quinta-feira, 2 de julho de 2009

QUAL É A RELAÇÃO TEOLÓGICA ENTRE DANIEL 8 E 9?

Muitos comentadores das Escrituras não têm percebido a íntima relação entre os capítulos 8 e 9 de Daniel e, consequentemente, o vínculo entre as 2.300 tardes e manhãs e as 70 semanas; entretanto, o contexto e certos detalhes do relato requerem essa estreita relação como as seguintes evidências o demonstram:
1) Praticamente, todos os elementos contidos na visão de Daniel 8:1-14 estão explicados em Daniel 8:15-27, excepto as 2.300 tardes e manhãs. É verdade que Gabriel fez menção do período, mas não pôde completar a sua exposição.
2) A perspectiva da terrível perseguição a sobrevir ao povo de Deus mostrou-se muito mais do que o idoso profeta poderia suportar, e, em razão disso, ele enfraqueceu e esteve enfermo alguns dias. Consequentemente, Gabriel teve que interromper a sua exposição por algum tempo (Daniel 8:10-14 e 23-27).
3) Como a visão do capítulo 8 fazia referência ao Santuário e ao povo de Deus, ambos sendo atacados pela ponta pequena, a atenção de Daniel foi atraída para uma declaração de Jeremias, enquanto lia o livro desse profeta: “No primeiro ano de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, o qual foi constituído rei sobre o reino dos caldeus, no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, entendi, pelos livros, que o número de anos, de que falara o SENHOR ao profeta Jeremias, que haviam de durar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos.” Daniel 9:1 e 2. Segundo o profeta Jeremias, após a queda de Babilónia e a ascensão dos reis medo-persas, os judeus poderiam ter por certa a sua breve libertação. O reinado de Dario, da linhagem dos medos, deveria concretizar as esperanças de Israel; no entanto, sendo já o primeiro ano desse rei (tinha passado o ano de ascensão), nenhuma medida foi tomada para permitir o regresso da nação judaica à sua pátria. Em decorrência disso, Daniel temeu que o período indicado na sua última visão fosse um acréscimo ao número de anos de cativeiro.
4) O receio de que os 2.300 dias representassem um atrazo no cumprimento da promessa de libertação motivou a oração de Daniel em prol do seu povo (Daniel 9:3-19). Sabendo que as promessas de Deus são condicionais (Jeremias 18:7-10) e concluindo que a transgressão de Israel era responsável pelo que ele considerava uma extensão dos 70 anos, Daniel suplicou pela misericórdia de Deus e pelo Seu perdão. Que o idoso profeta realmente estava a ver as coisas sob essa perspectiva, pode-se deduzir do seu apelo final para que o Senhor não retardasse a Sua intervenção (Daniel 9:19).
5) Uma comparação cuidadosa entre o capítulo 9 de Daniel, em que se faz referência às transgressões cometidas pelos judeus, ao mal que sobreveio à cidade de Jerusalém e à assolação do Templo, e os elementos do capítulo 8, em que se retrata um brutal ataque contra o Santuário de Deus, em virtude das transgressões do povo, torna evidente que Daniel tinha o problema diante de si enquanto orava.
6) Após a visão, Gabriel recebera a incumbência: “Dá a entender a este a visão.” Ao iniciar as suas instruções, o anjo dissera a Daniel: “Entende, filho do homem, pois esta visão se refere-se ao tempo do fim.” “Eis que te farei saber o que há de acontecer no último tempo da ira, porque esta visão se refere ao tempo determinado do fim.” Daniel 8:16, 17 e 19. Mas, como, nessa ocasião, nem tudo fora devidamente explicado e visto que Daniel entendera mal a última parte da visão, Gabriel teve que voltar para completar a sua tarefa. Por isso, interrompendo a oração do profeta, disse o mensageiro de Deus: “Daniel, agora, saí para fazer-te entender o sentido. No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a coisa e entende a visão.” Daniel 9:23. O objectivo de Gabriel, nessa nova visita, era o de projectar mais luz sobre o período profético mencionado na visão do capítulo precedente e, dessa forma, dissipar as conclusões equivocadas obtidas pelo profeta. Que Daniel estivesse a pensar na visão recebida anteriormente também pode ser comprovado pela maneira como ele identifica o anjo do Senhor: “Falava eu, digo, falava ainda na oração, quando o homem Gabriel, que eu tinha observado na minha visão ao princípio, veio rapidamente, voando, e me tocou à hora do sacrifício da tarde.” Daniel 9:21.
7) Entretanto, uma das mais fortes evidências sobre a estreita relação entre as 2.300 tardes e manhãs e as 70 semanas está em 2 vocábulos hebraicos empregues em Daniel 8 e 9.
A palavra “visão”, conforme aparece nesses capítulos, é tradução de 2 vocábulos diferentes no original. Em Daniel 8:1, 13, 15, 17 e 26 (última parte); e 9:21 e 24, o termo utilizado é (chazon), enquanto que, em Daniel 8:16, 26 (primeira parte) e 27; e 9:23, o termo utilizado é (mareh).
A palavra “chazon” é utilizada em Daniel 8 e 9 para se referir à visão como um todo, incluindo os elementos do carneiro, do bode e da ponta pequena: “No ano terceiro do reinado do rei Belsazar, eu, Daniel, tive uma visão depois daquela que eu tivera a princípio.” Daniel 8:1. Logo após a declaração concernente às 2.300 tardes e manhãs, a visão se encerrou, pois, no versículo 15, o profeta assim se expressa: “Havendo eu, Daniel, tido a visão (chazon), procurei entendê-la, e eis que se me apresentou diante uma como aparência de homem.” Nesse momento, o anjo Gabriel se aproximou e deu início à sua exposição. Após ter elucidado os principais elementos da visão, Gabriel mencionou o período profético indicado no verso 14: “A visão (mareh) da tarde e da manhã, que foi dita, é verdadeira; tu, porém, preserva a visão (chazon), porque se refere a dias ainda mui distantes. Eu, Daniel, enfraqueci e estive enfermo alguns dias; então, me levantei e tratei dos negócios do rei. Espantava-me com a visão (mareh), e não havia quem a entendesse.” Daniel 8:26 e 27. Esse trecho reveste-se de vital importância porque as 2 palavras para “visão” aparecem com pequena distância entre si, permitindo uma comparação mais detalhada do seu significado. O vocábulo “mareh” é nitidamente associado a algo que foi dito na visão do capítulo 8. É importante notar que os versos 1-12 referem-se a coisas que Daniel viu, ao passo que somente nos versos 13 e 14 se diz que o profeta ouviu algo. Tendo isso em vista, percebe-se que a palavra “mareh” não alude à visão na sua totalidade, mas somente àquilo que foi dito. Isso torna-se ainda mais evidente quando se observa que o texto diz que a “mareh da tarde e da manhã, que foi dita, é verdadeira”. Em outras palavras, o termo “visão”, enquanto tradução de “mareh”, só se refere ao elemento “tempo” envolvido, o período das 2.300 tardes e manhãs, que consiste na única parte em que algo é falado na revelação. Dessa forma, quando o profeta exclamou que se espantava com a visão (mareh), sua intenção não era aludir a todos os elementos da revelação anteriormente recebida, tais como o carneiro e o bode. Isso teria lógica, tendo em vista que Gabriel explicara o significado desses símbolos. A mente de Daniel estava voltada especificamente para o período de tempo mencionado.
Para arrematar, então, a conclusão de que as 70 semanas são um complemento às 2.300 tardes e manhãs, basta uma leitura atenciosa dos termos empregues nos versos 21 e 23 do capítulo 9. Após mencionar o anjo Gabriel, que ele “tinha observado” na sua “visão (chazon) ao princípio”, Daniel regista as palavras que aquele mensageiro do Senhor lhe dirigiu: “No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a coisa e entende a visão (mareh).”. O uso da palavra “mareh”, nessa última passagem, demonstra que o anjo Gabriel tinha vindo, não para explicar todas as partes da visão do capítulo precedente, mas apenas aquela referente ao elemento “tempo envolvido”, isto é, os 2.300 dias.
Com essas observações, não há como contestar a íntima relação entre Daniel 8 e 9 e a real necessidade do estudo relacionado das 70 semanas e das 2.300 tardes e manhãs.
Bibliografia:
Comentário a Daniel 9:21, em The Seventh-day Adventist Bible Commentary, vol. 4. Editor: Francis D. Nichol. Washington, D.C.: The Review and Herald Publishing Association, Revised, 1.976.
SHEA, William H., “The Relationship Between the Prophecies of Daniel 8 and Daniel 9”, The Sanctuary and the Atonement – Biblical, Historical and Theological Studies, preparado pelo Biblical Research Committee of the General Conference of the Seventh-day Adventists. Editores: Arnold V. Wallenkampf e W. Richard Lesher. Washington, D.C.: The Review and Herald Publishing Association.
GOLDSTEIN, Clifford, 1844 – Uma Explicação Simples das Principais Profecias de Daniel, tradução de Regina Motta, primeira edição, Tatuí, SP.: Casa Publicadora Brasileira, 1.998.

QUAL É A RAZÃO DAS 69 SEMANAS TERMINAREM NO ANO 27 E NÃO NO ANO 26 DA ERA CRISTÃ?

A razão das 69 semanas terminam no ano 27 e não no ano 26 da Era Cristã. Deve-se a cálculos e estudos muito rigorosos.À primeira vista, se as 69 semanas proféticas, ou 483 dias-anos, têm início no ano 457 A.C., o baptismo de Jesus deveria ocorrer no ano 26 A.D., pois 483 – 457 = 26. No entanto, visto que o ano zero nunca existiu, esse cálculo deve ser efeptuado de outro modo.Da maneira como são usualmente dispostos, os anos A.C. e A.D. representam uma escala, em que a primeira parte é decrescente (ou regressiva) e a segunda é crescente (ou progressiva). Nessa escala, não existe o ano zero, pois o ano 1 A.C. é seguido pelo ano 1 A.D..A falta de um ano zero impede a realização de cálculos que utilizem simultaneamente anos A.C. e A.D., como se pode verificar pelo seguinte exemplo: Se o número cardinal 10 for subtraído pelo número 3, o resultado será 7. A representação gráfica dessa conta pode ser feita de 2 maneiras:Primeira maneira: 10 – 3 = 7Segunda maneira: conforme o gráfico abaixo:
Isso demonstra que, em qualquer subtração, o número zero é automaticamente utilizado. Visto, porém, que entre os anos A.C. e A.D. não existe um ano zero, sentiu-se a necessidade da criação de uma escala, o mais semelhante possível com a vigente, para a qual fosse possível converter as datas em uso, com a existência de um ano que correspondesse ao zero. Nessa nova escala, tomando-se o ano 1 A.D. como +1, os anos seguintes seguem a progressão indefinidamente. O ano 1 A.C. passa a representar o zero, o ano 2 A.C. torna-se o –1, o ano 3 A.C. torna-se o –2, sendo que tal proporção se repete ininterruptamente. O gráfico abaixo ilustra bem a relação entre essas 2 escalas. Por ser utilizada predominantemente pelos astrónomos, a escala que contém o ano zero é chamada de astronómica (chamaremos "cronológica"). Ela foi idealizada por Jacques Cassini, em meados do século XVIII.Tabela de Conversão para a Escala Cronológica: Com tudo isso, percebe-se claramente porque as 69 semanas (483 anos) findam no ano 27. O ano 457 A.C. equivale a – 456 da escala astronômica, de maneira que o cálculo resulta em + 27, que corresponde ao ano 27 da Era Cristã: 483 – 456 = + 27.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

AS 69 SEMANAS APONTAM REALMENTE PARA O BAPTISMO DE JESUS?

Conforme Daniel 9:25, “desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém até ao Ungido, ao Príncipe” transcorreriam 69 semanas proféticas. O evento indicado nessa passagem refere-se ao baptismo de Jesus e não ao Seu nascimento, como alguns poderiam imaginar. Foi por ocasião de Seu baptismo que Jesus foi ungido pelo Espírito Santo, pois, segundo os evangelistas, ao sair da água, “o céu se abriu, e o Espírito Santo desceu sobre Ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o Meu Filho amado, em Ti Me comprazo.” Lucas 3:21 e 22. Ver também Mateus 3:16 e 17; Marcos 1:10 e 11; e João 1:32 e 33. Essas palavras trazem à lembrança uma profecia de Isaías, proferida vários séculos antes, com respeito ao Messias: “Eis aqui o Meu servo, a Quem sustenho; o Meu escolhido, em Quem a Minha alma Se compraz; pus sobre Ele o Meu Espírito, e Ele promulgará o direito para os gentios.” Isaías 42:1.
Marcos informa que após ter sido baptizado e ter enfrentado Satanás no deserto, “foi Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho de Deus, dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho.” Marcos 1:14 e 15. Percebe-se aí uma clara alusão ao período delineado na profecia de Daniel.
O próprio João Baptista sabia que a sua missão era manifestar o Messias a Israel. As palavras de João, registadas pelo discípulo amado, revelam a importância do baptismo de Jesus como o momento em que Ele deu início ao Seu ministério público: “Eu mesmo não O conhecia, mas, a fim de que Ele fosse manifestado a Israel, vim, por isso, baptizando com água.” João 1:31.
Pouco tempo depois de Seu baptismo, Jesus usou uma profecia de Isaías, em que se menciona a unção do Enviado do Senhor, para revelar a verdadeira natureza do Seu ministério: “O Espírito do Senhor está sobre Mim, pelo que Me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-Me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor.” Lucas 4:18 e 19. Ver também Isaías 61:1 e 2.
A ideia de que Jesus fora ungido pelo poder do Espírito de Deus também aparece numa oração dos discípulos de Jesus, na qual se diz que “os reis da terra, e as autoridades ajuntaram-se à uma contra o Senhor e contra o Seu Ungido; porque verdadeiramente se ajuntaram nesta cidade contra o Teu santo Servo Jesus, ao Qual ungiste.” Actos 4:26 e 27.
Talvez a passagem mais clara sobre o assunto, revelando a íntima relação entre o baptismo de Jesus, unção pelo Espírito Santo e o início do Seu ministério messiânico, seja a de Actos 10:37 e 38: “Vós conheceis a palavra que se divulgou por toda a Judéia, tendo começado desde a Galiléia, depois do batismo que João pregou, como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o Qual andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com Ele.”. Desse texto se conclui, com clareza, que, por ocasião de Seu baptismo, Jesus foi ungido pelo Espírito Santo e começou a Sua obra de pregação do Evangelho.

A QUE "ALIANÇA" DANIEL 9:27 FAZ REFERÊNCIA?

A “aliança” a que se faz referência nesse texto é o Concerto Eterno, um pacto firmado entre Deus e as Suas criaturas pelo qual estas poderiam ser reintegradas no favor divino. A vida e as bênçãos do Céu são patenteadas aos seres criados dotados de raciocínio sob condição de perfeita obediência; assim, quando Adão transgrediu a ordem do Criador, a raça humana ficou desprovida do direito a qualquer desses benefícios. Contudo, já no Éden, Deus renovou o Seu Concerto com Adão, prometendo-lhe que, através de Um dos seus (Gén. 3:15) descendentes, a raça seria restaurada à sua condição original. Esse Concerto, juntamente com sua promessa de salvação, foi renovado a Noé, a Abraão, a Isaque e a Jacó. Segundo a profecia de Daniel, Cristo viria para “fazer firme aliança com muitos”. O real sentido da palavra hebraica (gabar), traduzida por “fazer firme” em Daniel 9:27, é o de “confirmar” ou “fortalecer”. Portanto, Cristo viria para “confirmar a aliança” anteriormente firmada com os patriarcas; e isso, consoante Daniel 9:27, seria realizado por uma semana profética (ou 7 anos), a qual se estendeu do ano 27 ao ano 34 da Era Cristã. Na primeira metade desse período, Cristo realizaria essa obra pessoalmente, enquanto que, na segunda metade do mesmo, Ele a faria por intermédio dos Seus discípulos. Durante o Seu ministério terrestre, Cristo apresentou as cláusulas do Concerto Eterno, pelas quais qualquer pessoa poderia reconciliar-se com Deus, e no final da Sua obra, depois de ter tomado sobre Si os pecados de toda a raça humana, morreu sobre a Cruz do Gólgota, para livrá-la da condenação imposta pela Lei. Em suma, a obra predita pela profecia de Daniel era a de “tornar vitorioso o plano da salvação”.

NA PROFECIA DE DANIEL 9:27, QUEM SÃO OS "MUITOS" COM QUEM O MESSIAS CONFIRMARIA A ALIANÇA?

Os “muitos” referidos em Daniel 9:27 são todos aqueles que aceitam o plano de salvação oferecido por Deus e com ele se comprometem. As passagens a seguir dão sustentação a esse entendimento:
“Digo-vos que muitos virão do Oriente e do Ocidente e tomarão lugares à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus.” Mateus 8:11. Ver também Lucas 13:29.
“Tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos.” Mateus 20:28. Ver também Marcos 10:45.
“Porque isto é o Meu sangue, o sangue da [nova] aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados.” Mateus 26:28. Ver também Marcos 14:24.
“Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos.” Romanos 5:15.
“Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.” Romanos 5:19.
“Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Ele seja o primogênito entre muitos irmãos.” Romanos 8:29.
“Porque convinha que Aquele, por cuja causa e por Quem todas as coisas existem, conduzindo muitos filhos à glória, aperfeiçoasse, por meio de sofrimentos, o Autor da salvação deles.” Hebreus 2:10.
“Assim também Cristo, tendo-Se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que O aguardam para a salvação.” Hebreus 9:28.
Em Apocalipse 7:9, esses “muitos” são mencionados como uma grande multidão, que ninguém podia contar, proveniente de todos os povos da terra, que são os resgatados do pecado e de sua terrível conseqüência, a morte eterna.

EM QUE SENTIDO SÃO AS 70 SEMANAS UM PERÍODO DE GRAÇA CONCEDIDO AO POVO JUDEU?

Em certa ocasião, sendo interrogado por Pedro sobre até quantas vezes se deveria perdoar a um irmão, Jesus declarou: “Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete.” Mateus 18:21 e 22. É possível que as palavras de Cristo estivessem fizessem referência a Daniel 9:24, pois neste texto se estabelece um período de 70 semanas (70 x 7 = 490) “sobre o teu povo (Israel) e sobre a tua santa cidade (Jerusalém)”. Dessa forma, as 70 semanas são na verdade um período de graça destinado à raça eleita para que ela pudesse atender à voz de Deus. Segundo as Escrituras, após o término desse período (no ano 34 A.D.), o povo judeu foi rejeitado como o agente pelo qual Deus desejava comunicar o Evangelho da Sua graça ao mundo. As evidências escriturísticas para isso estão enumeradas abaixo:
1) Na semana de Sua crucifixão, Jesus narrou uma parábola, segundo a qual um homem plantou uma vinha, arrendou-a a uns lavradores e ausentou-se do país. Depois, esse senhor enviou os seus servos para receber a sua parte, mas os lavradores maltrataram alguns desses servos, e a outros mataram e não entregaram a porção devida ao dono da vinha. Então o senhor enviou mais outros servos, os quais foram tratados da mesma forma. Por fim, o senhor enviou o seu próprio filho na esperança de que fosse respeitado, mas, em vez disso, também esse foi morto. Após contar essa parábola, Jesus perguntou aos líderes judeus que com Ele debatiam: “Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?” Mateus 21:40. A resposta irrefletida dos Seus interlocutores foi: “Fará perecer horrivelmente a estes malvados e arrendará a vinha a outros lavradores que lhe remetam os frutos nos seus devidos tempos.” Mateus 21:41. Jesus, então, confirmando a acertada resposta dos sacerdotes e fariseus, sentenciou: “Portanto, vos digo que o reino de Deus vos será tirado e será entregue a um povo que produza os respectivos frutos.” Mateus 21:43.
O sentido dessa parábola é por demais evidente para ser olvidado. A vinha representa Israel (Salmos 80:8 e Isaías 5:7); o seu dono é Deus; os lavradores representam os judeus; os servos, os profetas; e o filho é Jesus. A lição é clara: visto que os judeus rejeitaram a mensagem dos profetas e de Cristo, o reino de Deus lhes seria tirado e entregue a um outro povo, que produzisse frutos de obediência, uma alusão à Igreja Cristã.
O mesmo relato é encontrado em Marcos 12:1-12 e Lucas 20:9-18.
2) O apóstolo Paulo, escrevendo aos cristãos tessalonicenses, disse-lhes que se tinham tornado “imitadores das igrejas de Deus existentes na Judéia em Cristo Jesus”, pois estavam suportando pacientemente da sua gente “as mesmas coisas que eles, por sua vez, sofreram dos judeus, os quais não somente mataram o Senhor Jesus e os profetas, como também nos perseguiram, e não agradam a Deus, e são adversários de todos os homens, a ponto de nos impedirem de falar aos gentios para que estes sejam salvos, a fim de irem enchendo sempre a medida dos seus pecados. A ira, porém, sobreveio contra eles, definitivamente.” 1 Tessalonicenses 2:14-16. Esta idéia é confirmada por Paulo em Romanos 11:15, em que se diz que os judeus foram rejeitados como o agente de Deus para a divulgação das boas novas. Além disso, nesse mesmo capítulo (Romanos 11), a rejeição de Israel é ilustrada pela figura de uma oliveira, cujos ramos naturais são cortados(versos 17, 19, 20 e 21) e novos ramos são enxertados (os gentios).
3) Certa vez, quando Jesus enviou os Seus 12 discípulos a pregar o Evangelho, deu-lhes a seguinte recomendação: “Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel.” Mateus 10:5 e 6. Essa preferência pela raça eleita também foi ilustrada através das parábolas das bodas (Mateus 22:1-14) e da grande ceia (Lucas 14:15-24). Em certa ocasião, quando uma mulher cananéia rogou ao Mestre que expulsasse o demónio da sua filha, Ele lhe respondeu: “Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel” e “Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos”. Mateus 15:21-28 e Marcos 7:24-30. Porém, após a morte de Cristo (em 31 A.D.), o apedrejamento de Estevão (em 34 A.D.), e a subsequente perseguição à Igreja (no mesmo ano), Paulo, percebendo a dureza de coração de seus concidadãos, anunciou: “Cumpria que a vós outros, em primeiro lugar, fosse pregada a palavra de Deus; mas, posto que a rejeitais e a vós mesmos vos julgais indignos da vida eterna, eis aí que nos volvemos para os gentios.” Actos 13:46. Essa sentença, motivada pelo Espírito Santo de Deus, demonstra que a nação eleita, em razão dos seus pecados e da sua completa rejeição ao Santo Evangelho, perdeu o privilégio de ser o arauto da mensagem de Cristo às nações dos 4 cantos da terra.

O SACRIFÍCIO E A OFERTA DE MANJARES

O “sacrifício e a oferta de manjares” seriam tirados durante a metade da última semana ou no meio dela?
A palavra hebraica traduzida por “metade” (heb.: - chetsi) pela Versão Almeida Revista e Atualizada também poderia ter sido vertida para o Português como “meio”. Os tradutores que vêem em Daniel 9:27 uma referência a Antíoco Epifânio ou a um futuro Anticristo preferem a tradução “metade de uma semana”. Por outro lado, os que defendem que a referência é ao Messias optam pela tradução “meio da semana”. Uma discussão mais detalhada sobre a verdadeira identidade do “Ele” em Daniel 9:27 pode ser encontrada na resposta à pergunta 10.
Embora um grande número de versões modernas adopte a tradução “metade de uma semana”, essa escolha não é a mais acertada, pois quando “chetsi” está em “status constructus” com um período de tempo, significa sempre “meio” e nunca “metade”. É o que ocorre em todas as seguintes passagens: Êxodo 12:29; Josué 10:13; Juízes 16:13; Rute 3:8; e Jeremias 17:11. A percepção desse detalhe assegura que o acto de “fazer cessar o sacrifício e a oferta de manjares” deveria ocorrer no meio da septuagésima semana da profecia de Daniel, o que se cumpriu perfeitamente por ocasião da morte de Jesus.

Bibliografia:
DOUKHAN, Jacques, “The Seventy Weeks of Daniel 9: An Exegetical Study”, The Sanctuary and the Atonement – Biblical, Historical and Theological Studies, preparado pelo Biblical Research Committee of the General Conference of the Seventh-day Adventists. Editores: Arnold V. Wallenkampf e W. Richard Lesher. Washington, D.C.: The Review and Herald Publishing Association.

QUAIS SÃO AS EVIDÊNCIAS QUE NO MEIO DA ÚLTIMA DAS SETENTA SEMANAS JESUS SERIA MORTO?

É de suma importância, para o devido entendimento da profecia de Daniel 9, a identificação do evento a ocorrer no meio da septuagésima semana. A informação fornecida pelo verso 27 é referente à cessação do “sacrifício” e da “oferta de manjares”. Assevera-se que isso está associado à morte de Jesus. Qual é o fundamento bíblico para tal posicionamento? Em primeiro lugar, deve-se atentar para o facto de que o verso 26 apresenta uma inequívoca referência à morte do Messias, o que já demonstra que tal evento é abordado pela profecia. Mas, é nas cartas aos Efésios e aos Hebreus que são encontradas as declarações bíblicas que vinculam a morte de Jesus ao meio da última semana:
“E andai em amor, como também Cristo nos amou e Se entregou a Si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave.” Efésios 5:2.
“Por isso, ao entrar no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste; antes, um corpo Me formaste; não Te deleitaste com holocaustos e ofertas pelo pecado. Então, Eu disse: Eis aqui estou (no rolo do livro está escrito a Meu respeito), para fazer, ó Deus, a Tua vontade. Depois de dizer, como acima: Sacrifícios e ofertas não quiseste, nem holocaustos e oblações pelo pecado, nem com isto Te deleitaste (coisas que se oferecem segundo a lei), então, acrescentou: Eis aqui estou para fazer, ó Deus, a Tua vontade. Remove o primeiro para estabelecer o segundo. Nessa vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas.” Hebreus 10:5-10.
Estes textos ecoam os dizeres de Daniel 9:27, pois neles se diz que Cristo Se entregou “como oferta e sacrifício a Deus em aroma suave” (Efésios 5:2); que ao entrar no mundo, Jesus Se dirige ao Pai, dizendo: “sacrifícios e ofertas não quiseste; antes, um corpo Me formaste” (Hebreus 10:5); que Ele vem para fazer a vontade de Deus (Hebreus 10:7), a qual é identificada com Sua morte (Hebreus 10:10); e que Seu sacrifício resulta na remoção do antigo sistema e no estabelecimento do novo (Hebreus 10:9).
A razão da substituição do sistema de sacrifícios do Antigo Testamento pelo sacrifício de Cristo no Novo Testamento está no facto de que o objectivo daquele era apontar para este último. Por isso é que Isaías diz que o Servo Sofredor “como cordeiro foi levado ao matadouro” para dar “a Sua alma como oferta pelo pecado” Isaías 53:7 e 10. Todos os sacrifícios do Velho Concerto tipificavam a morte de Jesus e os que deles se serviram só seriam de facto beneficiados se o Salvador vertesse o Seu “precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula” sobre o madeiro (1 Pedro 1:19), pois “é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hebreus 10:4). João Baptista estava a par desse simbolismo quando contemplou a Jesus, que vinha ao seu encontro, no Jordão, o que o motivou a exclamar: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” João 1:29 e 36. Como a razão de ser do sistema cerimonial era apenas o de prefigurar o vindouro sacrifício de Jesus, quando este se efectuou, aquele chegou ao fim. Isso explica porque o “o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo” (Mateus 27:51; Marcos 15:38; e Lucas 23:45). Diante dessas considerações, não restam dúvidas de que o evento predito para o meio da septuagésima semana era a morte de Jesus.

O APEDREJAMENTO DE ESTEVÃO E O FIM DAS 70 SEMANAS

Embora a profecia não faça menção à morte de Estevão como um marco do encerramento do período especialmente concedido ao povo de Israel, algumas informações encontradas no livro dos Actos dos Apóstolos conferem plausibilidade a essa conclusão.
Antes do apedrejamento de Estevão, relatado no capítulo 7 de Actos, não se faz menção à conversão de samaritanos ou de gentios. Em Actos 2, que trata dos maravilhosos acontecimentos do Dia de Pentecostes, só se faz referência a prosélitos, que não obstante serem gentios de nascimento, já eram membros reconhecidos da comunidade judaica.
No mesmo dia em que Estevão foi martirizado, “levantou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém; e todos, excepto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judéia e Samaria.” Actos 8:1. Em decorrência dessa terrível perseguição, os seguidores de Cristo foram espalhados para outras regiões, nas quais puderam pregar o Evangelho aos não-judeus (Actos 8:4). “Filipe, descendo à cidade de Samaria, anunciava-lhes a Cristo.” Atos 8:5. Filipe pregou ainda a um etíope que voltava de Jerusalém para sua terra (Actos 8:26-40). Depois disso, Saulo, perseguidor da Igreja, passou pela gloriosa experiência do caminho de Damasco, em que foi chamado para ser “um instrumento escolhido” para pregar o Evangelho “perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel” Actos 9:17. Por fim, Pedro foi conduzido pelo Espírito Santo até ao centurião romano, de nome Cornélio, a quem anunciou as boas novas da salvação. Ver Actos 10.
Em Actos 11, uma importante sequência de informações também destaca a morte de Estevão como o ponto a partir do qual a mensagem de Cristo se estendeu aos gentios. Sendo indagado sobre sua recente visita à residência de um gentio, Pedro fez um relato do progresso da obra do Evangelho entre os estes. Então, “ouvindo eles estas coisas”, alegraram-se muito “e glorificaram a Deus, dizendo: Logo, também aos gentios foi por Deus concedido o arrependimento para vida.” Actos 11:18. Dando prosseguimento ao relato, o autor de Actos explica que “os que foram dispersos por causa da tribulação que sobreveio a Estêvão se espalharam até à Fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus.” Actos 11:19. Como muitos deles não estavam certos ainda da importância de se pregar a mensagem de Cristo aos gentios, restringiram-se a falar somente aos judeus residentes nesses lugares, mas “alguns deles, porém, que eram de Chipre e de Cirene e que foram até Antioquia, falavam também aos gregos, anunciando-lhes o evangelho do Senhor Jesus.” Actos 11:20. Dessa forma, torna-se evidente que os Actos dos Apóstolos vinculam o término do período separado especialmente para os judeus com o lapidação de Estevão e com a primeira perseguição aos cristãos.

O SERVIÇO REALIZADO NO DIA DA EXPIAÇÃO E O SEU SIGNIFICADO

O Antigo Santuário Israelita era uma estrutura bipartida, sendo o primeiro compartimento denominado de Lugar Santo e o compartimento mais interior de Lugar Santo dos Santos (ou Santíssimo). Do lado de fora do Santuário, havia uma área separada para os serviços sagrados denominada de Átrio (ou Pátio). Nela, diariamente entravam as pessoas que vinham trazer suas ofertas ao Santuário. No Lugar Santo, o acesso também era diário, mas destinado somente aos sacerdotes (classe de pessoas designadas para oficiar como mediadores do povo). No Lugar Santo dos Santos, o acesso era bem mais restrito: somente o sumo sacerdote (o líder dos sacerdotes) podia nele ingressar e apenas uma vez ao ano, no Dia da Expiação (o décimo dia do sétimo mês judaico). Ver Hebreus 9:1-7.
A entrada do sumo sacerdote no Lugar mais sagrado do Santuário tinha um objetivo especial: purificá-lo de todos os pecados dos filhos de Israel. Durante todo um ano, os israelitas, com o fim de terem seus pecados perdoados, traziam suas ofertas ao Santuário. Era a chamada “oferta pelo pecado”, na qual o pecador arrependido colocava suas mãos sobre a cabeça da vítima, transferindo para ela suas iniqüidades, e a sacrificava. Depois, o sacerdote comia a carne ou levava um pouco do sangue do sacrifício para dentro do Santuário. De um jeito ou de outro, o pecador era perdoado, mas seus pecados não estavam ainda extintos; eram transferidos para o sacerdote, e por meio dele ao Santuário, ou, eram transferidos diretamente, através do sangue, para aquele lugar sagrado. Assim, o Santuário ficava poluído com os pecados da nação israelita. No Dia da Expiação, a função do sumo sacerdote era limpar o Santuário de sua contaminação. Por isso, depois de efetuar a escolha de 2 bodes, um para o Senhor e outro para Azazel, sacrificava o primeiro e entrava com seu sangue até o interior do Lugar Santíssimo, onde depositava um pouco do sangue sobre a arca da aliança. Com isso, tomava sobre si os pecados, saía do Santuário e os colocava sobre a cabeça do bode por Azazel; esse bode não era sacrificado, mas era solto no deserto, no qual vivia até perecer. Por meio desse ritual, o Santuário era purificado de todos os pecados que para ele haviam sido transferidos. Maiores detalhes acerca dessas cerimônias podem ser encontradas em Levítico 4 e 16.
O ministério dos sacerdotes no primeiro compartimento representava o ofício intercessório que Jesus, Sumo Sacerdote do Céu, deveria cumprir no Lugar Santo do Santuário Celestial. E assim como, no Dia da Expiação, o sumo sacerdote judeu entrava no Lugar Santo dos Santos, ao final dos 2.300 dias-anos de Daniel 8:14, isto é, em 1.844 A.D., Jesus entrou no recinto mais interior do Santuário do Céu, com o fim de purificá-lo. Dessa forma, do ano 31 A.D., quando ascendeu à alturas, até 1.844 A.D., Jesus Cristo esteve intercedendo pela raça pecadora no primeiro compartimento do Santuário; mas, depois disso, houve uma mudança em Seu ministério e, hoje, Ele está no Santo dos Santos do Céu, empenhado na última parte de Sua obra em prol dos seres humanos. Findando esse trabalho, Ele voltará para resgatar Seus escolhidos e levá-los para as mansões celestiais.