Céu. O planeta Terra permanecerá neste estado de destruição durante 1000 anos. E Satanás será forçado a contemplar a destruição, que o seu mal causou.
Apocalipse 20:1-3
“1 E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão.
2 Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos.
3 Lançou-o no abismo, o qual fechou e selou sobre ele, para que não enganasse mais as nações até que os mil anos se completassem. Depois disto é necessário que ele seja solto por um pouco de tempo.”
A palavra grega para “abismo” é a mesma palavra usada no Velho Testamento grego em Génesis 1:2 “havia trevas sobre a face do abismo”. Na criação, a Terra era sem forma e vazia, e podemos ler, em Jeremias 4, que depois da volta de Jesus será assim novamente. Portanto, o abismo é a Terra desolada. Satanás será forçado a permanecer aqui durante 1000 anos, sem ninguém para tentar.
É este o significado do texto quando diz que Satanás ficará “amarrado”. Ele ficará acorrentado pelas correntes das circunstâncias, não terá ninguém para enganar. Todos os perdidos estarão mortos e os salvos estarão no Céu. Satanás será forçado a contemplar a destruição que ele causou.
O versículo 3 também diz que Satanás não enganará as nações até que terminem os 1000 anos. O que acontecerá no fim dos 1000 anos que o liberta para poder enganar as nações?
Apocalipse 21:10 “E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a santa cidade de Jerusalém, que descia do céu da parte de Deus.”
Apocalipse 20:7 “Ora, quando se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão.”

A Nova Jerusalém desce à Terra e Satanás é liberto, porque todos os perdidos ressuscitaram.
Jesus falou desta ressurreição dos perdidos em João 5:28,19:
“Não vos admireis disso, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida, e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo.”
Apocalipse 20:6 diz que os salvos recebem vida na primeira ressurreição, aquando da vinda de Jesus e no INÍCIO dos 1000 anos. Mas, os ímpios revivem na ressurreição da condenação, no FIM dos 1000 anos. Eles são ressuscitados para enfrentar os seu julgamento final.

Vamos ler o que acontecerá a seguir, ver Apocalipse 20:7-9.
“Ora, quando se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão, e sairá a enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, a fim de ajuntá-las para a batalha. E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade querida; mas desceu fogo do céu, e os devorou.”
Satanás engana todos estes perdidos recém-ressuscitados levando-os a pensar que podem atacar a cidade. É durante este ataque final que Deus destrói os ímpios, lançando-os no lago de fogo.
Porque é que Deus ressuscita os perdidos apenas para que eles sejam, novamente, enganados e depois destruídos?

Há duas razões:
1- os perdidos precisam de ver o que acabam de perder por causa dos seus pecados. Verão a linda cidade e saberão que, por não terem aceitado o Senhor Jesus na sua vida, terão de ficar de fora da cidade.
2- Deus quer que o universo veja até onde é que a rebelião de Satanás e dos pecadores pode ir se lhes dor dada uma oportunidade. Tendo conhecimento pleno que Deus está sentado no trono, os ímpios planeiam derrubá-l´O, literalmente, do trono, destruindo-O e também aos justos. Isto é o que Satanás pretende; mas, é evidente que deus os impedirá.
Com esta demonstração final perpetrada por Satanás o universo não caído poderá ver que Deus é misericordioso e justo para destruir os perdidos. Todos saberão que qualquer governo, aparte do governo de Deus, só provocará o caos. Satanás tem demonstrado isso durante o seu reinado aqui na Terra. Todos os redimidos estão seguros contra uma nova rebelião, porque puderam ver quão perigoso é o pecado (Naúm 1:9).
Haverá pessoas que ressuscitarão no fim dos 1000 anos fora da cidade. Isto deve ser terrível. Não haverá nenhuma oportunidade de arrependimento. Cada indivíduo estará perdido, ou salvo. Os perdidos poderão olhar através das paredes transparentes da cidade, e verão as mansões e os corpos glorificados dos santos e as suas faces, felizes e sorridentes. Depois, olharão para os seus corpos doentes, ainda cheios de pecado. Nem posso imaginar o desespero que se instalara nos seus corações.
Podemos estar naquela cidade. A Bíblia diz-nos como assegurar um lugar, em Apocalipse 22:14 “Bem-aventurados aqueles que lavam as suas vestes [no sangue do Cordeiro] para que tenham direito à arvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas.” Aqueles que amam a Deus verdadeiramente, a ponto de Lhe obedecer, e que têm as suas vidas santificadas pelo Seu sangue e o coração transformado pela Sua graça, poderão entrar na cidade e comer do fruto da árvore da vida.
Esta é uma oportunidade sublime que Deus lhe oferece de entregar-lhe o seu coração e aceitá-Lo como Senhor e Amor, para que se torne agora seu Pai Eterno.
Bênçãos do Senhor sobre si.

A 3ª IGREJA DO APOCALIPSE

A viagem continua para norte, estamos a 35kms de Esmirna. A cidade de Pérgamo levantava-se, soberba e majestosa sobre a colina e merecia o seu nome que por significava “fortaleza” e “cidade gloriosa”. Situava-se a uma certa distancia das rotas de passagem comercial, mas nem por isso deixava de ser como a maior cidade da Ásia. O geógrafo grego Strabon (58 a.C. – 25 d.C.) chamou-lhe “a cidade ilustre”, e o historiador romano Plínio (23-79 d.C.) considera que “esta cidade é a mais famosa da Ásia”. Pérgamo foi capital política durante 4 séculos e a sua reputação no capítulo da cultura e da religião era sólida.
A sua principal fonte de riqueza era o fabrico do pergaminho cuja palavra deriva justamente do nome de Pérgamo. Com dois mil rolos na sua biblioteca rivalizava na época com Alexandria. A cidade era igualmente célebre pelos seus hospitais e o templo a Esculápio, deus das curas, atraía multidões vindas de todas as proveniências, como é testemunhado pela imensa variedade de moedas descobertas pelos arqueólogos.
A cidade de Pérgamo reflectia a situação da terceira Igreja na história. Contrariamente às igrejas precedentes, Pérgamo caracterizava-se pelo sucesso e a glória. Os cristãos não eram desprezados. A era dos mártires é passada. Esta época é referida como não negando a fé “mesmo nos dias de Antipas” a “minha fiel testemunha, o qual foi morte...” (Ap. 2:13). O tempo, é de estabilidade é a prosperidade do IV século d.C.).
Mas a glória de Pérgamo não foi conquistada sem preço. A Carta denuncia uma pratica que lembra as falsificações de Balaão, o profeta “renegado” ao serviço do rei moabita que tinha arrastado todo o povo de Israel no sincretismo (Números 25:1-5). Balaão cujo nome significa “devorador do povo”, tinha compreendido que o compromisso era o melhor método para “devorar” e neutralizar o povo eleito. Mais eficaz que a perseguição e a morte, a introdução em Israel de elementos estranhos iria ameaçar a existência da mais fiel testemunha de Deus.
O compromisso com o mal torna-se mais perigoso que a pior das iniquidades. Porque é fácil de identificar o inimigo quando ele está fora de portas. Mas quando ele se infiltra e se senta nos bancos (da igreja) a operação torna-se delicada e torna-se mesmo impossível de o distinguir. É esta uma das características desta Igreja. Pela primeira vez, o paganismo e o erro misturam-se com o testemunho da verdade. É evidente que houve uma evolução a partir da Igreja de Éfeso. A primeira Igreja foi elogiada “porque aborreceu as obras dos nicolaítas” (Ap. 2:6). No presente, os Nicolaítas estão com aceitação dentro da Igreja: “Assim tens também alguns que de igual modo seguem a doutrina dos nicolaítas.” (Ap. 2:15) A obra de Balaão, “o devorador do povo”, juntou-se aos Nicolaítas, cujo significado “conquistador do povo” (este é o significado de Nicolaístas). Nestes dois nomes revela-se a mesma apreensão.
A História mostra de facto um tempo de compromisso. Para afirmar os compromissos políticos, a Igreja torna-se branda e aberta; ela alia-se ao poder político. Os decretos imperiais que foram então promulgados reflectem este espírito e esta nova tendência da Igreja. Um exemplo entre tantos, a observância do Domingo, dia do Sol dos Romanos, substitui o dia de repouso dado por Deus, o Sábado, dia observado por Israel, por Jesus e pelos primeiros Cristãos. Isto transparece claramente no Decreto de Constantino no Concílio de Laodicéia: “Que os Cristãos não se comportem como os Judeus descansando no dia de Sábado. Que todos os jovens, as populações das cidades, e toda a sorte de profissões (artesãos) deixem o trabalho no venerável dia do Sol (= domingo).” (Canon 29 do Concilio de Laodicéia; W. Rondorf, Sabbat et dimanche dans l´Église ancienne, p. 49.).
O carácter de compromisso tinha já sido pronunciado pelo profeta Daniel por duas vezes, na visão da estátua e nos quatro animais. Na visão da estátua (Daniel 2), a Igreja era representada por argila, símbolo da dimensão espiritual e religiosa, misturada com ferro, símbolo do poder humano e político. Na visão dos quatro animais, a Igreja aparece sob a forma de um corno, símbolo do poder político, com uma cara humana, símbolo da dimensão espiritual.
No apelo ao arrependimento é apresentada a mesma critica lançado na Carta a Esmirna. A espada com duplo fio de corte que sai da boca do Filho do homem (Ap. 2:16) representa a Palavra de Deus que julga e que separa o erro da verdade. A promessa que recompensa a vitória (salvação), o “maná escondido,” e a “pedra branca” (Ap. 2:17), reflecte a mesma preocupação. A evocação ao maná é associada à lembrança do Êxodo, na perspectiva da terra prometida. Este pão cai do céu e é enviado por Deus (Êxodo 16:15; Salmo 76:25) torna-se sinal de esperança e vida. Nestas palavras Deus lembra; é Ele o Senhor das bênçãos, estas nunca advém dos compromissos e da cedência ao erro!
Segundo uma velha lenda judaica, na queda de Jerusalém e na destruição do Templo no VIº século a.C., o profeta Jeremias apressou-se a esconder o vaso do maná (este vaso estava dentro da Arca juntamente com a Lei de Deus e vara de Arão; Êxodo 16:33,34; Hebreus 9:4); e só na vinda do Messias e do Seu reino se poderia reencontrar e comer de novo (Mekhiita, 16:25; cf. 2 Baruque 29:8; Hagigah 12b.). Segundo esta tradição, só no fim dos tempos a identidade dos eleitos será revelada. Por agora, eles não são identificados na comunidade visível da Igreja.
É a mesma lição que é registada no símbolo da pedra branca “sobre a qual...um novo nome está escrito” (Ap. 2:17), esta referência à pedra branca lembra os processos nos tribunais gregos/romanos. As pedras brancas e negras eram utilizadas para os jurados da época indicarem o seu veredicto. O branco significava declaração de inocência e a negra a de condenação. Receber uma pedra branca equivale portanto a uma declaração de salvação. Quanto ao “novo nome” dado por Deus, representa a marca da recreação (novo nascimento) do alto, o sinal de um novo caminho. Assim, Abrão tornou-se Abraão para anunciar as promessas de um povo que seria numeroso (Génesis 17:5).
Jacob terá o seu nome mudado para Israel significando o novo desígnio que o esperava, de lutar com Deus (Génesis 32:28). Até os lugares/cidades podem ter um desígnio. Jerusalém recebe o novo nome “o Eterno nossa justiça” como aliança da presença eterna de Deus entre o Seu povo (Jeremias 33:28). Da mesma maneira, os eleitos de Pérgamo recebem “um novo nome” que está para além da compreensão humana. É um “nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe.” (Ap. 2:17. a Bíblia e a tradição judaica falam nestes termos do propósito de Deus. Nome que nem sequer é pronunciável e que não se limita a uma qualquer fórmula (ver Êxodo 3:13-15; cf. Génesis 32:29,30; Juízes 13:17,18 – dado que este nome está associado ao nome de Deus é proibido pronunciá-lo). Razão que é dada na Carta seguinte: “...e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, da parte do meu Deus, e também o meu novo nome.” (Ap. 3:12) Este “novo nome” é portanto o nome de Deus, “o meu novo nome” que se confunde com o nome da “nova Jerusalém que desce do céu” (Ap. 3:12), este é o pleno deslumbramento que é apresentado no Apocalipse, o deslumbramento que faz apelo ao coração do crente a viver na intimidade de Deus aqui na terra dos nicolaítas. Na certeza que no manter-se fiel a Jesus viverá com Ele na Nova Jerusalém.
No início da Carta, os pioneiros ainda fiéis tinham sido designados como aqueles que “retém o meu nome e não negaram a minha fé” (Ap. 2:13). No presente, ao chegar ao final da Carta, os resgatados de Pérgamo são recompensados recebendo o nome de Deus. Esta é a responsabilidade do Povo de Deus levar o nome de Deus. O nome de Deus é fundamentalmente o reflexo do Seu carácter, justo, santo e bom. O Povo é chamado a tornar-se um sinal para os outros, um sinal visível do Deus invisível.
O nome de Antipas – “Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.” (Ap. 2:13) – dá-nos conta da exigência, a que Antipas significa “o representante do pai”. A vocação do filho é de levar o nome do pai e de o representar na sua ausência. É fácil compreender a razão deste nome só ser conhecido daqueles que o recebem. Se o eleito de Pérgamo é o único a conhecer o nome de Deus que está inscrito sobre a pedra branca, é precisamente graças à relação pessoal que ele mantém com Deus.
A Igreja visível desta época, não se extingui, um resto ficou fiel, porém, começou a perder a sua identidade e a sua vocação de mensageira do nome de Deus.
Esta é uma experiência sempre repetida em todas as épocas da história do Povo de Deus, por isso neste tempo de crise, de rumores, de falsidades, de falsos cristos e falsos profetas, de promessas emocionais, somos chamados a olhar para a Nova Jerusalém e a promessa de caminhar nela com Jesus. É isso que quer? Então, seja fiel!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A 4ª IGREJA DO APOCALIPSE

A Carta que temos diante de nós fala de uma cidade que dista de Pérgamo cerca de 45kms. Tiatira é de longe a mais insignificante entre as 7 cidades. Plínio qualificou-a de “cidade medíocre”. No entanto, é ela que recebe o mais inflamado e o maior discurso. Poucos elogios (Ap. 2:19), uma evidente preocupação ressalta no texto que lhe é dirigido (Ap. 2:18-28):
18 Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente:
19 Conheço as tuas obras, e o teu amor, e a tua fé, e o teu serviço, e a tua perseverança, e sei que as tuas últimas obras são mais numerosas que as primeiras.
20 Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos;
21 e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição.
22 Eis que a lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com ela, se não se arrependerem das obras dela;
23 e ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas obras.
24 Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei;
25 mas o que tendes, retende-o até que eu venha.
26 Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações,
27 e com vara de ferro as regerá, quebrando-as do modo como são quebrados os vasos do oleiro, assim como eu recebi autoridade de meu Pai;
28 também lhe darei a estrela da manhã.

Enquanto as primeiras Igrejas tinham mantido ainda uma certa distância do mal, aqui – e já a começar em Pérgamo – uma tendência é evidenciada: o mal reside com tendência a piorar, toma o seu assento dentro da própria Igreja. Na Igreja de Pérgamo, a apostasia foi representada sob os traços do profeta apóstata, Balaão, cuja a influencia exercia-se a partir do exterior.
Em Tiatira, a apostasia reina. Os traços aqui realçados são comparados com a rainha Jezabel (Ap. 2:20), esposa do rei Acabe. Jezabel é de origem fenícia filha “de Etbaal, rei dos sidónios, e foi e serviu a Baal,” ((1ª Reis 16:31) que segundo a tradição, era sacerdote do culto de Baal e de Astarote (ver F.Josefo, VII, XIII.2.) A Bíblia traz à memória a má influência que ela exerceu sobre o rei de Israel e arrasta o povo ao culto pagão. À sua mesa sentavam-se quatrocentos e cinquenta profetas do deus cananeu. Ela distinguia-se pelo seu zelo contra Elias o profeta e contra todos os que ousassem permanecer fiéis a YHWH. A sua influência transborda para os reinos dos seus filhos e filha, a famosa Atalia (2ª Reis 8:18,26; 10:11).
O esboço que é apresentado de Jezabel revela o carácter da nova Igreja. Agora, a apostasia é oficial e tem assento no trono; confunde-se o poder do Estado com o poder da Igreja. É o tempo em que a Igreja se funda como instituição politica e exerce poder de carácter real (século VIº). Não é por acaso que a cidade de Tiatira é justamente reconhecida pela sua tinta de púrpura, cor da realeza (1 Macabeus 8:14; Homero, Ilíada, 4.141-145,) e sacerdotal (Êxodo 25:4; 28:5,6; 39:29; F.Josefo, Guerras, 5.5:4). Lembremo-nos de Lídia de Tiatira, que ganhava a sua vida no comércio da púrpura (Actos 16:14,15,40).
Mas Tiatira é também a cidade dedicada ao culto a Tyrimnos (deus do sol), que se tornou o deus do culto do Imperador romano. E para juntar a toda esta surpreendente amálgama o remetente da Carta a Tiatira apresenta-se como um personagem do qual flui majestade, os seus olhos “de fogo”, “os pés semelhantes a latão reluzente”, como a demonstrar que na Sua presença o deus sol de Tiatira é pálido, sem brilho.
É um aviso sério. Um aviso que toca a todos os crentes. “Todas as Igrejas” (Ap. 2.23) são interpeladas por esta Carta. Porque a tentação atinge todos. Frequentemente o que e chamado a ser testemunha de Deus esquece Deus e age como se fosse deus. É um risco para a religião assim como o foi para cada profeta. A Tradição, a Instituição tomam lugar de relevância para o qual não foram investidas. Toda a testemunha de Deus corre o risco de pretender o lugar que pertence unicamente a Deus. E cada vez que esse lugar é tomado, solda-se pela intolerância e os massacres. O regime de Jezabel é particularmente caracterizado pela perseguição e os massacres contra os fiéis de YHWH. É a viagem que faz Tiatira, a Igreja/Instituição da Idade Média, que se instala oficialmente em 538, quando a última ameaça ariana foi eliminada, e termina em 1563 com o Concílio de Trento.
A Inquisição, as Cruzadas, os carrascos: nunca na história da humanidade a intolerância religiosa terá sido tão feroz e tão longa. É compreensível a cólera de Deus e o anúncio de julgamento, “uma grande tribulação” (Ap. 2:22). A Igreja pagará caro a sua intolerância. A este assunto voltaremos.
Devemos realçar que não são os homens e mulheres de Tiatira na qualidade de pessoas que são visadas nesta Carta: é a Igreja que está no poder, a Igreja como instituição usurpadora de Deus. Dentro de Tiatira, há homens e mulheres que permanecem fiéis. Muitos “não conhecem as chamadas profundezas de Satanás” (Ap. 2:24). Trata-se de uma expressão idiomática que está decalcada sobre o seu contrário “as profundezas de Deus.” Tal como está exarado em 1ª Coríntios 2:10 para caracterizar aqueles que fundamentam a sua fidelidade no Espírito do Alto antes que sobre “a sabedoria dos homens” (1ª Cor. 2:5). Como no tempo de Jezabel, houve os que “não dobraram os joelhos a Baal,” (1ª Reis 19:18) e permaneceram fiéis ao Espírito de Deus.
A Carta reconhece estas excepções e exalta-as com profunda ternura. É no entanto uma Igreja paradoxal, ela é considerada a mais virtuosa. Quatro qualidades lhe são atribuídas: o amor, a fé, o fiel serviço e a perseverança (Ap. 2:19).
É a Igreja de são Francisco de Assis, de são Luís, foram eles entre tantos que fundaram escolas, os primeiros hospitais e as primeiras universidades. É também e sobretudo a época dos primeiros apelos à Reforma e ao arrependimento. É bom pensar em Pedro Valdo (1140-1217) na Itália, em John Wyclif (1320-1384) na Inglaterra, em João Hus (1369-1415) na Boémia. Temos que pensar em Lutero (1483-1546) na Alemanha. Todos estes homens e os seus movimentos foram contra a corrente plenos de coragem: “…mas o que tendes, retende-o até que eu venha.” (Ap. 2:25).
Porque, não é fácil de manter-se de pé no meio da multidão que empurra para diante. Não é fácil pensar e amar num tempo de obscurantismo e intolerância. A única consolação, nessas circunstâncias, é a esperança, a confiança que em breve as trevas se dissiparão. É esta a mensagem contida na promessa da “estrela da manhã” (Ap. 2:28), a última estrela da noite que assinala a iminência do amanhecer.
Comprometa-se com Deus, a vinda de Jesus para dar o galardão da eternidade é iminente. O Senhor Jesus o/a abençoe.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A 5ª IGREJA DO APOCALIPSE

A 45kilómetros para sul de Tiatira fica a cidade de Sardes. O facto da sua extensão se encontrar a dois níveis (planos geográficos) recebeu o nome no plural (Sardeis em grego). Originalmente, a cidade estava construída sobre um planalto a mil e quinhentos metros de altitude, à medida que se foi desenvolvendo, ultrapassou o planalto e casas foram construídas sobre as encostas e nos vales e a velha cidade, torna-se um museu abandonado.
A topografia de Sardes testemunha da sua decadência que marcou a sua história. Sardes é o exemplo perfeito do contraste entre o passado de glória e um presente de miséria. No tempo de João, Sardes já tinha esquecido os seus tempos de glória. Quinhentos anos antes teve lugar entre as cidades mais prestigiadas do mundo. O rico Crésus foi o último rei (560 – 546 a.C.). Foi sob o reinado deste rei, na verdade, que a cidade caiu nas mãos de Ciro.
Cresus foi apanhado de surpresa, as suas sentinelas estavam descuidadas. Quando os soldados de Ciro chegaram ao alto da montanha, viram a cidade sem protecção. As portas estavam abertas e sem vigias, era um convite ao inimigo para entrar. Depois que Sardes perdeu a sua soberania tornou-se uma cidade fantasma. A orgulhosa cidade de outrora, que tinha ao principio impressionado e desafiado Ciro, foi reduzida a um monumento antigo.
As exortações encontradas nesta Carta, são um apelo e inspira-se na memória: “Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te.” (Ap. 3:3). E os numerosos apelos da carta anteriormente feitos à Igreja de Éfeso permitem compreender a ânsia do Apóstolo a que esta Igreja de Sardes retorne à experiência teve início na história do cristianismo. Aquele que envia a Carta identifica-se tal como o fez na Carta de Éfeso “aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas” (Ap. 3:1; cf. 2:1). Esta Igreja é juntamente com a Igreja de Éfeso chamada: “a que tem”.
No centro das tristes acusações e apesar de tudo, apercebemo-nos que estas duas Igrejas “têm” qualquer coisa. A mesma palavra em grego alla (“portanto”, Ap. 2:6; “no entanto”, Ap. 3.4) introduzem nestas duas Cartas a saudação que se mistura com a reprovação.
Ambas recebem a mesma promessa de “comer da árvore da vida” para Efésio (Ap. 2:7) e para Sardes o “livro da vida” (Ap. 3:5).
Ambas antecipam o encontro da festa, um banquete com Deus. Na Carta a Efésio, o banquete é evocado na consumação da árvore da vida (2:7).
Na Carta a Sardes, o banquete é evocado através das vestes brancas (Ap. 3:4,5). É evidente que as vestes brancas simbolizam a pureza, tal como é indicado no contexto: “tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram as suas veste.” (Ap. 3:4) Mas as vestes estão igualmente associadas à festa e à ceia que é celebrada (Eclesiastes 9:8). Revestir-se de vestes brancas, é de alguma maneira assumir o espírito da festa, é por antecipação desfrutar das delícias do banquete do Hóspede divino. A igreja de Sardes marca na história do cristianismo um movimento de retorno à origem.
É o tempo da Reforma. As antigas verdades são redescobertas. É um lembrar-se da mensagem original da Bíblia “do que tens recebido e ouvido,” (Ap. 3:3). A Palavra de Deus torna-se de novo alvo da atenção dos crentes. O espírito abre-se e é reencontrado o sabor dos estudos. Os Reformadores valorizam o acesso directo à fonte da vida.
Este período é marcado pelo abandono da dependência dos padres ou das tradições e é valorizada a aprendizagem do hebreu e do grego. É a época dos primeiros estudiosos das línguas em que a Sagrada Escritura foi escrita.
Depressa porém, o movimento é ruído pela esclerose. A igreja nascente forma a sua própria tradição e o seu próprio credo. Os cuidados em pensar no que é correcto transforma-se numa escolástica protestante e isto toma relevância sobre a relação pessoal e íntima com Deus. Cai-se outra vez na intolerância. Os protestantes formam inquisidores e os seus processos. Calvino condena os sábios como Michel Servet, que ousou pensar de forma diferente da dele. Lutero inflama-se nas argumentações anticatólicas e antijudaicas e condena à exterminação todos os que não o seguem.
As vitimas das guerras religiosas que tiveram inicio na Europa em que envolvem protestantes que pensam diferente uns dos outros mistura-se com o catolicismo, uma disputa não tanto pela Verdade, mas pelo poder ao nível dos Estados. Crimes são cometidos, de novo, em nome de Deus: “Os que se esquecem da história estão condenados a repeti-la.”
A cidade não está vigiada (como a antiga Sardes). E pode compreender-se o tom triste e o apelo da Carta a Sardes: “Sê vigilante,” (Ap. 3:2); “Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei.” (Ap. 3:3). Curioso, também a Sardes espiritual apresenta estes dois planos. Também esta Igreja de algum modo se pode usar o termo no plural (Sardeis).
No entanto, os apelos de Deus sobre esta Igreja que seria objecto de todos os ataques do inimigo são prementes “Sê vigilante”, “não tenho achado as tuas obras perfeitas”, “Lembra-te”, “arrepende-te”. A razão desta linguagem é a consequência da atitude negligente, indiferente dos membros, tal como os antigos habitantes de Sardes, se instalaram numa nova cidade.
Felizmente, o suspiro do autor da Carta, “tens algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes e comigo andarão vestidos de branco,” (Ap. 3:4). É uma minoria que persevera. Esta noção de “resto” tem a sua raiz fundada na mais legítima tradição bíblica. Seth, o terceiro depois de Adão até aos construtores do Templo, Esdras e Neemias, passando pelos Patriarcas como Abraão, Isaque e Jacob, os fiéis do Senhor como o profeta Elias e os resistentes ao culto do bezerro de ouro, a história sagrada da Aliança de Deus com o Seu povo desenvolve-se sobre alguns “resgatados” que sobrevivem à infidelidade. “Um resto sobrevirá”.
A mesma promessa é ouvida da parte do Senhor a Isaías:” Então disse o Senhor a Isaías: saí agora, tu e teu filho Sear-Jasube,” (Is. 7:3), para servir de sinal ao povo adormecido.
O profeta João aproveita o nome Sardes para transmitir (no nome do Senhor) um apelo a reanimar (sterison) um resto (Ap. 3:2). No nome de Sardes, compreendemos que sterison/reanimar, dá-nos consciência que os que ouvem são um resto em vias de extinção.
Querido/a seja o resto, escute a voz de Deus a chamar, lembre-se por amor do Seu nome que esse resto é mencionado em Apocalipse 14:12: “Aqui está a perseverança dos santos, daqueles que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.”
Se o seu coração sente o toque do Espírito Santo, não permita que Satanás o/a leve à cidade da mornidão!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A 6ª IGREJA DO APOCALIPSE

A 45kms a Este de Sardes, Filadélfia tem ainda a marca dos tremores de terra que a atingiram. A grande planície vulcânica que a rodeia tem também a marca do seu próprio nome: Katakaumena (terra queimada). A cidade foi fundada sob o reino de Attália II (159-138 a.C. http://fr.wikipedia.org/wiki/Attale_II.) e habitada fundamentalmente por colonos de Pérgamo preocupados em fixar a cultura e a língua grega na região. Filadélfia deve também o seu nome ao amor deste rei pelo seu irmão Eumène II. Filadélfia significa “amor fraternal”. Deste modo, portanto, ela recebeu vários nomes. A História conserva registos que ela receberá um outro nome, em reconhecimento a Tibério que ajudou na sua reconstrução devido aos frequentes terramotos, ela recebeu o nome Neocaesarea (a nova cidade de César). Mais tarde, de novo, no tempo de Vespasiano (9-79 d.C.), mudou de nome para Flávia, em gratidão ao Imperador Flávio.
A carta profética a Filadélfia reflecte esta história recheada de alterações. Na visão dada por Deus a João surgem detalhes históricos para construir a mensagem. A Igreja de Filadélfia é constituída por colonos. É o tempo das missões além fronteiras europeias, em África, na Ásia e no Novo Mundo (nos finais do século XVIII e XIX). É ainda o tempo de um cristianismo que rejuvenesce, com algumas nuances de ingenuidade, mas que reencontra o zelo e a esperança de outrora. “...tens pouca força, entretanto guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome.” (Ap. 3:8).
Os eleitos de Filadélfia caminham sobre os passos de alguns crentes da Igreja de Sardes: “umas poucas pessoas que não contaminaram as suas vestes e andarão de branco junto comigo,” (Ap. 3:4). Filadélfia vai mesmo mais longe, enquanto a Carta enviada a Sardes encoraja “a guardar” (Ap. 3:2), a Carta a Filadélfia reconhece a persistência dos eleitos que “guardaste a minha palavra” (3: 8,10).
Estamos num estado mais avançado. A obra desejada em Sardes é cumprida em Filadélfia. Em Sardes, a vinda de Jesus Cristo é comparada à de um ladrão. Não é esperada. Em Filadélfia, ao contrário, a vinda de Jesus é esperada com impaciência: “venho sem demora” (Ap. 3:11). É um tempo de renovo e de aliança com Deus. A promessa nesta Carta lembra a linguagem do Salmo 23. Os inimigos são confrontados por que eles sabem “que eu te amei” (Ap. 3:9; cf. Salmo 23:5).
A reciprocidade da aliança e do amor é manifesta nos dois verbos: “tu guardaste”, “eu te guardarei” (Ap. 3:10). Esta é a fórmula da aliança dos profetas: “Eu vos tomarei por meu povo e serei vosso Deus; e vós sabereis que eu sou Jeová vosso Deus,” (Ex. 6:7; Jer. 24:7; 30:22; 32:38; Ez. 36:28, etc.,). É também a declaração de amor no livro Cântico dos Cânticos: “O meu amado é meu, e eu sou dele;” (Cântico 2:16; 6:3; 7:11). E esta relação de amor exclusivo é apresentada no nome da Igreja. Filadélfia que significa “amor”, recebe tal como a antiga cidade grego/romana o nome dos seus mestres (ou reconstrutores), neste caso o nome de Deus e confunde-se com o nome da Nova Jerusalém que desce do Céu (Ap. 3:12).
A Igreja encontra a sua identidade específica na esperança do reino de Deus. É seguramente na história da humanidade o momento mais intenso na expectativa do Reino de Deus. Nos Estados Unidos, na Alemanha, na Escandinávia, em França, na Suíça e na Holanda (para não mencionar que alguns países), as multidões de crentes estão presas na mesma impaciência do retorno de Cristo. Um historiador da época, John McMaster (1852-1932) considerou que “perto de um milhão de pessoas, nos 17 milhões que habitavam os Estados Unidos, aderiram a este movimento entre os quais se contava cerca de mil pastores” R. Lehmann, Les Adventistes du Septiéme Jour, p. 14.
E a espera deve tornar-se tanto mais intensa porque a profecia bíblica alcança o seu cumprimento. Uma data é mesmo retida no cômputo profético: 1844.
O que torna este período relevante, é o facto que esta expectativa atinge tanto judeus, como muçulmanos. Os judeus espalhados por toda a Europa, esperaram o Machiah durante 5603 anos, as profecias parecem apontar para este período (1843-1844), ver: Machiah Maintenant 46, 30 de Janeiro de 1993, p.3.
Os muçulmanos bahais chegam à mesma conclusão. O bab (porta que dá acesso ao íman escondido, encarnação do Messias) apareceria também nesta data (1843-1844) ver C. Cannuyer, Les Bahais, p. 11.
É também neste período que se observa o surgimento de movimentos marxistas fazendo apelo ao progresso e à revolução, cantam a esperança de novos dias.
Sim, é um tempo de grande esperança que sacode o mundo da época. Compreendemo-lo ainda melhor quanto compreendemos a promessa particular que caracteriza a Igreja deste período. “Conheço as tuas obras, eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, que ninguém pode fechar,” (Ap. 3:8). Esta imagem da “porta aberta” é explicada no capítulo seguinte (Ap. 4:1), a porta é vista “no céu” e dá acesso ao trono de Deus.
Esta “porta aberta” tem um duplo sentido. Representa em primeiro lugar a propagação do Evangelho em novos campos. O século XIX foi sem dúvida a época histórica da proclamação missionária da Igreja. Mas pode também aplicar-se ao interesse manifesto no aprofundamento bíblico e profético que ajudou muitos a descobrir a realidade do programa em processo nas Cortes Celestes, a obra de salvação de Deus. Foi nesta época (ano de 1844) que se começou a compreender o papel actual de Jesus Cristo no Céu.
O tempo da Igreja de Filadélfia, assinala a porta aberta sobre a terra e no Céu, é também designado como um tempo de espera e de esperança, um tempo que anuncia a libertação do mundo. Foi neste período que se iniciou a proclamação mundial da Vinda de Jesus, esta é a Esperança de todas as esperança.
Querido/a amigo/a tem esta ESPERANÇA? Ela está ao alcance da sua mão!
Bênçãos de Deus para si.

A 7ª IGREJA DO APOCALIPSE

Apocalipse 3:13 Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.
14 Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
15 Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; oxalá foras frio ou quente!
16 Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca.
17 Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu;
18 aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas.
19 Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te.
20 Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.
EXPLICAÇÃO:
Depois da Igreja de Filadélfia, o profeta transporta-nos (geográficamente) para uma localidade que dista 5 kilómetros para sul, a cidade de Laodiceia, a última etapa da viagem.
Em termos proféticos Laodicéia representa a última Igreja, o nosso tempo, a nossa Igreja, tenha ela o nome que tiver. Nós vivemos esse tempo histórico. Sim trata-se de profecia, profecia dada no Iº século, história do século XXI.
O nome sétimo fala de conclusão e de facto esta é a última carta. A ideia do fim percorre todo o conteúdo desta carta. É uma ideia que tem origem em quem a envia: Deus apresenta-Se como o “Amem” (Apocalipse 3:14). É a última palavra, palavra que cumpre todas as promessas e todas as orações.
O profeta Isaías tinha qualificado Deus nestes termos: “Deus do Amém” (Isaías 65:16 – Ferreira de Almeida traduz por “Deus da Verdade”). Nestes dois textos, o “Amém” dá seguimento à criação.Em Isaías, o Deus do Amém jura “…crio novos céus e nova terra…”. Enquanto que no Apocalipse, a carta a Laodiceia, o Deus do Amém define-se como “o princípio da criação de Deus” (Ap. 3:14). Este texto remete-nos para Génesis 1:1 e João 1:1
O Deus do fim é também o Deus do começo. Deus apresenta-se aqui como Aquele que seguiu o curso dos acontecimentos desde o princípio até ao fim. E porque a história se termina, a vinda de Deus nunca esteve tão próxima. A carta apresenta-O de pé à porta e bate (Apocalipse 3:20), como é cantado no livro Cântico dos Cânticos.
O amado chega e fica acampado à porta (Cânticos 2:9; 5:5). Jesus está à porta e, na linguagem do Novo Testamento, isso significa que o fim está próximo (Mat. 24:33; Marcos 13:29; Tiago 5:9). A evocação da ceia envolve intimidade, uma intimidade com aqueles e aquelas que aceitam Jesus nos finais dos tempos, foram tempos difíceis, a união permitiu ir até ao fim, fim que termina desta maneira: “…entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.”
O banquete acaba por reunir Deus e o Seu povo e esta é a mensagem de esperança do Apocalipse. Esta esperança sobressai do concreto e do real. O gozo toca todos os sentidos. Não se pode melhor traduzir a natureza deste reino: um banquete. Os odores, o tocar-se, as cores, o paladar, tudo participa e converge para viver a vida que por vida se deu.
Na história desta Igreja é de realçar ainda a afirmação de Deus: “Estou à porta e bato...” (Ap. 3:20). Deus faz-se convidado. A refeição deve ser realizada aqui mesmo, na nossa casa. Esta porta, só se pode abrir por dentro, ou seja, por nós “...se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa” (Ap. 3:20). Este solicitar a entrada da parte de Deus, leva-nos a concluir que houve da parte do Senhor um longo apelo a uma tomada de consciência e a uma mudança de sentimentos.
Deus faz-Se convidar num tempo em que o ser humano recebe muito convites. Convite a um humanismo que exclui Deus. As riquezas materiais e espirituais, acumulam-se a partir de esforços tendo como única base a razão e a cultura secularizada. Num tempo em que os autores da literatura religiosa proliferam, os doutores da teologia são numerosos e tudo explicam. Num tempo em que o apelo ao sobrenatural se tornou suspeito até nos meios religiosos.Um tempo de dificuldade em reconhecer que se é “...infeliz, miserável, pobre, cego e nu.” (Ap. 3:17).
Ao lado da inconsciência reinam a indiferença e a mornidão. É o diagnóstico feito por Deus na carta a Laodicéia (Ap. 3:16). Perto desta antiga cidade, as fontes das águas minerais abundavam. Os habitantes de Laodicéia eram especialistas em águas mornas. Não tinham necessidade de colocar tabuletas à porta a anunciar que as águas de um eram melhores que as águas do outro. No nosso tempo, o povo de Laodicéia espiritual, eles também são especialistas em mornidão, já têm rotina e é difícil sair desse caminho.Não há dúvida que os hábitos dos laodiceanos encontram claro reflexo nos nossos dias.
O outro sentido da carta a Laodicéia é “julgamento do povo”. Então que fazer? Segundo o apelo de Deus a resposta não deve ser procurada aqui com falsas retóricas. Segundo o que Deus inspirou nesta carta uma atitude; levantar-se, correr e abrir a porta ao Amado (Cânticos 5:5). A este que toma esta determinação é dito “Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono.” (Ap. 3:21).
Isto só pode significar que o cristianismo não é uma religião de ordem existencial, uma ética ou uma emoção que atinja o indivíduo por algum tempo. O Reino de Deus é um banquete a ter inicio na nossa existência terrestre. Deus vem até nós e aceita o nosso menu e o nosso gosto. Ele come à nossa mesa. Mas, no contacto com Ele, um outro gosto se forma e se refina. Esta intimidade cria a necessidade de uma outra intimidade, mais verdadeira, mais real. A ceia aqui é um criar apetite para entrar no grande banquete “...e Ele comigo” (Ap. 3:20).
Mais se vive com Deus aqui e agora, mais nos relacionamos e mais se intensifica a necessidade da Sua presença e o nosso gosto se refina no desejo de participar do banquete no Reino do Céu. Quanto mais abrimos a porta do nosso coração, tanto mais suspiramos pela abertura da outra porta no Céu.
Será que já encontrou a 7ª Igreja?
Uma comunidade em que cada um anele pelo banquete?
Venha comigo e convidemos Jesus a entrar pela nossa porta e a transformar-nos para que adquiramos o paladar do céu.
Toda os meus sentimentos estiveram consigo neste estudo. Deus o/a abençoe.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

O SÉTIMO ANO DO REI ARTAXERXES NO CALENDÁRIO CIVIL JUDAICO

O calendário judaico admitia 2 sistemas paralelos para a contagem do ano: o religioso e o civil. Pelo esquema religioso, o ano começava na primavera, à semelhança do calendário babilónico-persa. Pelo esquema civil, o início do ano coincidia com o Outono, em primeiro de Tishri (Setembro/Outubro), embora a numeração dos meses sempre seguisse o sistema a começar na Primavera.
Pelo calendário civil dos judeus, o sétimo ano de Artaxerxes poderia ocorrer tanto em 459/458 A.C. como em 458/457 A.C., dependendo do momento em que Artaxerxes subisse ao poder.
A morte de Xerxes ocorreu em Agosto de 465 A.C.. Se Artaxerxes subiu imediatamente ao poder, o ano de ascensão cobriu apenas o curto período de Agosto a Outubro (o mês de Tishri começou em 18 de Outubro em 465 A.C.) daquele ano. Dessa forma, o seu primeiro ano de reinado estendeu-se do Outono de 465 A.C. ao Outono de 464 A.C., fazendo o sétimo ano cair entre o Outono de 459 A.C. e o Outono de 458 A.C.. A jornada de Esdras teria ocorrido, então, no verão de 458 A.C..
Por outro lado, se, por algum motivo, Artaxerxes só tivesse subido ao trono depois do mês de Tishri, o seu ano de ascensão se estenderia até Outono de 464 A.C., o que colocaria o seu primeiro ano completo de reinado do Outono de 464 A.C. ao Outono de 463 A.C.. Isso faria com que o sétimo ano do rei Artaxerxes caísse entre o Outono de 458 A.C. e o Outono de 457 A.C. e a viagem de Esdras acontecesse no verão de 457 A.C..

quinta-feira, 2 de julho de 2009

QUAL É O REAL SIGNIFICADO DA EXPRESSÃO "TARDES E MANHÃS"?

Muitos expositores das Escrituras têm relacionado de forma errónea, a expressão “tardes e manhãs” ao sacrifício diário, oferecido no Templo de Jerusalém, toda manhã e toda tarde. Por esse raciocínio, a referência em Daniel 8:14 seria a 2.300 sacrifícios da manhã e da tarde. Desta maneira, defendem que o período abrangido por essa quantidade de holocaustos seja de 1.150 dias. Encontram uma suposta sustentação para isso nas passagens que mencionam esse sacrifício. Ver Daniel 8:11-13; 11:31; e 12:11.
As seguintes considerações demonstram a inconsistência dessa conclusão:
1) O hebraico diz literalmente “tarde-manhã, dois mil e trezentos”. As palavras “tarde-manhã” (heb.: - ‘ereb boqer) não são separadas por uma conjunção, constituindo uma unidade de expressão.
Em 1 Reis 11:3, aparece um caso semelhante, em que se diz que Salomão “tinha setecentas mulheres, princesas” (no original, “mulheres-princesas, setecentas”). Isso não deve ser entendido como “trezentas e cinquenta mulheres e trezentas e cinquenta princesas”; e por idêntica razão, as 2.300 tardes e manhãs não podem ser divididas em 1.150 tardes e 1.150 manhãs.
2) Se Daniel realmente quisesse indicar que o verdadeiro sentido da expressão era o de 1.150 tardes e 1.150 manhãs, ele o teria feito segundo o estilo hebraico. Quando um escritor bíblico queria distinguir entre dia e noite, o seu método era o seguinte: “quarenta dias e quarenta noites” (Génesis 7:4 e 12; Êxodo 24:18; 34:28; Deuteronómio 9:9, 11, 18 e 25; 10:10; e 1 Reis 19:8); “sete dias e sete noites” (Job 2:13); ou “três dias e três noites” (1 Samuel 30:12 e Jonas 1:17). Em nenhum caso, no Antigo Testamento, isso é dito sem a repetição do valor a que se faz referência, o que reforça o pensamento de que, em Daniel 8:14, a menção é a 2.300 dias e não a 1.150 holocaustos da manhã e da tarde.
3) Se a alusão fosse aos sacrifícios da manhã e da tarde, a passagem deveria trazer a expressão “manhãs-tardes” e não “tardes-manhãs”, pois sempre que esses termos são aplicados ao contínuo holocausto, a palavra “manhã” precede a palavra “tarde”, sem nenhuma excepção em todo o Velho Testamento (Êxodo 29:39 e 41; Números 28:4 e 8; Reis 16:15; 1 Crónicas 16:40; 2 Crónicas 2:4; 13:11; 31:3; e Esdras 3:3).
4) A base da expressão de Daniel 8:14 encontra-se em Génesis 1, no relato da Criação (Génesis 1:5, 8, 13, 19, 23 e 31), em que a “manhã” se refere ao nascer-do-sol e a “tarde”, ao seu ocaso. Evidência disso se extrai de Marcos 1:32: “À tarde, ao cair do sol, trouxeram a Jesus todos os enfermos e endemoninhados.”. Outro exemplo pode ser encontrado em Levítico 23:32: “Sábado de descanso solene vos será; então, afligireis a vossa alma; aos nove do mês, de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado.”. Visto que, num período de 24 horas, ocorrem 2 fenómenos relacionados ao Sol, o seu nascimento e o seu ocaso, era natural que a expressão “tardes-manhãs” fosse usada para designar um dia completo.
Com base nestas evidências, não há forma de refutar o entendimento tradicional de que o período referido em Daniel 8:14 seja de 2.300 dias.

Bibliografia:
“Perguntas e Respostas Sobre Questões Doutrinárias”, Ministério, março-abril de 1.988, Santo André, S.P.: Casa Publicadora Brasileira.
SCHWANTES, Siegfried J., “‘Ereb Boqer of Daniel 8:14 Re-Examined”, Simposium on Daniel – Introductory and Exegetical Studies, Editor: Frank B. Holbrook, Daniel and Revelation Committee Series, vol. 2, pp. 462 – 474.